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Doenças do Intestino - Parte 4

Apendicite e Diverticulite


Apendicite Aguda

🚨 Conceito fundamental: A apendicite aguda representa a causa mais frequente de abdome agudo não traumático e é a principal etiologia de abdome agudo inflamatório com indicação cirúrgica!

Anatomia Aplicada

Para compreensão adequada da fisiopatologia e apresentação clínica, é essencial conhecer a anatomia apendicular. O apêndice cecal constitui uma estrutura tubular de fundo cego, com extensão variável entre 9 a 22 cm, implantado na parede do ceco. Esta estrutura produz secreção de forma contínua e apresenta localização anatômica variável conforme sua posição de implantação.

Localização Anatômica do Apêndice

A posição mais comum do apêndice é a fossa ilíaca direita (FID), ocorrendo em aproximadamente 40-60% dos indivíduos. No entanto, variações anatômicas são frequentes e clinicamente relevantes:

Fisiopatologia

A compreensão da sequência fisiopatológica é fundamental para entender a evolução temporal dos sintomas e a migração característica da dor. O processo inicia-se com obstrução da luz apendicular e evolui de forma progressiva:

🔬 Sequência fisiopatológica: Obstrução luminal → Aumento da pressão intraluminal + Estase de secreção → Congestão e acúmulo de muco → Proliferação bacteriana → Distensão apendicular → Irritação do peritônio visceral → Dor vaga periumbilical → Após 12-24h: isquemia/necrose da parede → Perfuração → Irritação do peritônio parietal → Dor localizada em FID

Mecanismo da Obstrução

A obstrução da luz apendicular representa o evento inicial da cascata fisiopatológica. Os fecalitos (fezes endurecidas e calcificadas) constituem a principal causa obstrutiva em adultos. Após a obstrução, ocorre proliferação bacteriana exuberante, caracteristicamente polimicrobiana, com predomínio de Escherichia coli e Bacteroides fragilis.

⚠️ Atenção - População pediátrica: Em crianças, a hiperplasia linfoide representa a principal causa de obstrução luminal, especialmente no contexto de infecções virais ou bacterianas sistêmicas!

Evolução Temporal e Complicações

Com a distensão progressiva, a pressão intraluminal elevada compromete o fluxo sanguíneo para a parede apendicular, resultando em isquemia. Aproximadamente 48 horas após o início do quadro, o apêndice isquêmico pode perfurar, gerando as principais complicações:

Fisiopatologia da Dor

A migração característica da dor na apendicite aguda reflete o acometimento sequencial de diferentes camadas peritoneais:

🧠 Lembre-se: O abscesso periapendicular é mais comum que a peritonite difusa porque ocorre predominantemente em adultos jovens, com sistema imunológico desenvolvido e peritônio capaz de "conter" a perfuração. Crianças, idosos e imunossuprimidos apresentam maior risco de perfuração com peritonite difusa!

Manifestações Clínicas

Quadro Clínico Típico

A apresentação clássica da apendicite aguda segue um padrão temporal relativamente previsível, embora variações possam ocorrer conforme idade, sexo e localização anatômica do apêndice:

Sintomas Cardinais

Exame Físico e Sinais Clássicos

Ponto de McBurney

Localiza-se no terço médio lateral de uma linha imaginária traçada entre a crista ilíaca anterossuperior e a cicatriz umbilical, correspondendo teoricamente à projeção da ponta do apêndice. Importante ressaltar que a ponta apendicular é móvel, e sua localização pode variar (exemplo: em gestantes, pode haver dor em hipocôndrio direito pelo deslocamento cranial do ceco).

Sinais de Irritação Peritoneal

Estes sinais indicam comprometimento peritoneal e auxiliam no diagnóstico de apendicite aguda, especialmente nas formas complicadas:

Diagnóstico

Escore de Alvarado

O Escore de Alvarado constitui ferramenta útil para estratificação de risco e auxílio na tomada de decisão diagnóstica. Baseia-se em critérios clínicos e laboratoriais simples:

Critério Pontuação
Dor com migração para FID 1 ponto
Anorexia 1 ponto
Náuseas/vômitos 1 ponto
Dor à palpação em FID 2 pontos
Descompressão brusca dolorosa em FID 1 ponto
Febre (temperatura > 37,5°C) 1 ponto
Leucocitose 2 pontos
Desvio à esquerda (neutrofilia) 1 ponto*

