Endocardite Infecciosa
A Endocardite Infecciosa (EI) é uma condição grave caracterizada pela infecção do endotélio cardíaco, frequentemente manifestada pela formação de vegetações nas valvas cardíacas ou em outras estruturas intracardíacas.
🧠 Conceito Chave: É fundamental entender que a EI é uma infecção do endotélio. Nem toda vegetação intracardíaca é sinônimo de endocardite infecciosa (ex: endocardite de Libman-Sacks no lúpus), e nem toda endocardite infecciosa se manifesta exclusivamente com vegetações (pode haver abscessos).
Conceitos Iniciais
Apresentação Clássica e Fatores Predisponentes
A manifestação clássica da endocardite infecciosa envolve a combinação de bacteremia e a presença de uma lesão cardíaca prévia que serve como substrato para a infecção. A bacteremia pode ter diversas origens, como:
- Doença dentária: Infecções orais e procedimentos odontológicos.
- Infecções de pele: Lesões cutâneas, erisipela, celulite.
- Uso de drogas intravenosas (UDIV): Contaminação por agulhas e substâncias.
- Cateteres: Cateteres venosos centrais ou outros dispositivos invasivos.
As lesões cardíacas prévias que predispõem à EI incluem:
- Próteses valvares: Mecânicas ou biológicas.
- Doença estrutural cardíaca: Como prolapso de valva mitral com regurgitação, valvopatias reumáticas ou congênitas.
- Endocardite prévia: História de EI aumenta o risco de recorrência.
Valvas Mais Acometidas
A ordem de frequência de acometimento das valvas em endocardite infecciosa geralmente segue o padrão:
- Mitral > Aórtica > Mitro-aórtica (ambas) > Tricúspide (valvas à direita).
O Staphylococcus aureus é um agente etiológico notável por sua capacidade de causar endocardite mesmo na ausência de lesão cardíaca prévia. Ele acomete preferencialmente as valvas do lado direito do coração, sendo o principal agente em usuários de drogas intravenosas (UDIV).
Patogenia da Endocardite Infecciosa
A patogenia da EI pode ser didaticamente dividida em duas fases principais: a fase de endocardite trombótica não bacteriana (ETNB) e a fase de endocardite bacteriana.
Fase de Endocardite Trombótica Não Bacteriana (ETNB)
Lesão Endocárdica
O processo se inicia com uma lesão no endotélio cardíaco, que pode ser desencadeada por diversos fatores. Essa lesão é crucial para a formação do substrato onde a infecção se desenvolverá. Os principais fatores de risco para essa lesão incluem:
- Uso de drogas intravenosas (UDIV): Lesões diretas e contaminação.
- Cateteres profundos: Fator comum em endocardite nosocomial (infecção que ocorre 72 horas após a admissão ou até 60 dias após a alta hospitalar).
- Infecção pelo HIV: Pode predispor a lesões e imunossupressão.
- Endocardite prévia: Aumenta a suscetibilidade a novas lesões.
- Próteses valvares: Principal fator de risco individual para EI.
- Cardiopatia estrutural: O prolapso de valva mitral é a cardiopatia estrutural mais frequentemente associada à EI na população geral.
- Doença reumática: Principal causa em países em desenvolvimento.
Fatores de Risco para Endocardite Infecciosa (Decorebas de Prova)
É importante categorizar as condições cardíacas de acordo com o risco de desenvolver EI:
- Alto Risco:
- Valvas cardíacas protéticas (biológicas ou mecânicas).
- História prévia de Endocardite Infecciosa.
- Cardiopatia congênita cianótica não reparada (ex: transposição de grandes vasos, tetralogia de Fallot, ventrículo único).
- Derivações cirúrgicas sistêmico-pulmonares.
- Coarctação de aorta.
- Risco Moderado:
- Doença reumática com disfunção valvar.
- Doença cardíaca degenerativa (ex: estenose aórtica calcificada).
- Outras cardiopatias congênitas (exceto defeito do septo atrial tipo ostium secundum).
- Prolapso de valva mitral com regurgitação e/ou folhetos espessados.
- Geralmente NÃO predispõem à Endocardite:
- Defeito do septo atrial tipo ostium secundum.
- Revascularização coronariana prévia.
- Sopros cardíacos inocentes (funcionais).
- Prolapso de valva mitral sem sopro.
- Doença reumática prévia sem disfunção valvar.
- Desfibriladores implantáveis ou marca-passos permanentes.
- Reparo cirúrgico (após 6 meses) de ducto arterioso patente, defeito do septo ventricular e defeito do septo atrial.
🧠 Lembre-se: A prótese valvar (seja biológica ou mecânica) é a condição que, individualmente, confere o maior risco para o desenvolvimento de EI. No entanto, ao analisar a população com diagnóstico de endocardite e sua doença estrutural cardíaca de base, o prolapso de valva mitral é a condição mais frequentemente associada.
