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Meningite


Conceitos Iniciais

A meningite é caracterizada por uma infecção purulenta das meninges e do espaço subaracnoide. Sua incidência é mais comum nos meses de inverno e, frequentemente, é precedida por infecções das vias aéreas superiores (IVAS) ou influenza.

Fisiopatologia

O processo patológico da meningite bacteriana geralmente se inicia com a colonização da oronasofaringe por um agente infeccioso. A partir daí, ocorre a disseminação hematogênica, onde o patógeno invade a corrente sanguínea e, posteriormente, o sistema nervoso central (SNC). Uma vez no SNC, há proliferação bacteriana e uma intensa resposta inflamatória, culminando em edema cerebral e hipertensão intracraniana (HIC).

🧠 Conceito Chave: Para que ocorra meningite, o germe deve inicialmente colonizar a oronasofaringe. A principal via de acesso ao SNC é a disseminação hematogênica. A ascensão direta do germe da oronasofaringe para o espaço subaracnoide ocorre apenas em casos de trauma cranioencefálico (TCE) com fístula liquórica. É crucial entender que a meningococcemia (sepse por meningococo) pode ocorrer sem meningite, e esse conceito é vital para o prognóstico.

Fatores de Risco

Diversos fatores podem aumentar a susceptibilidade à meningite, especialmente por pneumococo:

Etiologia

Na prática clínica e em provas de residência, é comum que o agente etiológico seja descrito por sua morfologia e coloração pelo Gram, em vez de seu nome. É fundamental memorizar essas características:

💡 Dica de Prova: Os dois principais agentes da meningite são diplococos. O Pneumococo é Positivo ao Gram, enquanto a Neisseria meningitidis (meningococo) é Negativa. O Haemophilus influenzae é um bacilo Gram-negativo, e a Listeria monocytogenes é um bacilo Gram-positivo.
Agente Etiológico Morfologia Coloração de Gram
Streptococcus pneumoniae (Pneumococo) Diplococo Gram-positivo
Neisseria meningitidis (Meningococo) Diplococo Gram-negativo
Haemophilus influenzae Bacilo Gram-negativo
Listeria monocytogenes Bacilo Gram-positivo

Etiologia por Faixa Etária e Situações Específicas

💊 Tratamento Essencial: Se houver suspeita de infecção por Listeria monocytogenes, a Ampicilina é o antibiótico de escolha e deve ser incluída no esquema terapêutico.

Particularidades dos Agentes Etiológicos

Neisseria meningitidis (Meningococo)
Listeria monocytogenes
Haemophilus influenzae tipo B
Bastonetes Gram-Negativos
Estafilococos (S. aureus e S. epidermidis)

Manifestações Clínicas

A apresentação clínica da meningite pode variar, mas alguns sinais e sintomas são clássicos e de grande importância diagnóstica.

Sinais e Sintomas

🚨 Emergência: Síndrome de Waterhouse-Friderichsen! Esta síndrome é uma condição grave de choque séptico com insuficiência adrenal aguda, frequentemente associada à meningococcemia. Devido à dificuldade em diferenciar a causa do choque (séptico vs. insuficiência adrenal), a administração empírica de corticoides é uma prática comum em pacientes chocados com suspeita de meningococcemia.
🧠 Conceito: Meningoencefalite! Quando há acometimento tanto das meninges quanto do parênquima cerebral, o quadro é denominado meningoencefalite.

Complicações e Espectros Clínicos

Coleção Subdural

A formação de coleção subdural é uma complicação que justifica a diferença no tempo de tratamento entre a meningite meningocócica e a pneumocócica. Enquanto a meningite meningocócica pode ser tratada em 7 dias (o meningococo é mais sensível à penicilina), a meningite pneumocócica requer um tratamento mais prolongado, geralmente de 14 dias, para garantir a esterilização completa do espaço subaracnoide e prevenir a formação de abscessos subdurais.