*Alguns autores consideram o desvio para esquerda como critério adicional

Interpretação e Conduta Conforme Escore de Alvarado
Pontuação Probabilidade Conduta Recomendada
0-3 pontos Improvável Avaliar diagnósticos diferenciais
4-6 pontos Provável Observação por 12h; se escore mantido, considerar cirurgia
≥ 7 pontos Muito provável Considerar apendicectomia

Estratégia Diagnóstica

Alta Probabilidade - História Clássica

Em pacientes com apresentação típica e escore de Alvarado elevado, o diagnóstico é eminentemente clínico, dispensando exames de imagem de rotina. Procede-se diretamente à apendicectomia.

Probabilidade Intermediária ou Situações Especiais

Nas seguintes situações, recomenda-se observação e exame de imagem:

Exames de Imagem: Escolha Conforme o Perfil do Paciente
🔎 Ultrassonografia (USG): Método de escolha em gestantes e crianças (ausência de radiação ionizante)

Achados ultrassonográficos sugestivos de apendicite:

⚠️ Gestantes com USG inconclusivo: Prosseguir com ressonância magnética (RNM), que não utiliza radiação ionizante e oferece excelente resolução de partes moles!
🔎 Tomografia Computadorizada (TC): Método de escolha em pacientes adultos não gestantes, especialmente homens

Achados tomográficos sugestivos de apendicite:

Conduta em Exame de Imagem Negativo com Dor Persistente

Quando a imagem é negativa mas a dor persiste, recomenda-se observação por 8-12 horas. Persistindo a dor após esse período, está indicada laparoscopia diagnóstica.

💡 Dica importante: A videolaparoscopia pode ser realizada mesmo em casos de apendicite com peritonite! Inclusive, é o método de escolha nesses casos. A contraindicação à videolaparoscopia é a instabilidade hemodinâmica, não a presença de peritonite!

Diagnósticos Diferenciais

O diagnóstico diferencial da apendicite aguda é amplo e varia conforme sexo, idade e apresentação clínica. É fundamental considerar outras causas de dor abdominal, especialmente em mulheres jovens e crianças:

Condição Dica Clínica/Diferencial
Ruptura de folículo ovariano (Mittelschmerz) Dor no meio do ciclo menstrual; geralmente autolimitada
Cisto ovariano roto Massa anexial identificada na ultrassonografia pélvica
Doença inflamatória pélvica (DIP) Corrimento vaginal + dor à mobilização cervical (sinal de Chandelier)
Gravidez ectópica rota β-HCG positivo + massa anexial + líquido livre
Linfadenite mesentérica Criança + infecção respiratória prévia + linfonodos mesentéricos aumentados
Apendagite epiploica Indistinguível clinicamente; diagnóstico na videolaparoscopia; condição benigna e autolimitada (torção de apêndice epiploico com isquemia e necrose)
Gastroenterite aguda Diarreia intensa e vômitos precedendo a dor abdominal
Litíase urinária Dor lombar em cólica com irradiação para bolsa escrotal/grandes lábios
Infecção do trato urinário Disúria + hematúria + piúria (pode haver bacteriúria ausente em apendicite retrocecal com irritação vesical)

Tratamento

A estratégia terapêutica varia conforme o tempo de evolução, presença de complicações e condições locais. Cinco cenários clínicos principais devem ser reconhecidos:

Cenário 1: Apendicite Precoce e Não Complicada (< 48h)

💊 Tratamento: Apendicectomia (preferencialmente videolaparoscópica) + Antibioticoterapia profilática

Este é o cenário ideal, com diagnóstico precoce antes da perfuração. A cirurgia pode ser realizada por via aberta ou videolaparoscópica, com preferência pela segunda por menor morbidade pós-operatória.

Cenário 2: Apendicite Complicada com Abscesso

💊 Tratamento: Drenagem percutânea guiada por imagem + Antibioticoterapia terapêutica → Após 4-6 semanas: Colonoscopia para avaliar necessidade de apendicectomia tardia

A cirurgia imediata em presença de abscesso localizado aumenta o risco de romper o abscesso e provocar peritonite difusa. Por isso, a conduta inicial é conservadora com drenagem percutânea. Após 4-6 semanas, realiza-se colonoscopia porque a formação de abscesso não é comum na apendicite simples, devendo-se descartar neoplasia colônica como fator predisponente.

