Insuficiência Cardíaca
Conceitos Iniciais
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa caracterizada pela incapacidade do coração em suprir as demandas metabólicas do organismo sem que haja uma elevação compensatória das pressões de enchimento. Essencialmente, o coração falha em sua função de bomba, resultando em um débito cardíaco inadequado para as necessidades teciduais e/ou pressões de enchimento elevadas que levam a sintomas de congestão.
Conceitos Fisiológicos
Para compreender a IC, é fundamental revisar alguns conceitos hemodinâmicos:
- Débito Cardíaco (DC): Volume de sangue bombeado pelo coração por minuto. É o produto do Débito Sistólico (DS) pela Frequência Cardíaca (FC).
DC = DS x FC.
- Débito Sistólico (DS): Volume de sangue ejetado pelo ventrículo em cada sístole.
- Volume Diastólico Final (VDF): Volume de sangue presente no ventrículo ao final da diástole, antes da contração.
- Fração de Ejeção (FE): Porcentagem do Volume Diastólico Final que é ejetada pelo Débito Sistólico. É um importante indicador da função sistólica ventricular.
- Pré-carga: Corresponde ao volume de enchimento ventricular, ou seja, o Volume Diastólico Final. Reflete o estiramento das fibras miocárdicas antes da contração.
- Pós-carga: É a resistência imposta à ejeção ventricular durante a sístole. Representa a força que o ventrículo precisa superar para ejetar o sangue.
- Mecanismo de Frank-Starling: Este princípio fisiológico estabelece que, dentro de limites fisiológicos, quanto maior o volume de sangue que retorna ao coração (maior pré-carga), maior será a força de contração e, consequentemente, maior o débito sistólico.
Com base nesses conceitos, a insuficiência cardíaca pode se manifestar de duas formas principais:
- Dificuldade de relaxamento: O coração não consegue se encher adequadamente (disfunção diastólica), resultando em débito cardíaco baixo, mas com fração de ejeção preservada.
- Dificuldade de contração: O coração não consegue ejetar o sangue de forma eficaz (disfunção sistólica), levando a um débito cardíaco baixo e a uma fração de ejeção reduzida.
💡 Dica Terapêutica: Para melhorar os sintomas da insuficiência cardíaca, o objetivo é reduzir a pré-carga (com diuréticos, que diminuem o retorno venoso e o VDF) e reduzir a pós-carga (com vasodilatadores, que diminuem a resistência à ejeção durante a sístole).
A tabela abaixo apresenta situações hipotéticas:
| Característica |
Coração que "não contrai direito" (ICFER) |
Coração que "não relaxa direito" (ICFEP) |
| VDF |
100 ml |
50 ml |
| DS |
35 ml |
35 ml |
| FE |
35% |
70% |
| Débito Cardíaco |
Reduzido |
Reduzido |
Classificação da Insuficiência Cardíaca
A insuficiência cardíaca é classificada principalmente com base na fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE):
- ICFER (Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida): FEVE < 40%
- ICFE Levemente Reduzida: FEVE entre 41-49%
- ICFEP (Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada): FEVE ≥ 50%
Como Diferenciar ICFER de ICFEP?
Embora o débito cardíaco possa ser baixo em ambas as formas de IC, a diferenciação é crucial para o tratamento. A clínica pode ser semelhante, mas as características fisiopatológicas e os achados complementares são distintos.
| Característica |
ICFER ("Sistólica") |
ICFEP ("Diastólica") |
| Mecanismo Principal |
↓ Força de contração (ejeção ruim) |
↓ Relaxamento (enchimento ruim) |
| Pressão de Enchimento |
↑ Pressão de enchimento |
↑ Pressão de enchimento |
| Fração de Ejeção |
≤ 40% |
≥ 50% |
| Débito Cardíaco |
Baixo |
Baixo |
| Radiografia de Tórax |
Aumento de câmaras e do coração (dilatado) |
Câmaras e coração normais ou hipertrofia concêntrica |
| Sons Cardíacos |
B3 (sobrecarga de volume) |
B4 (sobrecarga de pressão) |
| Coração |
Dilatado |
Hipertrofiado (concêntrico) |
| Ictus Cordis |
Difuso |
Normal |
🧠 Conceito: Na ICFER, o volume residual no ventrículo esquerdo causa sobrecarga de volume e o surgimento de B3. O coração se dilata e não consegue contrair adequadamente. Na ICFEP, a dificuldade de relaxamento leva à sobrecarga de pressão e B4, com o coração hipertrofiado que não relaxa bem.
Insuficiência Cardíaca Esquerda (IVE) vs. Insuficiência Cardíaca Direita (IVD)
É fundamental entender a interconexão entre as câmaras cardíacas e a circulação. Quando o ventrículo esquerdo (VE) falha, o sangue se acumula "para trás", afetando o pulmão. Isso leva à congestão pulmonar. Por sua vez, a congestão pulmonar pode aumentar a pressão no ventrículo direito (VD), levando à insuficiência do VD e, consequentemente, à congestão sistêmica.
