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Doenças do Estômago


Conceitos Iniciais: Fisiologia e Anatomia Gástrica

O estômago é dividido em três porções principais: o fundo gástrico, o corpo gástrico e o antro gástrico. A transição entre o esôfago e o estômago é denominada cárdia, enquanto a passagem do estômago para o duodeno é o piloro, localizado na porção final do antro.

Produção de Ácido Clorídrico (HCl)

A produção de ácido clorídrico é uma função crucial do estômago, concentrada principalmente no fundo gástrico. É nesta região que se encontra a maior quantidade de células parietais, responsáveis pela secreção de HCl através das bombas de H+ (H+/K+-ATPase) presentes em suas membranas.

Estímulos para a Secreção Ácida

A ativação das bombas de H+ nas células parietais não ocorre de forma automática, dependendo de três principais estímulos:

🧠 Conceito Chave: As células D do antro gástrico produzem somatostatina, um hormônio que inibe a liberação de gastrina e, consequentemente, a secreção ácida. O desequilíbrio entre gastrina e somatostatina é crucial na fisiopatologia de algumas doenças.

A compreensão desses estímulos é vital para o tratamento de condições como a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE). Por exemplo, os inibidores da bomba de prótons (IBP) atuam diretamente bloqueando a H+/K+-ATPase, sendo mais eficazes que os bloqueadores de receptores H2 (anti-histamínicos), que apenas inibem um dos três estímulos.

Barreira Mucosa Gástrica

Para se proteger da agressão do próprio ácido que produz, o estômago conta com uma robusta barreira mucosa gástrica. Esta barreira é composta por diversos elementos:

💡 Dica High Yield: As prostaglandinas desempenham um papel fundamental na manutenção da integridade da barreira mucosa, estimulando a produção de muco e bicarbonato, além de manter o fluxo sanguíneo.

Doença Ulcerosa Péptica (DUP)

Conceitos Iniciais

A Doença Ulcerosa Péptica (DUP) é caracterizada pela presença de úlceras na mucosa gástrica e/ou duodenal, resultantes da agressão ácida. Embora úlceras possam ocorrer em qualquer parte do trato gastrointestinal, são significativamente mais comuns no estômago e duodeno, sendo um tema recorrente em provas de residência.

Fisiopatologia

A DUP surge de um desequilíbrio entre fatores agressores e protetores da mucosa gastroduodenal. A agressão direta é primariamente causada pela acidez, enquanto a proteção é mediada pela barreira mucosa, especialmente via prostaglandinas.

Os principais fatores que facilitam esse desequilíbrio são a infecção por Helicobacter pylori e o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs).

Participação do Helicobacter pylori

O H. pylori não causa agressão direta à mucosa, mas modula a secreção ácida e a barreira protetora em duas fases:

⚠️ Atenção: A infecção crônica por H. pylori é capaz de estimular linfócitos B, aumentando o risco de desenvolvimento de Linfoma MALT (Linfoma de Tecido Linfoide Associado à Mucosa).

Participação dos Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs)

Os AINEs exercem seu efeito ulcerogênico principalmente pela inibição da ciclooxigenase (COX), uma enzima essencial na síntese de prostaglandinas:

Tipos de AINEs
🔎 Diagnóstico Diferencial: Em pacientes com úlcera péptica refratária, sem infecção por H. pylori e sem uso crônico de AINEs, deve-se investigar imediatamente a Síndrome de Zollinger-Ellison (Gastrinoma), uma condição rara caracterizada por hipersecreção ácida severa devido a um tumor produtor de gastrina.

Quadro Clínico

A Doença Ulcerosa Péptica manifesta-se tipicamente como uma síndrome dispéptica, que inclui:

💡 Lembre-se: A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) não se enquadra no conceito de síndrome dispéptica.
Característica Úlcera Gástrica Úlcera Duodenal
Dor epigástrica Piora com a alimentação Piora 2-3 horas após a alimentação e à noite
Localização mais comum Corpo e antro gástrico Bulbo duodenal

Diagnóstico

O diagnóstico da DUP envolve a avaliação clínica e, em muitos casos, a realização de exames complementares.

Indicação de Endoscopia Digestiva Alta (EDA)

A EDA com biópsia é fundamental para excluir malignidade, especialmente em úlceras gástricas. É indicada para pacientes com:

Em caso de úlcera gástrica, a biópsia é obrigatória, independentemente da aparência macroscópica da lesão, devido ao risco de câncer gástrico. Já para úlceras duodenais, a biópsia não é mandatória, pois o câncer de duodeno é raro e nem sempre precedido por úlcera.

Para pacientes jovens e sem sinais de alarme, é possível realizar um diagnóstico presuntivo baseado na clínica e iniciar o tratamento empírico.

