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Abscesso Hepático Piogênico


Conceitos Iniciais

O abscesso hepático piogênico (AHP) é uma coleção de pus no parênquima hepático, resultante de uma infecção bacteriana. É uma condição grave que exige diagnóstico e tratamento precoces.

Agentes Etiológicos

A etiologia do AHP é frequentemente polimicrobiana, refletindo as diversas vias de infecção. Os principais agentes incluem:

Vias de Infecção e Causas

As bactérias podem atingir o fígado por diversas rotas, sendo a via biliar a mais comum. As principais causas e mecanismos de disseminação incluem:

🧠 Lembre-se: A infecção na via biliar é a principal causa de abscesso hepático piogênico!

Manifestações Clínicas

O quadro clínico do abscesso hepático piogênico pode ser inespecífico, o que dificulta o diagnóstico precoce. A apresentação clássica, embora rara, inclui febre, dor em hipocôndrio direito e icterícia.

⚠️ Atenção: A tríade de Charcot é clássica, mas não é a apresentação mais comum do abscesso hepático piogênico. Febre e dor abdominal são os sintomas mais consistentes.

Exames Complementares e Diagnóstico

O diagnóstico do abscesso hepático piogênico baseia-se na combinação de achados clínicos, laboratoriais e de imagem. A punção aspirativa para cultura é crucial para a identificação do agente etiológico.

Exames Laboratoriais

Métodos de Imagem

A imagem é fundamental para a localização e caracterização do abscesso.

🔎 Diagnóstico: O diagnóstico definitivo é feito pela clínica associada à imagem. A punção aspirativa para cultura é essencial para guiar o tratamento antimicrobiano.

Diagnóstico Diferencial: Abscesso Amebiano vs. Piogênico

É crucial diferenciar o abscesso hepático piogênico do abscesso hepático amebiano, pois o tratamento é distinto. A tabela abaixo resume as principais diferenças:

Fator Analisado Abscesso Amebiano Abscesso Piogênico
Idade 20-40 anos > 50 anos
Homem x Mulher > 10:1 (predomínio masculino) 1-1,5:1 (equilibrado)
Único x Múltiplo Único (80%) Único (50%)
Localização Lobo direito Lobo direito
Epidemiologia (Ex: Viagem) Sim (áreas endêmicas) Não
Diabetes Mellitus Incomum (~2%) Comum (~27%)
Icterícia Raro Pode ocorrer (20%)
Aumento de Bilirrubinas Incomum Comum
Evolução para Bacteremia/Sepse Raro Mais comum
Hemocultura Positiva Não Comum
Marcador Sorológico para Amebíase Sim (sorologia positiva) Não

Tratamento

O tratamento do abscesso hepático piogênico envolve uma combinação de drenagem da coleção e antibioticoterapia sistêmica.

Drenagem

A drenagem é um pilar fundamental do tratamento e pode ser realizada por diferentes métodos:

Antibioticoterapia

A escolha do antibiótico deve cobrir um amplo espectro de bactérias, incluindo estreptococos, gram-negativos entéricos e anaeróbios, até que a cultura do abscesso guie a terapia específica.

💊 Tratamento: A antibioticoterapia deve ser prolongada (4-6 semanas) e cobrir um amplo espectro, incluindo anaeróbios.

Abordagem Cirúrgica

A cirurgia é reservada para situações específicas, quando as abordagens menos invasivas falham ou em casos de complicações.

Hepatectomia

A ressecção hepática é uma medida extrema e é restrita a cenários muito específicos:

NÃO SE FAZ DRENAGEM DE ABSCESSO HEPÁTICO AMEBIANO! O tratamento do abscesso amebiano é primariamente medicamentoso.