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Policitemia Vera e Trombocitemia Essencial


Conceitos Fundamentais em Proliferações Hematológicas

Antes de aprofundarmos nas síndromes mieloproliferativas específicas, é crucial compreender a distinção entre os tipos de proliferação celular na medula óssea, um conceito fundamental para o diagnóstico diferencial em hematologia.

Tipos de Proliferação Celular

Proliferação de Células Maduras: Exemplos

A proliferação de células maduras pode manifestar-se de diferentes formas, dependendo da linhagem celular predominante:

Síndromes Mieloproliferativas e Linfoproliferativas

As síndromes hematológicas são classificadas de acordo com a linhagem celular afetada e o estágio de maturação das células proliferantes.

⚠️ Atenção! A causa mais comum de elevação de plaquetas é a reatividade a fatores como infecções, inflamações ou neoplasias. A trombocitose reativa deve ser sempre excluída antes de considerar um distúrbio mieloproliferativo primário.

É importante notar que a elevação concomitante de leucócitos e plaquetas pode ser um indicativo de condições como Leucemia Linfoide Crônica (LLC) ou Leucemia Mieloide Crônica (LMC), exigindo investigação aprofundada.


Policitemia Vera (PV)

A Policitemia Vera é uma neoplasia mieloproliferativa crônica caracterizada pela proliferação clonal de células-tronco hematopoéticas, resultando em uma produção excessiva de eritrócitos, mas também de outras linhagens mieloides.

Conceitos Iniciais e Patogênese

A PV é primariamente associada a uma mutação no gene JAK2, que confere uma proliferação celular independente de fatores de crescimento, como a eritropoetina (EPO). Essa mutação na célula-tronco hematopoética leva à proliferação descontrolada de células maduras da linhagem mieloide.

🧬 Conceito Chave: A mutação JAK2 permite que as células mieloides proliferem de forma autônoma, sem a necessidade de estímulos externos, como a eritropoetina, o que explica a baixa EPO sérica na PV.

Manifestações Clínicas

Os sintomas da Policitemia Vera resultam principalmente da hiperviscosidade sanguínea e do aumento do volume sanguíneo, além da liberação de mediadores inflamatórios.

🚨 Alerta para Prova! Duas causas importantes de prurido crônico a serem lembradas são a Policitemia Vera e o Linfoma de Hodgkin.

Achados Laboratoriais

O diagnóstico laboratorial da PV baseia-se em uma combinação de achados hematológicos e moleculares.

🧠 Entendimento Essencial: A eritropoetina é um hormônio renal que estimula a produção de hemácias em resposta à hipóxia. Na Policitemia Vera, a produção de eritrócitos é autônoma e não depende da EPO. O rim "percebe" o excesso de hemácias e, consequentemente, reduz a produção de EPO, resultando em níveis baixos.

Critérios Diagnósticos (OMS 2016)

O diagnóstico de Policitemia Vera é estabelecido pela presença de critérios maiores e menores, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Critérios Maiores:

Critério Menor:

Confirmação Diagnóstica:

Algoritmo Diagnóstico: Excluindo Diagnósticos Diferenciais

Para um diagnóstico preciso de Policitemia Vera, é fundamental excluir outras causas de eritrocitose.

Característica Policitemia Primária (Policitemia Vera) Policitemia Secundária
Níveis de EPO Reduzidos Aumentados
Mutação JAK2 Presente Ausente
Mecanismo Proliferação clonal autônoma Estímulo à produção de EPO
Subtipos Secundários Não aplicável Hipóxica (DPOC, cardiopatias) ou Não-Hipóxica (tumores produtores de EPO, anabolizantes)

Complicações

A Policitemia Vera é uma doença crônica que pode evoluir para outras neoplasias hematológicas ao longo do tempo.

Tratamento

O tratamento da Policitemia Vera visa controlar os sintomas, reduzir o risco de trombose e prevenir a progressão da doença.

💊 Dica de Tratamento: Sempre avalie as contraindicações do AAS. Em pacientes com sangramento ativo ou alto risco de hemorragia, o uso deve ser reconsiderado.

Trombocitemia Essencial (TE)

A Trombocitemia Essencial é uma neoplasia mieloproliferativa crônica caracterizada pela proliferação clonal de megacariócitos na medula óssea, resultando em uma contagem elevada de plaquetas.

Manifestações Clínicas

A TE é frequentemente assintomática, sendo descoberta incidentalmente em exames de rotina. No entanto, pode apresentar sintomas relacionados à disfunção plaquetária.

🔎 Diagnóstico Diferencial: A TE pode apresentar tanto trombose quanto sangramento. A qualidade das plaquetas produzidas é que determinará a predominância de um ou outro evento.

Critérios Diagnósticos

O diagnóstico de Trombocitemia Essencial requer a exclusão de outras causas de trombocitose e a presença de achados específicos.

Exclusão de Trombocitose Reativa:

É fundamental diferenciar a TE da trombocitose reativa, que é muito mais comum e benigna. Causas de trombocitose reativa incluem:

Tratamento

O tratamento da Trombocitemia Essencial visa reduzir o risco de complicações trombóticas e hemorrágicas.

💡 Dica de Tratamento: Diferente da Policitemia Vera, a flebotomia não é eficaz na Trombocitemia Essencial, pois as plaquetas possuem uma meia-vida muito curta, ao contrário das hemácias. O foco é na redução da produção medular de plaquetas.