Critérios de Roma IV para Dispepsia Funcional

É importante diferenciar a DUP da dispepsia funcional, que é um diagnóstico de exclusão. Os critérios de Roma IV incluem:

Investigação de H. pylori

A pesquisa de H. pylori é mandatória em todo paciente com úlcera péptica. Os métodos de diagnóstico podem ser divididos em invasivos (requerem EDA) e não invasivos:

Testes Invasivos (com EDA)
Testes Não Invasivos (sem EDA)
Teste Sensibilidade Especificidade Comentários
Teste Rápido de Urease 98-98% 93-98% Requer EDA; método de escolha invasivo.
Histopatologia 93-99% 95-99% Requer EDA; avalia também alterações da mucosa.
Cultura 77-92% 97-100% Requer EDA; útil para resistência a antibióticos.
ELISA (Sorologia) 88-99% 86-95% Não diferencia infecção ativa de passada; ruim para acompanhamento.
Teste de Urease Respiratória 90-100% 89-100% Bom para diagnóstico e acompanhamento; não invasivo.
Pesquisa do Antígeno Fecal 94% 86-92% Bom para diagnóstico e acompanhamento; não invasivo.
💊 Preparo para Testes de H. pylori: Para evitar resultados falso-negativos, é crucial suspender IBP por 2 semanas e antibióticos por 4 semanas antes da realização dos testes.

Tratamento

Erradicação de Helicobacter pylori

A erradicação de H. pylori é um pilar fundamental no tratamento da DUP quando a bactéria está presente. No Brasil, o esquema de escolha geralmente envolve uma terapia tríplice.

⚠️ Atenção: A erradicação de H. pylori não é sempre indicada. É crucial conhecer as situações em que ela se faz necessária.

As principais indicações para a erradicação de H. pylori incluem:

Controle de Cura do H. pylori

O controle de cura da infecção por H. pylori é mandatório e deve ser realizado de forma sistemática.

🧪 Lembre-se: Qualquer método não invasivo pode ser empregado para o controle de cura, exceto a sorologia. Uma vez que o paciente apresenta sorologia positiva para H. pylori, ela permanecerá positiva por um longo período, mesmo após a erradicação bem-sucedida, não sendo um indicador de infecção ativa.

Tratamento da Úlcera Péptica Confirmada por EDA

Após a confirmação endoscópica de uma úlcera, a abordagem terapêutica deve ser abrangente:

🔎 Diagnóstico: Em caso de úlcera gástrica, a biópsia é obrigatória para descartar malignidade. Úlceras gástricas podem ser manifestações de câncer, e a biópsia inicial pode não capturar o tecido maligno.

Controle de Cura da Úlcera

O controle da cicatrização da úlcera varia conforme sua localização e a presença de H. pylori.

Situação Clínica Controle de Cura Observações
H. pylori + Úlcera Gástrica Nova EDA após término do tratamento Para confirmar cicatrização e excluir malignidade.
Apenas H. pylori (sem úlcera gástrica) Qualquer método não sorológico (após 4 semanas) Teste respiratório, pesquisa de antígeno fecal, biópsia.
Úlcera Duodenal Não é necessário controle endoscópico Malignidade é rara.

Resumo da Condução Clínica

A abordagem diagnóstica e terapêutica inicial da dispepsia e da DUP depende da idade do paciente e da presença de sinais de alarme.

💡 Dica: Em pacientes jovens (menos de 45 anos) com dispepsia que não se resolve com tratamento empírico, a biópsia pode ser considerada para investigação adicional.

Dispepsia Funcional

A dispepsia funcional (DF) é diagnosticada na ausência de uma causa orgânica identificável para os sintomas dispépticos, como úlcera ou infecção por H. pylori. O manejo visa o alívio sintomático, que pode ser desafiador, e o efeito placebo demonstra ser relevante nesta condição.

Abordagem Terapêutica

Terapias de Primeira Linha

Os inibidores da bomba de prótons (IBPs) e os antagonistas dos receptores tipo 2 da histamina (h3RAs) são eficazes no tratamento da DF.

💊 Tratamento: Os IBPs são uma boa opção inicial para a dispepsia funcional, atuando como um teste terapêutico e aliviando os sintomas relacionados à acidez.
Terapias de Segunda Linha

Quando as terapias de primeira linha não são suficientes, outras opções podem ser exploradas:

Indicações de Tratamento Cirúrgico

O tratamento cirúrgico para a doença ulcerosa péptica é reservado para situações específicas, principalmente quando há falha do tratamento clínico ou desenvolvimento de complicações agudas.

Critérios para Intervenção Cirúrgica

Cirurgia Eletiva
Cirurgia de Urgência

Indicada para complicações agudas da DUP, que representam emergências médicas:

🚨 Emergência: As complicações agudas da DUP, como hemorragia, obstrução e perfuração, são mais frequentemente observadas em úlceras duodenais.

Tipos de Úlcera e Classificação de Johnson

As úlceras gástricas podem se desenvolver em contextos de hipercloridria ou hipocloridria, o que levou à classificação de Johnson, que as categoriza com base em sua localização e na fisiopatologia da secreção ácida.