Formação de Trombos
Para que a endocardite se inicie, é essencial a presença de fluxo turbilhonado intracavitário. Esse fluxo gera uma força de cisalhamento no endotélio, resultando em uma descontinuidade regional. A exposição da matriz extracelular ao plasma e outros componentes sanguíneos ativa o sistema hemostático, levando à agregação plaquetária local e ao depósito de fibrina. Este processo culmina na formação da Endocardite Trombótica Não Bacteriana (ETNB), que serve como o substrato ideal para a adesão bacteriana.
Fase de Endocardite Bacteriana
Bacteremia
Em um determinado momento, ocorre uma bacteremia significativa, geralmente originada de uma infecção em outro sítio (ex: erisipela, periodontite, infecção urinária). Uma grande quantidade de bactérias é então lançada na corrente sanguínea, alcançando o endotélio lesado e a ETNB. Os agentes mais comuns são Gram-positivos, como estafilococos e estreptococos.
Disseminação Sistêmica e Complicações
Após a colonização, as bactérias se proliferam na vegetação, que pode crescer e se fragmentar, levando à disseminação sistêmica de êmbolos sépticos. Isso pode resultar em:
- Abscessos: Em diversos órgãos.
- Infecções secundárias: Principalmente dentárias e cutâneas, que podem ser tanto a causa quanto a consequência.
- Reações autoimunes à distância: Devido à resposta inflamatória crônica e à formação de imunocomplexos.
Agentes Etiológicos
Os agentes etiológicos da Endocardite Infecciosa variam significativamente dependendo do tipo de valva acometida (nativa ou protética) e do tempo de evolução do quadro (agudo ou subagudo).
Endocardite em Valva Nativa
Endocardite Subaguda (Quadro arrastado/insidioso)
Caracteriza-se por um início mais lento e sintomas menos exuberantes. Os principais agentes incluem:
- Streptococcus viridans: O mais comum, frequentemente associado à manipulação da cavidade oral e principal causa de endocardite comunitária.
- Streptococcus do Grupo B: Associado a condições como cirrose hepática ou diabetes mellitus.
- Enterococcus faecalis: O enterococo mais comum, relacionado à manipulação do trato urinário. Enterococcus faecium também é relevante.
- Streptococcus gallolyticus (antigo S. bovis): Fortemente associado a pacientes idosos e neoplasias de cólon ou outras lesões colônicas (pólipos, DII). Sua identificação na hemocultura obriga à realização de colonoscopia.
- Staphylococcus lugdunensis: Recentemente reconhecido como um agente importante.
- Grupo HACEK: Haemophilus parainfluenzae, H. aphrophilus, Aggregatibacter actinomycetemcomitans, Cardiobacterium hominis, Eikenella corrodens e Kingella kingii. São germes fastidiosos, de crescimento lento, frequentemente associados a hemoculturas persistentemente negativas.
- Fungos: Embora menos comuns, podem causar quadros subagudos.
🔎 Dica de Prova: A presença de Streptococcus gallolyticus (antigo S. bovis) na hemocultura de um paciente com endocardite infecciosa é um alerta vermelho para a necessidade de investigação de lesões colônicas, incluindo câncer colorretal, através de colonoscopia.
Endocardite Aguda (Quadro grave e toxêmico)
Apresenta um início súbito e evolução rápida, com sinais de toxicidade sistêmica. O principal agente é:
- Staphylococcus aureus: O mais comum na forma aguda. Está fortemente associado a:
- Usuários de drogas intravenosas (UDIV): Principalmente com acometimento da valva tricúspide.
- Endocardite sem sopro: Pode ocorrer, especialmente em valvas direitas.
- MRSA: S. aureus resistente à meticilina.
- Pneumonia necrosante: Como complicação embólica, especialmente em EI de valvas direitas.
⚠️ Atenção: Staphylococcus aureus e fungos (principalmente Candida spp.) compartilham características como a associação com UDIV, formação de grandes vegetações e alta propensão a fenômenos embólicos. A diferenciação clínica pode ser feita pela evolução do quadro: S. aureus geralmente causa doença aguda e fulminante, enquanto fungos tendem a causar quadros mais subagudos.
