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Gripe (Influenza)

A influenza é uma infecção respiratória aguda causada pelos vírus influenza, frequentemente confundida com outras síndromes gripais.


1. Conceitos Iniciais

É fundamental diferenciar a influenza verdadeira de outras infecções respiratórias virais, que podem apresentar sintomas semelhantes. A influenza é especificamente causada pelos vírus influenza, classificados em tipos A, B e C, com base em suas nucleoproteínas e proteínas matrizes.

Tipos de Vírus Influenza

🧠 Conceito Chave: Os vírus influenza A são os mais variáveis e clinicamente significativos, com subtipos definidos por suas glicoproteínas de superfície, a hemaglutinina (H) e a neuraminidase (N), como H1N1, H3N2, etc.

Período de Incubação e Transmissão


2. Classificações Clínicas

A apresentação clínica da influenza pode variar desde uma síndrome gripal leve até formas graves, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

Síndrome Gripal (SG)

Caracteriza-se pela presença de febre, acompanhada de tosse ou dor de garganta (odinofagia), e mais um dos seguintes sintomas:

Em crianças menores de 6 anos: A definição é mais simplificada, incluindo febre e qualquer sintoma respiratório.

Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)

Representa a forma mais grave da doença, definida pela presença de febre e dispneia (dificuldade respiratória), ou um dos seguintes sinais de gravidade:

Em crianças: Sinais adicionais de SRAG incluem cianose, inapetência (falta de apetite), batimento de asa do nariz e tiragem (retrações intercostais ou subcostais).

Manifestações Típicas em Adultos

A influenza em adultos tipicamente se manifesta com um início súbito, caracterizado por calafrios, febre alta, prostração intensa, tosse e dores generalizadas, especialmente nas costas e pernas. A cefaleia é um sintoma proeminente, frequentemente acompanhada de fotofobia. Inicialmente, os sintomas respiratórios podem ser leves, como dor de garganta, sensação de queimação retroesternal, tosse não produtiva e, ocasionalmente, coriza.

Progressivamente, a doença do trato respiratório inferior torna-se dominante, com tosse que pode se tornar persistente, irritativa e produtiva. Sintomas gastrointestinais, como náuseas, vômitos e dor abdominal, podem ocorrer, sendo aparentemente mais comuns com a cepa H1N1 da pandemia de 2009. Crianças, em particular, podem apresentar náuseas, vômitos ou dor abdominal de forma mais acentuada, e até mesmo um quadro semelhante à sepse.

Após 2 a 3 dias, os sintomas agudos tendem a regredir rapidamente, embora a febre possa persistir por até 5 dias. Tosse residual, fraqueza, sudorese e fadiga podem perdurar por vários dias ou, em alguns casos, por semanas.


3. Diagnóstico

O diagnóstico da influenza é frequentemente clínico, especialmente quando há circulação viral confirmada na comunidade e o paciente apresenta uma síndrome típica. Embora existam diversos testes moleculares rápidos (testes de detecção de antígeno), sua utilidade no manejo individual pode ser limitada devido à variabilidade de sensibilidade, apesar da boa especificidade. A realização de testes diagnósticos deve ser considerada quando os resultados puderem influenciar as decisões clínicas.

Exames Inespecíficos

Esses exames não confirmam a infecção por influenza, mas podem auxiliar na avaliação da gravidade e na exclusão de outras condições.

Exames Específicos

A decisão de solicitar exames específicos para influenza deve considerar os seguintes pontos:

Métodos de Pesquisa Viral


4. Tratamento

O tratamento da influenza varia conforme a gravidade do quadro clínico e a presença de fatores de risco.

Manejo de Formas Leves

⚠️ Atenção: Evitar o uso de Ácido Acetilsalicílico (AAS) em crianças e adolescentes com suspeita de influenza devido ao risco de Síndrome de Reye, uma condição rara, mas grave, que afeta o cérebro e o fígado.

Tratamento Antiviral Específico (Oseltamivir)

O Oseltamivir (75mg, 12/12h, por 5 dias) é indicado nas seguintes situações:

💊 Dica de Tratamento: Diferentemente da COVID-19, o uso de corticosteroides não é recomendado no tratamento da influenza, pois pode estar associado a desfechos piores.

Suspeita de Pneumonia Secundária

Deve-se suspeitar de pneumonia bacteriana secundária à influenza nas seguintes situações:

Nesses casos, é crucial iniciar antibioticoterapia empírica, cobrindo patógenos comuns como Staphylococcus aureus (incluindo MRSA, se houver risco) e considerar a possibilidade de pneumonia nosocomial em pacientes hospitalizados.

**Grupos de Risco para Complicações da Influenza

A identificação desses grupos é crucial para a indicação de tratamento antiviral e profilaxia.


5. Prevenção

A prevenção da influenza envolve medidas de isolamento, profilaxia medicamentosa e, principalmente, imunização.

Medidas de Isolamento

Profilaxia Pós-Exposição (Oseltamivir)

O Oseltamivir (75mg, 12/12h, por 10 dias) pode ser considerado para profilaxia em situações específicas:

Imunização (Vacinação)

A vacinação é a medida mais eficaz na prevenção da influenza e suas complicações.

💡 Dica de Estudo: Os tipos de vírus influenza em circulação mudam anualmente. Por isso, a composição da vacina é atualizada a cada ano, com base nos estudos dos subtipos mais prevalentes globalmente. A vacinação anual é, portanto, essencial para garantir a proteção.

Grupos Prioritários para Vacinação

Observação: Em anos de maior risco ou campanhas específicas, o governo federal pode expandir a elegibilidade da vacina para toda a população, como ocorreu em 2021.

Precauções e Efeitos Adversos da Vacina