IVE → ↑ Pressão no Pulmão → Congestão Pulmonar → ↑ Pressão no VD → IVD → ↑ Pressão na Veia Cava → Congestão Sistêmica.
⚠️ Atenção: A principal causa de IVD é a própria IVE, devido ao mecanismo de "regurgitação" de sangue que afeta as câmaras e vasos a montante.
Manifestações Clínicas por Lado do Coração
| Característica |
Insuficiência Cardíaca Esquerda (IVE) |
Insuficiência Cardíaca Direita (IVD) |
| Congestão Principal |
Pulmonar |
Sistêmica |
| Sintomas/Sinais |
Dispneia aos esforços, ortopneia, DPN, estertoração, B3, tosse seca, edema agudo de pulmão, sibilos. |
Turgência jugular patológica, refluxo hepatojugular, sinal de Kussmaul, hepatomegalia, edema de MMII, ascite, derrame pleural. |
Outras Classificações
- Aguda vs. Crônica: A distinção não se baseia em um tempo específico, mas no contexto clínico. Por exemplo, uma HAS de longa data causa IC crônica, enquanto a ruptura de uma cordoalha tendínea causa IC aguda.
- Alto Débito vs. Baixo Débito:
- Alto Débito: O coração funciona, mas não consegue suprir uma demanda metabólica aumentada do corpo. Causas incluem anemia, tireotoxicose, fístulas arteriovenosas, deficiência de B1 (beribéri), doença de Paget e obesidade.
- Baixo Débito: Resulta de uma menor capacidade de trabalho do próprio coração, que se torna incapaz de suprir as necessidades do organismo. É a forma mais comum de IC.
Etiologia da Insuficiência Cardíaca
- Principais Causas: Doença Arterial Coronariana (DAC) e Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS).
- Outras Condições: Doenças orovalvares, pneumopatias crônicas, doenças infiltrativas (ex: amiloidose), consumo de álcool, uso de quimioterápicos, doença de Chagas e arritmias crônicas.
- Causas de Alto Débito: Beribéri (deficiência de B1), tireotoxicose, anemia, obesidade, fístula arteriovenosa.
Fisiopatologia da ICFER
A fisiopatologia da ICFER é complexa e envolve um ciclo vicioso que leva à progressão da doença. A fisiopatologia da ICFEP, por outro lado, ainda não é totalmente compreendida.
O ciclo da ICFER pode ser resumido da seguinte forma:
- Dano Miocárdico: Uma lesão inicial no músculo cardíaco (ex: IAM, HAS) leva à redução do débito cardíaco.
- Ativação Neuro-humoral: A queda do débito cardíaco ativa barorreceptores e causa hipoperfusão renal, resultando na ativação do Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona (SRAA) e na liberação de catecolaminas.
- Remodelamento Cardíaco: A angiotensina, a aldosterona e as catecolaminas promovem o remodelamento cardíaco. Inicialmente uma tentativa de compensação, esse processo se torna deletério em um coração doente.
- Piora Contratil e Congestão: O remodelamento inadequado leva à piora da função contrátil e ao desenvolvimento de congestão sistêmica.
- Reinício do Ciclo: A congestão e a piora da função cardíaca resultam em nova ativação hormonal e mais dano miocárdico, perpetuando o ciclo de deterioração.
Progressão da Insuficiência Cardíaca
O processo de progressão da IC envolve múltiplos níveis:
- Insulto Cardíaco: Injúria miocárdica, sobrecarga de volume ou pressão.
- Ativação de Mediadores: Estresse de tensão parietal, ativação neuro-humoral, citocinas, isquemia, estresse oxidativo.
- Nível Molecular/Celular: Hipertrofia do miócito, necrose/apoptose, fibrose, degeneração do colágeno.
- Nível Estrutural/Funcional: Hipertrofia e dilatação cardíaca, redução da contração e/ou relaxamento, perda progressiva da função cardíaca.
- IC Progressiva: Evolução da doença, que pode ser observada em fases como a fase aguda do IAM, a expansão do infarto (horas a dias) e o remodelamento ventricular global (semanas a meses).
Manifestações Clínicas
As manifestações clínicas da insuficiência cardíaca variam dependendo do lado do coração predominantemente afetado, resultando em síndromes de congestão pulmonar ou sistêmica.
IC Direita (Congestão "Sistêmica")
- Turgência jugular patológica
- Hepatomegalia dolorosa
- Edema de membros inferiores (MMII)
- Ascite
- Derrame pleural (mais comum à direita)
IC Esquerda (Congestão "Pulmonar")
- Ortopneia e tosse seca
- Dispneia paroxística noturna (DPN)
- Edema agudo de pulmão
- Sibilos e estertores crepitantes
- Dispneia aos esforços
🔎 Diagnóstico: A compreensão das manifestações clínicas por lado do coração é fundamental para o diagnóstico diferencial e a abordagem terapêutica da insuficiência cardíaca.
Diagnóstico
O diagnóstico da insuficiência cardíaca (IC) é fundamentalmente clínico. Embora exames complementares sejam úteis para avaliar a causa, classificação e prognóstico, a presença de um ecocardiograma não é obrigatória para fechar o diagnóstico. Para auxiliar nesse processo, são utilizados os Critérios de Framingham.
(1) Exames Complementares
Diversos exames podem auxiliar no diagnóstico e acompanhamento da insuficiência cardíaca, fornecendo informações importantes sobre a função cardíaca e o estado geral do paciente.
- "Rotina" de Sangue: Inclui hemograma, lipidograma, função renal, glicemia e eletrólitos. Essencial para avaliar o estado metabólico e renal do paciente, que pode ser afetado pela IC ou por suas comorbidades.
- Eletrocardiograma (ECG): Avalia o ritmo cardíaco, a presença de sequelas de infarto prévio e sinais de sobrecarga ventricular.
- Radiografia de Tórax: Permite verificar o índice cardíaco, aumentos das câmaras cardíacas e sinais de congestão pulmonar, como edema.
- Ecocardiograma: É crucial para diferenciar entre insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) e insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEP). ⚠️ Não deve ser repetido rotineiramente sem indicação clínica.
- BNP (Peptídeo Natriurético Cerebral) e NT-proBNP (N-terminal pró-BNP):
- Valores de BNP > 35 pg/dL e NT-proBNP > 125 pg/dL são indicativos.
- Utilizados em casos de dúvida diagnóstica (diferenciar dispneia de origem pulmonar vs. cardíaca) e para prognóstico.
- Possuem alto valor preditivo negativo, ou seja, valores baixos ajudam a excluir o diagnóstico de IC.
- 🧠 Quanto mais altos os valores (> 100 para BNP e > 300-400 para NT-proBNP), pior o prognóstico.
🔎 Diagnóstico: O ecocardiograma é útil para avaliar a causa, classificação e prognóstico da IC, mas não é obrigatório para o diagnóstico inicial, que é essencialmente clínico.
(2) Critérios de Framingham
Os Critérios de Framingham são uma ferramenta clínica para o diagnóstico de insuficiência cardíaca, baseando-se na presença de critérios maiores e menores. O diagnóstico é estabelecido com a presença de 2 critérios maiores ou 1 critério maior + 2 critérios menores, desde que não possam ser atribuídos a outra condição clínica.
A tabela abaixo apresenta os Critérios clínicos modificados de Framingham para o diagnóstico de insuficiência cardíaca.
| Critérios Maiores |
Critérios Menores |
| Dispneia paroxística noturna |
Edema bilateral de membros inferiores |
| Ortopneia |
Tosse noturna |
| Pressão venosa jugular elevada |
Dispneia aos esforços habituais |
| Estertores pulmonares |
Hepatomegalia |
| 3ª bulha cardíaca |
Derrame pleural |
| Cardiomegalia na radiografia de tórax |
Taquicardia (≥120 bpm) |
| Edema pulmonar na radiografia de tórax |
Perda de peso ≥4,5 kg em 5 dias* |
| Perda de peso ≥4,5 kg em 5 dias em resposta ao tratamento da IC* |
|
⚠️ Atenção: Estertores pulmonares e perda de peso > 4,5 kg são critérios maiores. Os demais critérios maiores conferem maior certeza ao diagnóstico de IC.
* Se a perda de peso estiver claramente relacionada ao tratamento da insuficiência cardíaca, representa critério maior. Se a causa for incerta, representa critério menor.
Classificação
A insuficiência cardíaca pode ser classificada de diferentes formas, sendo as mais comuns a classificação funcional (NYHA) e a classificação evolutiva (AHA/ACC). Ambas são cruciais para nortear o tratamento e avaliar o prognóstico do paciente.
Classificação Funcional (NYHA - New York Heart Association)
Esta classificação avalia a limitação das atividades físicas do paciente devido aos sintomas da IC.
- NYHA I: O esforço físico usual não causa dispneia, fadiga ou palpitações.
- NYHA II: O esforço físico usual causa dispneia, fadiga ou palpitações. Há leve limitação das atividades físicas.
- NYHA III: Sintomas ocorrem com atividades menos intensas que as usuais. Há marcada limitação das atividades físicas.
- NYHA IV: Sintomas presentes até mesmo em repouso, com piora ao menor esforço físico. Incapacidade de realizar qualquer atividade física sem desconforto.
Classificação Evolutiva (AHA/ACC - American Heart Association/American College of Cardiology)
Esta classificação descreve os estágios da IC, desde o risco até a doença refratária, independentemente da presença de sintomas.
- Estágio A: Apenas fatores de risco para IC, sem doença estrutural cardíaca ou sintomas.
- Estágio B: Doença estrutural cardíaca presente, mas ainda assintomática.
- Estágio C: Pacientes com doença estrutural cardíaca e sintomas atuais ou prévios de IC.
- Estágio D: Insuficiência cardíaca refratária, com sintomas graves que persistem apesar do tratamento otimizado, necessitando de intervenções avançadas.
🧠 Conceito: As classificações funcional e evolutiva são essenciais para a prática médica e para a compreensão da progressão da doença, guiando as decisões terapêuticas.
Tratamento
O tratamento da insuficiência cardíaca visa, principalmente, inibir o remodelamento cardíaco, um processo que ocorre em resposta à disfunção cardíaca e que envolve a liberação de substâncias neuro-humorais como angiotensina II, aldosterona e noradrenalina, levando à sobrecarga ventricular e à progressão da doença.
🧠 Lembre-se: A resposta compensatória inicial do coração na IC (liberação de angiotensina II, aldosterona e noradrenalina) leva ao remodelamento cardíaco, que é o alvo principal do tratamento.
Arsenal Terapêutico
O arsenal terapêutico para a insuficiência cardíaca é vasto e inclui drogas que comprovadamente aumentam a sobrevida, drogas que aliviam os sintomas e, em casos selecionados, dispositivos cardíacos. É crucial entender a indicação e as contraindicações de cada um.
(1) Drogas que Aumentam Sobrevida
Estas são as medicações de primeira linha no tratamento da IC, pois atuam diretamente na fisiopatologia da doença, melhorando o prognóstico e a qualidade de vida a longo prazo.
- Betabloqueadores (Succinato de Metoprolol, Carvedilol, Bisoprolol):
- Indicação: Para todos os pacientes, inclusive os assintomáticos.
- Início: O paciente precisa estar compensado para o início do uso. Começar sempre com baixas doses e titular gradualmente.
- Importante: Se o paciente já faz uso, não suspender em caso de descompensação aguda.
- Contraindicações: Bloqueio atrioventricular (BAV) de 2º ou 3º grau, frequência cardíaca (FC) < 50 bpm, pressão arterial sistólica (PAS) < 80 mmHg, choque.
- ⚠️ Atenção: Deve ser utilizado o Succinato de Metoprolol, e não o Tartarato de Metoprolol.
- Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA):
- Indicação: Para todos os pacientes, inclusive os assintomáticos. É a opção preferível em relação aos Bloqueadores do Receptor de Angiotensina (BRA).
- Contraindicações: Potássio > 5,5 mEq/L, creatinina > 3 mg/dL, estenose bilateral de artéria renal.
- Bloqueadores do Receptor de Angiotensina (BRA) - "Sartanas":
- Indicação: Para pacientes intolerantes ao IECA (devido a tosse ou angioedema).
- Contraindicações: As mesmas do IECA.
- Valsartana (BRA) + Sacubitril (Inibidor da Neprilisina) - "Entresto":
- Indicação: Substitui o IECA/BRA em pacientes com NYHA II, III ou IV.
- AHA 2022: Possui efeito superior a IECA/BRA e é preferível.
- SBC: Preferível para pacientes sintomáticos apesar do uso de IECA.
- Atenção: Aumenta os níveis séricos de BNP, mas não de NT-proBNP (a neprilisina degrada o BNP). Portanto, o BNP não serve para acompanhamento nesses pacientes.
- ⚠️ Importante: Esperar pelo menos 36 horas após a suspensão do IECA antes de iniciar o Sacubitril/Valsartana.
- Antagonistas da Aldosterona (Espironolactona):
- Indicação: Para pacientes com NYHA > II.
- Contraindicações: Potássio > 5 mEq/L e/ou creatinina > 2-2,5 mg/dL, ou clearance de creatinina (CICr) < 30 mL/min.
- Inibidores da SGLT2 ("Dapa" e Empagliflozina):
- Indicação: Para pacientes com NYHA > II (mesmo os assintomáticos e mesmo se não houver diabetes).
- Cuidado: Avaliar a função renal. Considerar o uso de diurético associado pelo risco de glicosúria.
- Hidralazina + Nitrato:
- Indicação: Alternativa para IECA ou BRA em pacientes com NYHA III/IV refratários ou com contraindicações à terapia padrão. Pode ser uma opção inicial em pacientes com contraindicações a IECA/BRA ou adicionada como droga adicional em refratários.
- Benefício: Excelente benefício em pacientes negros.
- Ivabradina (Inibidor da Corrente If):
- Indicação: Para pacientes sintomáticos em terapia padrão.
- Requisitos: Necessário ritmo sinusal, dose otimizada de betabloqueador e frequência cardíaca (FC) > 70 bpm.
- Função: Pode ser acrescentada ou substituir os betabloqueadores em casos específicos.
💊 Tratamento: As principais drogas que atuam na melhora da sobrevida são: IECA/BRA, Espironolactona, Betabloqueadores, Hidralazina + Nitrato, Ivabradina e Valsartana + Sacubitril (Entresto), e os Inibidores da SGLT2 (Dapagliflozina/Empagliflozina).
