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Doença Arterial Coronariana

A Doença Arterial Coronariana (DAC) é uma condição cardíaca comum, caracterizada pelo estreitamento das artérias coronárias, que são responsáveis por fornecer sangue rico em oxigênio ao músculo cardíaco. Este estreitamento é geralmente causado pelo acúmulo de placas de gordura, colesterol e outras substâncias, um processo conhecido como aterosclerose. A DAC pode se manifestar de duas formas principais: Síndrome Coronariana Crônica (SCC) e Síndrome Coronariana Aguda (SCA), dependendo da estabilidade da placa aterosclerótica.


Conceitos Iniciais

Fisiopatologia

A fisiopatologia da Doença Arterial Coronariana (DAC) está intrinsecamente ligada à aterosclerose das coronárias. Este processo degenerativo das artérias é influenciado por diversos fatores de risco, que incluem:

O resultado da aterosclerose é a isquemia miocárdica, que ocorre quando há um desequilíbrio entre a oferta e o consumo de oxigênio pelo músculo cardíaco. Esse desequilíbrio pode ser dividido em dois grandes grupos de síndromes coronarianas:

Quando a placa de ateroma é estável, a obstrução à passagem de sangue nas artérias coronárias é fixa. Isso significa que, em situações de maior demanda de oxigênio pelo coração (como durante exercícios físicos ou estresse), essa obstrução impede que o fluxo sanguíneo aumente adequadamente para suprir as necessidades do miocárdio. Essa condição se manifesta clinicamente como angina estável.

💡 Dica: A angina estável é como um "aviso" do coração, indicando que ele não está recebendo oxigênio suficiente sob demanda. O repouso ou o uso de nitratos geralmente aliviam os sintomas.

O grande problema surge quando essa placa estável se torna instável. A instabilização da placa ocorre por seu rompimento, expondo o conteúdo trombogênico subjacente. Dependendo da intensidade da agregação plaquetária e da exposição a diferentes tipos de colágeno, podemos ter dois cenários:

Síndrome Coronariana Crônica

Angina Estável

A angina estável é a manifestação clínica da Síndrome Coronariana Crônica. Ela é caracterizada por dor torácica que possui as seguintes características:

⚠️ Atenção: A dor da angina estável é previsível e reprodutível sob as mesmas condições de esforço.
Classificação de Gravidade (CCS - Canadian Cardiovascular Society)

A gravidade da angina estável é classificada de acordo com o nível de esforço que a desencadeia:

Síndrome Coronariana Aguda

Angina Instável ou Infarto Agudo do Miocárdio (IAM)

A Síndrome Coronariana Aguda (SCA) engloba a angina instável e o infarto agudo do miocárdio (IAM), que podem ser com ou sem supradesnivelamento do segmento ST. As características da dor torácica na SCA são distintas da angina estável:

🚨 Emergência: A Síndrome Coronariana Aguda é uma emergência médica que requer atenção imediata, pois indica um risco iminente de dano ao músculo cardíaco.
Diagnóstico Diferencial

É crucial diferenciar a SCA de outras condições que podem apresentar sintomas semelhantes. Algumas apresentações atípicas ou síndromes específicas incluem:

Apresentação Silenciosa/Atípica

A dor torácica pode ser ausente ou manifestar-se de forma atípica. É mais comum em:

Angina de Prinzmetal (Angina Vasoespástica)
Síndrome Microvascular (Síndrome X)
🔎 Diagnóstico: O diagnóstico diferencial é fundamental para um tratamento adequado, especialmente em casos de apresentações atípicas da dor torácica.
Tipo de Angina Atípica Características Principais Tratamento
Silenciosa/Atípica Ausência ou sintomas inespecíficos; comum em idosos, DM, renais crônicos, transplantados, mulheres, neuropatas. Tratamento da DAC subjacente e fatores de risco.
Prinzmetal (Vasoespástica) Dor em repouso (noturna/matinal); vasoespasmo coronariano súbito; supra de ST transitório no ECG. Bloqueadores de canal de cálcio, nitratos. Evitar betabloqueadores.
Microvascular (Síndrome X) Angina clássica sem obstrução epicárdica no cateterismo; disfunção da microvasculatura; menor limiar da dor. Tratamento sintomático e controle de fatores de risco.

Característica Angina Estável Síndrome Coronariana Aguda (Angina Instável/IAM)
Duração da Dor Menor que 5 a 10 minutos Maior que 10 a 20 minutos
Gatilho Grandes esforços ou estresse Pequenos esforços ou repouso
Instalação Progressiva Rápida, em "crescendo"
Alívio Repouso/Nitrato Não alivia com repouso/nitrato ou alívio parcial
Placa de Ateroma Estável Instável (rompida)

Síndrome Coronariana Crônica

Abordagem Diagnóstica

1. Eletrocardiograma (ECG) de Repouso

O eletrocardiograma de repouso é o ponto de partida na investigação da Síndrome Coronariana Crônica (SCC). Embora seja uma ferramenta inicial valiosa, é importante notar que, na maioria dos casos, seus achados podem ser inespecíficos.

💡 Dica: Sempre avalie o ECG de repouso antes de prosseguir para testes de esforço. Alterações como Bloqueio de Ramo Esquerdo (BRE) ou Hipertrofia Ventricular Esquerda (HVE) podem mascarar achados isquêmicos durante o esforço, exigindo outros métodos de investigação.

2. Teste Ergométrico

O teste ergométrico é uma ferramenta diagnóstica amplamente utilizada devido à sua alta disponibilidade e baixo custo. No entanto, sua indicação depende do ECG de repouso do paciente.

⚠️ Atenção: Um infradesnivelamento de ST > 1 mm em um paciente jovem e saudável pode não ter grande significado. Contudo, em pacientes com múltiplos fatores de risco (obesidade, diabetes, dislipidemia, idade avançada), um infra > 1 mm aumenta significativamente a sensibilidade do teste para detectar isquemia.

3. Cintilografia Miocárdica / PET de Repouso e Esforço

Quando o paciente não pode realizar o teste ergométrico (devido a limitações físicas ou alterações no ECG de repouso), ou quando os resultados do ECG de esforço são inconclusivos, a cintilografia miocárdica ou o PET (Tomografia por Emissão de Pósitrons) são opções valiosas.

Estresse Farmacológico

Para pacientes que não podem realizar esforço físico, o estresse pode ser induzido farmacologicamente:

🔎 Diagnóstico: Se os testes de isquemia não forem conclusivos ou se houver alta suspeita, a próxima etapa é visualizar diretamente os vasos coronarianos.

4. Testes Anatômicos Não Invasivos

Quando os testes provocativos não são suficientes ou há necessidade de visualizar diretamente a anatomia coronariana, os testes anatômicos não invasivos são indicados. Seus resultados normais possuem um alto valor preditivo negativo (VPN), afastando o diagnóstico de doença coronariana obstrutiva significativa.

5. Teste Anatômico Invasivo / CAT (Coronariografia)

A coronariografia (CAT) é considerada o padrão-ouro para a avaliação anatômica das artérias coronárias, mas por ser um exame invasivo, sua indicação é reservada para situações específicas.

Quando Pedir o CAT?
🚨 Emergência: A coronariografia é um exame invasivo e deve ser solicitada apenas quando há uma clara indicação, evitando riscos desnecessários ao paciente.

Resumo da Investigação

A investigação da Síndrome Coronariana Crônica segue uma sequência lógica, adaptada às características e resultados de cada paciente:

  1. ECG de Repouso: Avaliação inicial.
  2. Testes Provocativos (Funcionais):
  3. Testes Anatômicos (AngioTC/AngioRNM): Considerados quando os testes funcionais são inconclusivos ou há alta suspeita.
  4. CAT (Coronariografia): Padrão-ouro, reservado para casos de alta suspeita, sintomas refratários ou achados de alto risco nos exames anteriores.

Tratamento da Isquemia Crônica

O tratamento da Síndrome Coronariana Crônica (SCC) visa principalmente dois objetivos: controlar a obstrução coronariana (terapia antitrombótica) e reduzir a demanda miocárdica de oxigênio (terapia anti-isquêmica), além de promover mudanças no estilo de vida.

Medidas de Estilo de Vida (MEV)

Terapia Medicamentosa

Terapia Antitrombótica

Focada em controlar a obstrução e prevenir eventos trombóticos.

💊 Tratamento: O uso de estatinas é crucial na SCC, visando não apenas a redução do LDL, mas também a estabilização da placa aterosclerótica, independentemente dos níveis iniciais de colesterol.
Terapia Anti-Isquêmica

Visa reduzir a demanda miocárdica de oxigênio, controlando a pressão arterial (PA) e a frequência cardíaca (FC).

🧠 Conceito: O ABC da terapia medicamentosa na SCC pode ser resumido como: AAS, Betabloqueadores, Captopril (ou outro IECA/BRA) e controle do Colesterol (estatinas).

Se Paciente Refratário ao Tratamento: CAT + Intervenção

Quando o tratamento medicamentoso otimizado não é suficiente para controlar os sintomas ou a isquemia, a intervenção coronariana (cirurgia de revascularização miocárdica ou angioplastia) torna-se uma opção.

Cirurgia ou Angioplastia?

A escolha entre cirurgia de revascularização miocárdica (CRM) e angioplastia coronariana percutânea (ICP) depende de diversos fatores, sendo a cirurgia geralmente preferida em casos de maior gravidade ou complexidade da lesão.

⚠️ Atenção: Se optar por Angioplastia, é fundamental manter a terapia antiplaquetária dupla (AAS + Clopidogrel) por 6 a 12 meses, dependendo do tipo de stent utilizado e do risco isquêmico/hemorrágico do paciente.
Outras Opções Terapêuticas

Existem outras opções que podem ser consideradas, especialmente em pacientes que não são candidatos à revascularização ou que permanecem sintomáticos apesar do tratamento otimizado.

Essas opções podem ser utilizadas caso o paciente não queira ser submetido à coronariografia e/ou intervenção, mesmo com o uso do quinteto medicamentoso (betabloqueadores, IECA, nitrato, AAS e estatina).


Síndrome Coronariana Aguda

Conceitos

Classificação da SCA

A SCA pode ser classificada principalmente com base na presença ou ausência de oclusão total da artéria coronária, o que se reflete nas alterações eletrocardiográficas e na elevação de marcadores de necrose miocárdica.

Suboclusão

Na suboclusão, o fluxo sanguíneo é severamente reduzido, mas ainda há alguma passagem de sangue. Isso pode levar a dois quadros principais:

💡 Dica: A principal diferença entre Angina Instável e IAM sem Supra de ST é a presença de marcadores de necrose elevados no IAM sem Supra de ST.
Oclusão Total

Na oclusão total, o fluxo sanguíneo é completamente interrompido, resultando em um quadro mais grave:

🚨 Emergência: No IAM com Supra de ST, a prioridade é a reperfusão imediata para salvar o músculo cardíaco.

Diagnóstico Inicial: ECG e Marcadores de Necrose

Ao suspeitar de SCA, o eletrocardiograma (ECG) é a primeira e mais importante ferramenta diagnóstica, seguido pela avaliação dos marcadores de necrose miocárdica.

ECG na SCA

O ECG é fundamental para diferenciar entre os tipos de SCA:

🧠 Conceito: Qualquer alteração dinâmica (nova ou presumivelmente nova) da onda T e do segmento ST no ECG significa isquemia miocárdica até prova em contrário.
Marcadores de Necrose Miocárdica

Os marcadores de necrose, como a troponina, indicam dano ao músculo cardíaco. Sua elevação confirma o infarto.

Tipo de SCA ECG Marcadores de Necrose Gravidade
Angina Instável Infra de ST ou Inversão de T Negativos Menor
IAM sem Supra de ST Infra de ST ou Inversão de T Positivos Intermediária
IAM com Supra de ST Supra de ST Positivos Maior

Detalhes do ECG na SCA

ECG no IAM sem Supra de ST

No IAM sem Supra de ST, o ECG pode apresentar diversas alterações, ou até mesmo estar normal:

Identificando o Supradesnivelamento do ST no IAM com Supra de ST

Para identificar o supradesnivelamento do segmento ST, utilizamos o ponto PQ como referência. O supradesnivelamento é medido no ponto ST60.

🔎 Diagnóstico: Supradesnivelamento de ST > 1mm em duas derivações periféricas contíguas ou > 2mm em duas derivações precordiais contíguas indica IAM com Supra de ST.

Abordagem da SCA

🧠 Conceito: A abordagem inicial (ECG em 10 minutos + troponina nos momentos 0 e 1-2h) é similar para SCA com e sem supradesnivelamento de ST. O tratamento subsequente possui particularidades para cada caso.

ECG

O eletrocardiograma (ECG) é a ferramenta diagnóstica mais importante e deve ser realizado e interpretado em até 10 minutos da chegada do paciente.

Diagnósticos Diferenciais de Supradesnivelamento de ST

O supradesnivelamento do segmento ST no ECG pode ser um achado em outras condições além do IAM com Supra de ST, sendo crucial diferenciá-las para um tratamento correto.

Marcadores de Necrose Miocárdica

A dosagem de marcadores de necrose miocárdica é essencial para confirmar o dano ao músculo cardíaco.

⚠️ Atenção: A elevação da troponina não é exclusiva de SCA. Outras condições podem elevá-la.
Outras Causas de Elevação de Troponina

É importante considerar que a troponina pode estar elevada em diversas outras condições clínicas, não apenas na SCA. Isso exige uma avaliação cuidadosa do contexto clínico.

Comportamento dos Marcadores de Necrose

A cinética dos marcadores de necrose miocárdica é fundamental para a interpretação diagnóstica, indicando o tempo de início, pico e retorno aos níveis normais após um evento isquêmico.

Marcador Tempo de Alteração Inicial Tempo de Pico de Elevação Tempo de Retorno ao Normal
CK-MB 4-8 horas 12-24 horas 72-96 horas
Mioglobina 2-4 horas 8-10 horas 24 horas
Troponina I (cTnI) 4-6 horas 12 horas 3-10 dias
Troponina T (cTnT) 4-6 horas 12-48 horas 7-10 dias

Tratamento da Síndrome Coronariana Aguda Sem Supradesnivelamento do Segmento ST (SCASSST)

O tratamento da Síndrome Coronariana Aguda Sem Supradesnivelamento do Segmento ST (SCASSST) visa estabilizar o paciente, reduzir a isquemia e prevenir eventos cardiovasculares futuros. A abordagem inicial é frequentemente resumida pelo mnemônico "MONABICHA", que representa as principais classes de medicamentos utilizadas.

Farmacoterapia Inicial

💡 Dica: Benzodiazepínicos podem ser uma alternativa útil para manejo da ansiedade em pacientes com SCASSST.

Resumo das Drogas Essenciais no Tratamento Agudo:

🧠 Conceito: As drogas que comprovadamente reduzem a mortalidade na SCASSST podem ser lembradas pelo mnemônico "ABC":

É crucial ressaltar que NÃO se realiza trombólise no Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) sem supradesnivelamento do segmento ST! A estratégia de reperfusão na SCASSST é predominantemente invasiva (cateterismo cardíaco e angioplastia, se necessário).

Escore HEART

Após a estabilização inicial e a administração das medicações indicadas, a próxima etapa é determinar se o paciente se beneficiará de uma abordagem mais invasiva (cateterismo cardíaco) ou se a estratégia conservadora é suficiente. Para auxiliar nessa decisão, utiliza-se o Escore HEART, uma ferramenta de estratificação de risco que avalia a probabilidade de eventos cardiovasculares maiores em 6 semanas.

Componentes do Escore HEART

Componente 0 Ponto 1 Ponto 2 Pontos
History (História Clínica) Pouco/nada suspeita Moderadamente suspeita Altamente suspeita
ECG (Eletrocardiograma) Pouco/nada suspeita Distúrbios de repolarização inespecíficos Depressão significativa do segmento ST
Age (Idade) < 45 anos ≥ 45 e < 65 anos ≥ 65 anos
Risk factors (Fatores de Risco*) Nenhum 1 ou 2 fatores ≥ 3 fatores ou história de doença aterosclerótica
Troponin (Troponina) ≤ Limite superior da normalidade 1-3x o limite superior ≥ 3x o limite superior

*Fatores de risco incluem: hipercolesterolemia, diabetes, hipertensão, obesidade (IMC > 30 Kg/m²), tabagismo (atual ou interrupção há 3 meses), história familiar de doença arterial coronariana (DAC) precoce.

Interpretação do Escore HEART e Conduta

⚠️ Atenção: Não administrar inibidor da P2Y12 antes do cateterismo cardíaco em pacientes com risco intermediário ou alto, pois pode dificultar a realização de cirurgia de revascularização miocárdica de urgência, caso seja necessária.

Conduta Pós-Alta e Estratificação de Risco Adicional

Prescrição Medicamentosa Pós-Alta (Quinteto Medicamentoso)

Após a alta hospitalar, a terapia medicamentosa é fundamental para a prevenção secundária de eventos cardiovasculares. O Quinteto Medicamentoso é a base do tratamento crônico para pacientes com SCASSST:

💊 Tratamento: A Espironolactona também pode ser indicada em pacientes com disfunção cardíaca sintomática ou diabetes, como parte da otimização do tratamento.

O retorno ao trabalho é geralmente possível 2 semanas após a alta. A reabilitação cardíaca e a orientação sobre o retorno à atividade sexual são aspectos importantes a serem abordados com o paciente.

Estratificação de Risco para Cateterismo Cardíaco

A decisão sobre o momento do cateterismo cardíaco é guiada pela estratificação de risco do paciente, que pode ser classificada em muito alto, alto ou moderado, com base em critérios clínicos e laboratoriais.

Risco Fatores Conduta (Cateterismo Cardíaco)
MUITO ALTO
(Paciente instável)
  • Angina refratária, recorrente ou em repouso
  • Instabilidade hemodinâmica
  • Insuficiência Cardíaca Aguda (IC Aguda) / Edema Agudo de Pulmão (EAP)
  • Taquicardia Ventricular (TV) sustentada ou Fibrilação Ventricular (FV)
INVASIVA IMEDIATA
(CAT em até 2 horas)
ALTO
(Evidências em exames/escores)
  • Escore GRACE > 140
  • Alteração significativa de Troponina
  • Alterações no ECG (segmento ST e onda T)
INVASIVA PRECOCE
(CAT em até 24 horas)
MODERADO
(Fatores relacionados)
  • Escore TIMI > 2 ou GRACE 109-140
  • Diabetes Mellitus (DM), Doença Renal Crônica (DRC), ICFER < 40%
  • Revascularização prévia
INVASIVA RETARDADA
(CAT em até 72 horas)
⚠️ Atenção: Não administrar inibidor da P2Y12 antes do cateterismo cardíaco!

Outros Escores de Risco

Classificação de Killip

A Classificação de Killip é um importante preditor da mortalidade intra-hospitalar no Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), avaliando o grau de insuficiência cardíaca.

Classe de Killip Descrição Clínica Mortalidade Intra-hospitalar
Killip I Sem dispneia, B3 ou estertoração pulmonar. 6%
Killip II Dispneia e estertoração pulmonar nos 1/3 inferiores ou presença de B3. 17%
Killip III Edema Agudo de Pulmão (EAP). 38%
Killip IV Choque cardiogênico (Pressão Arterial Sistólica < 80 mmHg sem resposta a volume). 81%
🚨 Emergência: A classificação de Killip é o principal determinante da mortalidade intra-hospitalar do IAM, sendo crucial para a avaliação prognóstica imediata.

