O coração é um órgão singular, composto por células altamente especializadas que possuem a capacidade de despolarizar-se autonomamente. Essas células incluem o nó sinoatrial, as fibras atriais, o nó atrioventricular, o feixe de His e as fibras de Purkinje. Embora todas possam gerar impulsos elétricos, o nó sinoatrial (SA) é o marcapasso natural do coração, pois sua frequência de despolarização é a mais rápida, ditando o ritmo cardíaco.
Quando o nó sinoatrial gera um potencial de ação, essa atividade elétrica se propaga rapidamente pelos átrios, resultando em sua despolarização. Esse evento é registrado no eletrocardiograma como a Onda P. Para que a hemodinâmica cardíaca seja eficiente, é crucial que os ventrículos não se despolarizem simultaneamente com os átrios. Para isso, existe um atraso fisiológico na condução atrioventricular, mediado pelo nó atrioventricular (AV). Após esse atraso, o impulso elétrico é transmitido às fibras de Purkinje, que rapidamente despolarizam os ventrículos, gerando o Complexo QRS no ECG.
A repolarização atrial não é visível no ECG por dois motivos principais: a pequena massa atrial em comparação com os ventrículos e o fato de que sua ocorrência coincide com a despolarização ventricular (Complexo QRS), que a mascara.
O Intervalo PR é medido do início da Onda P até o início do Complexo QRS. Ele reflete o tempo que o estímulo elétrico leva para percorrer os átrios e atravessar o nó atrioventricular até chegar aos ventrículos. Em outras palavras, ele avalia a competência da condução atrioventricular (AV).
O Intervalo QT é medido do início do Complexo QRS até o final da Onda T. Ele representa todo o ciclo elétrico ventricular, abrangendo tanto a despolarização quanto a repolarização dos ventrículos. Essencialmente, mede o período refratário ventricular.
O Intervalo RR é a distância entre o início de uma Onda R e o início da próxima Onda R. Este intervalo é fundamental para o cálculo da frequência cardíaca.
| Componente do ECG | Significado | Duração/Característica Normal |
|---|---|---|
| Onda P | Despolarização Atrial | Positiva em D2, antes do QRS |
| Complexo QRS | Despolarização Ventricular | Estreito (até 120 ms ou 3 quadradinhos) |
| Onda T | Repolarização Ventricular | Variável, geralmente positiva |
| Repolarização Atrial | Não visível no ECG | Mascarada pelo QRS |
| Intervalo PR | Condução Atrioventricular | 120-200 ms (3-5 quadradinhos) |
| Intervalo QT | Despolarização e Repolarização Ventricular | Até 440 ms (até 11 quadradinhos) |
| Intervalo RR | Base para Cálculo da Frequência Cardíaca | Variável conforme FC |
| Condição | Intervalo RR | Frequência Cardíaca (FC) |
|---|---|---|
| Normal | Entre 3-5 quadradões | 60-100 bpm |
| Bradicardia | Maior que 5 quadradões | Menor que 60 bpm |
| Taquicardia | Menor que 3 quadradões | Maior que 100 bpm |