Classificação de Johnson

Úlceras Associadas à Hipercloridria
Úlceras Associadas à Hipocloridria
Localização Mais Comum

A localização mais frequente das úlceras gástricas é na pequena curvatura baixa, representando cerca de 55-60% dos casos.

Métodos para Redução da Acidez Gástrica

A redução da acidez gástrica é um objetivo central no tratamento da DUP, podendo ser alcançada por meios clínicos ou cirúrgicos.

Abordagem Clínica
Abordagem Cirúrgica
Método Mecanismo de Ação Exemplos/Tipos
Clínico Inibição da secreção ácida farmacologicamente. IBPs (inibem a bomba de prótons), h3RAs (bloqueiam receptores h3 de histamina).
Cirúrgico Redução da secreção ácida por intervenção anatômica. Vagotomia (inibe estímulo vagal), Antrectomia (remove fonte de gastrina).

Tratamento Cirúrgico da Úlcera Péptica

A decisão de intervir cirurgicamente na úlcera péptica é tomada em cenários específicos, geralmente quando o tratamento clínico falha ou diante de complicações agudas.

Indicações para Cirurgia

A cirurgia é considerada nas seguintes situações:

🚨 Atenção: Em casos de complicações agudas graves, como perfuração com instabilidade hemodinâmica, a abordagem cirúrgica inicial deve ser a menos invasiva possível para estabilizar o paciente.

Princípios Fundamentais do Tratamento Cirúrgico

O tratamento cirúrgico da úlcera péptica baseia-se em dois pilares principais, dependendo da etiologia e localização da úlcera:

Abordagens Cirúrgicas para Hipercloridria

Para úlceras associadas à hipercloridria, as principais técnicas cirúrgicas visam reduzir a secreção ácida gástrica:

Vagotomia Troncular com Drenagem ou Antrectomia

A vagotomia troncular envolve o seccionamento dos troncos principais do nervo vago que inervam o estômago. Embora seja um procedimento relativamente simples, ele tem uma consequência importante: o nervo vago também é responsável por relaxar o piloro, permitindo o esvaziamento gástrico. Com a vagotomia troncular, o piloro pode permanecer contraído, resultando em estase gástrica.

🧠 Lembre-se: O piloro atua como um esfíncter, mantendo o alimento no estômago. O nervo vago promove seu relaxamento transitório para a passagem do quimo para o duodeno.

Para contornar essa complicação, a vagotomia troncular deve ser sempre associada a um procedimento de drenagem:

Vagotomia Superseletiva (Gástrica Proximal)

Esta técnica é mais específica, seccionando apenas os ramos do nervo vago que inervam as porções proximais do estômago (fundo e corpo), onde a produção de ácido é maior. A inervação do piloro é preservada, eliminando a necessidade de um procedimento de drenagem. É uma opção para úlceras gástricas que não requerem ressecção do antro, mas não é indicada para úlceras duodenais devido à sua menor eficácia na redução da acidez em comparação com a vagotomia troncular + antrectomia.

Métodos de Reconstrução do Trânsito

Após a ressecção de uma porção do estômago (como na antrectomia ou gastrectomia), é necessário restabelecer a continuidade do trato gastrointestinal. As principais técnicas de reconstrução são:

Tipo de Reconstrução Descrição Vantagens/Desvantagens
Billroth I (Gastroduodenostomia) Anastomose do estômago remanescente diretamente ao duodeno. Mais fisiológica; menor incidência de síndromes pós-gastrectomia. Requer duodeno livre de tensão.
Billroth II (Gastrojejunostomia) Fechamento do coto duodenal; anastomose do estômago remanescente a uma alça de jejuno. Mais versátil para ressecções maiores; risco de refluxo biliar e síndrome da alça aferente.
Y de Roux (Gastrojejunostomia em Y de Roux) Anastomose do estômago ao jejuno; anastomose do duodeno (com bile/pâncreas) a uma alça de jejuno mais distal. Reduz refluxo biliar; mais complexa tecnicamente; risco de estase na alça em Y.

Abordagens Cirúrgicas para Úlceras Gástricas (Ressecção da Úlcera)

A escolha da técnica cirúrgica para úlceras gástricas depende da sua localização e da presença ou não de hipercloridria, seguindo a classificação de Johnson:

Classificação e Tratamento Cirúrgico por Tipo de Úlcera Gástrica
Tipo de Úlcera Gástrica (Johnson) Localização Típica Acidez Tratamento Cirúrgico
Tipo I Pequena curvatura, distal ao corpo. Hipocloridria ou normal. Antrectomia + Billroth I.
Tipo II Corpo gástrico, associada a úlcera duodenal. Hipercloridria. Vagotomia Troncular + Antrectomia + Billroth II (ou I).
Tipo III Pré-pilórica. Hipercloridria. Vagotomia Troncular + Antrectomia + Billroth II (ou I).
Tipo IV Pequena curvatura, alta (próxima à junção esofagogástrica). Hipocloridria ou normal. Gastrectomia Subtotal + Y de Roux.