Escore de Risco TIMI (Thrombolysis In Myocardial Infarction)

O Escore de Risco TIMI é outra ferramenta utilizada para estratificar o risco de eventos isquêmicos em pacientes com Síndrome Coronariana Aguda (SCA), incluindo a SCASSST. Ele avalia sete parâmetros clínicos:

Cada um desses parâmetros adiciona 1 ponto ao escore. Quanto maior o escore TIMI, maior o risco de eventos cardiovasculares adversos.


Tratamento da Síndrome Coronariana Aguda Com Supradesnivelamento do Segmento ST (SCACSST)

Anatomia Coronariana

As principais artérias coronárias são a coronária direita (CD) e a coronária esquerda (CE), que se ramificam para irrigar diferentes regiões do coração.

Artéria Coronária Direita (CD)

A artéria coronária direita é responsável pela irrigação do ventrículo direito, da parede posterior (ou dorsal), da parede inferior e da base do septo interventricular. Este padrão é conhecido como dominância direita, ocorrendo em aproximadamente 70% dos indivíduos. Em 30% dos casos, a irrigação dessas paredes (posterior, inferior e base do septo) é suprida pela artéria circunflexa.

🧠 Conceito: A dominância coronariana é definida pela artéria que irriga a parede inferior e posterior do coração. Na maioria dos casos (70%), a coronária direita é a dominante.

Artéria Circunflexa Esquerda (CX)

A artéria circunflexa esquerda irriga a parede lateral do ventrículo esquerdo. Em cerca de 30% dos casos, ela também pode ser responsável pela irrigação das paredes posterior e inferior, caracterizando a dominância esquerda.

Artéria Descendente Anterior Esquerda (DA)

A artéria descendente anterior esquerda, também conhecida como interventricular anterior, é crucial para a irrigação da parede anterior do ventrículo esquerdo, do septo interventricular e do ápice do coração.

Localização do Infarto no Eletrocardiograma (ECG)

As alterações no eletrocardiograma (ECG) permitem identificar a parede cardíaca acometida pelo infarto, correlacionando as derivações com as artérias coronárias responsáveis pela irrigação daquela região.

Paredes Acometidas e Derivações Correspondentes

⚠️ Atenção: Sempre que houver alterações em D2, D3 e aVF (infarto inferior), é mandatório solicitar as derivações V3R, V4R (para avaliar o ventrículo direito) e V7, V8 (para avaliar a parede dorsal).

Imagem em Espelho

A imagem em espelho é um fenômeno eletrocardiográfico importante que ocorre quando uma derivação que se opõe à área infartada mostra alterações recíprocas. Por exemplo, se uma parede apresenta supradesnivelamento do segmento ST (supra), a derivação em espelho pode mostrar um infradesnivelamento do ST (infra). Da mesma forma, uma onda Q patológica em uma derivação pode corresponder a uma onda R ampla na derivação em espelho.

💡 Dica: Em casos de infradesnivelamento do ST com onda R mais ampla, sempre desconfie de uma imagem em espelho, especialmente se houver supradesnivelamento em outras derivações.

Paredes que se Opõem

Dicas Práticas para Análise do ECG no IAM

  1. Supra vs. Infra: Se o ECG apresentar tanto supradesnivelamento quanto infradesnivelamento do ST, o supra é o que manda. O infra, nesse contexto, é geralmente uma imagem em espelho. A única imagem em espelho de grande importância clínica é o infra em V1-V2 que indica infarto dorsal.
  2. Transição Elétrica: Observe a transição elétrica nas derivações precordiais (V1-V6). Normalmente, V1 e V2 são predominantemente negativos, V5 e V6 são predominantemente positivos, e V3 e V4 apresentam uma transição (complexo QRS isodifásico). Alterações nessa transição podem indicar patologias.
  3. Critério de Supra: Para diagnosticar um IAM com supradesnivelamento do ST, é necessário que haja supra em pelo menos duas derivações contíguas de uma mesma parede. No entanto, um supra difuso em quase todas as derivações, acompanhado de infradesnivelamento do segmento PR, sugere pericardite, e não IAM.
  4. Ordem de Visualização: Uma sugestão prática para a visualização do ECG é seguir a ordem das paredes: Lateral, Inferior e Anterior.
  5. IAM Inferior e VD: Se houver um IAM inferior (supra em D2, D3, aVF), é crucial avaliar o ventrículo direito solicitando as derivações V3R e V4R.
  6. Infarto Dorsal Oculto: Fique atento à transição elétrica alterada e à presença de infradesnivelamento em V1-V2. Isso pode ser uma imagem em espelho de um infarto dorsal, que deve ser confirmado com as derivações V7-V8.
🔎 Diagnóstico: Um infra em V1-V2, especialmente com onda R ampla, pode ser a única manifestação de um infarto dorsal, mesmo sem supra em outras derivações. Sempre investigue com V7-V8.

Exemplo de Análise

Considere um ECG com supradesnivelamento em D2, D3 e aVF, indicando um IAM inferior. Neste caso, devemos imediatamente avaliar o ventrículo direito com V3R e V4R. Se V3R e V4R não mostrarem alterações, o infarto de VD é descartado. Em seguida, ao analisar a parede anterior, se observarmos infradesnivelamento em V1 e V2 com uma transição elétrica alterada (por exemplo, V1 e V2 com parte positiva e negativa, não francamente negativos), isso sugere uma imagem em espelho de um infarto dorsal. Esta é uma das imagens em espelho mais importantes na prática clínica, podendo ocorrer isoladamente ou associada ao IAM inferior.

Tipos de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM)

A classificação do IAM é fundamental para entender a etiologia e o manejo da condição.

💊 Tratamento: A identificação do tipo de IAM é crucial para guiar a estratégia terapêutica e o prognóstico do paciente.
Tipo de IAM Descrição
Tipo 1 Infarto espontâneo por trombose aguda em placa aterosclerótica (erosão/ruptura).
Tipo 2 Desbalanço entre oferta e demanda de oxigênio, sem complicação aguda da placa.
Tipo 3 Morte súbita de provável origem isquêmica.
Tipo 4a Associado à angioplastia coronariana.
Tipo 4b Associado à trombose de stent.
Tipo 4c Associado à reestenose de stent.
Tipo 5 Relacionado à cirurgia de revascularização miocárdica.

Infarto Agudo do Miocárdio de Ventrículo Direito (IAM de VD)

O IAM de VD requer manejo específico devido às suas particularidades hemodinâmicas.

Clínica

A tríade clássica do IAM de VD inclui:

É importante estar atento à presença de bloqueios atrioventriculares (BAV) ou bloqueios atrioventriculares totais (BAVT), que podem ocorrer e, se associados à hipotensão com frequência cardíaca normal ou baixa, são altamente sugestivos de IAM de VD.

Tratamento

O tratamento do IAM de VD difere do IAM de VE em alguns aspectos cruciais:

🚨 Emergência: No IAM de VD, não usar nitratos, morfina, betabloqueadores e diuréticos, pois podem reduzir ainda mais a pré-carga e agravar a hipotensão. A reposição volêmica é prioritária!

Fases do IAM no ECG

O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) evolui através de diferentes fases, cada uma com características eletrocardiográficas distintas.

Fase Hiperaguda

Esta fase ocorre nos primeiros segundos a minutos após a oclusão coronariana. É caracterizada por:

Fase Aguda

Desenvolve-se nas primeiras horas da oclusão coronariana. As principais alterações incluem:

Fase Subaguda

Manifesta-se após aproximadamente 12 horas da oclusão. As características são:

Fase Crônica/Cicatricial

Esta fase se estabelece após semanas do evento agudo. As alterações observadas são:

💡 Dica: A evolução do IAM nem sempre segue todas as quatro fases. Em casos de reperfusão precoce e eficaz, a progressão eletrocardiográfica pode ser interrompida. Mesmo ondas Q patológicas podem, em alguns casos, regredir completamente. O tempo é crucial na intervenção!

Farmacoterapia Inicial da SCACSST

O tratamento da SCACSST é uma emergência médica e visa a reperfusão coronariana o mais rápido possível. Além das medidas gerais, é fundamental o contato imediato com a hemodinâmica para avaliação de angioplastia.

Medicações Essenciais (MONABICHA)

🚨 Emergência: Pegadinhas Clássicas!

Terapia de Reperfusão Imediata

Após a estabilização inicial e o início das medicações, o próximo passo crucial no manejo do SCACSST é definir a estratégia de reperfusão, que pode ser a angioplastia primária ou a trombólise. A decisão é baseada em critérios específicos e no tempo disponível.

Critérios para Reperfusão Imediata

A terapia de reperfusão é indicada se o paciente apresentar:

🧠 Conceito: No SCACSST, a oclusão coronariana total já ocorreu. O objetivo principal não é estratificar risco (como no IAMSST), mas sim reperfundir o vaso o mais rápido possível. O tempo é o fator mais crítico!

Angioplastia ou Trombolítico?

A escolha entre angioplastia primária e trombólise depende da disponibilidade de recursos e do tempo.

Angioplastia Primária

É o método preferencial de reperfusão.

Trombolítico

É uma alternativa quando a angioplastia não está disponível em tempo hábil.

⚠️ Atenção: Não se faz trombolítico no IAM sem supra de ST!

Contraindicações ao Trombolítico

É crucial identificar as contraindicações para evitar complicações graves, principalmente hemorrágicas.

Contraindicações Absolutas

As contraindicações absolutas tornam o uso de trombolíticos extremamente perigoso:

🚨 Lembre-se: "Tá sangrando, pode sangrar, vai dissecar ou tem coisa na cabeça" – Essa frase ajuda a memorizar as principais contraindicações absolutas ao trombolítico.
Contraindicações Relativas

Nesses casos, o risco-benefício deve ser cuidadosamente avaliado:

Critérios de Reperfusão Eficaz

Após a terapia de reperfusão, a eficácia é avaliada por:

Reperfusão Inadequada com Trombolítico

Se a reperfusão for inadequada após a trombólise (ausência dos critérios acima), o paciente deve ser encaminhado para Angioplastia de Resgate.

Fluxograma de Decisão para Terapia de Reperfusão

Cenário Decisão Tempo Ideal Observações
Paciente com SCACSST Avaliar tempo e disponibilidade Sintomas compatíveis, Delta-T < 12h, Supra de ST em 2 derivações ou BRE novo
Tempo Diagnóstico-Transferência-Balão < 120 minutos Angioplastia Primária Porta-balão: 90-120 minutos Método preferencial, especialmente em choque cardiogênico/IC grave
Angioplastia indisponível ou tempo > 120 minutos Trombolítico Porta-agulha: 30 minutos Seguido de CAT em até 24h (estratégia farmacoinvasiva)
Reperfusão inadequada com Trombolítico Angioplastia de Resgate Até 90 minutos após avaliação Encaminhar para hemodinâmica

Complicações Pós-Infarto Agudo do Miocárdio (IAM)

Arritmias

As arritmias são uma das complicações mais comuns e temidas após um infarto agudo do miocárdio. A instabilidade elétrica do músculo cardíaco isquêmico e lesionado cria um ambiente propício para o surgimento de diversos tipos de arritmias, desde extrassístoles até arritmias ventriculares malignas.

Fibrilação Ventricular (FV)

A fibrilação ventricular é a principal causa de morte em pacientes que sofreram um IAM, especialmente nas primeiras horas após o evento. A FV é uma arritmia caótica que impede o coração de bombear sangue de forma eficaz, levando à parada cardiorrespiratória (PCR) e, se não tratada imediatamente com desfibrilação, à morte.

🚨 Lembre-se: A principal causa de óbito no IAM é a fibrilação ventricular (FV).

Cardiodesfibrilador Implantável (CDI)

O cardiodesfibrilador implantável (CDI) é um dispositivo que monitora continuamente o ritmo cardíaco e é capaz de disparar um choque elétrico para reverter arritmias ventriculares graves, como a FV e a taquicardia ventricular (TV). A indicação de CDI em pacientes pós-IAM é uma medida de prevenção secundária, ou seja, para pacientes que já apresentaram eventos arrítmicos graves ou que possuem alto risco de desenvolvê-los.

Complicações Hemodinâmicas

As complicações hemodinâmicas após um IAM refletem a falha do coração em manter um débito cardíaco adequado para as necessidades metabólicas do corpo. O choque cardiogênico é a mais grave dessas complicações.

Choque Cardiogênico

O choque cardiogênico é uma síndrome de hipoperfusão tecidual causada por disfunção cardíaca grave, que resulta em baixo débito cardíaco e hipotensão persistente, apesar de uma pressão de enchimento ventricular adequada. É uma emergência médica com alta mortalidade.

O tratamento do choque cardiogênico envolve a otimização da função cardíaca e a manutenção da perfusão dos órgãos. As drogas vasoativas desempenham um papel crucial:

💊 Tratamento: Em choque cardiogênico, a dobutamina melhora a contratilidade. Se houver hipotensão, adicionar noradrenalina. Em casos refratários, considerar o uso do balão intra-aórtico.

Em casos refratários à terapia farmacológica com dobutamina e noradrenalina, dispositivos de assistência circulatória mecânica, como o balão intra-aórtico, podem ser considerados para suporte hemodinâmico temporário.

Complicações Tromboembólicas

As complicações tromboembólicas após um IAM são decorrentes da formação de trombos no coração ou nos vasos sanguíneos, que podem se desprender e obstruir a circulação em outros órgãos.

Trombo Mural no Ventrículo Esquerdo (VE)

A área infartada do miocárdio, especialmente no ventrículo esquerdo, pode se tornar discinética ou acinética, criando um ambiente de estase sanguínea que favorece a formação de trombos murais. Esses trombos, se despreendidos, podem causar eventos tromboembólicos sistêmicos, como acidente vascular cerebral (AVC) ou isquemia de membros.

🔎 Diagnóstico: O ecocardiograma é essencial para identificar trombos murais no VE. O tratamento é feito com anticoagulação.

Complicações Dolorosas

Após um IAM, o paciente pode experimentar diferentes tipos de dor torácica, que podem indicar novas complicações. É crucial diferenciar a angina pós-IAM da pericardite, pois ambas requerem abordagens distintas.

Angina Pós-IAM

A angina pós-IAM, também conhecida como angina pós-infarto, é um sintoma de isquemia miocárdica recorrente que ocorre após o evento inicial. Ela indica que o suprimento de sangue para o coração ainda é inadequado, geralmente devido a estenoses residuais nas artérias coronárias ou reoclusão. É considerada uma condição de alto risco e exige estratificação e tratamento imediatos.

⚠️ Atenção: Angina pós-IAM é sempre de alto risco e requer estratificação imediata para identificar a causa e iniciar o tratamento adequado.

Pericardite Pós-IAM (Aguda ou Síndrome de Dressler)

A pericardite é a inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração. Após um IAM, ela pode se manifestar de duas formas principais:

A diferenciação entre angina pós-IAM e pericardite é fundamental e baseia-se na avaliação conjunta de dados clínicos, eletrocardiograma (ECG), marcadores de necrose miocárdica e ecocardiograma.

Em relação ao tratamento, na Síndrome de Dressler, que geralmente ocorre mais de 4 semanas após o IAM, podem ser utilizados anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e, em casos mais graves ou refratários, corticosteroides.

Complicações Mecânicas

As complicações mecânicas são rupturas ou disfunções estruturais que podem ocorrer no coração após um IAM, resultando em deterioração hemodinâmica aguda e, muitas vezes, requerendo intervenção cirúrgica de emergência. A suspeita deve surgir quando um paciente pós-IAM desenvolve um sopro cardíaco novo.

Insuficiência Mitral Aguda

Pode ser causada pela ruptura de uma cordoalha tendínea ou disfunção do músculo papilar, levando à falha da válvula mitral em fechar completamente durante a sístole. Isso resulta em regurgitação de sangue do ventrículo esquerdo para o átrio esquerdo, causando sobrecarga de volume e pressão no átrio esquerdo e nos pulmões.

Comunicação Interventricular (CIV)

A CIV pós-IAM ocorre devido à ruptura do septo interventricular, criando uma comunicação anormal entre os ventrículos esquerdo e direito. Isso leva a um shunt (desvio) de sangue do ventrículo esquerdo para o direito, resultando em sobrecarga de volume no ventrículo direito e aumento do fluxo sanguíneo pulmonar.

🔎 Diagnóstico: A presença de um sopro novo em um paciente pós-IAM deve levantar a suspeita de complicações mecânicas. O ecocardiograma é a ferramenta diagnóstica essencial para confirmar e caracterizar essas condições.

Rotura de Estruturas Cardíacas

A rotura de estruturas cardíacas é uma complicação mecânica catastrófica do IAM, com alta mortalidade. O diagnóstico precoce e a intervenção cirúrgica são cruciais para a sobrevida do paciente.

Rotura de Músculo Papilar

A rotura do músculo papilar é uma complicação rara, mas grave, que leva à insuficiência mitral aguda grave. Geralmente ocorre em pacientes com IAM de parede inferior.

🚨 Emergência: A rotura de músculo papilar causa insuficiência mitral aguda grave, levando a EAP e choque. O tratamento é sempre cirúrgico.

Rotura do Septo Interventricular (CIV Pós-IAM)

A rotura do septo interventricular cria uma comunicação anormal entre os ventrículos, resultando em um shunt da esquerda para a direita, o que sobrecarrega o ventrículo direito e o leito pulmonar.

🚨 Emergência: A CIV pós-IAM leva a um shunt esquerda-direita, sobrecarga biventricular e falência cardíaca. O tratamento é sempre cirúrgico.

Rotura da Parede Livre do Ventrículo

A rotura da parede livre do ventrículo é a complicação mecânica mais letal do IAM, geralmente levando à morte súbita devido ao tamponamento cardíaco.

🚨 Emergência: A rotura da parede livre do ventrículo é letal, causando tamponamento cardíaco e morte súbita. A cirurgia de emergência é a única chance de sobrevida.
Característica Rotura do Septo Interventricular Rotura da Parede Livre Ventricular Rotura de Músculo Papilar
Incidência 0,2-0,4% 0,8-6,0% 1%
IAM Associado Anterior Anterior Inferior
Achados Clínicos Sopro holossistólico grosseiro em BEE com frêmito Tamponamento cardíaco com choque, Tríade de Beck Sopro sistólico com ou sem frêmito, irradia para BEE, axila e dorso
Clínica Principal Insuficiência Cardíaca Esquerda Tamponamento ou Morte Súbita Insuficiência Cardíaca Esquerda
Tratamento Cirurgia Cirurgia Cirurgia

Aneurisma Ventricular

O aneurisma ventricular é uma complicação crônica do IAM, caracterizada por uma área discinética ou acinética da parede ventricular que se dilata durante a sístole. Embora seja uma complicação estrutural, seu risco de ruptura é baixo.

🧠 Conceito: Aneurisma ventricular é uma complicação crônica do IAM, caracterizada por supradesnivelamento de ST persistente. O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, dependendo da sintomatologia.