Espectros da Doença Meningocócica

A doença meningocócica pode se manifestar em diferentes espectros clínicos, com prognósticos variados:

Exame Físico: Sinais Meníngeos

A avaliação dos sinais meníngeos é fundamental no exame físico de pacientes com suspeita de meningite.

Sinal de Brudzinski

O examinador flexiona passivamente o pescoço do paciente, que está em decúbito dorsal. O sinal é positivo se houver flexão espontânea e involuntária de ambas as pernas e coxas. Na meningite, a flexão do pescoço estica as raízes nervosas através das meninges inflamadas, causando dor e o movimento reflexo dos membros inferiores.

Sinal de Kernig

Com o paciente em decúbito dorsal, o examinador flexiona passivamente o quadril a 90 graus, mantendo o joelho estendido. O sinal é positivo se o paciente sentir dor, resistência e incapacidade de estender o joelho completamente (além de 135 graus) enquanto o quadril permanece flexionado.

Sinal de Lasègue

Este teste, também conhecido como elevação da perna estendida, é classicamente associado à compressão radicular (dor ciática). No entanto, há uma sobreposição com o sinal de Kernig, e ambos podem ser positivos na meningite. A diferença crucial é que, na radiculopatia lombossacra, o sinal de Lasègue é geralmente unilateral, enquanto na meningite, ele é bilateral.

🔎 Diagnóstico Diferencial: Em Lasègue, a dor bilateral sugere meningite, enquanto a dor unilateral é mais indicativa de radiculopatia.

Diagnóstico

O diagnóstico da meningite é uma emergência médica que exige agilidade e precisão. A abordagem diagnóstica envolve a coleta de hemoculturas e, crucialmente, a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) obtido por punção lombar.

Coleta de Hemocultura

A coleta de hemoculturas deve ser realizada antes do início da antibioticoterapia (ATB). Embora o antibiótico administrado possa reduzir a sensibilidade da cultura do LCR em cerca de duas horas, muitos autores preconizam que o início do ATB não deve ser atrasado pela punção lombar, especialmente em situações de emergência. Geralmente, há tempo hábil para a punção lombar entre a coleta das hemoculturas e o início do tratamento.

🚨 Atenção: Nunca atrase o início do antibiótico! A meningite bacteriana é uma emergência infecciosa, e o tempo porta-ATB deve ser de no máximo 60 minutos para otimizar o prognóstico.

Punção Lombar (PL) para Análise do LCR

A punção lombar é o procedimento diagnóstico padrão-ouro para a meningite, realizada tipicamente entre as vértebras L3-L4. A análise do LCR é essencial para identificar o agente etiológico e diferenciar os tipos de meningite.

Indicações para Neuroimagem (Tomografia Computadorizada - TC) antes da PL

Em certas situações clínicas, a realização de uma neuroimagem (geralmente TC de crânio) antes da punção lombar é mandatória para excluir lesões expansivas ou sinais de hipertensão intracraniana grave que poderiam aumentar o risco de herniação cerebral durante a PL. As principais indicações incluem:

🧠 Conceito Chave: A TC antes da PL não contraindica a punção, mas sim busca lesões expansivas ou sinais de HIC grave. Se presentes, a PL pode ser realizada com maior cautela e, em alguns casos, guiada por raquimanometria.

Contraindicações da Punção Lombar

Existem contraindicações absolutas e relativas para a realização da punção lombar:

💡 Dica: Em lactentes com fontanela aberta, a punção lombar pode ser realizada mesmo na presença de sinais de HIC, pois a fontanela aberta oferece um mecanismo de compensação e menor risco de herniação.

Análise do Líquor: Parâmetros e Interpretação

A análise do LCR é fundamental para diferenciar os tipos de meningite. Os principais parâmetros a serem avaliados são o aspecto, a celularidade (pleocitose), a concentração de proteínas (proteinorraquia) e a glicose (glicorraquia).

Interpretação da Glicorraquia

A glicorraquia normal corresponde a aproximadamente 2/3 da glicemia sérica do paciente, coletada simultaneamente. Valores médios variam entre 40-60 mg/dL, mas o cálculo da proporção é mais preciso para evitar erros de interpretação.