Comparativo das Vagotomias

A escolha da técnica de vagotomia impacta diretamente a taxa de recidiva e o risco de complicações:

💡 Dica para Prova:

Manejo da Úlcera Péptica Perfurada

Em situações de perfuração de úlcera, a conduta cirúrgica deve ser guiada pelo estado clínico do paciente. O princípio fundamental é: "Menos é Mais".

Se o paciente estiver hemodinamicamente estável e sem sinais de peritonite generalizada grave, pode-se considerar uma abordagem mais definitiva, como as vagotomias e gastrectomias descritas acima, se a etiologia da úlcera for clara e o risco cirúrgico permitir.

No entanto, se o paciente apresentar instabilidade hemodinâmica, abdome em tábua e sinais de sepse, a prioridade é a estabilização e o controle da perfuração com o procedimento mais rápido e seguro possível. Nesses casos, a conduta padrão é a rafia da úlcera com proteção por omento (Patch de Graham). Procedimentos mais complexos, como vagotomias ou gastrectomias, são evitados devido ao alto risco de complicações (fístulas, infecções) em um paciente instável. O tratamento da acidez é complementado com inibidores da bomba de prótons (IBP) no pós-operatório.

🚨 Emergência: Em úlcera perfurada com paciente instável, a prioridade é a rafia simples com Patch de Graham. O tratamento definitivo da doença ulcerosa é postergado para um segundo momento, após a estabilização do paciente.

Complicações Cirúrgicas da Doença Ulcerosa Péptica

Síndrome de Dumping

A Síndrome de Dumping é uma complicação pós-gastrectomia caracterizada pela rápida passagem de conteúdo gástrico para o duodeno ou jejuno proximal, devido à perda da função pilórica. O piloro, que normalmente regula o esvaziamento gástrico de forma gradual, é removido ou bypassado em procedimentos como a antrectomia com reconstruções de Billroth I ou II. Isso permite que grandes volumes de alimento, especialmente ricos em carboidratos, cheguem rapidamente ao intestino delgado, desencadeando uma série de manifestações clínicas.

🧠 Conceito Chave: A Síndrome de Dumping ocorre pela perda da função pilórica, resultando em esvaziamento gástrico acelerado e chegada abrupta de alimento ao duodeno.
Classificação Clínica

As manifestações da Síndrome de Dumping são classicamente divididas em dois tipos, dependendo do tempo de início após a alimentação:

Manejo Terapêutico

O tratamento inicial da Síndrome de Dumping é primariamente conservador e foca em modificações dietéticas e comportamentais:

Característica Dumping Precoce Dumping Tardio
Início Pós-Alimentação 15-30 minutos 1-3 horas
Mecanismo Principal Distensão intestinal, liberação de substâncias vasoativas Hiperinsulinemia reativa, hipoglicemia
Sintomas Predominantes Dor abdominal, náuseas, diarreia, taquicardia, palpitação, rubor Sudorese, tremores, fraqueza, confusão, fome
Tratamento Modificações dietéticas, fracionamento, deitar após refeição Modificações dietéticas, redução de carboidratos simples

Gastrite Alcalina (Gastropatia por Refluxo Biliar)

A Gastrite Alcalina, também conhecida como Gastropatia por Refluxo Biliar, é uma inflamação da mucosa gástrica causada pelo refluxo crônico de bile e suco pancreático para o estômago. Este refluxo de conteúdo alcalino irrita e danifica a barreira mucosa gástrica, levando a um quadro de gastrite.

⚠️ Atenção: Esta complicação é significativamente mais comum em pacientes submetidos à reconstrução tipo Billroth II, onde a alça jejunal é anastomosada diretamente ao estômago, facilitando o refluxo do conteúdo duodenal (bile e suco pancreático) para o remanescente gástrico. Em Billroth I, o refluxo é menos provável devido à anatomia que favorece o fluxo unidirecional.
Manifestações Clínicas

O quadro clínico é caracterizado por dor epigástrica contínua, que é uma característica distintiva. Diferentemente de outras condições, a dor na gastrite alcalina tipicamente não melhora com vômitos, mesmo que o vômito seja bilioso. Outros sintomas podem incluir náuseas, vômitos biliosos e perda de peso.

Abordagem Terapêutica

O tratamento definitivo para a gastrite alcalina sintomática e refratária às medidas clínicas é cirúrgico. A reconstrução em Y de Roux é o procedimento de escolha. Esta técnica desvia o fluxo biliar e pancreático para um segmento mais distal do jejuno, impedindo seu contato direto com o estômago remanescente. A colestiramina, um quelante de sais biliares, pode ser utilizada para atenuar os sintomas, mas não resolve a causa subjacente do refluxo.

💊 Tratamento: A reconstrução em Y de Roux é o padrão-ouro para a Gastrite Alcalina refratária, pois impede o refluxo biliar e pancreático para o estômago.

Síndrome da Alça Aferente

A Síndrome da Alça Aferente é uma complicação mecânica pós-gastrectomia, exclusiva de reconstruções tipo Billroth II. Ela ocorre devido à obstrução parcial ou total da alça aferente (o segmento do jejuno que recebe a bile e o suco pancreático do duodeno e se conecta ao estômago remanescente) por angulação, torção ou estenose. Essa obstrução impede o fluxo normal das secreções biliares e pancreáticas, levando ao acúmulo e distensão da alça.

🔎 Diagnóstico Diferencial: A Síndrome da Alça Aferente só ocorre em reconstruções Billroth II, onde há uma alça aferente distinta que pode ser obstruída.
Quadro Clínico

A apresentação clínica é marcada por dor epigástrica intensa que tipicamente piora com a alimentação. Isso ocorre porque a ingestão de alimentos estimula a secreção de bile e suco pancreático, aumentando a pressão e a distensão na alça aferente obstruída. O sintoma mais característico e diferenciador é o alívio dramático da dor após um vômito bilioso em jato. Esse vômito ocorre quando a pressão na alça aferente se torna tão elevada que a obstrução é temporariamente superada, liberando o conteúdo retido.

É fundamental diferenciar a Síndrome da Alça Aferente da Gastrite Alcalina, pois ambas podem apresentar vômitos biliosos. A chave está na relação da dor com o vômito: na Síndrome da Alça Aferente, o vômito alivia a dor; na Gastrite Alcalina, a dor persiste mesmo após o vômito.

Tratamento

O tratamento da Síndrome da Alça Aferente é cirúrgico e consiste na reoperação para correção da obstrução, geralmente através da reconstrução em Y de Roux. A reconstrução em Y de Roux elimina a alça aferente longa e vulnerável à obstrução, direcionando as secreções biliares e pancreáticas para um segmento jejunal mais distal, longe do estômago.

💡 Dica de Prova: Embora o Y de Roux seja o tratamento definitivo para Gastrite Alcalina e Síndrome da Alça Aferente, ele não é realizado de rotina na cirurgia inicial. Isso se deve aos riscos adicionais de uma anastomose entero-entérica (fístulas, estenoses) que não se justificam na ausência de complicações. O Y de Roux é reservado para casos de complicações estabelecidas.
Característica Gastrite Alcalina Síndrome da Alça Aferente
Mecanismo Principal Refluxo químico de bile e suco pancreático Obstrução mecânica da alça aferente
Dor Contínua, sem alívio com vômito Piora com alimentação, alivia dramaticamente com vômito
Vômito Bilioso, sem alívio da dor Bilioso, em jato, com alívio da dor
Reconstrução Associada Mais comum em Billroth II Exclusiva de Billroth II
Tratamento Definitivo Reconstrução em Y de Roux Reconstrução em Y de Roux

Síndrome de Zollinger-Ellison

A Síndrome de Zollinger-Ellison (SZE) é uma condição rara caracterizada pela hipersecreção gástrica severa, resultante da produção excessiva de gastrina por um tumor neuroendócrino, conhecido como gastrinoma. Essa hipersecreção leva ao desenvolvimento de úlceras pépticas graves e refratárias, além de outros sintomas gastrointestinais.

Conceitos Iniciais

A SZE é uma doença desencadeada pela produção descontrolada de gastrina por um tumor neuroendócrino específico, o gastrinoma. As células neuroendócrinas estão distribuídas por todo o trato gastrointestinal e são responsáveis pela produção de diversos hormônios. No caso da SZE, o tumor se especializa na secreção de gastrina.

🧠 Lembre-se: O gastrinoma é o tumor neuroendócrino responsável pela produção excessiva de gastrina, que é o hormônio que estimula a secreção de ácido gástrico.

Embora os gastrinomas possam surgir em diversas localizações, o sítio mais comum é a primeira porção do duodeno. Outros locais incluem jejuno, estômago, pâncreas e gânglios linfáticos. É crucial destacar que a maioria (70% a 90%) desses tumores é encontrada em uma região anatômica específica, conhecida como Triângulo de Passaro.

Triângulo de Passaro

Etiologia

A maioria dos casos de Síndrome de Zollinger-Ellison (até 80%) surge de forma esporádica, sem uma causa genética hereditária identificável. No entanto, uma parcela significativa (20% a 30%) está associada a uma síndrome genética autossômica dominante conhecida como Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 1 (NEM-1).

Associações Importantes

NEM-1 (Síndrome de Wermer)

A NEM-1 é uma síndrome genética que predispõe ao desenvolvimento de múltiplos tumores endócrinos. Na sua apresentação clássica, a NEM-1 é caracterizada pela associação de:

💡 Dica de Prova: Para memorizar os componentes da NEM-1, lembre-se dos "3 P's": Pâncreas (gastrinoma, insulinoma), Pituitária (prolactinoma) e Paratireoide (hiperparatireoidismo).

Quadro Clínico

A apresentação clínica da SZE é dominada pelos efeitos da hipersecreção ácida gástrica, que leva a uma série de sintomas gastrointestinais.

Dor Abdominal e Doença Ulcerosa Péptica

A dor abdominal é o sintoma mais comum, frequentemente associada a uma história de doença ulcerosa péptica (DUP). As úlceras na SZE tendem a ser múltiplas, grandes, localizadas em sítios atípicos (como o jejuno distal) e, notavelmente, são refratárias ao tratamento clínico convencional com inibidores da bomba de prótons (IBP) em doses usuais.

⚠️ Atenção: Um paciente com DUP refratária ao tratamento clínico padrão deve levantar a suspeita de SZE.

Sintomas de DRGE

Devido ao excesso de ácido, sintomas de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), como pirose (azia) e regurgitação, são frequentemente relatados pelos pacientes com SZE.

Diarreia e Esteatorreia

A hipersecreção ácida pode levar à inativação das enzimas pancreáticas no lúmen intestinal e à lesão da mucosa do intestino delgado, resultando em diarreia crônica e, em alguns casos, esteatorreia (presença de gordura nas fezes). Este é um achado importante que pode auxiliar no diagnóstico diferencial.

🔎 Diagnóstico Diferencial: Fique atento a pacientes com história de DUP refratária que também apresentam diarreia. Essa combinação é uma forte pista para a SZE.

Diagnóstico

O diagnóstico da Síndrome de Zollinger-Ellison envolve uma abordagem sequencial, combinando exames laboratoriais e de imagem para confirmar a hipersecreção de gastrina e localizar o tumor.

Gastrina Sérica em Jejum

Medição do pH Gástrico

A avaliação do pH gástrico é crucial para confirmar a hipersecreção ácida basal.

Confirmação e Teste da Secretina

Após a identificação de gastrina sérica elevada e pH gástrico baixo, a dosagem de gastrina é repetida para confirmação e, se necessário, o teste da secretina é realizado.

🧪 Teste da Secretina: É considerado positivo para SZE se houver um aumento da gastrinemia em 200 pg/mL ou mais após a administração de secretina. Este teste é fundamental para diferenciar a SZE de outras causas de hipergastrinemia.

Localização do Tumor

Uma vez confirmado o diagnóstico bioquímico, a localização do gastrinoma é essencial para o planejamento terapêutico. Os métodos de imagem incluem:

Tratamento

O tratamento da SZE visa controlar a hipersecreção ácida e, quando possível, ressecar o tumor.

Tratamento Clínico

O pilar do tratamento clínico é a supressão da secreção ácida gástrica com Inibidores da Bomba de Prótons (IBP) em doses elevadas. Exemplos incluem omeprazol 40mg duas vezes ao dia (12/12h), que geralmente é eficaz no controle dos sintomas e na cicatrização das úlceras.

💊 Tratamento: IBP em dose alta é a primeira linha para controle da hipersecreção ácida na SZE.

Tratamento Cirúrgico

A ressecção cirúrgica do gastrinoma é o único tratamento curativo e é indicada sempre que o tumor puder ser localizado e removido com segurança. A abordagem cirúrgica depende do tamanho e da localização do tumor.

Tipo de Tumor Abordagem Cirúrgica Características
Gastrinomas Pequenos e Localizados Enucleação Remoção apenas do tumor, preservando o tecido pancreático ou duodenal adjacente.
Gastrinomas Grandes ou Invasivos Duodenopancreatectomia + Linfadenectomia Procedimento mais extenso, envolvendo a remoção de parte do duodeno e pâncreas, além dos linfonodos regionais, para controle oncológico.

High Yield Notes

🚨 Fique Atento: As seguintes características clínicas devem levantar forte suspeita de Síndrome de Zollinger-Ellison em um cenário de prova:

Câncer de Estômago

Adenocarcinoma Gástrico

O adenocarcinoma gástrico representa a forma mais prevalente de câncer de estômago, correspondendo a aproximadamente 90% dos casos. É crucial diferenciá-lo de outros tipos menos comuns, como o linfoma MALT e o tumor estromal do trato gastrointestinal (GIST).

🧠 Conceito Chave: O adenocarcinoma é o tipo histológico mais comum de câncer gástrico (90%), seguido por linfomas MALT e GIST.

Fatores de Risco

A etiologia do adenocarcinoma gástrico é multifatorial, envolvendo uma complexa interação entre fatores genéticos, ambientais e infecciosos. A incidência e as características do tumor podem variar significativamente dependendo da localização geográfica e do subtipo histopatológico.

Em regiões de alta incidência (como Brasil, Chile, Costa Rica, Rússia), o câncer gástrico tende a se localizar na pequena curvatura, na região do antro (distal). Nesses casos, há uma forte associação com a infecção por H. pylori, hipocloridria/acloridria e ingestão de carcinógenos como as nitrosaminas. Em contraste, em países de baixa incidência (EUA, Reino Unido), a doença frequentemente afeta o estômago proximal, sem uma clara associação com H. pylori ou hipocloridria, e tende a ser mais agressiva.

Quadro Clínico

O câncer gástrico em estágios iniciais é frequentemente assintomático ou apresenta sintomas inespecíficos. A manifestação clínica mais comum é a síndrome dispéptica, que se torna preocupante quando acompanhada de sinais de alarme, indicando a necessidade de investigação imediata.

Diagnóstico

O diagnóstico definitivo do câncer gástrico é estabelecido pela endoscopia digestiva alta (EDA) com biópsia. A EDA permite a visualização direta da lesão, a avaliação de sua extensão macroscópica e a coleta de amostras de tecido para análise histopatológica.

🔎 Diagnóstico Essencial: A endoscopia digestiva alta com biópsia é o padrão-ouro para o diagnóstico, permitindo a classificação microscópica (Lauren) e macroscópica (Borrmann) da lesão.

Classificação Microscópica de Lauren

A classificação de Lauren divide o adenocarcinoma gástrico em dois tipos principais, com características epidemiológicas, patológicas e prognósticas distintas:

Característica Tipo Intestinal Tipo Difuso
Organização Celular Células tumorais em forma glandular Células em anel de sinete, indiferenciadas
Diferenciação Tumor bem diferenciado Tumor indiferenciado, sem formação glandular
Alterações Moleculares Instabilidade de microssatélite Diminuição de E-caderina
Aspecto na EDA Lesões expansivas, polipoides e ulceradas Úlceras infiltradas ou linite plástica
Localização Preferencial Estômago distal (pequena curvatura – antro) Estômago proximal
Epidemiologia Predomina em homens entre 50-70 anos Predomina em mulheres entre 40-50 anos
Disseminação Principalmente hematogênica Principalmente transmural ou linfática
Associação com H. pylori Sim (atrofia, acloridria) Não
Associação com Grupo Sanguíneo A Não específica Sim

Classificação Macroscópica de Borrmann

A classificação de Borrmann descreve o aspecto macroscópico do tumor gástrico, auxiliando na avaliação endoscópica e na compreensão da extensão da doença:

⚠️ Atenção:

Estadiamento

O estadiamento preciso é fundamental para definir a estratégia terapêutica e o prognóstico. Utiliza-se a classificação TNM (Tumor, Linfonodo, Metástase) para avaliar a extensão da doença.

Exames Complementares para Estadiamento:

Classificação TNM (8ª Edição AJCC):

Câncer Gástrico Precoce

O câncer gástrico precoce é definido pela invasão da mucosa e/ou submucosa, independentemente do status dos linfonodos regionais. Ou seja, qualquer tumor classificado como T1, mesmo que haja acometimento linfonodal (N positivo), é considerado precoce.

💡 Dica de Prova: O termo "precoce" no câncer gástrico (e esofágico) refere-se exclusivamente à profundidade de invasão (T1), não sendo influenciado pelo acometimento linfonodal (N). Assim, um paciente com T1b e linfonodo de Virchow positivo ainda se enquadra na definição de câncer gástrico precoce, embora o prognóstico seja diferente.

Considerações Cruciais para a Prova

É fundamental estar atento a detalhes que podem ser "pegadinhas" em exames de residência:

🚨 Alerta: Invasão de órgãos adjacentes (T4b) por contiguidade não é sinônimo de irresecabilidade. A irresecabilidade para cirurgia curativa é determinada pela presença de metástases à distância (M1).

Tratamento

O tratamento do câncer gástrico é multimodal e depende do estágio da doença, das características histopatológicas e do estado geral do paciente.

Ressecção Endoscópica (Câncer Gástrico Precoce T1a)

A ressecção endoscópica (mucoresecção ou dissecção submucosa endoscópica) é uma opção curativa para casos muito selecionados de câncer gástrico precoce, especificamente para lesões T1a que atendem a critérios rigorosos:

💡 Diferença Crucial: Não confunda "câncer gástrico precoce" (T1, independente do N) com "câncer gástrico passível de ressecção endoscópica" (T1a, sem ulceração, bem diferenciado, < 2cm, sem invasão linfovascular). Nem todo câncer gástrico precoce pode ser tratado endoscopicamente.
Tratamento Padrão (Sem Doença Metastática)

Para a maioria dos casos de câncer gástrico sem metástase à distância (M0), o tratamento envolve uma combinação de quimioterapia/radioterapia e cirurgia:

💊 Tratamento Cirúrgico: Para doença não metastática, a cirurgia padrão é a gastrectomia (total ou subtotal, dependendo da localização) com linfadenectomia D2. É essencial ressecar no mínimo 16 linfonodos para análise patológica e manter uma margem de segurança de pelo menos 6 cm.
Doença Avançada (M1)

Em casos de doença metastática (M1), o objetivo principal do tratamento é a palição. Isso envolve o controle dos sintomas, a melhoria da qualidade de vida e, quando possível, a prolongação da sobrevida com quimioterapia sistêmica, radioterapia paliativa ou procedimentos endoscópicos para alívio de obstruções.

Linfoma Gástrico

O linfoma gástrico representa uma neoplasia do estômago que, embora menos comum que o adenocarcinoma, possui características e abordagens terapêuticas distintas. É crucial para o estudante de medicina compreender suas particularidades, especialmente a forte associação com a infecção por H. pylori.

Epidemiologia

A gastrite crônica induzida pela infecção por H. pylori provoca uma ativação e recrutamento contínuo de linfócitos na mucosa gástrica. Com o tempo, essa proliferação linfocitária pode evoluir para uma transformação neoplásica, dando origem ao linfoma MALT.

🧠 Conceito Chave: A infecção por H. pylori é o elo mais importante na patogênese do linfoma MALT gástrico, sendo fundamental para a compreensão da doença e seu tratamento.

Quadro Clínico

Os sintomas do linfoma gástrico são frequentemente inespecíficos, o que pode dificultar o diagnóstico precoce. No entanto, a presença de certos sinais e sintomas deve levantar a suspeita.

⚠️ Atenção: A presença dos sintomas B (febre, sudorese noturna, perda de peso) é um indicativo de doença sistêmica e deve aumentar significativamente a suspeita de linfoma, embora sejam inespecíficos.

Diagnóstico

O diagnóstico definitivo do linfoma gástrico requer uma abordagem invasiva para obtenção de tecido para análise histopatológica.

É fundamental que a biópsia seja realizada, pois a diferenciação entre linfoma e adenocarcinoma pode ser desafiadora apenas pela imagem endoscópica. Os tipos mais comuns de linfoma gástrico são:

🔎 Diagnóstico Diferencial: A biópsia é indispensável para distinguir o linfoma gástrico do adenocarcinoma, pois o tratamento e o prognóstico são significativamente diferentes.

Estadiamento

Após o diagnóstico histopatológico, o estadiamento é crucial para determinar a extensão da doença e guiar o tratamento.

Tratamento

O tratamento do linfoma gástrico varia consideravelmente dependendo do tipo histológico e do estágio da doença.

Linfoma MALT
Linfoma Difuso de Grandes Células B (LDGCB)
Característica Linfoma MALT Linfoma Difuso de Grandes Células B
Associação com H. pylori Bem estabelecida Não estabelecida
Tratamento inicial (localizado) Erradicação de H. pylori Quimioterapia R-CHOP
Cirurgia Raramente indicada Para complicações (perfuração, hemorragia)

GIST (Tumor Estromal Gastrointestinal)

O GIST é um tipo de sarcoma que se origina no trato gastrointestinal, diferenciando-se dos adenocarcinomas e linfomas. Sua compreensão é vital devido à sua origem celular única e às abordagens terapêuticas específicas.

Conceitos Iniciais

As células intersticiais de Cajal são consideradas os "marca-passos" da peristalse intestinal, desempenhando um papel crucial na motilidade do trato gastrointestinal. Embora presentes em diversas partes do corpo, são mais abundantes no estômago, o que explica a alta incidência de GIST gástrico.

🧬 Genética e Patologia: O GIST é um sarcoma e não um carcinoma. Sua origem nas células intersticiais de Cajal e a positividade para CD-117 (C-KIT) são características patognomônicas.

Diagnóstico

O diagnóstico do GIST tem particularidades importantes em relação à biópsia, que difere da abordagem para outras neoplasias gástricas.

⚠️ Cuidado na Prova: Diferente de outras lesões gástricas, a biópsia de GIST não é a primeira conduta e é evitada sempre que possível, especialmente se a lesão for ressecável.

Tratamento

O tratamento do GIST é multimodal e depende do tamanho da lesão, do risco de recorrência e da presença de metástases.

Ressecção Cirúrgica

A cirurgia é a principal modalidade terapêutica para GISTs localizados e ressecáveis.

Imatinibe (Gleevec)

O Imatinibe é um inibidor de tirosina quinase que atua bloqueando a atividade do receptor C-KIT, fundamental na patogênese do GIST.

O risco de recorrência é avaliado com base no tamanho do tumor e no número de mitoses por campo de grande aumento (CGA).

Risco de Recorrência Critérios (Tamanho e Mitoses/CGA)
Baixo Geralmente < 2 cm e < 5 mitoses/CGA
Moderado < 5 cm e 6-10 mitoses/CGA ou 5-10 cm e < 5 mitoses/CGA
Alto > 5 cm e > 5 mitoses/CGA ou > 10 cm ou > 10 mitoses/CGA
Neoadjuvância com Imatinibe
💊 Tratamento-chave: O Imatinibe é a terapia alvo fundamental para GISTs avançados ou com alto risco de recorrência, atuando especificamente na via do C-KIT.