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Doenças Mononucleose-like

As síndromes "mononucleose-like" frequentemente se manifestam com quadros clínicos semelhantes à mononucleose infecciosa, incluindo o desenvolvimento de "megalias" (linfonodomegalia, hepatoesplenomegalia).

🧠 Conceito Chave: As síndromes "mononucleose-like" são um grupo de doenças que mimetizam a mononucleose infecciosa, sendo crucial o diagnóstico diferencial. As principais causas incluem CMV, HIV, Toxoplasmose e outras infecções virais ou bacterianas.

Mononucleose Infecciosa

A mononucleose infecciosa é uma doença linfoproliferativa benigna, aguda e autolimitada, causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV), que é um herpesvírus humano tipo 4.

Agente Etiológico e Transmissão

💡 Dica de Prova: Lembre-se que a "doença do beijo" é uma característica marcante da mononucleose infecciosa, indicando a via de transmissão salivar.

Quadro Clínico

As manifestações clínicas da mononucleose infecciosa são variadas e podem incluir:

⚠️ Atenção: Em casos de esplenomegalia, é fundamental orientar o paciente a evitar atividades físicas de impacto para prevenir a ruptura esplênica, uma complicação grave.
🔎 Diagnóstico Clínico: O Sinal de Hoagland (edema palpebral) é um forte indicativo de mononucleose infecciosa em um contexto de síndrome mononucleose-like.

Diagnóstico Laboratorial

O diagnóstico da mononucleose infecciosa baseia-se em:

Tratamento

O tratamento da mononucleose infecciosa é primariamente de suporte e sintomático:

🚨 Alerta Terapêutico: A Síndrome de Reye é uma complicação rara, mas grave, associada ao uso de AAS em infecções virais, como a mononucleose.

Toxoplasmose

A toxoplasmose é uma infecção parasitária cosmopolita causada pelo Toxoplasma gondii, um protozoário intracelular obrigatório. Estima-se que até um terço da população mundial já tenha sido infectada.

Conceitos Essenciais

🧠 Lembre-se: O gato é o hospedeiro definitivo do Toxoplasma gondii, sendo crucial na cadeia de transmissão.

Fisiopatogenia

O ciclo de vida do Toxoplasma gondii no hospedeiro intermediário envolve diferentes formas parasitárias:

🧬 Ciclo do Parasita: O Toxoplasma gondii pode penetrar em qualquer célula nucleada, transformando-se em taquizoíto (fase aguda) e, posteriormente, em bradizoíto (fase latente em pseudocistos), que pode reativar em imunossuprimidos.

Formas de Transmissão

As principais vias de transmissão do Toxoplasma gondii para humanos incluem:

Manifestações Clínicas

A maioria dos pacientes infectados pelo Toxoplasma gondii é assintomática. Quando sintomática, a toxoplasmose pode se apresentar de diversas formas:

Reativação em Imunossuprimidos

A reativação da toxoplasmose é um risco significativo em pacientes com imunidade comprometida, especialmente em indivíduos com HIV/AIDS.

🚨 Neurotoxoplasmose: Em pacientes HIV+ com CD4 < 200, é a principal causa de lesões cerebrais focais, com achados clássicos de lesões anelares na TC.
🔎 Coriorretinite: Uma manifestação ocular importante, que pode ser congênita ou adquirida, com achados característicos na fundoscopia.

Diagnóstico

O diagnóstico da toxoplasmose pode ser realizado por diferentes métodos:

IgM IgG Interpretação
Negativo Positivo Infecção crônica / Imunidade (infecção pregressa)
Positivo Negativo Infecção aguda (fase inicial)
Negativo Negativo Suscetível à infecção
Positivo Positivo Infecção aguda ou crônica recente. Necessário realizar Teste de Avidez de IgG.
🧪 Teste de Avidez de IgG: Se IgM positivo e IgG positivo, um teste de avidez de IgG é crucial. Baixa avidez sugere infecção aguda (recente, menos de 4 meses), enquanto alta avidez indica infecção crônica (antiga).
⚠️ Atenção: Em pacientes com IgM positivo e IgG positivo que apresentam sintomas compatíveis com toxoplasmose aguda, o teste de avidez pode ser dispensado, e o tratamento pode ser iniciado diretamente.

Tratamento

Quando Tratar?

O tratamento da toxoplasmose é indicado em situações específicas:

Como Tratar?

O esquema terapêutico padrão para toxoplasmose ativa é:

💊 Tratamento Padrão: A tríade Sulfadiazina + Pirimetamina + Ácido Folínico é o pilar do tratamento da toxoplasmose ativa.

Profilaxia

Medidas preventivas são importantes para evitar a infecção por Toxoplasma gondii:


Citomegalovírus (CMV)

Conceitos Iniciais

O Citomegalovírus (CMV) é um membro da família Herpesviridae, caracterizado por ser um vírus de DNA. Sua prevalência é bastante elevada, variando entre 40% e 100% da população, dependendo da região estudada. Essa alta taxa de infecção se deve às diversas vias de transmissão do vírus.

🧠 Lembre-se: O CMV é um Herpesvírus (DNA), com alta prevalência devido às múltiplas formas de transmissão.

Formas de Transmissão

A transmissão do CMV pode ocorrer de diversas maneiras, o que contribui para sua ampla disseminação:

Quadro Clínico

A apresentação clínica da infecção por CMV é variada e pode ser dividida em três formas principais:

1. Infecção Congênita

Ocorre quando a infecção é transmitida da mãe para o feto. As manifestações mais características incluem:

2. Síndrome Mononucleose-Like

Esta forma é a mais comum em indivíduos imunocompetentes e mimetiza a mononucleose infecciosa causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV). Os sintomas incluem:

⚠️ Atenção: A causa mais comum de síndrome mononucleose-like é o Vírus Epstein-Barr (EBV), mas o CMV é uma causa importante a ser considerada.

3. Doença Invasiva no Imunossuprimido

Esta é a forma mais grave e ocorre em pacientes com comprometimento do sistema imunológico, como indivíduos vivendo com HIV (PVHIV) e transplantados. As manifestações variam conforme o grupo:

Diagnóstico

O diagnóstico do CMV pode ser realizado por diferentes métodos:

Tratamento

O tratamento do CMV varia conforme a forma clínica da doença:

💊 Tratamento: Ganciclovir/Valganciclovir para formas graves; sintomáticos para mononucleose-like.

Doença de Chagas

Agente e Transmissão

A Doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, cujo principal vetor é o triatomíneo, popularmente conhecido como barbeiro. Além da transmissão vetorial, outras formas importantes incluem:

O período de incubação da doença varia de 3 a 22 dias.

Quadro Clínico

A Doença de Chagas apresenta duas fases distintas: aguda e crônica.

Forma Aguda

Caracteriza-se por manifestações iniciais no local da inoculação e sintomas sistêmicos:

Forma Crônica

Desenvolve-se anos após a infecção aguda e pode ser assintomática ou apresentar manifestações graves:

Diagnóstico

O diagnóstico difere entre as fases aguda e crônica:

🔎 Diagnóstico: Aguda: parasitemia direta ou IgM. Crônica: dois testes sorológicos IgG positivos.

Tratamento

A indicação e o tipo de tratamento variam conforme a fase da doença:

Quando Indicar?

Qual Droga?

Fase Crônica (ICC, Constipação)?

Nesta fase, o tratamento é sintomático e de suporte, pois a fibrose já estabelecida não pode ser revertida.

Fase da Doença Indicação de Tratamento Específico Tratamento
Aguda/Reativação Sempre Benznidazol ou Nifurtimox
Crônica Indeterminada ou Digestiva Se < 50 anos Benznidazol ou Nifurtimox
Crônica Cardíaca Inicial (FE > 40%) Considerar Benznidazol ou Nifurtimox
Crônica Cardíaca Avançada/Digestiva Grave Não indicado (apenas suporte) Sintomáticos (IECA, BB, diuréticos; nitrato, dilatação, cirurgia)

Doença da Arranhadura do Gato

Etiologia e Transmissão

A Doença da Arranhadura do Gato é causada pela bactéria Bartonella henselae. A transmissão ocorre principalmente através de arranhaduras ou mordeduras de gatos, especialmente filhotes, ou pela exposição a pulgas de gato.

Quadro Clínico

As manifestações clínicas típicas incluem:

Outras apresentações menos comuns, mas possíveis, são:

Diagnóstico

O diagnóstico baseia-se em uma combinação de fatores:

Tratamento

A linfadenopatia na Doença da Arranhadura do Gato é geralmente autolimitada. A decisão de tratar todos os casos é controversa na literatura. No entanto, se o tratamento antibiótico for indicado (por exemplo, em casos de doença grave, imunocomprometidos ou linfonodos muito dolorosos/supurativos), a medicação de escolha é a Azitromicina por 14 dias.

💊 Tratamento: Linfadenopatia autolimitada. Se indicado, Azitromicina é a droga de escolha.

Esplenomegalia

Causas

A esplenomegalia, ou aumento do baço, pode ter causas diversas, muitas delas compartilhadas com as causas de linfonodomegalia. No entanto, devido à sua função e estrutura, o baço também apresenta causas específicas de aumento.

Causas Específicas do Baço

Esplenomegalia "de Monta"

O termo "esplenomegalia de monta" refere-se a um aumento significativo do baço, que pode ser conceitualizado de várias formas:

Existem diversas condições que podem gerar uma esplenomegalia de monta, e um mnemônico útil para memorizar algumas delas é MEGA-LIA:

💡 Dica: Mnemônico MEGA-LIA para causas de esplenomegalia de monta: Malária, Esquistossomose, Gaucher, Leishmaniose, Doenças Hematológicas.

Conduta

Diante de uma esplenomegalia, a abordagem diagnóstica inicial deve ser cautelosa: