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Hemorragia Digestiva

A hemorragia digestiva representa uma das emergências gastroenterológicas mais frequentes na prática clínica, caracterizada pela perda sanguínea originada em qualquer segmento do trato gastrointestinal. Sua apresentação clínica, abordagem diagnóstica e conduta terapêutica variam conforme a localização anatômica do sangramento.


Conceitos Iniciais

Critério Anatômico de Classificação

A classificação fundamental da hemorragia digestiva baseia-se no ligamento de Treitz, também conhecido como músculo suspensor do duodeno. Esta estrutura fibromuscular marca a transição duodenojejunal e serve como referência anatômica que divide o trato gastrointestinal em dois territórios distintos para fins de classificação do sangramento.

🧠 Conceito-chave: O ligamento de Treitz é o marco anatômico que separa hemorragia digestiva alta (HDA) de hemorragia digestiva baixa (HDB). Sangramentos proximais a este ligamento são classificados como HDA, enquanto sangramentos distais são classificados como HDB.

Hemorragia Digestiva Alta

Define-se como hemorragia digestiva alta todo sangramento originado proximal ao ligamento de Treitz, englobando esôfago, estômago e duodeno. Este tipo representa a grande maioria dos casos de hemorragia digestiva, correspondendo a aproximadamente 85-90% de todas as ocorrências.

Manifestações Clínicas da HDA

⚠️ Atenção: A hematêmese é patognomônica de HDA. Sua presença confirma sangramento acima do ligamento de Treitz.

Principais Etiologias da HDA

As causas mais prevalentes de hemorragia digestiva alta incluem:

Hemorragia Digestiva Baixa

A hemorragia digestiva baixa origina-se distal ao ligamento de Treitz, abrangendo jejuno, íleo, cólon e reto. Representa cerca de 10-15% dos casos de hemorragia digestiva.

Manifestações Clínicas da HDB

Principais Etiologias da HDB

As causas variam conforme a faixa etária:

💡 Dica de prova: Em pacientes idosos com HDB, pense primeiro em diverticulose e angiodisplasia. Em jovens, considere doença inflamatória intestinal e divertículo de Meckel.

Peculiaridades Semiológicas Importantes

Embora a classificação anatômica seja clara, a apresentação clínica pode gerar confusão diagnóstica em situações específicas:

HDA com Apresentação de HDB

Sangramentos digestivos altos volumosos e maciços (geralmente superiores a 1000 mL) podem manifestar-se com hematoquezia ao invés de melena. Isso ocorre devido ao efeito catártico do sangue, que acelera o trânsito intestinal, impedindo a digestão completa do sangue e sua transformação em melena. Estima-se que 10-20% das hematoquezias tenham origem no trato gastrointestinal alto.

🔎 Diagnóstico diferencial: Hematoquezia NÃO é sinônimo de HDB! Hemorragias altas volumosas (varizes esofágicas, úlcera duodenal sangrante) podem cursar com eliminação de sangue vivo devido ao trânsito acelerado.

HDB com Apresentação de HDA

Inversamente, sangramentos baixos com trânsito intestinal lentificado podem permitir digestão parcial do sangue, resultando em melena. Embora menos comum, esta situação também deve ser considerada no raciocínio clínico.

Manifestações Sistêmicas da Hipovolemia

Independentemente da localização, hemorragias digestivas significativas cursam com hipovolemia e suas repercussões hemodinâmicas:

Característica Hemorragia Digestiva Alta Hemorragia Digestiva Baixa
Localização anatômica Proximal ao ligamento de Treitz Distal ao ligamento de Treitz
Frequência 85-90% dos casos 10-15% dos casos
Manifestações típicas Hematêmese e melena Hematoquezia e enterorragia
Principais causas Úlcera péptica, varizes esofágicas Diverticulose, angiodisplasia, neoplasia
Sonda nasogástrica Presença de sangue ou borra de café Ausência de sangue (bile clara)

Abordagem Inicial e Estabilização Hemodinâmica

A conduta frente a um paciente com hemorragia digestiva deve seguir uma sequência lógica e prioritária, sempre iniciando pela estabilização clínica antes da investigação etiológica. O manejo inicial segue os princípios do ABCDE do trauma.

🚨 Prioridade absoluta: ESTABILIZAÇÃO HEMODINÂMICA vem ANTES da investigação diagnóstica! Primeiro estabilize, depois investigue.

Primeiro Passo: Avaliação e Suporte das Vias Aéreas (A - Airway)

Garantir a perviedade das vias aéreas superiores é fundamental, especialmente em pacientes com hematêmese volumosa, rebaixamento do nível de consciência ou risco de broncoaspiração. Considerar:

Segundo Passo: Suporte Ventilatório (B - Breathing)

Fornecer oxigênio suplementar quando necessário, especialmente se:

Terceiro Passo: Ressuscitação Volêmica (C - Circulation)

A reposição volêmica adequada constitui o pilar do tratamento inicial da hemorragia digestiva.