Endocardite em Valva Protética
A etiologia da EI em valvas protéticas depende do tempo transcorrido desde a cirurgia de troca valvar:
| Período Pós-Cirúrgico |
Características |
Agentes Etiológicos Comuns |
| < 2 meses (Precoce) |
Associada a contaminação intraoperatória ou nosocomial. |
Staphylococcus coagulase-negativo (S. epidermidis), Staphylococcus aureus, Gram-negativos (ex: Pseudomonas aeruginosa, Serratia marcescens), Corynebacterium striatum, Cutibacterium acnes, Candida spp. (ambiente hospitalar). |
| > 1 ano (Tardia) |
Similar à endocardite em valva nativa, geralmente de origem comunitária. |
Estreptococos (viridans, gallolyticus), Staphylococcus aureus, Enterococos. |
| Entre 2 meses e 1 ano (Intermediária) |
Apresenta uma mistura dos agentes etiológicos das formas precoce e tardia. |
Mistura dos agentes da endocardite precoce e tardia. |
Pontos Chave e Complicações
Valvas Cardíacas e Fatores de Risco Específicos
As valvas do lado esquerdo (mitral e aórtica) são as mais frequentemente acometidas, em grande parte devido à alta prevalência de doença reumática e degenerativa. O acometimento das valvas direitas, especialmente a tricúspide, é menos comum, mas deve levantar a suspeita de uso de drogas intravenosas (UDIV) como fator de risco principal. Nesses casos, os agentes etiológicos mais prováveis são Staphylococcus aureus, Candida (fungo) e Pseudomonas.
🚨 Alerta de Complicação: A principal causa de morte em pacientes com endocardite infecciosa não é a sepse, mas sim as complicações mecânicas que levam à insuficiência cardíaca. Isso ocorre devido à destruição valvar, ruptura de cordoalhas ou formação de abscessos que comprometem a função cardíaca.
Endocardite em Usuários de Drogas Intravenosas (UDIV)
A endocardite em UDIV possui características distintas que merecem atenção especial:
- Valva mais acometida: Tricúspide (valva direita).
- Agentes etiológicos principais: Staphylococcus aureus, Pseudomonas spp. e Candida spp.
- Vegetações: Tendem a ser grandes e com alto risco de embolização.
- Complicação embólica comum: Embolia pulmonar séptica, que pode se manifestar como pneumonia necrosante (especialmente por S. aureus).
💊 High Yield Note: Endocardite em UDIV
- Agente Principal: Staphylococcus aureus
- Valva Preferencial: Tricúspide
- Complicação Típica: Pneumonia Necrosante (por embolia séptica)
High Yield Notes
- 💡 Dica Clínica: Em um paciente jovem com pneumonia multilobar de etiologia não clara, sempre considere a possibilidade de endocardite infecciosa, especialmente se houver fatores de risco.
- 🧠 Conceito Essencial: O Staphylococcus aureus é um patógeno virulento capaz de causar endocardite mesmo em corações sem lesão cardíaca prévia. Se S. aureus for positivo na hemocultura, a ecocardiografia é sempre indicada para avaliar a presença de endocardite.
- ⚠️ Alerta: A endocardite em usuários de drogas intravenosas frequentemente cursa com grandes vegetações e fenômenos embólicos. Os principais agentes a serem pensados são S. aureus e fungos.
- 🔎 Diagnóstico Diferencial: O acometimento da valva tricúspide deve direcionar a investigação para S. aureus, fungos (principalmente Candida spp.) e Pseudomonas spp.
- 🚨 Complicação Pulmonar: Embolização por S. aureus em endocardite de valvas direitas pode levar a pneumonia necrosante.
- 🧠 Ordem de Frequência: Relembrando as valvas mais acometidas: Mitral > Aórtica > Mitro-aórtica > Valvas à Direita (principalmente tricúspide, mais comum em UDIV).
- 🚨 Causa de Óbito: A principal causa de morte na endocardite infecciosa é a insuficiência cardíaca decorrente de complicações mecânicas (ex: perfuração valvar, ruptura de cordoalhas).
- 🔎 Síndrome Específica: A Tríade de Austrian (ou Osler) refere-se à endocardite, meningite e pneumonia causadas pelo pneumococo.
- 🧪 Características Fúngicas: Na endocardite fúngica, as vegetações são tipicamente maiores e as embolizações ocorrem com maior frequência. As espécies mais envolvidas são Aspergillus e Candida spp.
Manifestações Clínicas
Manifestações Clássicas
- Febre: Presente em aproximadamente 95% dos casos, frequentemente acompanhada de sudorese e calafrios.
- Sintomas Constitucionais: Fadiga, mal-estar e perda ponderal são comuns, refletindo o estado inflamatório crônico.
- Sopro Cardíaco: Observado em cerca de 85% dos pacientes. O achado clássico é um sopro de regurgitação valvar, indicando disfunção da válvula afetada.
Em casos de endocardite do lado direito do coração, especialmente em usuários de drogas intravenosas, a ausência de sopro é possível. Nesses cenários, a infecção por Staphylococcus aureus deve ser fortemente considerada.
Manifestações Periféricas
As manifestações periféricas da EI podem ser divididas em inespecíficas, embólicas (vasculares) e imunológicas, cada uma com características distintas.
Manifestações Inespecíficas
- Sudorese noturna.
- Anemia de doença crônica.
- Hematúria.
- Esplenomegalia.
Manifestações Embólicas (Vasculares)
Resultam da fragmentação e disseminação de vegetações sépticas para a circulação sistêmica ou pulmonar.
- Petéquias: Pequenas hemorragias puntiformes que podem ser encontradas em conjuntivas, palato e extremidades.