🧠 Lembre-se: O LCR é normalmente um "deserto" de células (até 4 células/mm³). O aumento do número de células é chamado de pleocitose, indicando um processo inflamatório ou infeccioso no espaço subaracnoide.

Quadro Comparativo do Líquor nas Meningites

Critério Bacteriana Viral Fúngica Tuberculosa
Aspecto Turvo, opalescente Límpido ou opalescente Límpido ou opalescente Opalescente
Celularidade > 500 células/mm³ (predomínio de neutrófilos) 100-500 células/mm³ (predomínio de linfócitos) Normal ou < 500 células/mm³ (predomínio de linfócitos) 100-1000 células/mm³ (neutrófilos e linfócitos)
Proteínas (Normal: 20-45 mg/dL) Elevada (> 200 mg/dL) Normal ou levemente aumentada Normal ou levemente aumentada Muito elevada (> 300 mg/dL)
Glicose (Normal: 2/3 da glicemia) ↓↓↓ (< 40 mg/dL ou LCR/sangue < 0,4) Normal Normal ou ↓↓ ↓↓↓↓↓↓ (< 40 mg/dL)
Lactato (Normal: < 19,6 mg/dL) ↑↑↑ Normal ou levemente aumentado Normal Levemente aumentado

Achados Específicos na Meningite Bacteriana

Para a meningite bacteriana, os achados clássicos no LCR são:

Exames Complementares do LCR

⚠️ Importante: Mesmo com Gram ou cultura negativos, o tratamento empírico não deve ser atrasado se a suspeita clínica for alta, devido à sensibilidade limitada desses exames.
🔎 Diagnóstico Complementar: Em casos de meningococcemia associada, a biópsia das lesões petequiais pode revelar o microrganismo, auxiliando na confirmação etiológica.

Diferenciação Rápida dos Tipos de Meningite

Para fixar os conceitos e auxiliar na diferenciação rápida para provas, observe os padrões clássicos:

🧠 Conceito: Em todas as formas de meningite, há hiperproteinorraquia (aumento das proteínas no LCR), sendo esse aumento muito importante na meningite tuberculosa.

Observações Adicionais sobre o LCR

Morfologia Bacteriana no Gram

A identificação da morfologia e coloração Gram é um passo crucial para o tratamento empírico direcionado, mesmo antes da cultura:

Morfologia no Gram Bactéria Comum
Diplococos Gram-positivos Streptococcus pneumoniae (Pneumococo)
Diplococos Gram-negativos Neisseria meningitidis (Meningococo)
Cocobacilos e bastões Gram-positivos Listeria monocytogenes
Pequenos cocobacilos pleomórficos Gram-negativos Haemophilus influenzae tipo B
Cocos ou cocobacilos Gram-positivos Streptococcus do grupo B (principalmente em neonatos)

Tratamento da Meningite

O tratamento inicial da meningite bacteriana é sempre empírico, baseado na faixa etária e nos fatores de risco do paciente, antes da identificação do agente etiológico. A escolha dos antibióticos visa cobrir os patógenos mais prováveis para cada grupo.

🧠 Lembre-se: Em caso de suspeita de Listeria monocytogenes, a Ampicilina é o antibiótico de escolha! Ela é fundamental em neonatos, idosos e imunocomprometidos. 💊

Antibioticoterapia Empírica por Faixa Etária

Esquemas Empíricos Detalhados (Baseado em Harrison)

Para uma abordagem mais aprofundada, o Harrison detalha esquemas empíricos considerando condições subjacentes específicas:

