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HIV/AIDS


Conceitos Iniciais e Estrutura Viral

O Vírus HIV: Um Retrovírus

O Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) é um membro da família dos Retroviridae, caracterizado por possuir um genoma de RNA de fita simples. Sua peculiaridade reside na capacidade de, uma vez dentro da célula hospedeira, transcrever seu material genético de RNA para DNA, um processo mediado pela enzima transcriptase reversa. Este DNA viral (pró-viral) pode então ser integrado ao genoma da célula hospedeira, permitindo a replicação viral e a persistência da infecção.

🧠 Conceito Chave: O HIV é classificado como um retrovírus devido à sua enzima transcriptase reversa, que converte o RNA viral em DNA. Este DNA é então integrado ao genoma da célula hospedeira, garantindo a replicação e a cronicidade da infecção.

Alvos Celulares e Antígeno P24

O HIV demonstra um tropismo específico por células do sistema imunológico. Seus principais alvos são os linfócitos T CD4+ (também conhecidos como T-helper), que desempenham um papel central na coordenação da resposta imune. Além disso, o vírus pode infectar células dendríticas e macrófagos. Uma característica importante para o diagnóstico é a presença do antígeno P24, uma proteína do capsídeo viral que pode ser detectada precocemente em exames laboratoriais, indicando infecção aguda.

Estrutura Detalhada do Vírus HIV

A estrutura do HIV é complexa e fundamental para sua capacidade de infectar e replicar. Embora, como todos os vírus, não possua núcleo, ele é composto por:

💡 Dica: As glicoproteínas GP120 e GP41 são alvos terapêuticos importantes, pois são essenciais para a invasão da célula hospedeira, mediando a aderência e a fusão, respectivamente.

Ciclo de Vida Viral e Patogênese

O Ataque ao Sistema Imune: O Linfócito T CD4+

A virulência do HIV reside em seu ataque direto ao "maestro" do sistema imunológico: os linfócitos T CD4+. Ao ser apresentado a essas células por células apresentadoras de antígeno, o HIV as invade e as destrói, impedindo que exerçam sua função reguladora. Essa destruição compromete gravemente tanto a imunidade humoral quanto a celular, culminando na Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). A redução acentuada na contagem de linfócitos T CD4+ torna o indivíduo extremamente suscetível a infecções oportunistas e ao desenvolvimento de neoplasias.

Função dos Componentes Virais no Ciclo de Infecção

Cada componente viral desempenha um papel específico e coordenado no processo de infecção, replicação e maturação do HIV:

Componente Viral Função Essencial no Ciclo de Infecção
GP120 Mediar a ligação da partícula viral ao receptor CD4 na superfície do linfócito T CD4+.
GP41 Após a ligação da GP120, interage com correceptores (como o CCR5) e promove a fusão do envelope viral com a membrana celular, permitindo a entrada do capsídeo no citoplasma.
Transcriptase Reversa Catalisar a transcrição reversa do RNA viral em uma fita de DNA pró-viral, que servirá de molde para a integração.
Integrase Facilitar a integração do DNA pró-viral ao genoma da célula hospedeira no núcleo, tornando a infecção permanente.
Protease Clivar poliproteínas virais precursoras em proteínas funcionais menores, essenciais para a maturação e montagem de novas partículas virais infecciosas.

Conceitos Fundamentais sobre a Progressão da Doença

Relação entre Carga Viral e Contagem de CD4

Um dos pilares da compreensão da infecção por HIV é a relação inversamente proporcional entre a carga viral (CV) e a contagem de linfócitos T CD4+. Uma carga viral elevada significa intensa replicação do vírus, que invade e destrói os linfócitos CD4+. A consequente queda na contagem de CD4+ (que pode ir de uma média normal de ~1000 células/mm³ para valores tão baixos quanto ~50 células/mm³) é o que leva à imunodeficiência.

A Terapia Antirretroviral (TARV) atua inibindo diferentes etapas do ciclo de replicação viral (por exemplo, inibidores da transcriptase reversa como o AZT, inibidores de fusão, integrase ou protease). Ao suprimir a replicação viral, a TARV permite a recuperação da contagem de CD4+ e a restauração parcial do sistema imune. O objetivo primordial da TARV é alcançar uma carga viral indetectável, o que, quando mantido, pode conferir aos pacientes com HIV uma expectativa de vida similar à da população geral.

💊 Tratamento Essencial: A TARV é crucial para reduzir a carga viral a níveis indetectáveis, permitindo a recuperação dos CD4+ e melhorando drasticamente o prognóstico e a qualidade de vida do paciente.

Transativação Heteróloga e Carga Viral

A ativação do sistema imunológico, seja por uma vacinação recente (dentro das últimas 4 semanas) ou por outras infecções, pode levar a um aumento transitório da carga viral e, consequentemente, a uma queda temporária na contagem de CD4+. Isso ocorre porque o HIV tem preferência por infectar linfócitos T CD4+ que estão ativados. Quando o sistema imune é estimulado (por uma vacina ou outra infecção), há um aumento na população de CD4+ ativos, o que facilita a replicação viral e eleva a viremia.

⚠️ Atenção Clínica: É fundamental evitar a dosagem da carga viral em pacientes que foram vacinados ou tiveram outras infecções nas últimas 4 semanas, pois os resultados podem estar artificialmente elevados e não refletir a carga viral basal do paciente.

Inflamação e Ativação Imune Crônicas

A infecção crônica pelo HIV mantém o organismo em um estado de inflamação e ativação imune persistentes. Ao contrário de outros vírus que podem entrar em latência sorológica, o HIV continua a se replicar constantemente, mesmo que em níveis baixos, e o sistema imune tenta contê-lo. Essa ativação imune crônica tem consequências sérias a longo prazo, contribuindo para o que é conhecido como "envelhecimento precoce" do organismo:

🚨 Alerta: A inflamação crônica induzida pelo HIV é um fator de risco significativo para comorbidades não-AIDS, como doenças cardiovasculares e câncer, exigindo manejo clínico abrangente.

Plaquetopenia Associada ao HIV

A plaquetopenia é uma manifestação hematológica extremamente comum em pacientes com HIV, afetando mais de 90% deles. Caracteriza-se como um processo autoimune mantido, onde a ativação imune crônica desencadeada pela infecção leva à destruição das plaquetas. É uma condição clássica e persistente na infecção por HIV, que deve ser monitorada.

🩸 Hematologia: A plaquetopenia autoimune é uma complicação frequente e característica da infecção crônica por HIV, presente na maioria dos pacientes.

História Natural da Infecção pelo HIV

A entrada do HIV no organismo desencadeia uma série de eventos que culminam na progressão da doença. Inicialmente, o sistema imunológico é "surpreendido" pela presença viral, não conseguindo montar uma defesa eficaz de imediato. Após um período de incubação, que geralmente dura entre 10 e 20 dias, ocorre uma intensa replicação viral.

💡 Dica: A história natural da infecção pelo HIV é marcada por dois picos de viremia importantes:

Fase de Infecção Aguda (Síndrome Retroviral Aguda - SRA)

Esta fase inicial, que se estende por aproximadamente 1 a 3 meses, é caracterizada por uma elevada carga viral (↑CV) e uma queda abrupta na contagem de linfócitos T CD4+ (↓CD4). A intensa replicação viral é o ponto central, levando a uma diminuição significativa das células CD4, que são cruciais para a imunidade.

Cerca de 70% dos indivíduos infectados desenvolvem a Síndrome Retroviral Aguda (SRA), também conhecida como Síndrome de Primo-infecção pelo HIV. Trata-se de um quadro clínico inespecífico, que pode ser facilmente confundido com outras infecções virais comuns:

⚠️ Atenção: Diante de um quadro "mononucleose-like", é crucial investigar não apenas HIV, mas também outras causas como Epstein-Barr (EBV), Citomegalovírus (CMV) e toxoplasmose.

A SRA é um quadro autolimitado, com melhora espontânea dos sintomas em 3 a 4 semanas. A soroconversão, ou seja, a produção detectável de anticorpos anti-HIV, ocorre geralmente entre 15 e 30 dias após a infecção. No entanto, é importante ressaltar que:

🔎 Diagnóstico: Na fase de infecção aguda (janela imunológica), o teste de escolha é o RNA Viral (PCR). Testes que detectam anticorpos (ELISA, testes rápidos) não são eficazes neste período.

Este é um dos momentos de maior infectividade, pois a carga viral é extremamente alta e o indivíduo pode não saber que está infectado.

Latência Clínica e Set Point Viral

Após a resposta parcial do sistema imunológico na fase aguda, a carga viral diminui e se estabiliza em um patamar, conhecido como Set Point Viral. Este é um momento crucial na história natural da infecção, pois representa o "ponto de equilíbrio" entre a replicação viral e a capacidade de contenção do sistema imune do hospedeiro.

🧠 Conceito: O Set Point Viral não significa que o vírus está "dormente" virologicamente. Ele continua se replicando constantemente. O termo "latência" refere-se à latência clínica, ou seja, a ausência de sintomas evidentes da doença.

Durante a latência clínica, ocorre uma perda gradual de linfócitos T CD4+, em média, de aproximadamente 50 células por ano. Essa depleção progressiva leva, eventualmente, à imunodeficiência grave e ao surgimento de infecções e neoplasias oportunistas quando a contagem de CD4 cai abaixo de 200 células/mm³.

Linfadenopatia Generalizada Persistente (LGP)

Um achado clínico clássico, presente em cerca de 70% dos pacientes na fase assintomática, é a Linfadenopatia Generalizada Persistente (LGP). Sua definição inclui:

A presença de LGP em um paciente sem diagnóstico prévio de HIV é um forte indicativo para a realização de testes sorológicos. Nesta fase, o ELISA e os testes rápidos já são eficazes para detectar a presença de anticorpos anti-HIV.

Fase Sintomática (AIDS)

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) é definida pela presença de um indivíduo soropositivo para HIV que apresenta uma doença definidora de AIDS e/ou uma contagem de linfócitos T CD4+ inferior a 200 células/mm³. É crucial diferenciar "ser portador do vírus HIV" de "ter AIDS".

⚠️ Diferença Crucial:

Manifestações Clínicas e Doenças Definidoras de AIDS

As manifestações clínicas da AIDS podem ser divididas em fases, dependendo do grau de imunossupressão (contagem de CD4):

Fase Precoce (CD4 geralmente > 200) Fase AIDS (CD4 < 200 células/mm³)
  • Candidíase oral ou vaginal recorrente
  • Herpes-zóster (dois ou mais episódios ou em mais de um dermátomo)
  • Tuberculose pulmonar
  • Leucoplasia pilosa oral (associada ao EBV)
  • Displasia ou carcinoma cervical in situ
  • Angiomatose bacilar
  • Alterações hematológicas (anemia, plaquetopenia, PTI)
  • Perda de peso inexplicada
  • Pneumocistose pulmonar (Pneumocystis jirovecii)
  • Tuberculose extrapulmonar ou disseminada
  • Toxoplasmose cerebral
  • Criptococose (meningite ou disseminada)
  • Leucoencefalopatia Multifocal Progressiva (LEMP - vírus JC)
  • Candidíase esofágica, traqueal ou brônquica
  • Histoplasmose disseminada
  • Retinite por Citomegalovírus (CMV)
  • Doença cardíaca ou renal associada ao HIV
  • Neoplasias: Linfoma Não-Hodgkin, Sarcoma de Kaposi, Carcinoma cervical invasivo
  • Reativação de Doença de Chagas aguda

A identificação dessas condições é crucial para o diagnóstico da AIDS e para o início ou ajuste da terapia antirretroviral (TARV), visando restaurar a imunidade e prevenir novas infecções oportunistas.


Formas de Transmissão do HIV

A transmissão do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) ocorre principalmente através de algumas vias bem estabelecidas.

Aspectos da Transmissão Sexual

A transmissão sexual é a via mais prevalente. É importante notar que a transmissão heterossexual é a forma mais comum globalmente. A proporção de transmissão homem-mulher é de aproximadamente 2,6:1,0.

Fatores que Influenciam a Transmissão

Diversos fatores podem aumentar ou diminuir o risco de transmissão do HIV:

🧠 High Yield Note: Picos de Viremia

Existem dois momentos principais de alta viremia no curso da infecção pelo HIV: o primeiro ocorre logo após a infecção primária (síndrome retroviral aguda) e o segundo na fase avançada da doença (AIDS). Nesses períodos, o risco de transmissão é substancialmente maior.

Vias Principais de Transmissão por Faixa Etária

HIV/AIDS é Transmitido Por: HIV/AIDS NÃO é Transmitido Por:
Sexo desprotegido Toque/abraço
Compartilhamento de agulhas (drogas IV) Alimentos
Transfusão de sangue (atualmente raro devido à triagem) Beijo social
Gravidez, parto ou amamentação (transmissão vertical) Picadas de insetos
Instrumentos não esterilizados (agulhas, seringas) Piscina/água

Diagnóstico da Infecção pelo HIV

O diagnóstico do HIV pode ser realizado pela detecção de anticorpos contra o vírus ou pela identificação do próprio vírus ou de seus componentes. A escolha do teste e a interpretação dos resultados dependem da janela imunológica e da idade do paciente.

Testes e Suas Janelas Imunológicas

A janela imunológica é o período entre a infecção e a produção de anticorpos ou a detecção do vírus em níveis suficientes para serem identificados pelos testes.

Teste Janela Imunológica Aproximada
Carga Viral (PCR/HIV-RNA) 10 dias
ELISA 4ª Geração (detecta anticorpos e antígeno P24) 15 dias (Antígeno P24)
ELISA 3ª Geração (detecta anticorpos IgM) 20 dias (IgM)
Western-Blot (teste confirmatório, menos usado hoje) > 70 dias
Teste Rápido (fluido oral/sangue) Até 90 dias

Fechando o Diagnóstico em Crianças

Em crianças expostas ao HIV (filhos de mães soropositivas), o diagnóstico é mais complexo devido à presença de anticorpos maternos que podem persistir por até 18 meses. Nesses casos, a detecção do vírus é fundamental.

Crianças até 18 Meses de Vida: Pesquisa do Vírus

⚠️ Atenção: Se todas as Cargas Virais forem negativas, a sorologia deve ser realizada aos 12 meses de vida para identificar a sororreversão (quando os anticorpos maternos desaparecem). Se a sorologia ainda for reagente, deve-se repetir aos 18 meses.

Crianças Acima de 18 Meses e Adultos: Pesquisa de Anticorpos

Após os 18 meses de idade, a presença de anticorpos é um indicador confiável de infecção, pois os anticorpos maternos já não são mais esperados.

1. Teste Rápido (TR1 + TR2)

Utilizado em diversos cenários devido à sua praticidade e agilidade.

2. Imunoensaio (IE) + Teste Molecular (Carga Viral)

Considerado o padrão-ouro para diagnóstico em ambulatórios e serviços de referência.

🔎 Confirmação Diagnóstica:

Para garantir a máxima certeza diagnóstica e evitar erros, o Ministério da Saúde (MS) preconiza a realização de mais um Imunoensaio (IE) para confirmar o diagnóstico após os resultados iniciais.


Tratamento da Infecção pelo HIV

A Terapia Antirretroviral (TARV) é o pilar do tratamento do HIV, transformando a infecção em uma condição crônica controlável.

Indicações e Objetivos da TARV

💡 Conceito Chave: I=I (Indetectável = Intransmissível)

Quando a carga viral é mantida indetectável por um período prolongado (≥ 6 meses), o risco de transmissão sexual do HIV é praticamente zero. Isso tem implicações importantes para a saúde pública e a qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV.

Grupos Prioritários para Início Imediato da TARV

Embora todos devam iniciar a TARV, alguns grupos têm prioridade devido ao maior risco de progressão da doença ou de transmissão:

Mecanismos de Ação dos Antirretrovirais

Os antirretrovirais atuam em diferentes etapas do ciclo de vida do HIV, impedindo sua replicação e a progressão da doença.

Classe de Antirretroviral Mecanismo de Ação Exemplos de Drogas
Inibidores da Transcriptase Reversa (ITR) Bloqueiam a conversão de RNA viral em DNA viral. Tenofovir (TDF), Lamivudina (3TC), Zidovudina (AZT), Efavirenz (EFV)
Inibidores da Integrase (INI) Impedem a integração do DNA viral no genoma da célula hospedeira. Dolutegravir (DTG), Raltegravir (RAL)
Inibidores de Protease (IP) Bloqueiam a clivagem das poliproteínas virais, resultando em vírus imaturos e não infecciosos. Atazanavir (ATV), Ritonavir (r)
Inibidores de Fusão Impedem a entrada do vírus na célula hospedeira. Enfuvirtida
Antagonistas de CCR5 Bloqueiam o co-receptor CCR5, impedindo a entrada do vírus. Maraviroque
💊 Genotipagem Pré-Tratamento:

Em gestantes e pacientes com TB ativa, a genotipagem pré-tratamento é recomendada para detectar mutações de resistência aos antirretrovirais. No entanto, o início da TARV não deve ser adiado enquanto se aguarda o resultado da genotipagem.

Esquemas Terapêuticos Atuais

Os esquemas de TARV são geralmente combinações de três ou mais drogas para maximizar a eficácia e minimizar o desenvolvimento de resistência.

⚠️ Efeitos Adversos Relevantes dos Esquemas Padrão:

Aprofundando nas Drogas: Efeitos Adversos e Considerações Específicas

Conhecer os perfis de segurança das drogas é fundamental para o manejo clínico.

Tenofovir (TDF)

Lamivudina (3TC)

Dolutegravir (DTG)

Raltegravir (RAL)

Efavirenz (EFV)

Nevirapina

Lopinavir/r (Lopinavir co-formulado com Ritonavir)

Darunavir/r (Darunavir co-formulado com Ritonavir)

Atazanavir/r (Atazanavir co-formulado com Ritonavir)

Falha Virológica

A falha virológica é definida pela detecção da carga viral após 6 meses de terapia ou por um rebote viral (aumento da carga viral) após um período de supressão.


Profilaxias

As profilaxias no contexto do HIV/AIDS são estratégias cruciais para prevenir a infecção pelo vírus ou o desenvolvimento de doenças oportunistas em indivíduos já infectados. Elas se dividem em pré-exposição (PrEP), pós-exposição (PEP), transmissão vertical e primárias para infecções oportunistas.

Profilaxia Pré-Exposição (PrEP)

A PrEP consiste no uso contínuo de antirretrovirais por pessoas soronegativas para o HIV, com o objetivo de reduzir o risco de adquirir a infecção. É uma ferramenta fundamental na prevenção combinada.

Segmentos Prioritários para PrEP

A indicação de PrEP deve ser prioritizada para indivíduos com maior risco de exposição ao HIV, incluindo:

Indicações Clínicas para PrEP

Além dos segmentos prioritários, a PrEP é indicada para indivíduos que apresentem os seguintes critérios nos últimos seis meses:

Esquema Terapêutico da PrEP

O esquema padrão de PrEP envolve a combinação de dois antirretrovirais:

Para sua eficácia, o uso deve ser contínuo, diário e ininterrupto. É importante ressaltar que a proteção não é imediata:

⚠️ Atenção: Embora a densitometria óssea não seja indicada rotineiramente, pacientes com histórico de fraturas patológicas devem ser avaliados por um especialista antes de iniciar a PrEP, devido ao potencial impacto do TDF na saúde óssea.

PrEP "Sob Demanda" (2-1-1)

A PrEP sob demanda é uma modalidade de uso intermitente, indicada para situações específicas e planejadas. Para sua utilização, critérios rigorosos devem ser atendidos:

O esquema para PrEP sob demanda é:

Profilaxia Pós-Exposição (PEP)

A PEP é uma medida de urgência que consiste no uso de antirretrovirais após uma possível exposição ao HIV, visando impedir a infecção. Sua eficácia é tempo-dependente.

Avaliação do Acidente

A decisão de iniciar a PEP depende de uma avaliação criteriosa do tipo de exposição e do tempo decorrido:

Avaliação da Fonte e do Exposto com Teste Rápido (TR1 + TR2)

A testagem rápida do HIV para a fonte e o exposto é crucial para guiar a conduta:

💡 Dica: Uma exceção à regra de "Fonte negativa" ocorre se a fonte tiver histórico de exposição de risco nos últimos 30-90 dias, especialmente se o teste utilizado foi com fluido oral, devido à possibilidade de falso-negativo durante a janela imunológica.

Esquemas de PEP

O esquema antirretroviral recomendado para PEP é:

Profilaxia da Transmissão Vertical (PTV)

A PTV visa prevenir a transmissão do HIV da mãe para o filho durante a gestação, parto e amamentação, sendo um pilar fundamental no controle da epidemia pediátrica.

Pré-Natal

A testagem para HIV é parte integrante da primeira consulta de pré-natal. Em gestantes soropositivas, a Terapia Antirretroviral (TARV) deve ser iniciada o mais precocemente possível, preferencialmente com o esquema:

Parto

O momento do parto é o principal período de transmissão vertical. A conduta é determinada pela carga viral (CV) materna após a 34ª semana de gestação:

Carga Viral Materna Conduta no Parto Observações
> 1.000 cópias/mL ou Desconhecida AZT intravenoso + Cesariana Eletiva Cesariana agendada para 38ª semana, com bolsa íntegra e dilatação cervical de 3-4 cm.
< 1.000 cópias/mL AZT intravenoso + Parto por Indicação Obstétrica Pode ser parto vaginal, se não houver outras contraindicações obstétricas.
Indetectável Parto por Indicação Obstétrica Não há necessidade de AZT intravenoso durante o parto.

Puerpério e Cuidados com o Recém-Nascido (RN)

Após o parto, a atenção se volta para a mãe e o recém-nascido:

A profilaxia para o RN varia conforme a idade gestacional e o risco de infecção:

👶 Baixo Risco: Para RNs de "mães perfeitas" (ótima adesão à TARV na gestação, carga viral indetectável no 3º trimestre/após 28 semanas), a profilaxia é AZT por 28 dias. Idealmente, iniciar na sala de parto (até as primeiras 4 horas de vida), podendo ser administrado até 48 horas. Após esse período, o benefício é questionável. RNs que não se encaixam nesses critérios são considerados de "alto risco".

Além da profilaxia antirretroviral, todos os RNs expostos ao HIV devem receber profilaxia para Pneumocistose:

Profilaxias Primárias para Infecções Oportunistas

As profilaxias primárias têm como objetivo prevenir o primeiro episódio de uma infecção oportunista em indivíduos vivendo com HIV, especialmente quando há imunossupressão significativa.

Indicações Gerais para Profilaxia Primária

A profilaxia primária é geralmente indicada nas seguintes situações, que sinalizam um comprometimento imunológico:

Profilaxias Específicas

As profilaxias são direcionadas a infecções específicas, baseadas na contagem de CD4 e outros fatores de risco:

Infecção Oportunista Critérios de Indicação Medicamento Profilático
Pneumocistose (PCP) CD4 < 200 células/mm³ ou Candidíase oral ou Febre > 2 semanas SMZ-TMP (Sulfametoxazol-Trimetoprima)
Neurotoxoplasmose CD4 < 100 células/mm³ e IgG positivo para Toxoplasma SMZ-TMP (Sulfametoxazol-Trimetoprima)
Micobacteriose Atípica (MAC) CD4 < 50 células/mm³ Azitromicina (Macrolídeo)
Tuberculose (TB) PPD > 5mm ou IGRA positivo ou Contactante de bacilífero ou RX de tórax com cicatriz ou PPD reator prévio Rifapentina + Isoniazida
🧠 Conceito Chave: A profilaxia primária é essencial para reduzir a morbimortalidade em pacientes com HIV, prevenindo o surgimento de infecções que podem ser graves e fatais.

PneumoAIDS

Pneumocistose (PCP)

🧠 Conceito Chave: A Pneumocistose é uma infecção fúngica que, classicamente, se restringe ao pulmão em pacientes imunocomprometidos.

A Pneumocistose, causada pelo fungo Pneumocystis jirovecii, é uma infecção oportunista comum em indivíduos com HIV/AIDS, especialmente quando a contagem de CD4 é inferior a 200 células/mm³. A candidíase oral é outra infecção frequentemente associada a um grau significativo de imunodepressão, muitas vezes coexistindo com a PCP.

Manifestações Clínicas

O quadro clínico da PCP é tipicamente arrastado, caracterizado por:

Embora o acometimento pulmonar seja o mais comum, manifestações extrapulmonares podem ocorrer, principalmente em pacientes que utilizam pentamidina inalatória como profilaxia. Essa via de administração protege o pulmão, mas não previne a disseminação para outros órgãos. Exemplos incluem envolvimento óptico por massa polipoide no canal auditivo externo, lesões oftalmológicas da coroide, hipoplasia de medula óssea e obstrução intestinal.

Exames Complementares e Diagnóstico

A suspeita de PCP é levantada por achados clínicos e laboratoriais sugestivos:

⚠️ Atenção: A PCP tipicamente NÃO cursa com linfonodomegalia hilar, derrame pleural ou formação de cavernas. A presença desses achados deve levantar a suspeita de outros diagnósticos, como tuberculose.

O diagnóstico definitivo pode ser realizado por:

O principal diagnóstico diferencial da PCP é a Tuberculose, que deve ser considerada em qualquer nível de CD4 e em casos de lesões apicais.

Tratamento

Diante de um caso suspeito de PCP, o tratamento empírico deve ser iniciado prontamente.

Gravidade do Quadro Regime Terapêutico Observações
Leve-Moderado (PaO2 > 70 mmHg) SMZ-TMP VO (15-20mg de TMP/kg/dia) a cada 6 ou 8 horas por 21 dias. Via oral é suficiente.
Moderado-Grave (PaO2 < 70 mmHg) SMZ-TMP EV (15-20mg de TMP/kg/dia) a cada 6 ou 8 horas por 21 dias. Trocar para VO após melhora clínica. Sempre associar corticoide.

Profilaxia

A profilaxia primária e secundária da PCP é fundamental para pacientes com HIV/AIDS:

Tuberculose (TB)

🚨 Alerta: A Tuberculose é a principal causa de óbito em pacientes HIV positivos e pode se desenvolver em qualquer nível de CD4. Tratar a TB é uma emergência médica.

A TB é uma infecção oportunista de alta prevalência em pacientes com HIV, podendo ocorrer independentemente da contagem de CD4. As lesões pulmonares são classicamente apicais em pacientes com melhor imunidade, mas podem ser difusas ou miliares em imunodeprimidos.

Manifestações Clínicas

Os sintomas clássicos da TB incluem febre, tosse persistente, sudorese noturna e emagrecimento. A apresentação radiológica varia conforme o grau de imunossupressão:

Diagnóstico

O diagnóstico da TB em pacientes com HIV é realizado por:

Tratamento

O tratamento da TB em pacientes com HIV requer atenção especial devido às interações medicamentosas e ao risco de Síndrome Inflamatória de Reconstituição Imune (SIRI).

💊 Interação Medicamentosa: A rifampicina é um potente indutor do citocromo P450, o que reduz drasticamente as concentrações plasmáticas de inibidores da protease (IP) e inibidores da transcriptase reversa não análogos de nucleosídeos (ITRNN). A combinação de rifampicina e inibidores da protease deve ser evitada.

Profilaxia (Tratamento da TB Latente)

A profilaxia da TB latente é recomendada para reduzir o risco de desenvolvimento da doença ativa:

Critérios para Suspeita Clínica de Síndrome Inflamatória de Reconstituição Imune (SIRI)

A SIRI é uma complicação inflamatória que pode ocorrer após o início da TARV em pacientes com imunodepressão grave. Os critérios para suspeita incluem:

Micobacteriose Atípica (MAC)

As infecções por Mycobacterium avium complex (MAC) são complicações tardias do HIV/AIDS, geralmente observadas em pacientes com CD4 inferior a 50 células/mm³. Os microrganismos estão presentes no solo e na água, e a porta de entrada é o trato respiratório ou gastrointestinal. Curiosamente, um histórico de infecção por M. tuberculosis pode reduzir o risco de infecção por MAC.

Manifestações Clínicas

O quadro clínico da MAC disseminada é inespecífico e pode mimetizar a TB miliar, incluindo:

Exames Complementares e Diagnóstico

Tratamento e Profilaxia

Histoplasmose

🔎 Diferencial: A Histoplasmose, ao contrário da PCP, não se restringe ao pulmão e cursa com achados sistêmicos mais exuberantes.

A Histoplasmose é uma infecção fúngica disseminada que acomete pacientes com HIV/AIDS, geralmente com CD4 entre 100-200 células/mm³. Apresenta-se tipicamente como uma doença disseminada progressiva, caracterizada por:

🩸 Marcador: Níveis de LDH > 1.000 U/L são frequentemente encontrados na histoplasmose disseminada, um valor significativamente mais alto que o usualmente visto na PCP, auxiliando no diagnóstico diferencial.

Tratamento

Sarcoma de Kaposi

O Sarcoma de Kaposi é uma neoplasia vascular associada ao Herpesvírus Humano 8 (HHV-8). Pode ocorrer em qualquer contagem de CD4, mas é mais comum quando o CD4 é inferior a 200 células/mm³.

Manifestações Clínicas

A doença é caracterizada por lesões violáceas que podem acometer diversos órgãos, sendo classicamente descrita pela sigla "PPGG":

Exames Complementares e Diagnóstico

🔎 Diagnóstico Diferencial: A Angiomatose Bacilar pode apresentar lesões cutâneas semelhantes e deve ser considerada, especialmente em pacientes com melhor estado imunológico.

Tratamento

O tratamento específico é direcionado para casos de doença persistente, desconforto, lesões estéticas significativas ou comprometimento funcional (dificuldade na deglutição ou respiração).

Angiomatose Bacilar

A Angiomatose Bacilar é uma doença infecciosa causada pela bactéria Bartonella henselae, o mesmo agente etiológico da doença da arranhadura do gato. Caracteriza-se por lesões vasculares proliferativas que podem afetar a pele, ossos e órgãos internos.

Linfoma Não-Hodgkin (LNH)

Pacientes com HIV/AIDS têm um risco aumentado de desenvolver Linfoma Não-Hodgkin, especialmente quando a contagem de CD4 é inferior a 200 células/mm³. Os principais subtipos de LNH associados ao HIV são:

Manifestações Clínicas e Tratamento

As manifestações clínicas dependem da localização do linfoma, podendo incluir:

O tratamento primário para o Linfoma Não-Hodgkin é a quimioterapia (QT).


NeuroAIDS

Meningite Criptocócica

A meningite criptocócica é uma das infecções oportunistas mais comuns do sistema nervoso central (SNC) em pacientes com HIV, especialmente aqueles com imunossupressão avançada.

Conceitos Essenciais

Quadro Clínico

A apresentação é tipicamente subaguda, com sintomas que se desenvolvem ao longo de dias a semanas. É fundamental manter um alto índice de suspeita em pacientes com HIV.

🧠 Lembre-se: Em pacientes com AIDS e quadro de febre, cefaleia e confusão mental, a criptococose deve ser a principal hipótese diagnóstica até prova em contrário!

Diagnóstico

A punção lombar é o pilar do diagnóstico, revelando achados característicos no líquido cefalorraquidiano (LCR).

⚠️ Atenção: O perfil liquórico da meningite criptocócica (mononucleares, hiperproteinorraquia, hipoglicorraquia) é semelhante ao da meningite tuberculosa, exigindo diferenciação.
Confirmação Diagnóstica e Achados Específicos

Embora a clínica e a hipertensão liquórica já possam guiar o início do tratamento, a confirmação é feita por:

Tratamento

O tratamento é dividido em fases de indução e manutenção.

Profilaxia Secundária

Meningite Asséptica

A meningite asséptica é uma condição que pode ocorrer em pacientes HIV+, especialmente na fase inicial da infecção, e é caracterizada por uma inflamação das meninges sem a presença de um agente bacteriano detectável.

Neurotoxoplasmose

A neurotoxoplasmose é a causa mais comum de lesões focais no SNC em pacientes com HIV, frequentemente mimetizando um acidente vascular cerebral (AVC).

Conceitos Essenciais

Quadro Clínico

A apresentação é subaguda, com déficits neurológicos focais que podem ser confundidos com um AVC.

🔎 Dica Diagnóstica: Lesão focal no SNC em paciente com HIV, especialmente com CD4 < 100, deve levantar forte suspeita de neurotoxoplasmose.

Diagnóstico

O diagnóstico é primariamente clínico-radiológico, com exames de imagem desempenhando um papel crucial.

Diferenciação Diagnóstica

Tratamento

O tratamento é baseado em terapia antimicrobiana específica.

🚨 Alerta: Se não houver melhora clínica em até 14 dias de tratamento adequado, deve-se reavaliar o diagnóstico, pensando em linfoma primário do SNC.

Profilaxia Primária

Profilaxia Secundária

Recaídas são comuns, tornando a profilaxia secundária crucial.

Considerações Importantes sobre Profilaxias

Linfoma Primário do SNC

O linfoma primário do SNC é uma neoplasia que deve ser considerada no diagnóstico diferencial de lesões cerebrais focais em pacientes com HIV, especialmente quando a resposta ao tratamento para toxoplasmose é insatisfatória.

Conceitos e Características

Diferenciação Diagnóstica

Alguns fatores podem auxiliar na distinção entre linfoma e neurotoxoplasmose:

🧠 Conceito Chave: Pense em linfoma primário do SNC quando uma lesão cerebral focal em paciente com HIV não responde à prova terapêutica para neurotoxoplasmose.

Diagnóstico e Prognóstico

Leucoencefalopatia Multifocal Progressiva (LEMP)

A LEMP é uma doença desmielinizante progressiva do SNC, causada pela reativação de um vírus latente, resultando em múltiplos déficits neurológicos.

Conceitos Essenciais

Quadro Clínico

A LEMP se manifesta com múltiplos déficits focais que progridem lentamente, mimetizando "múltiplos AVCs".

Diagnóstico

O diagnóstico é baseado na combinação de achados liquóricos e de neuroimagem.

Tratamento

Aspectos Chave da Neuroimagem no HIV/AIDS

Condição Número de Lesões Localização Preferencial Realce Pós-Contraste Efeito de Massa
Neurotoxoplasmose Múltiplas Córtex, núcleos da base Em anel Presente, com edema
Linfoma Cerebral Uma ou duas Substância branca adjacente aos ventrículos Variável (homogêneo ou em anel) Presente
LEMP Múltiplas Substância branca (occipital e parietal) Ausente Ausente

Encefalopatia pelo HIV (Demência Associada ao HIV)

A encefalopatia pelo HIV, também conhecida como demência associada ao HIV, é uma síndrome neurocognitiva que afeta a função cerebral em pacientes com infecção avançada.

Tríade Clínica Característica

Características e Diferenciais

Tratamento


GastroAIDS

As manifestações gastrointestinais são frequentes em pacientes com HIV/AIDS, especialmente em estágios avançados da doença, e podem variar desde infecções oportunistas até condições não infecciosas.

Esôfago

Queixa Principal: Odinofagia/Disfagia

A dor ao engolir (odinofagia) e a dificuldade para engolir (disfagia) são sintomas comuns de acometimento esofágico em pacientes com HIV. É importante ressaltar que nem todo paciente com esses sintomas necessita de uma endoscopia digestiva alta (EDA) de imediato.

⚠️ Atenção: A EDA está indicada apenas em casos de sintomas atípicos ou quando há falha na resposta à terapia empírica inicial.

Candidíase Esofágica

A candidíase esofágica é uma das infecções oportunistas mais comuns do trato gastrointestinal em pacientes com HIV.

Quadro Clínico
Diagnóstico

O diagnóstico é predominantemente clínico, permitindo o início do tratamento sem a necessidade de uma EDA na maioria dos casos. A EDA é reservada para situações de sintomas refratários à terapia inicial, a fim de confirmar o diagnóstico e excluir outras causas.

Tratamento

Leucoplasia Pilosa Oral

A leucoplasia pilosa oral é uma condição benigna que afeta a mucosa oral, frequentemente associada à imunossupressão.

Quadro Clínico
Diagnóstico

O diagnóstico é primariamente clínico. Um raspado da lesão pode ser realizado em casos de dúvida diagnóstica para confirmar a presença do EBV ou excluir outras condições.

Tratamento

O tratamento é indicado apenas se o paciente apresentar dor, incômodo estético ou funcional. As opções incluem:

Esofagites Virais

As esofagites virais são causas importantes de odinofagia e disfagia em pacientes imunocomprometidos, sendo o Citomegalovírus (CMV) e o Herpes Simplex Vírus (HSV) os principais agentes.

Quadro Clínico

Os sintomas incluem odinofagia, disfagia e, diferentemente da candidíase esofágica, a febre pode estar presente.

Diagnóstico

O diagnóstico definitivo requer EDA com biópsia para diferenciação entre os agentes virais, pois as características histopatológicas são distintas.

Característica Esofagite por CMV Esofagite por HSV
Aspecto Macroscópico (EDA) Úlceras pouco numerosas, lineares, profundas, localizadas no centro do esôfago. Úlceras rasas, arredondadas, com bordos elevados ("em vulcão"), frequentemente múltiplas.
Achados Histopatológicos (Biópsia) Células de inclusão intranuclear e citoplasmáticas ("olhos de coruja"). Células multinucleadas e inclusões apenas nucleares.
Tratamento

Outras Manifestações Esofágicas

Além das causas infecciosas, outras condições podem afetar o esôfago em pacientes com HIV:

Intestino

Queixa Principal: Diarreia Crônica

A diarreia crônica é uma queixa comum e desafiadora em pacientes com HIV, podendo ter diversas etiologias, infecciosas e não infecciosas.

Etiologias Comuns
Diagnóstico

A abordagem diagnóstica deve ser escalonada:

Agentes Infecciosos Específicos

Tratamento das Protozooses Intestinais

O tratamento das infecções por protozoários é fundamental para o controle da diarreia e melhora da qualidade de vida.

Infecção Tratamento de Escolha
Microsporidiose Albendazol
Isosporíase SMZ-TMP (Sulfametoxazol-Trimetoprima)
Criptosporidiose TARV (Terapia Antirretroviral) +/- Nitazoxanida (se não houver resolução em 2-8 semanas)
🧠 Mnemônico: Para lembrar os tratamentos das protozooses: MAIS CNN.

Diarreia Associada ao HIV ou TARV

Quando não se identifica uma causa infecciosa ou outra condição específica para a diarreia crônica, é importante considerar a possibilidade de que o quadro seja deflagrado pelo próprio vírus HIV ou por efeitos colaterais e interações medicamentosas da Terapia Antirretroviral (TARV). Este é um diagnóstico de exclusão.

Infecções por MAC e CMV no Intestino

Tanto o Complexo Mycobacterium avium (MAC) quanto o Citomegalovírus (CMV) podem causar diarreia crônica em pacientes com HIV, geralmente em estágios avançados de imunossupressão.


Manifestações Oftalmológicas

As manifestações oculares são importantes em pacientes com HIV, sendo a retinite por CMV a mais grave e com potencial de cegueira.

Retinite por Citomegalovírus (CMV)

A retinite por CMV é uma infecção oportunista grave que afeta a retina, sendo uma das principais causas de perda visual em pacientes com HIV.

Tratamento
🚨 High Yield Note: Três situações clínicas importantes em HIV que classicamente ocorrem com CD4 < 50 células/mm³: