Tumores Hepáticos
Tipos de Tumores Hepáticos
Os tumores hepáticos podem ser classificados em benignos e malignos, cada um com características distintas.
Tumores Malignos
- Metástases (o tumor hepático maligno mais comum).
- Hepatocarcinoma (CHC).
Tumores Benignos
- Adenoma.
- Hemangioma (o tumor hepático benigno mais comum).
- Hiperplasia Nodular Focal (HNF).
Diagnóstico de Tumores Hepáticos Benignos por TC Dinâmica (Trifásica)
A tomografia computadorizada (TC) dinâmica trifásica é uma ferramenta diagnóstica essencial para a avaliação de tumores hepáticos, permitindo observar o padrão de captação e lavagem do contraste em diferentes fases:
- Fase sem contraste: Aorta e tumor não apresentam realce.
- Fase arterial: Aorta e o tumor demonstram realce máximo pelo contraste.
- Fase portal: O tumor ainda apresenta realce, mas com intensidade geralmente menor que na fase arterial.
- Fase de equilíbrio (tardia): O tumor exibe pouco ou nenhum realce.
A avaliação do comportamento do contraste na fase arterial é crucial, podendo apresentar:
- Captação periférica.
- Captação com cicatriz central.
- Hipercaptação ou captação rápida.
- Hipocaptação.
O fenômeno de "washout" (lavagem) é particularmente importante:
- O tumor capta o contraste rapidamente na fase arterial e o perde de forma acelerada nas fases portal e de equilíbrio.
- Este padrão é característico de tumores altamente vascularizados, frequentemente malignos.
- Na TC, o tumor aparece hiperdenso na fase arterial e hipodenso na fase de washout.
🔎 Dica de Imagem: A Ressonância Magnética (RNM) com contraste hepatoespecífico é considerada o melhor exame para uma avaliação detalhada e caracterização de tumores hepáticos.
Tumores Hepáticos Benignos
Adenoma Hepático
- Associação: Fortemente relacionado ao uso de contraceptivos orais (ACO) e anabolizantes.
- Riscos: Possui risco significativo de ruptura e potencial de malignização.
- 💊 Tratamento: A ressecção cirúrgica é a conduta padrão.
- TC Trifásica: Apresenta captação arterial heterogênea com "washout".
Hemangioma Hepático
- Epidemiologia: É o tumor hepático benigno mais frequente.
- 💊 Tratamento: Geralmente expectante, com acompanhamento. A intervenção é considerada apenas em casos sintomáticos ou de crescimento rápido.
- Complicações: Risco de ruptura e, mais raramente, Síndrome de Kasabach-Merritt (caracterizada por trombocitopenia e coagulação intravascular disseminada - CIVD).
- TC Trifásica: Demonstra captação arterial periférica e progressão centrípeta do contraste nas fases subsequentes.
Hiperplasia Nodular Focal (HNF)
- Epidemiologia: É o segundo tumor hepático benigno mais frequente.
- Característica: Presença de uma cicatriz central, um achado distintivo.
- 💊 Tratamento: Geralmente expectante, com acompanhamento.
- TC Trifásica: Caracteriza-se por captação arterial em "roda de carruagem" com "washout".
Tabela Comparativa de Tumores Hepáticos Benignos
| Característica |
Hemangioma |
HNF |
Adenoma |
| Perfil |
Mulher |
Mulher |
Mulher jovem |
| Vínculo |
1º mais comum |
2º mais comum |
ACO e anabolizantes |
| Complicação |
Síndrome de Kasabach-Merritt |
- |
Ruptura, sangramento, malignização |
| TC Trifásica |
Captação periférica centrípeta |
Cicatriz central, hipercaptação homogênea |
Captação arterial heterogênea com "washout" |
| Fígado |
Normal |
Normal |
Normal (se cirrose, pensar em CHC) |
| Conduta |
Acompanhamento |
Acompanhamento |
< 5 cm: Suspender ACO; > 5 cm: Cirurgia |
Tumores Hepáticos Malignos
Hepatocarcinoma (CHC)
- Fatores de Risco:
- Cirrose (principal fator de risco!).
- Hepatite B (pode evoluir para CHC mesmo sem cirrose).
- Hepatite C.
- Clínica: Dor em hipocôndrio direito (HCD), icterícia, emagrecimento e hepatomegalia.
- 🔎 Diagnóstico: TC dinâmica (com padrão de "washout") ou RNM, podendo ser complementado pela dosagem de alfafetoproteína (AFP).
- TC Trifásica:
- Fase sem contraste: O tumor geralmente não é visível.
- Fase arterial: O tumor apresenta hipercaptação (aparece).
- Fase portal: O tumor perde o contraste (desaparece - "washout").
- Outro achado característico: Presença de pseudocápsula.
- 💊 Tratamento:
- Lesão única em paciente Child A: Hepatectomia.
- Pacientes Child B e C (cirróticos descompensados): Avaliar os Critérios de Milão.
- 🧠 Critérios de Milão: Lesão única com diâmetro inferior a 5 cm OU até 3 lesões, cada uma com diâmetro inferior a 3 cm. Se preenchidos, o transplante hepático é a indicação.
- Lesão irressecável: Ablação, quimioembolização transarterial (TACE) ou terapia sistêmica com Sorafenibe.
- Presença de metástases: Tratamento paliativo.
- 💡 Dica: Quimioterapia e radioterapia neoadjuvantes são mais frequentemente empregadas para tumores extraperitoneais.
Metástases Hepáticas
- Epidemiologia: É o tumor hepático maligno mais comum.
- 🔎 Diagnóstico: TC dinâmica, que tipicamente revela múltiplos nódulos hipocaptantes.
- Sítios Primários Mais Frequentes: Cólon, pâncreas e mama.
- Característica Típica: A presença de múltiplos nódulos hipocaptantes de tamanhos semelhantes é altamente sugestiva de lesão metastática.
- 💊 Tratamento:
- Geral: Paliativo.
- Específico (Metástases de câncer colorretal ou tumores neuroendócrinos): Metastasectomia, desde que seja possível preservar uma quantidade viável de fígado, conforme a volumetria hepática.
Volumetria Hepática para Ressecção
- > 20% do volume hepático remanescente: Para fígado normal (não submetido a quimioterapia prévia, sem doença hepática).
- > 30% do volume hepático remanescente: Para fígado pós-quimioterapia.
Conduta Baseada na Volumetria
A estratégia terapêutica é definida pela possibilidade de manter a volumetria hepática residual adequada:
- Se é possível manter a volumetria indicada: Quimioterapia neoadjuvante seguida de hepatectomia.
- Se não é possível manter a volumetria indicada: Terapia de resgate com embolização portal ou hepatectomia em dois tempos.