Condição/Faixa Etária Antibioticoterapia Empírica Observações
Adultos até 55 anos Cefotaxima, Ceftriaxone ou Cefepime + Vancomicina Cobertura para S. pneumoniae (incluindo cepas resistentes), N. meningitidis e H. influenzae.
Adultos > 55 anos, Alcoólatras, Debilitados, Transplantados, Gestantes, Pacientes com câncer Esquema acima + AMPICILINA ⚠️ Atenção: Adição de Ampicilina para cobrir Listeria monocytogenes.
Meningite nosocomial, Pós-TCE, Pós-neurocirurgia, Neutropênicos, Deficiência da imunidade celular CEFTAZIDIMA ou MEROPENEM + Vancomicina + AMPICILINA 🔎 Diagnóstico: Cobertura para bacilos Gram-negativos (incluindo Pseudomonas), Staphylococcus e Listeria.
Meningite pós-punção lombar CEFTAZIDIMA + OXACILINA Cobertura para Pseudomonas e Staphylococcus (incluindo S. aureus).
💡 Dica: A inclusão da Vancomicina nos esquemas empíricos é uma prática consolidada, especialmente devido à crescente resistência do Streptococcus pneumoniae às cefalosporinas de terceira geração. Protocolos brasileiros têm se alinhado às recomendações americanas nesse aspecto. 💊

Tratamento Direcionado por Cultura e Sensibilidade

Após a identificação do agente etiológico e seu perfil de sensibilidade, a antibioticoterapia pode ser ajustada. Abaixo, as recomendações para situações específicas:

Streptococcus pneumoniae (Pneumococo) Guiado por Cultura

Situações Específicas

Tratamento da Meningite com Etiologia Determinada

Uma vez que o agente etiológico é identificado, o tratamento pode ser otimizado. A tabela abaixo resume as recomendações, adaptadas de referências como Harrison e Cecil:

Agente Etiológico Antibiótico(s) Duração do Tratamento
Neisseria meningitidis Penicilina G Cristalina ou Ampicilina. Para cepas resistentes à Ampicilina: Ceftriaxone ou Cefotaxima. 7 dias
Haemophilus influenzae Ceftriaxone ou Cefotaxima 7-10 dias
Streptococcus pneumoniae
  • Sensível à Penicilina: Penicilina G Cristalina
  • Resistência Intermediária: Ceftriaxone ou Cefotaxima
  • Resistente à Penicilina: Vancomicina + Ceftriaxone ou Cefotaxima
14 dias
Staphylococcus spp. Oxacilina (para S. aureus sensível à meticilina - MSSA) ou Vancomicina (para S. aureus resistente à meticilina - MRSA). 21 dias
Bacilos Gram-negativos (outros) Ceftriaxone ou Cefotaxima 21 dias
Pseudomonas aeruginosa Ceftazidima ou Cefepime ou Meropenem 21 dias
Listeria monocytogenes Ampicilina (com ou sem Gentamicina) ou SMZ-TMP (Sulfametoxazol-Trimetoprima). 21 dias
Streptococcus agalactiae (GBS) Penicilina G ou Ampicilina 14-21 dias

💊 Rifampicina: Indicações para Adição ao Esquema Terapêutico

A Rifampicina pode ser adicionada ao tratamento em situações específicas, principalmente quando há preocupação com a eficácia da terapia inicial:

💊 Corticosteroides (Dexametasona) na Meningite

A administração de corticosteroides, especificamente a dexametasona, é uma medida adjuvante importante no tratamento da meningite bacteriana, visando reduzir a inflamação e prevenir sequelas neurológicas.

🚨 Alerta: Se a dexametasona for utilizada em meningite por Pneumococo com alta resistência à Penicilina (CIM > 2), a Rifampicina DEVE ser adicionada ao esquema. Isso ocorre porque os glicocorticoides podem diminuir a penetração da vancomicina no Sistema Nervoso Central (SNC). Uma alternativa seria a administração intraventricular de vancomicina. 💊

Na prática, diante de um paciente com suspeita de meningite, as duas condutas imediatas são a administração de corticosteroide e antibiótico, mesmo antes de conhecer o agente etiológico. Se posteriormente for confirmado Pneumococo ou Haemophilus, o corticoide é mantido pelo período recomendado.

