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Cardiomiopatias


Conceitos Iniciais

As cardiomiopatias são um grupo de doenças que afetam o músculo cardíaco, resultando em disfunção e, frequentemente, insuficiência cardíaca. Elas são classificadas principalmente com base nas alterações estruturais e funcionais do coração.

Classificação

🧠 Conceito: A fração de ejeção (FE) é uma medida importante da função cardíaca. Na cardiomiopatia hipertrófica e restritiva, a FE pode estar preservada, indicando um problema no enchimento (diástole). Já na cardiomiopatia dilatada e de estresse, a FE é frequentemente reduzida, indicando um problema na contração (sístole). 💡

Cardiomiopatia Hipertrófica

A cardiomiopatia hipertrófica (CMH) é uma doença genética que causa o espessamento anormal do músculo cardíaco, especialmente dos ventrículos. Esse espessamento pode dificultar o bombeamento de sangue para fora do coração.

Características e Formas Clínicas

🧠 Conceito: A hipertrofia septal assimétrica, ao espessar o septo interventricular, pode gerar uma obstrução dinâmica à saída do ventrículo esquerdo (VE). Isso simula uma estenose aórtica, causando um sopro sistólico. A diferença crucial é que, na CMH, a obstrução é dinâmica (obstrui-desobstrui), piorando quando o coração está mais vazio. ⚠️

Clínica

🔎 Diagnóstico Clínico: A manobra de Valsalva e o agachamento são cruciais para diferenciar o sopro da CMH de outras valvopatias. Se o sopro piora com Valsalva e melhora com agachamento, pense em cardiomiopatia hipertrófica! 💡

Exames Complementares

Tratamento

💊 Tratamento: O objetivo principal é reduzir a obstrução e melhorar o enchimento ventricular. Evitar medicamentos que diminuam o retorno venoso é crucial. 🚨

Cardiomiopatia Dilatada

A cardiomiopatia dilatada (CMD) é caracterizada pela dilatação e disfunção sistólica de um ou ambos os ventrículos, resultando em uma redução da fração de ejeção e, consequentemente, em insuficiência cardíaca.

Etiologia

A CMD resulta de uma agressão ao miocárdio que leva à diminuição da força contrátil, fibrose e, por fim, à dilatação ventricular. Pode ser idiopática (sem causa conhecida) ou secundária a diversas condições:

Clínica

Os sintomas são predominantemente de insuficiência cardíaca, afetando tanto o ventrículo esquerdo (VE) quanto o ventrículo direito (VD):

Exames Complementares

💊 Tratamento: O tratamento da cardiomiopatia dilatada segue o mesmo esquema da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER), visando otimizar a função cardíaca e controlar os sintomas. 💡

Detalhes Importantes

Cardiomiopatia Dilatada Idiopática

Cardiomiopatia Dilatada Alcoólica

Cardiomiopatia Dilatada Chagásica

Cardiomiopatia Dilatada Periparto


Cardiomiopatia Restritiva

A cardiomiopatia restritiva (CMR) é uma condição cardíaca caracterizada pela rigidez das paredes ventriculares, o que impede o enchimento adequado do coração durante a diástole. Essa disfunção leva a um aumento das pressões de enchimento e, consequentemente, à insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEP).

Características Principais

Redução da Complacência Cardíaca: O principal achado é a incapacidade do ventrículo de relaxar e se encher adequadamente, mesmo com a função sistólica (contração) geralmente preservada. Isso resulta em uma insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEP).

🧠 Conceito: A cardiomiopatia restritiva é uma doença do miocárdio que afeta primariamente a fase de enchimento ventricular (diástole), levando à disfunção diastólica grave. A função de bombeamento (sístole) costuma estar preservada inicialmente.

Etiologias

A cardiomiopatia restritiva pode ser causada por diversas condições, que podem ser divididas em doenças infiltrativas e não infiltrativas:

Doenças Infiltrativas

Essas condições envolvem o acúmulo de substâncias anormais no miocárdio, levando à sua rigidez.

Doenças Não Infiltrativas

Nessas condições, a restrição não é causada por infiltração, mas por outros mecanismos.

⚠️ Atenção: A amiloidose cardíaca é uma causa comum de cardiomiopatia restritiva e deve ser sempre considerada no diagnóstico diferencial, especialmente em pacientes idosos com ICFEP.

Manifestações Clínicas

Os pacientes com cardiomiopatia restritiva geralmente apresentam sintomas de insuficiência cardíaca devido à dificuldade de enchimento do coração.

Exames Complementares

O diagnóstico da cardiomiopatia restritiva envolve uma combinação de exames de imagem e, em alguns casos, biópsia.

🔎 Diagnóstico: O ecocardiograma é crucial para identificar a disfunção diastólica e o espessamento miocárdico, enquanto a biópsia pode confirmar a causa subjacente da cardiomiopatia restritiva.

Tratamento

O tratamento da cardiomiopatia restritiva é desafiador e foca no manejo dos sintomas e da etiologia subjacente, quando possível.

💊 Tratamento: O foco principal é o manejo dos sintomas de insuficiência cardíaca e o tratamento da doença de base, se identificada. Não há cura para a maioria das formas de CMR, e o prognóstico é frequentemente reservado.

Cardiomiopatia de Estresse | Síndrome de Takotsubo (Coração Partido)

A Síndrome de Takotsubo, também conhecida como Cardiomiopatia de Estresse ou Síndrome do Coração Partido, é uma condição cardíaca aguda e reversível que mimetiza um infarto agudo do miocárdio, mas sem evidência de obstrução coronariana significativa. É frequentemente desencadeada por estresse físico ou emocional intenso.

Características Principais

💡 Dica: Pense na Síndrome de Takotsubo quando uma mulher de meia-idade ou idosa apresenta sintomas de infarto após um evento estressante, mas com coronárias normais na angiografia.

Achados Clínicos e Diagnósticos

Os pacientes com Síndrome de Takotsubo apresentam um quadro clínico que pode ser indistinguível de um infarto agudo do miocárdio.

🔎 Diagnóstico: A combinação de dor precordial, alterações no ECG (supra de ST), elevação discreta de troponina, coronárias normais no cateterismo e a disfunção ventricular característica no ECO (hipocinesia apical com hipercinesia basal) é diagnóstica para Takotsubo.

Tratamento

O tratamento da Síndrome de Takotsubo é principalmente de suporte, uma vez que a condição é geralmente reversível.

💊 Tratamento: O tratamento é de suporte, e a recuperação da função ventricular é a regra. A anticoagulação é reservada para casos específicos de alto risco de trombose.