Cenário 3: Apendicite Tardia Não Complicada - Fleimão (> 48h)

💊 Tratamento: Antibioticoterapia terapêutica exclusiva → Após 4-6 semanas: Colonoscopia para avaliar necessidade de apendicectomia tardia

O termo "fleimão" (phlegmon em inglês) refere-se a um processo inflamatório apendicular com massa palpável, porém sem coleção líquida drenável - representa um "pré-abscesso". A conduta é conservadora com antibióticos, seguida de colonoscopia tardia pela mesma razão do cenário anterior.

Cenário 4: Peritonite Difusa

🚨 Tratamento: Cirurgia de urgência + Hidratação venosa vigorosa + Antibioticoterapia terapêutica por 4-7 dias (idealmente via videolaparoscópica se houver estabilidade hemodinâmica)

A peritonite difusa constitui emergência cirúrgica. A via videolaparoscópica é preferível quando o paciente está hemodinamicamente estável, pois permite melhor exploração da cavidade, lavagem adequada e menor morbidade.

Cenário 5: Apendicectomia Incidental

A apendicectomia incidental está indicada nas seguintes situações:

⚠️ Complicação pós-operatória mais comum: Infecção do sítio cirúrgico

Antibioticoterapia

A escolha do esquema antibiótico deve considerar a flora polimicrobiana típica (aeróbios e anaeróbios), com cobertura para E. coli e B. fragilis:

Classificação Anatomopatológica

Embora tenha importância prática limitada no manejo agudo, alguns concursos cobram a classificação anatomopatológica da apendicite conforme evolução histológica:

Fase Característica Histológica
Fase I - Catarral Distensão e edema da parede apendicular
Fase II - Flegmonosa Infiltrado inflamatório transmural
Fase III - Gangrenosa Necrose da parede apendicular
Fase IV - Perfurativa Perfuração com peritonite

Técnicas Cirúrgicas - Incisões Clássicas

Embora a videolaparoscopia seja atualmente a via preferencial, o conhecimento das incisões clássicas ainda é cobrado em provas:

💡 Para a prova: A incisão de McBurney (oblíqua) é a mais clássica e ainda a mais cobrada em concursos, embora na prática atual a videolaparoscopia seja predominante!

Doença Diverticular dos Cólons (Diverticulose)

Definição e Anatomopatologia

A diverticulose caracteriza-se pela herniação da mucosa e submucosa colônicas através dos pontos onde os vasos retos (artérias mesentéricas) penetram a camada muscular para irrigar a parede intestinal. Conceitualmente, trata-se de um pseudodivertículo ou divertículo falso, pois não contém todas as camadas da parede intestinal — especificamente, não possui camada muscular própria, diferindo dos divertículos verdadeiros.

A compreensão da anatomia colônica é fundamental: o cólon possui parede muscular espessa e resistente, necessária para gerar a força peristáltica que impulsiona o bolo fecal. No entanto, essa parede é naturalmente perfurada pelos vasos mesentéricos que a atravessam de fora para dentro, criando pontos de menor resistência onde podem se formar os divertículos.

🧠 Conceito-chave: Os divertículos colônicos são "falsos" (pseudodivertículos) porque não contêm a camada muscular — apenas mucosa e submucosa herniam através dos pontos de entrada dos vasos retos na parede do cólon.

Fisiopatologia e Fatores de Risco

A formação de divertículos resulta do aumento da pressão intraluminal associado à fragilidade da parede colônica. O principal fator de risco modificável é a dieta pobre em fibras, característica da população ocidental. A baixa ingesta de fibras leva à formação de bolo fecal endurecido e de menor volume, exigindo maior esforço contrátil do cólon para propulsão, com consequente aumento da pressão intraluminal e, por vezes, até colabamento segmentar da parede.

Principais Fatores de Risco

💡 Dica clínica: A maioria dos pacientes com diverticulose permanece assintomática por toda a vida — o diagnóstico é frequentemente incidental em exames de imagem ou colonoscopia realizados por outras indicações.

Particularidades Anatômicas: Cólon Direito versus Esquerdo

A localização dos divertículos influencia diretamente o tipo de complicação que pode ocorrer, devido às diferenças anatômicas entre os segmentos colônicos:

🔎 Alto rendimento: O sigmoide é o local mais acometido pela diverticulose (85-90% dos casos) justamente por trabalhar com fezes já formadas e apresentar menor calibre, gerando maior pressão intraluminal durante o peristaltismo.

Apresentação Clínica e Diagnóstico

A diverticulose não complicada é assintomática na grande maioria dos casos. O diagnóstico geralmente ocorre incidentalmente durante investigação de outras queixas abdominais ou em rastreamento de câncer colorretal.

Métodos Diagnósticos

⚠️ Atenção: Evitar colonoscopia e enema opaco durante episódio agudo de diverticulite, pelo risco de perfuração. Aguardar 4-6 semanas após resolução do quadro inflamatório para realizar investigação endoscópica e afastar neoplasia.

Complicações da Doença Diverticular

Aproximadamente 20-25% dos pacientes com diverticulose desenvolverão alguma complicação ao longo da vida:


Diverticulite Aguda

Fisiopatologia

A diverticulite aguda representa a inflamação de um divertículo, seguindo uma sequência fisiopatológica característica: obstrução do colo diverticular (geralmente por fecalito) → estase de conteúdoproliferação bacterianaisquemia da mucosamicroperfuraçõesprocesso inflamatório/infeccioso pericolônico.

É crucial compreender que, diferentemente da apendicite (onde a inflamação permanece contida pela parede muscular do apêndice), nos divertículos a ausência da camada muscular própria facilita as microperfurações precoces. Assim, a inflamação não permanece intraluminal, mas rapidamente se estende ao tecido pericólico, formando fleimão ou abscesso localizado. Tecnicamente, o processo deveria ser denominado peridiverticulite ou, mais precisamente, peripseudodiverticulite.

🧠 Fisiopatologia essencial: OBSTRUÇÃO do divertículo → PROLIFERAÇÃO bacteriana + SECREÇÃO aumentada → ISQUEMIA → MICROPERFURAÇÕES → INFLAMAÇÃO PERICÓLICA (abscesso/fleimão).

Quadro Clínico

A apresentação clínica da diverticulite aguda é frequentemente comparada a uma "apendicite do lado esquerdo em idosos", porém com algumas particularidades importantes que auxiliam no diagnóstico diferencial:

🔎 Diferencial com apendicite: Na diverticulite, a dor costuma ter evolução mais arrastada (4-5 dias), frequentemente com padrão recorrente (episódios de melhora e piora), enquanto na apendicite a evolução típica é de 12-24 horas com piora progressiva.

Diagnóstico

O diagnóstico da diverticulite aguda baseia-se na história clínica e exame físico, sendo teoricamente suficiente para o manejo inicial. No entanto, devido ao perfil etário dos pacientes e à necessidade de afastar diagnósticos diferenciais importantes (neoplasia, doença inflamatória intestinal, isquemia), habitualmente solicita-se confirmação por exame de imagem.

Exames Complementares

⚠️ Contraindicação: Evitar colonoscopia e enema opaco na fase aguda pelo risco de perfuração iatrogênica. Realizar colonoscopia 4-6 semanas após resolução do quadro para afastar neoplasia maligna e avaliar extensão da doença.

Classificações Prognósticas

Duas classificações são utilizadas para estratificar gravidade e orientar tratamento:

Classificação de Hinchey Classificação de Kaiser Achados
0 Leve Espessamento de parede colônica isolado
Ia Leve Fleimão ou densificação da gordura pericólica
Ib Moderada Abscesso pericólico ou mesocólico (<5 cm)
II Moderada Abscesso à distância (pélvico, retroperitoneal)
III Grave Peritonite purulenta generalizada
IV Grave Peritonite fecal generalizada

Indicações de Internação Hospitalar

Nem todo paciente com diverticulite aguda requer internação. Os critérios para manejo hospitalar incluem:

Tratamento - Abordagem Geral

O manejo da diverticulite aguda depende fundamentalmente da presença ou ausência de complicações e da gravidade do quadro clínico:

Cenário Clínico Hinchey / Kaiser Conduta
Não complicada leve 0 / Leve Avaliar antibioticoterapia (pode ser dispensável)
Não complicada moderada Ia / Leve Antibioticoterapia ambulatorial ou hospitalar
Abscesso pequeno Ib (<4cm) Antibioticoterapia + internação
Abscesso grande Ib-II (>4cm) Drenagem percutânea + antibióticos
Peritonite purulenta III / Grave Antibióticos + cirurgia (considerar lavagem laparoscópica)
Peritonite fecal IV / Grave Antibióticos + cirurgia de urgência (Hartmann)

Tratamento Clínico - Diverticulite Não Complicada

Manejo ambulatorial (sintomas leves, sem complicações tomográficas, paciente confiável):

Manejo hospitalar (sintomas exuberantes, comorbidades, intolerância oral):

💡 Atualização importante: Estudos recentes (DIABOLO trial, AVOD trial) demonstram que diverticulite não complicada leve (Hinchey 0) pode ser tratada sem antibióticos em pacientes selecionados, sem aumento de complicações. A decisão deve ser individualizada.

Tratamento de Complicações - Abscesso

Abscessos pericólicos ou à distância requerem abordagem específica:

Tratamento Cirúrgico de Urgência

Indicações de cirurgia de urgência/emergência:

Técnicas cirúrgicas conforme gravidade:

🚨 Cirurgia de urgência: Peritonite purulenta (Hinchey III) → considerar lavagem laparoscópica em casos selecionados; Peritonite fecal (Hinchey IV) → cirurgia de Hartmann (ressecção + colostomia terminal).

Cirurgia Eletiva

As indicações de cirurgia eletiva (programada) após resolução do episódio agudo incluem:

⚠️ Mudança de paradigma: Antigamente, recomendava-se cirurgia eletiva após o 2º ou 3º episódio de diverticulite não complicada. Atualmente, essa indicação foi abandonada — o manejo clínico de episódios recorrentes é seguro e eficaz na maioria dos pacientes, reservando-se a cirurgia para casos específicos.

Técnica cirúrgica eletiva:

Seguimento e Prevenção

Situação Clínica Conduta Inicial Observações
Ambulatorial
(Hinchey 0, sintomas leves)
• Dieta líquida
• Analgesia oral
• Avaliar ATB oral (pode dispensar)
Reavaliação em 48-72h
Se ATB: cipro + metro 7-10d
Hospitalar
(Sintomas exuberantes)
• Dieta zero ou líquida
• Hidratação venosa
• ATB IV
• Analgesia IV
Ceftriaxona + metronidazol
Transição para VO após melhora
Abscesso >4cm
(Hinchey Ib-II)
• Drenagem percutânea
• ATB IV
• Colonoscopia 4-6 sem
• Avaliar cirurgia eletiva
Drenagem guiada por TC/USG
Converte urgência em eletiva
Peritonite purulenta
(Hinchey III)
• ATB IV
• Cirurgia de urgência
• Opção: lavagem laparoscópica
Lavagem em casos selecionados
Alternativa: Hartmann
Peritonite fecal
(Hinchey IV)
• ATB IV
• Cirurgia de Hartmann
(ressecção + colostomia)
Reconstrução após 3-6 meses
Cirurgia eletiva Indicações:
• Complicação prévia
• Fístulas
• Imunossupressão
• Impossível excluir CA
Não mais indicado rotineiramente
após 2º ou 3º episódio
não complicado
💊 Esquemas antibióticos principais:
Ambulatorial: Ciprofloxacino 500mg 12/12h + Metronidazol 500mg 8/8h VO (ou Amoxicilina-clavulanato 875mg 12/12h)
Hospitalar: Ceftriaxona 1-2g/dia IV + Metronidazol 500mg 8/8h IV
Duração: 7-10 dias (pode ser menor em casos leves)
🔎 Pontos de alto rendimento para prova:
• Diverticulite = "apendicite do lado esquerdo em idosos" com dor há 4-5 dias e padrão recorrente
• Local mais comum: sigmoide
• Complicação mais comum: diverticulite aguda (cólon esquerdo)
• Hemorragia: mais comum no cólon direito
• TC abdome = padrão-ouro diagnóstico
• Evitar colonoscopia na fase aguda (fazer 4-6 semanas depois)
• Abscesso >4cm → drenagem percutânea
• Hinchey IV → cirurgia de Hartmann
• Não há mais indicação de cirurgia eletiva rotineira após 2º episódio não complicado