Acesso Venoso

Obter dois acessos venosos periféricos calibrosos (jelco 14 ou 16) para permitir infusão rápida de volume. Em casos de impossibilidade de acesso periférico, considerar acesso venoso central.

Reposição Volêmica Inicial

A solução de escolha para reposição inicial é o cristaloide isotônico (soro fisiológico 0,9%) ou Ringer lactato. Infundir em bolus conforme necessidade, com objetivo de:

💊 Reposição volêmica: Iniciar SEMPRE com cristaloide (SF 0,9% ou Ringer lactato). Reservar hemoderivados para situações específicas.
Estratificação da Gravidade do Choque Hipovolêmico

A classificação do choque hemorrágico em quatro graus auxilia na estimativa da perda volêmica e orienta a terapêutica:

Parâmetro Grau I Grau II Grau III Grau IV
Perda volêmica (%) < 15% 15-30% 30-40% > 40%
Perda volêmica (mL) < 750 mL 750-1500 mL 1500-2000 mL > 2000 mL
Frequência cardíaca < 100 bpm > 100 bpm > 120 bpm > 140 bpm
Pressão arterial Normal Normal Hipotensão Hipotensão
Frequência respiratória < 20/min 20-30/min 30-40/min > 35/min
Enchimento capilar Normal Reduzido Reduzido Reduzido
Débito urinário (mL/h) > 30 20-30 5-20 Desprezível
Nível de consciência Pouco ansioso Ansioso Ansioso/confuso Confuso/letárgico
Reposição volêmica Cristaloide Cristaloide Cristaloide + CH Cristaloide + CH
Indicações de Hemotransfusão

A transfusão de concentrado de hemácias (CH) deve ser considerada nas seguintes situações:

Outros Hemoderivados
⚠️ Cuidado: Nas primeiras 48 horas, o hematócrito pode não refletir adequadamente a perda sanguínea real devido à hemodiluição ainda incompleta. Avalie a resposta hemodinâmica pela DIURESE, frequência cardíaca e pressão arterial!

Avaliação Laboratorial Inicial

Solicitar de imediato:

Dieta Zero

Manter o paciente em jejum absoluto (dieta zero) até estabilização do quadro e definição da necessidade de procedimentos endoscópicos ou cirúrgicos.

Sonda Nasogástrica: Uso Controverso

A passagem de sonda nasogástrica (SNG) permanece controversa na literatura. Embora possa auxiliar na diferenciação entre HDA e HDB, não é realizada rotineiramente em todos os serviços.

Possíveis Achados da SNG
Limitações

A ausência de sangue na SNG não exclui HDA, especialmente em sangramentos duodenais ou intermitentes. Por esse motivo, muitos serviços optam por não realizar a passagem rotineira de SNG, reservando-a para situações específicas.

Terapia Medicamentosa Inicial

Inibidor de Bomba de Prótons (IBP)

Todos os pacientes com suspeita de hemorragia digestiva alta devem receber IBP endovenoso em dose alta, considerando que a doença ulcerosa péptica é a causa mais comum de HDA não varicosa.

O IBP eleva o pH gástrico, estabiliza coágulos e otimiza a hemostasia.

Terapia Específica para Hipertensão Portal

Em pacientes com suspeita ou diagnóstico de cirrose hepática e possível sangramento varicoso, adicionar:

💊 Farmacoterapia inicial: IBP EV para todos com HDA. Se cirrose/hipertensão portal: adicionar ceftriaxone + terlipressina/octreotide.

Investigação Etiológica e Conduta Definitiva

Após a estabilização hemodinâmica inicial, o próximo passo consiste na identificação da causa do sangramento e instituição de terapêutica específica.

Investigação da Hemorragia Digestiva Alta

Endoscopia Digestiva Alta (EDA)

A endoscopia digestiva alta constitui o exame de escolha para diagnóstico e tratamento da HDA, apresentando excelente sensibilidade e especificidade.

Timing da EDA
Objetivos da EDA
Métodos de Hemostasia Endoscópica
🔎 Gold standard HDA: Endoscopia digestiva alta - diagnóstica E terapêutica. Sensibilidade e especificidade elevadas.
Conduta se EDA Não Identificar Sangramento

Em 1-2% dos casos, a EDA pode não identificar a fonte do sangramento. Nessas situações raras, considerar:

Investigação da Hemorragia Digestiva Baixa

Colonoscopia

A colonoscopia representa o exame de escolha para investigação da HDB, permitindo visualização direta da mucosa colônica e possibilidade de intervenção terapêutica.

Preparo e Timing
Capacidade Terapêutica

Assim como na EDA, a colonoscopia permite tratamento endoscópico:

Métodos Alternativos de Investigação

Quando a colonoscopia não é diagnóstica ou o sangramento é muito ativo, considerar:

🔎 Investigação HDB: Colonoscopia é o exame de primeira linha. Se inconclusiva ou sangramento muito ativo: cintilografia, arteriografia ou angioTC.

Fluxograma de Conduta

Hemorragia Digestiva Alta
Hemorragia Digestiva Baixa
Aspecto Hemorragia Digestiva Alta Hemorragia Digestiva Baixa
Relação com ângulo de Treitz Proximal (acima) Distal (abaixo)
Frequência relativa 85-90% dos casos 10-15% dos casos
Manifestações clínicas típicas Hematêmese
Melena
(Hematoquezia se maciça)
Hematoquezia
Enterorragia
(Melena se trânsito lento)
Sonda nasogástrica Sangue vivo ou borra de café Bile clara, sem sangue
Principais etiologias • Úlcera péptica
• Varizes esofagogástricas
• Síndrome de Mallory-Weiss
• Gastrite/duodenite erosiva
• Esofagite
> 50 anos:
• Diverticulose
• Angiodisplasia
• Neoplasia colorretal

Jovens:
• Doença inflamatória intestinal
• Divertículo de Meckel
Exame diagnóstico de escolha Endoscopia digestiva alta (EDA) Colonoscopia
Timing do exame (estável) Primeiras 24 horas Após preparo adequado
Timing do exame (instável) Emergência Considerar outros métodos
Farmacoterapia inicial IBP endovenoso
(+ ATB e terlipressina se varizes)
Suporte clínico
🧠 Mensagem final: Na hemorragia digestiva, SEMPRE priorize a estabilização hemodinâmica antes da investigação etiológica. Lembre-se: 10-20% das hematoquezias são HDA! O contexto clínico e a sonda nasogástrica ajudam na diferenciação inicial.

Hemorragia Digestiva Alta

A hemorragia digestiva alta (HDA) representa sangramento originado no trato gastrointestinal proximal ao ângulo de Treitz, englobando esôfago, estômago e duodeno. Constitui emergência médica frequente, com mortalidade que pode atingir 10% dos casos, exigindo abordagem diagnóstica e terapêutica rápidas e estruturadas.

Conceitos Gerais

Etiologia da Hemorragia Digestiva Alta

As causas de HDA podem ser didaticamente divididas conforme a presença ou ausência de hipertensão portal, condição que modifica substancialmente a abordagem terapêutica e o prognóstico do paciente.

Causas sem Hipertensão Portal

Neste grupo, a doença ulcerosa péptica figura como a etiologia mais prevalente, respondendo pela maioria dos casos de sangramento digestivo alto não varicoso. Outras causas importantes incluem:

Causas com Hipertensão Portal

A cirrose hepática com desenvolvimento de varizes esofagogástricas representa a principal causa de HDA neste contexto. A hipertensão portal (gradiente de pressão porto-sistêmico superior a 10-12 mmHg) promove formação de circulação colateral, incluindo varizes esofágicas e gástricas que podem romper e causar hemorragia maciça e potencialmente fatal.

🧠 Mnemônico para as principais causas: "UVL = ÚVULA" → Úlcera péptica, Varizes esofagogástricas, Laceração de Mallory-Weiss

Investigação Diagnóstica

Endoscopia Digestiva Alta

A endoscopia digestiva alta (EDA) constitui o exame de escolha para diagnóstico e tratamento da HDA, apresentando acurácia diagnóstica superior a 90% e permitindo intervenção terapêutica simultânea quando indicado.

Momento da Realização

O timing da endoscopia é crucial e deve ser individualizado conforme a etiologia suspeita e a gravidade do quadro:

⚠️ Atenção: A estabilização hemodinâmica precede a endoscopia! Pacientes com choque hemorrágico devem receber reanimação volêmica, transfusão quando indicado e correção de coagulopatias antes do procedimento endoscópico.
Angioembolização

Procedimento realizado por radiologia intervencionista que consiste na cateterização seletiva da artéria sangrante e obliteração do vaso mediante injeção de agentes embolizantes (partículas, molas metálicas, cola). Indicada quando há falha terapêutica endoscópica ou impossibilidade de realização da EDA por instabilidade clínica grave.

Úlcera Péptica

A doença ulcerosa péptica representa a causa mais frequente de hemorragia digestiva alta não varicosa, sendo responsável por aproximadamente 40-50% dos casos. O sangramento constitui a complicação mais comum da úlcera péptica e a principal causa de óbito relacionado a esta condição.

Fatores de Risco

Dois fatores etiológicos predominam na gênese da úlcera péptica complicada com sangramento:

💡 Dica de prova: Questões frequentemente fornecem história de uso crônico de AINEs (paciente com artrite reumatoide, idoso com osteoartrose) ou antecedente de gastrite por H. pylori como pista para o diagnóstico de úlcera péptica sangrante.

Complicações da Úlcera Péptica

Três complicações principais podem ocorrer na evolução da doença ulcerosa:

Classificação de Forrest

Sistema de classificação endoscópica que estratifica o risco de ressangramento da úlcera péptica com base nas características do leito ulceroso visualizado durante a EDA. Esta classificação orienta decisões terapêuticas e define prognóstico.

Classificação Achado Endoscópico Risco de Ressangramento Estratificação
Forrest IA Sangramento arterial ativo em jato ~100% ALTO RISCO
Forrest IB Sangramento ativo em porejamento/babação 55% (17-100%)
Forrest IIA Vaso visível não sangrante 43% (8-81%)
Forrest IIB Coágulo aderido ao leito ulceroso 22% (14-36%) RISCO INTERMEDIÁRIO
Forrest IIC Mancha plana de hematina (pigmento escuro) 10% (0-13%) BAIXO RISCO
Forrest III Base ulcerosa limpa, sem estigmas 5% (0-10%)
🔎 Interpretação clínica: Forrest I e IIA (alto risco) exigem terapia endoscópica hemostática imediata associada a inibidor de bomba de prótons intravenoso. Forrest IIB requer avaliação individualizada. Forrest IIC e III podem receber apenas tratamento clínico.
Correlação Anatômica

Aspectos anatômicos relevantes para compreensão do sangramento ulceroso:

Tratamento da Úlcera Péptica Sangrante

A abordagem terapêutica é escalonada e multimodal, combinando medidas de suporte, farmacoterapia e intervenções endoscópicas ou cirúrgicas conforme a gravidade e resposta ao tratamento inicial.

Terapia Clínica

Constitui a base do tratamento em todos os pacientes e inclui três pilares fundamentais:

Terapia Endoscópica

Indicada para lesões de alto risco (Forrest IA, IB e IIA), a hemostasia endoscópica combina diferentes modalidades para atingir controle hemorrágico efetivo:

Métodos de Hemostasia Endoscópica
💊 Estratégia recomendada: Terapia combinada (adrenalina + método térmico ou mecânico) é superior à monoterapia, reduzindo significativamente as taxas de ressangramento, necessidade de cirurgia e mortalidade.
Protocolo de IBP em Lesões de Alto Risco

Após hemostasia endoscópica bem-sucedida em lesões Forrest I ou IIA:

Conduta em Falha da Hemostasia Endoscópica

Quando o sangramento persiste ou recorre após primeira tentativa endoscópica:

Terapia Cirúrgica

Indicada em aproximadamente 10% dos casos de HDA por úlcera péptica, a cirurgia é reservada para situações específicas:

Indicações de Cirurgia
Técnicas Cirúrgicas

O procedimento cirúrgico varia conforme a localização da úlcera:

🚨 Conceito cirúrgico: A vagotomia reduz a secreção ácida gástrica ao interromper o estímulo parassimpático; a pilorotomia previne estase gástrica que poderia resultar da vagotomia. Na úlcera gástrica, a ressecção é preferível pela possibilidade de malignidade subjacente.
Reintrodução da Dieta

O momento de reinício da alimentação oral depende da estratificação de risco:

Seguimento Após a Alta Hospitalar

Medidas essenciais para prevenir recorrência do sangramento:

Varizes Esofagogástricas

As varizes esofágicas e gástricas representam a principal complicação hemorrágica da hipertensão portal, condição caracterizada por elevação patológica da pressão no sistema venoso portal. O sangramento varicoso constitui emergência médica grave, com mortalidade que pode atingir 15-20% no episódio agudo.

Conceitos Fundamentais

Fisiopatologia

A sequência fisiopatológica que culmina na formação de varizes e seu potencial de sangramento pode ser resumida em:

🧬 Pressão crítica: Gradiente de pressão venosa hepática (GPVH) superior a 12 mmHg está associado a risco significativo de sangramento varicoso. Valores acima de 20 mmHg correlacionam-se com falha terapêutica e maior mortalidade.

Abordagem Terapêutica do Sangramento Agudo

O manejo do sangramento varicoso agudo requer intervenção imediata e coordenada, combinando medidas de suporte, farmacoterapia vasoconstritora e terapia endoscópica.

Reanimação Volêmica

Diferentemente do sangramento não varicoso, a reposição volêmica em pacientes com varizes deve ser cautelosa e restritiva:

Tratamento Farmacológico

Vasoconstritores esplâncnicos constituem a primeira linha terapêutica e devem ser iniciados precocemente, idealmente antes mesmo da realização da endoscopia:

Agentes Vasoconstritores
💊 Início precoce: A terapia vasoconstritora deve ser iniciada na suspeita clínica de sangramento varicoso, mesmo antes da confirmação endoscópica, pois reduz o sangramento ativo e facilita a hemostasia endoscópica.
Profilaxia Antibiótica

Infecções bacterianas ocorrem em até 50% dos pacientes cirróticos com sangramento varicoso e associam-se a maior mortalidade e falha no controle do sangramento:

Tratamento Endoscópico

A endoscopia digestiva alta deve ser realizada em até 12 horas da apresentação, após início da terapia farmacológica e estabilização inicial.

Ligadura Elástica (Método de Escolha)

Técnica preferencial para hemostasia de varizes esofágicas:

Escleroterapia

Injeção de agente esclerosante (etanolamina, polidocanol) nas varizes ou ao seu redor:

Cianoacrilato (Varizes Gástricas Isoladas)

Adesivo tecidual utilizado especificamente para varizes gástricas (fundo gástrico):

🔎 Questão recorrente: Em provas de São Paulo, frequentemente perguntam sobre o tratamento específico de varizes gástricas isoladas. A resposta é cianoacrilato, não ligadura elástica!
Terapia de Resgate

Quando o sangramento não é controlado com terapia farmacológica e endoscópica inicial:

Balão de Sengstaken-Blakemore

Dispositivo de tamponamento mecânico com dois balões (gástrico e esofágico):

Segunda Tentativa Endoscópica

Se o sangramento recorre após hemostasia endoscópica inicial:

TIPS (Shunt Portossistêmico Intra-Hepático Transjugular)

Procedimento radiológico intervencionista que cria comunicação entre veia porta e veia hepática:

Cirurgia

Reservada para situações excepcionais de falha de todas as terapias anteriores ou indisponibilidade de TIPS:

Profilaxia do Sangramento Varicoso

Profilaxia Primária

Prevenção do primeiro episódio de sangramento em pacientes com varizes de médio ou grande calibre:

Profilaxia Secundária

Prevenção de ressangramento após episódio de hemorragia varicosa:

⚠️ Atenção crucial: Betabloqueadores NÃO devem ser administrados durante o episódio agudo de sangramento! O uso de betabloqueadores em pacientes hipotensos e em choque pode agravar a instabilidade hemodinâmica. Iniciar ou reintroduzir o betabloqueador somente após estabilização clínica, geralmente após os 5 dias de terlipressina.
Estratégia Profilaxia Primária Sangramento Agudo Profilaxia Secundária
Betabloqueador ✅ Sim (propranolol/carvedilol) ❌ Não (contraindicado) ✅ Sim (após estabilização)
Ligadura elástica ✅ Sim (alternativa ou associação) ✅ Sim (terapia de escolha) ✅ Sim (sessões seriadas)
Vasoconstritor ❌ Não ✅ Sim (terlipressina 5 dias) ❌ Não
Antibiótico ❌ Não ✅ Sim (ceftriaxona/quinolona 7 dias) ✅ Sim (durante internação)
TIPS ❌ Não ✅ Sim (se refratário) ✅ Sim (se ressangramento recorrente)
📚 Nota final: Este resumo apresenta os conceitos essenciais sobre hemorragia digestiva alta, com foco nas duas principais etiologias: úlcera péptica e varizes esofagogástricas. Aspectos mais detalhados sobre cirrose hepática, hipertensão portal e suas complicações serão abordados nos capítulos específicos de hepatologia.

Laceração de Mallory-Weiss

🧠 Mnemônico: "Mallory Weeeeist = vomitando" - associe o nome à história de vômitos repetidos!

Conceito e Fisiopatologia

A laceração de Mallory-Weiss consiste em rupturas longitudinais da mucosa localizadas na transição esofagogástrica, geralmente na pequena curvatura do estômago proximal ou no esôfago distal. Essas lesões resultam de aumentos súbitos e repetidos da pressão intra-abdominal transmitida à junção esofagogástrica durante episódios de vômitos vigorosos.

Quadro Clínico

A apresentação clássica envolve a tríade:

⚠️ Populações de risco: Etilistas crônicos e gestantes com hiperêmese gravídica são os grupos mais vulneráveis.

Diagnóstico

A endoscopia digestiva alta (EDA) é o exame padrão-ouro, revelando:

Tratamento

A abordagem terapêutica varia conforme a gravidade do sangramento:

Prognóstico

Aproximadamente 90% dos casos são autolimitados, com cessação espontânea do sangramento e excelente prognóstico. A recorrência é incomum quando o fator desencadeante (vômitos) é controlado.

💡 High Yield: Pense em Mallory-Weiss quando houver HDA precedida por vômitos em etilista ou gestante. Prognóstico geralmente favorável!

Diagnóstico Diferencial - Síndrome de Boerhaave

Conceito

A síndrome de Boerhaave representa a perfuração esofagiana transmural espontânea secundária a vômitos violentos e repetidos. Diferentemente da laceração de Mallory-Weiss (que é superficial, limitada à mucosa), a síndrome de Boerhaave envolve ruptura de toda a espespessura da parede esofagiana.

Quadro Clínico

A apresentação clínica é dramaticamente mais grave que a laceração de Mallory-Weiss:

🚨 Emergência cirúrgica: A síndrome de Boerhaave é uma urgência médico-cirúrgica com alta mortalidade se não tratada prontamente!
Característica Laceração de Mallory-Weiss Síndrome de Boerhaave
Profundidade da lesão Mucosa (superficial) Transmural (todas as camadas)
Quadro clínico HDA após vômitos Dor torácica intensa, enfisema subcutâneo, HDA (30%)
Complicações Raras, autolimitado Mediastinite, sepse, pneumomediastino
Prognóstico Excelente (90% autolimitados) Grave, alta mortalidade
Tratamento Conservador ou endoscópico Cirúrgico (reparo da perfuração)

Lesão de Dieulafoy

Conceito e Anatomopatologia

A lesão de Dieulafoy é uma malformação vascular caracterizada por uma artéria calibrosa, dilatada e tortuosa localizada na submucosa gástrica, mais frequentemente na pequena curvatura do estômago (região do fundo gástrico). Esta artéria anômala pode erodir a mucosa sobrejacente e causar sangramento maciço.

Epidemiologia

Acomete preferencialmente:

Quadro Clínico

A lesão de Dieulafoy apresenta características clínicas marcantes:

Diagnóstico

A endoscopia digestiva alta é o método diagnóstico de escolha, identificando o achado patognomônico:

🔎 Achado endoscópico característico: "Ponto sangrante circundado por mucosa normal" - ausência de úlcera ou lesão mucosa ao redor do vaso.

A EDA consegue identificar a lesão em aproximadamente 80% dos casos. A dificuldade diagnóstica reside no fato de que, nos intervalos entre sangramentos, a lesão pode ser extremamente discreta ou imperceptível.

Tratamento

A abordagem terapêutica preferencial é a hemostasia endoscópica através de:

Em casos refratários ao tratamento endoscópico, pode-se considerar embolização arterial ou ressecção cirúrgica.

💡 Para a prova: Sangramento digestivo maciço, indolor e recorrente em homem de meia-idade usuário de AINE, com EDA mostrando ponto sangrante em mucosa normal = Lesão de Dieulafoy!

Ectasia Vascular Antral Gástrica (GAVE)

Conceito

A GAVE, também conhecida como "estômago em melancia" (watermelon stomach), é uma condição caracterizada pela presença de ectasias venulares dispostas em padrão radiado convergindo para o piloro, localizadas no antro gástrico.

Epidemiologia e Fatores Associados

A GAVE é mais comum em:

Fisiopatologia

A condição envolve a formação de vênulas dilatadas que se estendem em direção ao antro gástrico, criando o aspecto endoscópico característico de estrias avermelhadas radiadas.

Quadro Clínico

Diferentemente de outras causas de HDA, a GAVE apresenta manifestações clínicas mais sutis:

🧠 Lembre-se: GAVE = anemia ferropriva inexplicada em mulher com cirrose ou esclerodermia. O sangramento não costuma ser dramático!

Diagnóstico

A endoscopia digestiva alta revela o aspecto característico:

Tratamento

A abordagem terapêutica é multimodal:

O tratamento endoscópico pode necessitar de múltiplas sessões para ablação completa das ectasias.

Hemobilia

Conceito

Hemobilia é definida como o sangramento proveniente da via biliar, resultante da formação de uma fístula entre um vaso sanguíneo e o sistema biliar. O sangue drena através da árvore biliar e alcança o duodeno, manifestando-se como hemorragia digestiva alta.

Etiologia

As principais causas incluem:

Quadro Clínico

A apresentação clássica é a Tríade de Sandblom (ou Quincke):

🧠 Mnemônico: Tríade de Charcot (colangite) SEM febre + HDA = Tríade de Sandblom (hemobilia)

Diagnóstico

O diagnóstico de hemobilia pode ser desafiador:

⚠️ Atenção: A endoscopia pode ser completamente normal na hemobilia! Não exclua o diagnóstico se houver alta suspeita clínica.

Tratamento

A terapêutica de escolha é a arteriografia com embolização arterial, que apresenta alta taxa de sucesso e evita cirurgia. Em casos selecionados ou falha da embolização, pode-se considerar tratamento cirúrgico.

💡 High Yield para prova: HDA + dor em HCD + icterícia após trauma hepático ou cirurgia biliar = Hemobilia. Tratamento: embolização arterial!

Hemosuccus Pancreaticus

Conceito

O hemosuccus pancreaticus é uma causa rara de hemorragia digestiva alta caracterizada por sangramento através do ducto pancreático até o duodeno. Geralmente resulta de erosão de um pseudoaneurisma de artéria pancreática para o sistema ductal pancreático.

Quadro Clínico

A tríade clássica inclui:

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico é estabelecido por métodos de imagem (angiotomografia ou arteriografia), e o tratamento preferencial é a embolização arterial do pseudoaneurisma responsável.

Fístula Aortoentérica

Conceito

A fístula aortoentérica é uma comunicação anormal entre a aorta abdominal e o intestino delgado (geralmente a terceira porção do duodeno), representando uma emergência vascular com sangramento potencialmente catastrófico.

Etiologia e Fatores de Risco

As principais causas incluem:

🚨 Cenário clássico de prova: Paciente com história de correção cirúrgica de aneurisma de aorta (prótese aórtica) que apresenta HDA grave = suspeite de fístula aortoentérica!

Quadro Clínico

A apresentação clínica é caracteristicamente dramática:

⚠️ Hemorragia sentinela: Pequeno sangramento inicial que serve como "aviso" de que um sangramento maciço está iminente. Não subestime!

É importante reconhecer que a exteriorização do sangramento pode não ser imediata, e os sinais iniciais podem ser apenas hipotensão inexplicada ou sinais de choque.

Diagnóstico

A angiotomografia computadorizada é o exame de escolha, podendo demonstrar:

Tratamento

O tratamento é o reparo cirúrgico de emergência, que pode envolver:

A mortalidade permanece elevada mesmo com tratamento adequado, enfatizando a gravidade desta condição.

💡 Resumo para prova: HDA + história de aneurisma de aorta ou prótese aórtica = Fístula aortoentérica. Diagnóstico: angioTC. Tratamento: cirurgia de emergência!
Condição Quadro Clínico Característico Diagnóstico Tratamento
Mallory-Weiss Vômitos + HDA em etilista EDA (lacerações na JEG) Conservador (90% autolimitado)
Dieulafoy Sangramento maciço, indolor, recorrente EDA (ponto sangrante em mucosa normal) Hemostasia endoscópica
GAVE Anemia ferropriva em mulher com cirrose/esclerodermia EDA ("estômago em melancia") Ferro + coagulação endoscópica
Hemobilia HDA + dor HCD + icterícia (pós-trauma/cirurgia) AngioTC ou arteriografia Embolização arterial
Hemosuccus Dor abdominal + HDA + pancreatite AngioTC ou arteriografia Embolização arterial
Fístula aortoentérica HDA catastrófica + história de AAA/prótese aórtica AngioTC Cirurgia de emergência
🎯 Dica final: Nas causas não ulcerosas de HDA, a história clínica é fundamental! Vômitos = Mallory-Weiss; AINE + sangramento maciço = Dieulafoy; cirrose + anemia = GAVE; trauma/cirurgia + icterícia = Hemobilia; prótese aórtica = Fístula aortoentérica.

Hemorragia Digestiva Baixa

A hemorragia digestiva baixa (HDB) refere-se ao sangramento originado distalmente ao ligamento de Treitz, envolvendo cólon, reto e ânus. Representa cerca de 20% das hemorragias digestivas e pode manifestar-se como hematoquezia (eliminação de sangue vermelho vivo pelo ânus) ou, em sangramentos mais lentos, como melena.

Conceitos Gerais

Etiologia

As causas de HDB variam conforme a faixa etária e características clínicas do paciente. As principais etiologias podem ser memorizadas pelo mnemônico "DDD":

Outras causas relevantes incluem:

🧠 Lembre-se: Mnemônico "DDD" para as principais causas de HDB: Divertículo, AngioDisplasia e Câncer ("Denocarcinoma").

Abordagem Diagnóstica

A investigação da HDB deve ser sistemática e adaptada à gravidade do sangramento e à estabilidade hemodinâmica do paciente. A primeira etapa consiste em excluir doença anorretal através do exame proctológico.

Colonoscopia

A colonoscopia é o exame de escolha inicial para HDB em pacientes estáveis, após estabilização hemodinâmica e, idealmente, após preparo intestinal adequado. Suas características principais são:

⚠️ Atenção: Se hematoquezia com sangramento moderado e paciente estável, pensar em HDB e realizar colonoscopia. Se sangramento volumoso ou paciente instável, considerar HDA e realizar endoscopia digestiva alta.
Arteriografia/Angiografia Mesentérica

A arteriografia mesentérica é indicada em situações de instabilidade hemodinâmica refratária ou sangramento volumoso. Suas características incluem:

🚨 Emergência: Em sangramentos maciços de HDB com instabilidade hemodinâmica refratária, a arteriografia com embolização arterial é a conduta de escolha, possuindo caráter diagnóstico e terapêutico simultaneamente. Este conceito é frequentemente cobrado em provas!
Cintilografia com Hemácias Marcadas

A cintilografia com hemácias marcadas com tecnécio-99m é o exame mais sensível para detecção de sangramento digestivo:

Angiotomografia (AngioTC)

A angiotomografia tem ganhado espaço crescente na investigação de HDB:

Exame Sensibilidade (fluxo detectado) Caráter Terapêutico Indicação Principal
Colonoscopia Variável Sim Exame inicial em paciente estável
Cintilografia 0,1 ml/min (mais sensível) Não Triagem em sangramentos obscuros
AngioTC 0,3-0,5 ml/min Não Localização precisa do sangramento
Arteriografia 0,5-1 ml/min Sim (embolização) Sangramento volumoso/instabilidade

Algoritmo de Abordagem da HDB

A conduta diagnóstica e terapêutica deve seguir uma sequência lógica:

  1. Excluir doença anorretal: exame proctológico inicial.
  2. Colonoscopia: após estabilização hemodinâmica e preparo intestinal.
  3. Exames complementares:
  4. Conduta refratária: se todas as medidas falharem, considerar colectomia total ou subtotal.

Doença Diverticular

A doença diverticular caracteriza-se pela presença de divertículos no cólon, sendo a principal causa de HDB em adultos. Os divertículos são herniações da mucosa e submucosa através da camada muscular da parede colônica.

Epidemiologia e Fatores de Risco

Características Clínicas

Diagnóstico

Tratamento

💡 Dica: Divertículos são mais comuns no cólon esquerdo, mas sangram mais frequentemente no cólon direito!

Angiodisplasia

Angiodisplasia consiste em malformação vascular intestinal caracterizada por ectasia de veias submucosas, resultando em vasos dilatados, tortuosos e frágeis na mucosa intestinal.

Epidemiologia e Fatores de Risco

Características Clínicas

Diagnóstico

Tratamento

🔎 Diagnóstico: Angiodisplasia é a principal causa de sangramento obscuro. Pensar especialmente em idosos com anemia ferropriva de causa não esclarecida ou pacientes com estenose aórtica (síndrome de Heyde).

Divertículo de Meckel

O divertículo de Meckel representa a anomalia congênita mais comum do trato gastrointestinal, resultante do fechamento incompleto do ducto onfalomesentérico (vitelino) durante o desenvolvimento embrionário.

Características Anatômicas

Regra dos 2

Mnemônico clássico para memorizar as características do divertículo de Meckel:

Quadro Clínico

Diagnóstico

Tratamento

🧬 Genética/Congênito: Divertículo de Meckel é a anomalia congênita mais comum do TGI. Pensar em jovens com sangramento digestivo baixo indolor. Diagnóstico por cintilografia com tecnécio-pertecnetato e tratamento cirúrgico.
🧠 Meckel: jovens < 30 anos, íleo distal, origem no ducto onfalomesentérico, tecido ectópico gástrico que secreta ácido e causa ulceração/sangramento, diagnóstico por cintilografia com tecnécio-pertecnetato, tratamento com ressecção cirúrgica (diverticulectomia ou enterectomia).
🧠 Angiodisplasia: malformação vascular intestinal (ectasia venosa submucosa), associação com estenose aórtica (síndrome de Heyde), doença renal crônica e doença de von Willebrand, mais comum no ceco e principal causa de HDB originada no delgado, principal causa de sangramento obscuro, diagnóstico por cápsula endoscópica (método de escolha para delgado), tratamento com enteroscopia (hemostasia), inibidores de VEGF (talidomida/octreotide), embolização arterial ou cirurgia.

Hemorragia Digestiva Obscura

Definição

Hemorragia digestiva obscura é definida como sangramento de origem gastrointestinal cuja etiologia não é identificada após endoscopia digestiva alta e colonoscopia realizadas adequadamente. Representa cerca de 5% de todas as hemorragias digestivas.

Origem do Sangramento

Quadro Clínico

A hemorragia digestiva obscura pode ser classificada em:

Etiologia

As principais causas de hemorragia digestiva obscura incluem:

⚠️ Atenção: Em pacientes acima de 40 anos com hemorragia obscura, pensar principalmente em angiodisplasia e úlcera por AINE. Em jovens, considerar divertículo de Meckel.

Abordagem Diagnóstica

Etapa 1: Repetir EDA e Colonoscopia

Se os exames iniciais foram inconclusivos ou de qualidade duvidosa, deve-se considerar sua repetição com preparo adequado e por endoscopista experiente.

Etapa 2: Avaliação Inicial do Intestino Delgado

A escolha do método depende da suspeita clínica de obstrução intestinal:

Cápsula Endoscópica
Enterotomografia (Entero-TC)
🔎 Diagnóstico: Cápsula endoscópica é o exame de escolha para investigação inicial do intestino delgado na hemorragia obscura, exceto se houver obstrução intestinal (usar entero-TC).

Etapa 3: Exames Complementares

Se a cápsula endoscópica ou entero-TC não identificarem a causa, ou se houver necessidade de intervenção terapêutica, outros exames podem ser realizados:

Enteroscopia
Cintilografia com Hemácias Marcadas
Arteriografia Mesentérica
Exame Indicação Vantagens Limitações
Cápsula Endoscópica Primeira linha (sem obstrução) Não invasiva, visualiza todo delgado Contraindicada se obstrução; não terapêutica
Entero-TC Suspeita de obstrução Avalia parede e estruturas adjacentes Radiação; não terapêutica
Enteroscopia Após cápsula; necessidade terapêutica Diagnóstica e terapêutica; permite biópsia Invasiva; não avalia todo delgado
Cintilografia Sangramento intermitente Muito sensível (0,1 ml/min) Não localiza precisamente; não terapêutica
Arteriografia Instabilidade/sangramento volumoso Diagnóstica e terapêutica (embolização) Invasiva; requer sangramento ativo

Tratamento

O tratamento da hemorragia digestiva obscura deve ser direcionado à causa específica identificada:

Medidas Gerais

  1. Suporte hemodinâmico: reposição volêmica, transfusão de hemoderivados conforme necessário. Em instabilidade refratária, considerar arteriografia com embolização.
  2. Reposição de ferro: tratar anemia ferropriva com suplementação oral ou parenteral.
  3. Tratamento específico: conforme etiologia identificada.

Tratamento Conforme Etiologia

Angiodisplasia
Úlcera por AINE
Divertículo de Meckel
Doença de Crohn
Tumores
💊 Tratamento: O manejo da hemorragia obscura é sempre direcionado à causa específica. Angiodisplasia responde bem à enteroscopia com hemostasia; úlcera por AINE requer suspensão da droga; Meckel necessita ressecção cirúrgica; Crohn demanda tratamento imunossupressor.