- Hemorragias Subungueais (Splinter): Lesões lineares sob as unhas que não desaparecem à digitopressão.
- Manchas de Janeway: Máculas hemorrágicas indolores, tipicamente localizadas nas palmas das mãos e plantas dos pés.
- Aneurismas Micóticos: Dilatações arteriais causadas pela infecção da parede do vaso por êmbolos sépticos.
Manifestações Imunológicas
São decorrentes da formação de imunocomplexos e da resposta inflamatória sistêmica.
- Glomerulonefrite: Inflamação renal mediada por imunocomplexos.
- Nódulos de Osler: Lesões nodulares dolorosas, eritematosas, encontradas nas polpas digitais dos dedos das mãos e pés.
- Manchas de Roth: Hemorragias retinianas com centro pálido, visíveis ao exame de fundo de olho.
- Poliartrite ou Poliartralgia: Dor e inflamação em múltiplas articulações.
- Baqueteamento Digital: Alteração na forma dos dedos, com aumento do ângulo da unha.
- VHS Elevado e Fator Reumatoide Positivo: Marcadores inflamatórios e autoimunes frequentemente alterados.
- Redução do Complemento: Pode ocorrer devido ao consumo de componentes do sistema complemento pelos imunocomplexos.
🧠 Conceito Chave: É fundamental diferenciar os Nódulos de Osler (dolorosos, imunológicos) das Manchas de Janeway (indolores, vasculares/embólicas).
Complicações
As complicações da endocardite infecciosa são variadas e podem ser locais, embólicas, metastáticas, imunológicas ou neurológicas, contribuindo significativamente para a morbimortalidade da doença.
Complicações Locais
- Lesão Valvar Direta e Insuficiência Cardíaca (ICC): A destruição valvar é a complicação local mais grave, levando à insuficiência cardíaca, que é a principal causa de óbito na EI.
- Bloqueios de Condução: Bloqueio atrioventricular (BAV) e bloqueios de ramo podem ocorrer devido à extensão da infecção para o sistema de condução cardíaco.
- Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e Pericardite: Menos comuns, mas possíveis, especialmente se houver envolvimento de estruturas adjacentes.
🚨 Emergência: A Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC), geralmente decorrente de lesão valvar direta, é a complicação mais letal da endocardite infecciosa.
Fenômenos Embólicos
A embolização de fragmentos das vegetações é uma complicação frequente e pode afetar qualquer órgão.
- Fatores de Risco Principais: Vegetações grandes (> 10-15mm), endocardite fúngica ou causada por Staphylococcus aureus.
- Disseminação: Os êmbolos podem atingir diversos órgãos, causando infartos (renal, esplênico são comuns), abscessos (pulmonares, cerebrais, em outros órgãos) ou derrame pleural.
- Aneurismas Micóticos: Formam-se quando êmbolos sépticos se alojam na vasa vasorum, enfraquecendo a parede arterial. São frequentemente silenciosos até a ruptura e tendem a surgir em bifurcações arteriais.
Infecções Metastáticas
A bacteremia persistente pode levar à formação de focos infecciosos secundários em outros locais.
- Exemplos: Osteomielite, artrite séptica e abscesso epidural (este último mais comum em usuários de drogas intravenosas).
Fenômenos Imunológicos
Além das manifestações periféricas, podem incluir:
- Glomerulonefrite.
- Artrites.
Febre Prolongada
A persistência da febre, mesmo após o início da antibioticoterapia, pode indicar:
- Extensão da infecção além da valva, com formação de abscesso miocárdico.
- Infecção metastática em outro local.
- Infecções nosocomiais, como infecção de cateter ou pneumonia.
Complicações Neurológicas
São graves e podem ser isquêmicas ou hemorrágicas.
- Acidente Vascular Encefálico (AVE) Isquêmico: Causado por macroembolia séptica.
- Acidente Vascular Encefálico (AVE) Hemorrágico: Geralmente resultado da ruptura de um aneurisma micótico.
Diagnóstico
O diagnóstico da endocardite infecciosa é desafiador e baseia-se em uma combinação de achados clínicos, microbiológicos e de imagem. Os Critérios de Duke, recentemente atualizados pelo ISCVID em 2023, são a ferramenta diagnóstica padrão-ouro e devem ser dominados para as provas de residência.
Critérios de Duke – ISCVID 2023
A atualização de 2023 reestruturou os critérios em três categorias diagnósticas: endocardite definida, possível ou descartada, com uma nova subdivisão dos critérios maiores.
Critérios MAIORES
Subdivididos em microbiológicos, de imagem e cirúrgicos, refletem evidências diretas da infecção.
Critérios Microbiológicos
- Cultura Positiva:
- Microrganismo tipicamente associado à EI isolado em pelo menos duas hemoculturas separadas.
- Microrganismo raramente associado à EI isolado em pelo menos três hemoculturas separadas.
- Sorologia Positiva:
- Cultura única ou sorologia positiva (IgG > 1:800) para Coxiella burnetii, Bartonella ou Tropheryma whipplei.
- Sorologia positiva (IgM ou IgG > 1:800) para Bartonella henselae ou Bartonella quintana por imunofluorescência indireta.
Critérios de Imagem
Evidências ecocardiográficas, tomográficas ou de PET/CT de envolvimento cardíaco.
- Ecocardiograma ou TC Cardíaca:
- Vegetação em válvula ou material protético.
- Abscesso, pseudoaneurisma, fístula intracardíaca.
- Nova deiscência parcial de válvula protética.
- Nova regurgitação valvar (piora ou surgimento de sopro de regurgitação).
- PET/CT: Atividade metabólica anormal com válvula nativa ou protética, enxerto aórtico ascendente, eletrodos de dispositivos intracardíacos ou outros materiais protéticos.
🔎 Diagnóstico: O ecocardiograma transesofágico é preferível em casos de suspeita de EI em pacientes com prótese valvar, endocardite prévia, janela ecocardiográfica inadequada (obesidade, mamas volumosas) ou infecção por Staphylococcus aureus.
Critérios Cirúrgicos
- Evidência de EI em inspeção cirúrgica ou exame histopatológico de vegetação ou abscesso.
Critérios MENORES
São achados que, embora não sejam diagnósticos por si só, aumentam a probabilidade de EI.
- Fator de Risco: História prévia de EI, predisposição (ex: prótese valvar), uso de drogas IV, reparo valvar prévio, doença congênita cardíaca, regurgitação/insuficiência/estenose valvar de qualquer etiologia (moderada-grave), dispositivos eletrônicos implantáveis endovasculares, cardiopatia obstrutiva hipertrófica.
- Febre: Temperatura corporal > 38ºC.
- Fenômenos Vasculares: Embolia arterial, aneurisma micótico, hemorragia craniana, petéquias conjuntivais, manchas de Janeway, infartos pulmonares sépticos, abscesso cerebral ou esplênico, púrpura de Henoch-Schonlein, púrpura purulenta.
- Fenômenos Imunológicos: Manchas de Roth (lembre-se, não é vascular!), glomerulonefrite mediada por imunocomplexos, nódulos de Osler, Fator Reumatoide positivo.
- Evidência Microbiológica Incompleta: Hemocultura que não preenche critério maior ou análise genômica (PCR, amplicon/metagenômica) que sugira o microrganismo causador.
- Alteração Metabólica em PET/CT: Dentro de 3 meses de cirurgia cardíaca com implante protético.
- Exame Físico: Nova ausculta de sopro regurgitante (na ausência de ecocardiograma disponível).
Exames Complementares Úteis
Além dos critérios de Duke, outros exames podem fornecer informações valiosas.
- Hemograma: Anemia de doença crônica é comum; leucocitose pode indicar doença aguda.
- EAS (Exame de Urina): Hematúria microscópica ou proteinúria podem ser vistas devido a fenômenos renais imunológicos ou lesões isquêmicas.
- Radiografia de Tórax: Pode revelar consolidações, atelectasias, derrame pleural, êmbolos sépticos ou sinais de congestão em casos de evolução para insuficiência cardíaca.
- VHS (Velocidade de Hemossedimentação): Frequentemente elevado, indicando processo inflamatório.
Interpretação dos Critérios de Duke – ISCVID 2023
A combinação dos critérios maiores e menores permite classificar a endocardite em definida, possível ou descartada.
Endocardite Definida
O diagnóstico é confirmado por critérios patológicos ou clínicos.
- Critérios Patológicos:
- Evidência histopatológica de EI em vegetação, abscesso intracardíaco ou material embólico.
- Microrganismos detectados por cultura ou exame histopatológico em vegetação, abscesso intracardíaco ou material embólico.
- Critérios Clínicos:
- 2 Critérios Maiores.
- 1 Critério Maior e 3 Critérios Menores.
- 5 Critérios Menores.
Endocardite Possível
Sugere a necessidade de investigação adicional.
- 1 Critério Maior e 1 Critério Menor.
- 3 Critérios Menores.
Endocardite Descartada
O diagnóstico de EI é excluído nas seguintes situações:
- Outro diagnóstico explica com certeza os sinais e sintomas do paciente.
- Ausência de recorrência da infecção após antibioticoterapia por menos de 4 dias.
- Ausência de evidências macroscópicas de EI em cirurgia ou autópsia, com antibioticoterapia por menos de 4 dias.
- O paciente não se enquadra nos critérios para endocardite definida ou possível.
| Critérios de Duke (ISCVID 2023) |
Endocardite Definida |
Endocardite Possível |
Endocardite Descartada |
| Combinações |
2 Maiores OU 1 Maior + 3 Menores OU 5 Menores |
1 Maior + 1 Menor OU 3 Menores |
Outro diagnóstico claro OU Resposta a ATB < 4 dias sem evidência cirúrgica/autópsia OU Não se encaixa em Definida/Possível |
| Patológicos |
Evidência histopatológica ou microbiológica direta |
N/A |
N/A |
Tratamento da Endocardite Infecciosa
O manejo terapêutico da endocardite infecciosa é complexo e pode apresentar variações significativas na literatura, demandando uma abordagem individualizada. A escolha do regime antimicrobiano e a duração da terapia são influenciadas por fatores como o tipo de valva afetada (nativa ou protética), o agente etiológico e a apresentação clínica (aguda ou subaguda).
Regimes Empíricos Iniciais
O tratamento antimicrobiano deve ser iniciado prontamente, mas a estratégia pode diferir conforme a urgência do quadro e a disponibilidade de resultados de culturas.
Endocardite em Valva Nativa
A terapia antimicrobiana para endocardite em valva nativa geralmente se estende por 4 a 6 semanas.
- EI Subaguda: Em casos de apresentação subaguda, é possível aguardar os resultados das culturas para guiar a terapia. Contudo, se houver necessidade de iniciar o tratamento antes, uma combinação de Ceftriaxone e Vancomicina é uma opção comum.
- EI Aguda ou Associada a Uso de Drogas Intravenosas: Devido à maior gravidade e ao risco de patógenos mais agressivos, o tratamento empírico inicial inclui Vancomicina associada a Cefepime (ou Gentamicina, dependendo do perfil epidemiológico e da instituição).
Endocardite em Valva Protética
A endocardite em valva protética exige um curso de tratamento mais prolongado, geralmente por mais de 6 semanas, devido ao maior risco de falha terapêutica e complicações.
- Infecção Ocorrendo Mais de 1 Ano Após a Troca Valvar: O regime terapêutico é similar ao da endocardite em valva nativa.
- Infecção Ocorrendo Menos de 1 Ano Após a Troca Valvar: O esquema empírico é mais robusto, incluindo Vancomicina, Gentamicina e Cefepime.
💡 Dica de Prova: Algumas literaturas indicam o uso de Rifampicina para cobrir Staphylococcus aureus que pode formar biofilmes e se "esconder" na valva protética, dificultando a erradicação.
Na endocardite infecciosa subaguda, a decisão de postergar o início da antibioticoterapia até a obtenção dos resultados das culturas é uma particularidade importante e pode ser um diferencial em questões de prova!
Tratamento Guiado por Cultura (Baseado no Harrison 21ª Edição)
Uma vez que o agente etiológico é identificado e sua sensibilidade aos antimicrobianos é determinada, o tratamento pode ser ajustado para um regime mais específico e eficaz, otimizando a resposta e minimizando efeitos adversos.
Estreptococos Viridans e Outros Estreptococos Sensíveis à Penicilina
Inclui Streptococcus viridans sensíveis à penicilina, Streptococcus gallolyticus (anteriormente S. bovis) e outros estreptococos com Concentração Inibitória Mínima (CIM) para penicilina ≤ 0,12 mcg/mL.
- Penicilina G IV: 4 semanas.
- Ceftriaxone IV: 4 semanas.
- Vancomicina IV: 4 semanas (para pacientes alérgicos à penicilina ou cepas com sensibilidade reduzida).
- Penicilina G ou Ceftriaxone + Gentamicina: 2 semanas (regime mais curto, mas com maior risco de nefrotoxicidade pela gentamicina).
Estreptococos Relativamente Resistentes à Penicilina
Estreptococos com CIM para penicilina > 0,12 e < 0,5 mcg/mL.
- Penicilina G IV: 4 semanas, ou Ceftriaxone IV + Gentamicina: 2 semanas.
- Vancomicina IV: 4 semanas (para alérgicos ou em casos de falha terapêutica).
Estreptococos com Alta Resistência à Penicilina
Estreptococos com CIM para penicilina > 0,5 mcg/mL, incluindo Granulicatella, Abiotrophia e Gemella morbiliorum.
- Penicilina G IV (dose dobrada) ou Ceftriaxone + Gentamicina: 6 semanas.
- Vancomicina IV: 4 semanas.
Enterococos
O tratamento de endocardite por enterococos exige uma combinação de agentes para atingir a bactericida sinérgica.
- Penicilina G IV (dose dobrada) ou Ampicilina ou Vancomicina + Gentamicina: 4-6 semanas.
Estafilococos Sensíveis à Meticilina (MSSA) em Valva Nativa
- Oxacilina IV: 6 semanas.
- Cefazolina IV: 6 semanas (alternativa para alérgicos à penicilina sem histórico de anafilaxia).
- Vancomicina IV: 6 semanas (para alérgicos a beta-lactâmicos ou cepas resistentes).
🔬 High Yield Note: A associação de Gentamicina por 3-5 dias no início do tratamento com Oxacilina era uma prática comum. No entanto, estudos mais recentes não demonstraram benefício adicional significativo, tornando sua associação opcional atualmente.
Estafilococos Resistentes à Meticilina (MRSA) em Valva Nativa
- Vancomicina: 6 semanas.
- Daptomicina: 6 semanas (alternativa à vancomicina).
Estafilococos Sensíveis à Meticilina (MSSA) em Valva Protética
- Oxacilina: 6-8 semanas + Gentamicina: 2 semanas + Rifampicina: 6-8 semanas.
Estafilococos Resistentes à Meticilina (MRSA) em Valva Protética
- Vancomicina: 6-8 semanas + Gentamicina: 2 semanas + Rifampicina: 6-8 semanas.
Microrganismos HACEK
Grupo de bactérias Gram-negativas de crescimento lento que podem causar endocardite, incluindo Haemophilus, Aggregatibacter, Cardiobacterium, Eikenella e Kingella.
- Ceftriaxone IV: 4 semanas.
- Ampicilina-Sulbactam IV: 4 semanas.
Coxiella Burnetii
Agente etiológico da febre Q, pode causar endocardite crônica e de difícil tratamento.
- Doxiciclina VO + Hidroxicloroquina VO: 18 meses (valva nativa) ou 24 meses (valva protética).
Bartonella spp
Pode causar endocardite em pacientes imunocomprometidos ou com exposição a animais.
- Doxiciclina: 6 semanas + Gentamicina: 2 semanas.
Detalhes Importantes no Manejo da Endocardite Infecciosa
Além da antibioticoterapia direcionada, outros aspectos do manejo, como a terapia anticoagulante e a indicação cirúrgica, são cruciais para o prognóstico do paciente e frequentemente abordados em exames de residência.
Terapia Anticoagulante
A abordagem da anticoagulação em pacientes com endocardite infecciosa é complexa e depende do status prévio do paciente e da ocorrência de eventos embólicos.
- Pacientes sem Anticoagulação Prévia: A terapia anticoagulante não é recomendada rotineiramente, pois não há evidências de que previna embolizações e pode aumentar o risco de sangramento, especialmente em lesões cerebrais.
- Pacientes em Uso Crônico de Anticoagulantes (ex: portadores de prótese valvar mecânica): Muitos especialistas recomendam a manutenção da anticoagulação. Contudo, em casos de infecção por S. aureus e episódio embólico recente no sistema nervoso central (SNC), a suspensão da anticoagulação nas primeiras duas semanas pode ser considerada. Essa conduta visa permitir a organização do trombo e reduzir o risco de transformação hemorrágica. A reintrodução deve ser feita com cautela e sob rigorosa avaliação.
- Outras Indicações de Anticoagulação (ex: trombose venosa profunda - TVP, fibrilação atrial - FA): Não existe um consenso claro sobre a melhor conduta. A decisão deve ser individualizada, ponderando os riscos de sangramento versus os benefícios da anticoagulação.
Tratamento Cirúrgico
A intervenção cirúrgica é um pilar fundamental no tratamento da endocardite infecciosa em situações específicas, visando remover o foco infeccioso, reparar ou substituir a valva danificada e prevenir complicações graves.
Indicações para Cirurgia
A cirurgia é indicada em diversas situações de alto risco ou falha terapêutica, sendo as principais:
- Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC) Classes NYHA III/IV: Especialmente quando associada a disfunção valvar mitral ou aórtica grave, sendo a principal causa de mortalidade na EI.
- Endocardite em Prótese Valvar Instável: Quando há deiscência da prótese ou evidência de instabilidade estrutural.
- Endocardite Fúngica: Devido à dificuldade de erradicação apenas com antimicóticos.
- Endocardite por Enterococo Resistente à Vancomicina (VRE): Opção quando a terapia antimicrobiana é ineficaz.
- Evidência de Abscesso: Abscesso anular ou aórtico, fístulas ou pseudoaneurismas.
- Bacteremia Persistente ou Febre: Após 5-7 dias de antibioticoterapia apropriada, indicando falha do tratamento clínico.
- Embolia Recorrente: Com vegetações que continuam a crescer, mesmo sob antibioticoterapia adequada.
- Vegetação Grande: Vegetação com diâmetro > 10 mm, especialmente se associada a regurgitação valvar grave.
Abordagem Cirúrgica
A escolha entre reparo (plastia) e substituição (troca) da valva depende da extensão do dano e da viabilidade do reparo.
- Primeira Opção: Plastia Valvar: Sempre que possível, o reparo da valva é preferível para preservar a valva nativa.
- Segunda Opção: Troca Valvar: Realizada quando o reparo não é viável ou suficiente para restaurar a função valvar.
🧠 Conceito Chave: Os principais fatores de risco para o desenvolvimento de endocardite infecciosa são a presença de uma valva artificial e um histórico prévio de endocardite. Por essa razão, a plastia é frequentemente a primeira tentativa, buscando evitar a introdução de um novo material protético e seus riscos associados.
Manutenção da Antibioticoterapia Pós-Cirurgia
A duração total da antibioticoterapia após a cirurgia depende de vários fatores:
- Endocardite em Valva Nativa e Culturas Cirúrgicas Negativas: O tempo total de antibioticoterapia é a soma do período pré-operatório com o pós-operatório, sendo igual ao tratamento de pacientes não tratados cirurgicamente.
- Endocardite em Valva Protética, Culturas Cirúrgicas Positivas ou Infecção Paravalvar: Um novo curso completo de antibioticoterapia deve ser iniciado no pós-operatório, desconsiderando o tempo de ATB já administrado antes da cirurgia, devido à persistência da infecção.
Profilaxia da Endocardite Infecciosa
A profilaxia da endocardite infecciosa é uma medida preventiva crucial, mas sua indicação é restrita a pacientes e procedimentos de alto risco, visando evitar o primeiro episódio da doença ou recorrências em indivíduos vulneráveis.
Critérios para Profilaxia
A profilaxia é indicada apenas quando há uma combinação de paciente de alto risco e procedimento de alto risco. É fundamental que ambos os critérios sejam preenchidos.
Pacientes de Alto Risco
São considerados pacientes de alto risco para endocardite infecciosa:
- Prótese Valvar Cardíaca: Incluindo valvas mecânicas e biológicas.
- Histórico Prévio de Endocardite Infecciosa.
- Transplantados Cardíacos: Que desenvolveram valvulopatia pós-transplante.
- Cardiopatias Congênitas Específicas:
- Cardiopatia Cianótica Não Reparada: Incluindo shunts paliativos.
- Cardiopatia Congênita Reparada Incompletamente: Que ainda apresenta defeitos residuais ou shunts.
- Cardiopatia Congênita Reparada com Material Protético ou Dispositivo: A profilaxia é indicada por um período de 6 meses após o procedimento cirúrgico ou implante do dispositivo, tempo considerado para a endotelização completa do material.
- Dispositivos de Assistência Ventricular.
🚫 Importante: Condições como prolapso de valva mitral sem regurgitação significativa, estenose mitral isolada, sopros cardíacos inocentes ou doença reumática prévia sem disfunção valvar NÃO são indicações para profilaxia de endocardite.
Procedimentos de Alto Risco
Os procedimentos que justificam a profilaxia são aqueles com maior probabilidade de causar bacteremia transitória significativa, principalmente envolvendo mucosas.
- Procedimentos Dentários: Que envolvem manipulação da gengiva, da região periapical dos dentes ou perfuração da mucosa oral (ex: extrações dentárias, raspagem periodontal, implantes).
- Procedimentos no Trato Respiratório: Amigdalectomia, adenoidectomia ou biópsias da mucosa respiratória. (A broncoscopia, por exemplo, não se enquadra nesta categoria de alto risco para profilaxia de EI).
- Cirurgias de Pele ou Musculatura Infectadas: Procedimentos em locais com infecção ativa (ex: drenagem de abscesso cutâneo).
🚨 Alerta: Procedimentos gastrointestinais e geniturinários, em geral, NÃO requerem profilaxia de rotina para endocardite infecciosa, a menos que haja uma infecção ativa no local que possa causar bacteremia significativa.
Esquema de Profilaxia
O regime antimicrobiano deve ser administrado em dose única, 30 a 60 minutos antes do procedimento, para garantir níveis séricos adequados durante o período de maior risco de bacteremia.
- Primeira Escolha: Amoxicilina 2g VO.
- Para Pacientes Alérgicos à Penicilina:
- Azitromicina ou Claritromicina 500mg VO.
- Cefalexina 2g VO.
- Ceftriaxone 1g IV/IM.
🧠 Conceito Fundamental: A profilaxia é um tema recorrente e crucial em provas! Lembre-se que a indicação é estrita: somente para pacientes de alto risco que serão submetidos a procedimentos de alto risco. A presença de ambos os fatores é indispensável para a decisão de profilaxia.
Lesões que NÃO Predispõem à Endocardite
É igualmente importante conhecer as condições cardíacas que, apesar de serem patologias ou achados, não aumentam o risco de endocardite infecciosa e, portanto, não justificam profilaxia.
- Defeito Atrial Tipo Ostium Secundum.
- Revascularização Coronariana Prévia (Cirurgia de Revascularização do Miocárdio - CRM).
- Sopros Cardíacos Inocentes/Funcionais.
- Prolapso de Valva Mitral sem Sopro ou Regurgitação Significativa.
- Doença Reumática Prévia sem Disfunção Valvar Residual.
- Desfibriladores Cardíacos Implantáveis ou Marca-passos Permanentes.
- Reparo Cirúrgico Completo (após 6 meses) de Ducto Arterioso Patente, Defeito do Septo Atrioventricular e Defeito do Septo Atrial.