(2) Drogas que Melhoram Sintomas
Estas medicações são utilizadas para aliviar os sintomas da IC, melhorando a qualidade de vida do paciente, mas sem impacto direto na sobrevida.
- Diuréticos de Alça (Furosemida):
- Indicação: Para pacientes sintomáticos, principalmente com sinais de congestão.
- Associação: Pode-se associar hidroclorotiazida para casos refratários.
- Digoxina:
- Indicação: Reduz internações. Uso para pacientes refratários.
- Contraindicações: Insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEP) e/ou cardiomiopatia hipertrófica.
- Efeitos Adversos: Xantopsia (visão amarelada), náuseas e cardiotoxicidade (risco maior se hipocalemia e/ou hipomagnesemia).
(3) Dispositivos
Em casos selecionados, a implantação de dispositivos cardíacos pode ser uma estratégia terapêutica eficaz para melhorar o prognóstico e a qualidade de vida.
- Cardiodesfibrilador Implantável (CDI):
- Indicações para Profilaxia Primária (prevenção de eventos futuros):
- Pacientes com IC e alto risco de desenvolver arritmias ventriculares súbitas (taquicardia ventricular/fibrilação ventricular).
- Necessário preencher dois critérios:
- Fração de ejeção (FE) < 30% e NYHA I refratário ao tratamento otimizado, OU FE < 35% e NYHA II/III refratário ao tratamento otimizado.
- Cardiopatia isquêmica > 40 dias do infarto agudo do miocárdio (IAM) ou cardiopatia não isquêmica.
- Observação: Para pacientes com NYHA IV, o transplante cardíaco pode ser mais adequado, evitando choques frequentes do CDI.
- Justificativa para > 40 dias pós-IAM: É necessário aguardar esse período para avaliar se os sintomas de IC persistem devido às consequências do IAM. Se sim, o CDI é indicado.
- Ressincronizador ("Marca-passo Ressincronizador"):
- Indicação: Fração de ejeção (FE) < 35%, paciente refratário ao tratamento otimizado, ECG com ritmo sinusal, Bloqueio de Ramo Esquerdo (BRE) e QRS > 150 ms.
- Mecanismo: O dispositivo ressincroniza a contração do miocárdio dos dois ventrículos em pacientes com disfunção do ventrículo esquerdo e bloqueio de ramo, otimizando a sístole.
Abordagem Terapêutica dos Pacientes sem Sintomas
Fatores de Risco e Doença Estrutural Assintomática
A organização do tratamento para pacientes sem sintomas de insuficiência cardíaca (IC) é crucial para prevenir a progressão da doença. Nesta fase, a atenção se volta para a gestão de fatores de risco e a identificação de doença estrutural assintomática.
🧠 Conceito: A intervenção precoce em pacientes assintomáticos com fatores de risco ou doença estrutural é fundamental para modificar o curso da insuficiência cardíaca.
Estratégias de Tratamento
- Tratar fatores de risco: Inclui a implementação de dieta saudável, incentivo à atividade física regular e manutenção da imunização em dia.
- Manejo específico para diabetes mellitus (DM) e doença coronariana: Em pacientes com DM e doença coronariana, a glifozina é uma opção terapêutica importante.
- Terapia medicamentosa para doença estrutural assintomática: Para pacientes com doença estrutural assintomática, a terapia com IECA (Inibidor da Enzima Conversora de Angiotensina) ou BRA (Bloqueador do Receptor de Angiotensina), combinada com betabloqueadores, é recomendada.
💊 Tratamento: Em pacientes com doença estrutural assintomática, a combinação de IECA/BRA e betabloqueadores é a base do tratamento para retardar a progressão da IC.
Abordagem Terapêutica dos Pacientes com Sintomas
Estratégias de Tratamento
Para pacientes que já apresentam sintomas de insuficiência cardíaca, a abordagem terapêutica é guiada pela classificação funcional da New York Heart Association (NYHA), que categoriza a gravidade dos sintomas.
🔎 Diagnóstico: A classificação NYHA é essencial para determinar a intensidade dos sintomas e guiar as decisões terapêuticas em pacientes com IC sintomática.
Tratamento por Classe Funcional NYHA
A terapia medicamentosa é escalonada conforme a progressão dos sintomas:
- NYHA I (Sintomas com grande esforço, > 6 METs): Continuar com IECA/BRA + Betabloqueador.
- NYHA II-IV (Sintomas com médios ou pequenos esforços, 4-6 METs ou < 4 METs): Adicionar diurético, glifozina, espironolactona. Pode-se considerar hidralazina + nitrato, ivabradina e digitálico.
- NYHA IV (Sintomas em repouso): Otimizar as doses dos medicamentos já em uso.
💊 Tratamento: Para pacientes sintomáticos, a terapia é multifacetada, incluindo IECA/BRA, betabloqueadores, diuréticos, glifozina e espironolactona, com outras opções para casos específicos.
Opções para Casos Refratários
Quando os sintomas são refratários ao tratamento medicamentoso otimizado, outras intervenções podem ser necessárias:
- Suporte circulatório: Dispositivos de assistência ventricular.
- Transplante cardíaco: Opção para casos avançados e selecionados.
| Classe NYHA |
Descrição dos Sintomas |
Tratamento Recomendado |
| NYHA I |
Sem limitação da atividade física. Sintomas apenas com grande esforço (> 6 METs). |
IECA/BRA + Betabloqueador |
| NYHA II |
Leve limitação da atividade física. Sintomas com médios esforços (4-6 METs). |
IECA/BRA + Betabloqueador + Diurético + Glifozina + Espironolactona (+/- Hidralazina + Nitrato, +/- Ivabradina, +/- Digitálico) |
| NYHA III |
Marcada limitação da atividade física. Sintomas com pequenos esforços (< 4 METs). |
IECA/BRA + Betabloqueador + Diurético + Glifozina + Espironolactona (+/- Hidralazina + Nitrato, +/- Ivabradina, +/- Digitálico) |
| NYHA IV |
Incapacidade de realizar qualquer atividade física sem desconforto. Sintomas em repouso. |
Otimização das doses dos medicamentos. Considerar suporte circulatório ou transplante cardíaco. |
Tratamento da Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICFEP)
Desafios e Recomendações Atuais
O tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEP) apresenta desafios significativos devido à complexidade de sua fisiopatologia e à escassez de evidências científicas robustas para terapias específicas. A abordagem atual foca no manejo dos fatores de risco e comorbidades.
⚠️ Atenção: As evidências para o tratamento da ICFEP são limitadas, e a estratégia principal é o controle rigoroso das comorbidades e fatores de risco.
Estratégias Terapêuticas
- Controle de comorbidades: É fundamental controlar a pressão arterial (PA), frequência cardíaca (FC), coronariopatia e fibrilação atrial (FA).
- Manejo da congestão: Diuréticos em baixas doses são utilizados para aliviar a congestão.
- Glifozina: A glifozina é recomendada (Classe 2A) e tem demonstrado redução da mortalidade em pacientes com ICFEP.
- Outros medicamentos: IECA, betabloqueadores e antagonistas de cálcio podem ser utilizados para o controle de comorbidades, mas não possuem recomendação específica para a ICFEP em si.
- Digitálicos: Não são recomendados para o tratamento da ICFEP.
💊 Tratamento: A glifozina é a única medicação com recomendação de Classe 2A para redução de mortalidade na ICFEP, complementando o manejo das comorbidades.
Abordagem da Insuficiência Cardíaca Aguda Descompensada
Perfis Hemodinâmicos na IC Aguda Descompensada
A avaliação hemodinâmica é crucial na abordagem da insuficiência cardíaca (IC) aguda descompensada, permitindo classificar o paciente em diferentes perfis que guiam o tratamento. A classificação se baseia na presença de congestão e baixa perfusão em repouso.
🧠 Conceito: A avaliação inicial foca em dois pilares: congestão (paciente "úmido") e baixa perfusão (paciente "frio"). A combinação desses fatores define o perfil hemodinâmico e a estratégia terapêutica. ⚠️ Não pule essa parte!
Classificação dos Perfis Hemodinâmicos
Os pacientes são classificados em quatro perfis principais:
- Quente e Seco (Perfil A): Sem congestão e com perfusão normal. Geralmente, não é o foco da abordagem aguda, pois o paciente está compensado.
- Quente e Úmido (Perfil B): Com congestão, mas com perfusão normal. É o perfil mais comum na descompensação aguda.
- Frio e Úmido (Perfil C): Com congestão e baixa perfusão. Indica um quadro mais grave, com disfunção cardíaca significativa.
- Frio e Seco (Perfil D/L): Sem congestão, mas com baixa perfusão. Pode indicar hipovolemia ou outras causas de choque.
💡 Dica: Lembre-se que "quente" significa boa perfusão e "frio" significa baixa perfusão. "Úmido" indica congestão e "seco" ausência de congestão.
Resumo da Abordagem por Perfil
Um resumo rápido das condutas iniciais para cada perfil:
- Paciente Congesto (Úmido):
- Com Baixa Perfusão (Frio/Úmido - Perfil C): Iniciar dobutamina e, se necessário, noradrenalina (se PAS > 90 mmHg).
- Com Perfusão Normal (Quente/Úmido - Perfil B): Administrar diuréticos e vasodilatadores (IECA, nitrato, nitroprussiato).
- Paciente Não Congesto (Seco):
- Com Baixa Perfusão (Frio/Seco - Perfil D/L): Realizar hidratação venosa cautelosa.
- Com Perfusão Normal (Quente/Seco - Perfil A): Investigar outras causas para os sintomas (ex: TEP, anemia).
Agora, vamos aprofundar um pouco mais nos perfis B, C e D/L, que são os mais relevantes na prática clínica e em avaliações.
IC Perfil B (Quente e Úmido)
Este perfil caracteriza-se por congestão (paciente "úmido") e perfusão normal (paciente "quente"). É o cenário mais comum na descompensação aguda da insuficiência cardíaca. O objetivo principal do tratamento é aliviar a congestão.
Tratamento do Perfil B
- Furosemida: É a base do tratamento para "secar" o paciente e reduzir a pré-carga. Atua pelo efeito venodilatador e pela redução do retorno venoso. A dose inicial deve ser, no mínimo, a mesma dose diária que o paciente já utilizava por via oral. É fundamental vigiar a função renal durante o uso.
- Nitrato: Utilizado para reduzir a pré e pós-carga. Pode ser administrado como nitroprussiato ou nitroglicerina (esta última é preferível se houver suspeita de Síndrome Coronariana Aguda - SCA). Doses típicas variam de 5-10 mcg/min. É importante notar que os vasodilatadores não impactam a mortalidade no contexto agudo, mas aliviam os sintomas.
- Betabloqueador: Deve ser mantido, se possível. A suspensão só é indicada em casos de descompensação grave. A redução da dose pode ser considerada se a descompensação foi precipitada pela introdução ou aumento da dose do próprio betabloqueador. A reintrodução deve ocorrer somente após a compensação clínica do paciente.
- Ventilação Não Invasiva (VNI): Indicada para casos de Edema Agudo de Pulmão (EAP), com preferência pelo CPAP (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas).
- Opioides/Morfina: Atualmente, seu uso é desaconselhado. Embora possam melhorar a ansiedade e o trabalho respiratório, reduzindo o tônus adrenérgico e a pré/pós-carga, os malefícios (náuseas, vômitos, risco de broncoaspiração e depressão respiratória) superam os benefícios. Estudos mais recentes NÃO INDICAM O USO DE MORFINA NO EAP, pois podem aumentar a mortalidade.
💊 Tratamento: No Perfil B, o foco é na descongestão. Diuréticos e vasodilatadores são as ferramentas principais. Evite morfina no EAP! ⚠️
Edema Agudo de Pulmão (EAP)
O Edema Agudo de Pulmão (EAP) é uma condição grave caracterizada pelo acúmulo excessivo de líquido nos pulmões, especificamente no interstício pulmonar e, em casos mais avançados, nos alvéolos. Isso compromete severamente as trocas gasosas, levando a uma insuficiência respiratória aguda hipoxêmica. Geralmente, ocorre no contexto da descompensação da insuficiência cardíaca.
🧠 Conceito: O EAP é o resultado do extravasamento de líquido dos capilares pulmonares para o interstício, dificultando a oxigenação e causando insuficiência respiratória aguda. É uma manifestação de congestão pulmonar severa.
Causas do EAP
A principal causa de EAP é a insuficiência cardíaca descompensada. No entanto, outras condições podem precipitar ou contribuir para o seu desenvolvimento:
- Arritmias
- Má aderência medicamentosa (especialmente a diuréticos e outras medicações para IC)
- Infarto Agudo do Miocárdio (IAM)
- Disfunção de prótese valvar
- Complicações da endocardite infecciosa
- Hipertireoidismo
- Feocromocitoma
- Estenose de artérias renais
Quadro Clínico
O paciente com EAP apresenta um quadro clínico característico, que pode variar em intensidade:
- Sintomas: Dispneia intensa (falta de ar), ansiedade, sudorese excessiva, má perfusão periférica e cianose (coloração azulada da pele e mucosas).
- Pressão Arterial: Frequentemente, a pressão arterial (PA) está aumentada, especialmente em EAP de causa hipertensiva. Contudo, é crucial estar atento a etiologias de EAP com hipotensão, como choque cardiogênico e miocardiopatias avançadas, que indicam maior gravidade.
- Sinais Físicos: Em casos extremos, podem ser auscultados estertores crepitantes até os ápices pulmonares, associados a frêmitos nas regiões superiores do tórax. Um sinal alarmante é a saída de líquido de coloração rósea pela boca e nariz do paciente, indicando edema pulmonar grave.
🚨 Emergência: A dispneia súbita e intensa, acompanhada de sinais de má perfusão ou hipertensão/hipotensão, deve levantar a suspeita de EAP. A saída de líquido róseo é um sinal de gravidade extrema.
Diagnóstico
O diagnóstico do EAP é eminentemente clínico, complementado por exames de imagem e laboratoriais:
- Clínica: Baseia-se nos sintomas e sinais descritos acima.
- Imagem (RX/USG):
- Radiografia de Tórax: Pode revelar congestão peri-hilar e infiltrado em "asa de morcego", indicativos de edema pulmonar.
- Ultrassonografia Pulmonar: Evidencia as "linhas B", que são artefatos verticais que se estendem da linha pleural até o final da tela, indicando acúmulo de líquido no interstício pulmonar.
- BNP (Peptídeo Natriurético Cerebral): Auxilia no diagnóstico diferencial entre causas cardiogênicas e não cardiogênicas de dispneia. Níveis elevados de BNP sugerem fortemente uma causa cardíaca.
🔎 Diagnóstico: A combinação de clínica, achados de imagem (linhas B no USG, infiltrado em asa de morcego no RX) e BNP elevado é fundamental para confirmar o EAP cardiogênico.
Tratamento do EAP
O tratamento do EAP é uma emergência e deve ser iniciado rapidamente:
- Ambiente: Sala de emergência.
- Oxigenoterapia: Administração de oxigênio suplementar.
- Elevação da Cabeceira: Posição semi-sentada para otimizar a ventilação e reduzir o retorno venoso.
- VNI (Ventilação Não Invasiva): Essencial para melhorar a oxigenação e reduzir o trabalho respiratório.
- Furosemida: Diurético de alça, administrado intravenosamente na dose de 0,5-1 mg/kg IV para promover a diurese e reduzir a congestão.
- Vasodilatadores: Nitroglicerina (se houver SCA associada) ou Nitroprussiato (Nipride) para reduzir a pré e pós-carga, melhorando a função cardíaca e aliviando a congestão.
💊 Tratamento: A abordagem inicial do EAP inclui oxigênio, elevação da cabeceira, VNI, furosemida IV e vasodilatadores. A rapidez no início do tratamento é vital.
IC Perfil C (Frio e Úmido)
O perfil C é caracterizado por congestão (paciente "úmido") e baixa perfusão (paciente "frio"). Este é um quadro de maior gravidade, indicando que o coração não está conseguindo bombear sangue adequadamente para suprir as necessidades do corpo, ao mesmo tempo em que há acúmulo de líquidos.
🚨 Emergência: O Perfil C representa uma descompensação grave da IC, com falha de bomba e congestão. A intervenção rápida é crucial para melhorar a perfusão e reduzir a congestão.
Tratamento do Perfil C
- Inotrópicos: São a pedra angular do tratamento para melhorar a contratilidade miocárdica e, consequentemente, a perfusão.
- Dobutamina: Dose de 2-5 mcg/kg/min. Deve ser evitada se a Pressão Arterial Sistólica (PAS) for < 90 mmHg, pois pode causar hipotensão. Também deve ser usada com cautela em pacientes que já fazem uso de betabloqueadores, pois estes podem antagonizar seus efeitos.
- Milrinone: Dose de 0,125-0,25 mcg/kg/min. É uma alternativa importante para pacientes que estão em uso de betabloqueadores, pois sua ação não é mediada por receptores beta-adrenérgicos.
- Dopamina: Dose de 3-10 mcg/kg/min. Pode ser utilizada, mas a dobutamina e o milrinone são frequentemente preferidos devido a perfis de efeitos colaterais.
- Furosemida: Embora seja um diurético, a redução do volume intravascular promovida pela furosemida também pode melhorar a contratilidade cardíaca. "Menos volume é sinônimo de melhor contratilidade cardíaca".
- Vasopressores: Para casos de choque persistente, a noradrenalina pode ser necessária para manter a pressão arterial e a perfusão tecidual. No entanto, é fundamental pesar a manutenção da perfusão tecidual versus o aumento da pós-carga que os vasopressores podem causar, o que pode piorar a função cardíaca.
- Suporte Cardíaco Mecânico: Em casos refratários ou muito graves, especialmente se a Fração de Ejeção (FE) for < 25%, pode ser considerado o uso de balão intra-aórtico ou ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea).
💊 Tratamento: No Perfil C, a prioridade é o uso de inotrópicos para melhorar a função de bomba. Vasopressores são reservados para choque, e a furosemida ajuda na redução de volume.
IC Perfil D/L (Frio e Seco)
O perfil D/L é caracterizado por baixa perfusão (paciente "frio") e ausência de congestão (paciente "seco"). Este perfil sugere que o paciente pode estar hipovolêmico ou que a baixa perfusão não é primariamente devido à congestão, mas sim a outras causas.
⚠️ Atenção: No Perfil D/L, o principal cuidado é hidratar com cautela. O objetivo é melhorar a perfusão sem precipitar congestão, ou seja, evitar "transformar um paciente 'seco' em 'úmido'".
Tratamento do Perfil D/L
A abordagem principal para este perfil é a hidratação venosa cautelosa. É fundamental monitorar de perto a resposta do paciente para evitar sobrecarga de volume e a transição para um perfil congesto (por exemplo, Perfil B ou C).
Se a baixa perfusão persistir após a hidratação cautelosa, outras causas devem ser investigadas, como:
- Choque distributivo (séptico, anafilático)
- Hemorragia
- Arritmias graves
- Outras causas de choque não cardiogênico
💊 Tratamento: Hidratação venosa cuidadosa é a primeira linha. Se não houver melhora, investigar e tratar outras causas de choque ou baixa perfusão.