😷 Isolamento e Quimioprofilaxia

Medidas de controle de infecção são cruciais para prevenir a disseminação da doença:

⚠️ Atenção: Em casos de dúvida diagnóstica entre meningite bacteriana aguda (MBA) e meningoencefalite herpética, o Aciclovir deve ser iniciado empiricamente junto com os antibióticos, até que os resultados dos exames complementares permitam a diferenciação. 💊

📈 Evolução e Prognóstico

A resposta ao tratamento é um indicador importante da evolução do paciente:

🧪 Reavaliação e Nova Punção Lombar

A reavaliação do líquor através de uma nova punção lombar é fundamental em cenários específicos para monitorar a resposta ao tratamento e guiar condutas adicionais:


Quimioprofilaxia

A quimioprofilaxia é uma medida crucial para prevenir a disseminação de certos tipos de meningite em contatos próximos do paciente, visando erradicar o agente etiológico da nasofaringe e reduzir o risco de infecção secundária.

Doença Meningocócica

Para Quem?

A profilaxia é indicada para indivíduos com risco elevado de contaminação, incluindo:

Como?

O esquema de tratamento profilático envolve:

Meningite por Haemophilus influenzae

Para Quem?

A quimioprofilaxia é recomendada para todos os contatos próximos do paciente, especialmente se houver no ambiente uma criança com menos de 5 anos de idade, não vacinada ou imunodeprimida, além do caso índice.

Como?

⚠️ Atenção: Se o tratamento inicial da meningite (seja por Haemophilus ou Meningococo) não incluiu um agente que erradique o patógeno da orofaringe (ex: uso de penicilina para meningococo em vez de ceftriaxona), é fundamental realizar a quimioprofilaxia para o próprio paciente após a alta hospitalar. Isso garante a erradicação do agente e previne a disseminação.

Medidas Adicionais Importantes


Diagnóstico Diferencial

Meningite Viral

🧠 Conceito Chave: A meningite viral é mais comum que a Meningite Bacteriana Aguda (MBA), apresentando geralmente um quadro menos grave e um melhor prognóstico.

Etiologia

Os principais agentes virais envolvidos na meningite viral incluem:

Agente Viral Características e Diagnóstico
Enterovírus 🧪 Diagnóstico: O agente etiológico específico é frequentemente identificado por PCR e cultura viral do LCR, complementados por sorologias virais.
HSV-2 Pode ocorrer após o primeiro episódio de herpes genital, representando cerca de 5% dos casos de meningite viral. É a principal causa de Meningite Viral Recorrente (Meningite de Mollaret). 🧪 Diagnóstico: Realizado pela PCR do DNA viral no LCR. 💡 Lembre-se: Embora a meningite herpética seja frequentemente associada ao HSV-2, a maior parte dos casos de encefalite herpética é causada por HSV-1.
VZV Pode manifestar-se concomitantemente a um quadro de varicela, mas em até 40% dos casos não há alterações cutâneas. 🧪 Diagnóstico: Por PCR ou detecção de anticorpos anti-VZV no LCR.
EBV Pode acompanhar ou não um episódio de mononucleose. 🔎 Sugestivo: A presença de linfócitos atípicos no LCR e linfocitose atípica no sangue periférico sugere esta etiologia. 🧪 Diagnóstico: O anticorpo IgM anti-VCA é indicativo. O EBV não é isolado em cultura de LCR, mas métodos de amplificação do DNA viral por PCR são eficazes para o diagnóstico.

Clínica

Os sintomas da meningite viral são semelhantes aos da MBA (cefaleia, febre, sinais meníngeos), porém geralmente com menor gravidade e um curso mais brando.

Diagnóstico

A análise do Líquido Cefalorraquidiano (LCR) é a principal ferramenta diagnóstica:

🔎 Dica Diagnóstica: Em adultos jovens e sexualmente ativos com quadro de meningite viral, é sempre prudente investigar a presença de HIV.

Tratamento

O tratamento da meningite viral é primariamente de suporte, e a internação hospitalar geralmente não é necessária, exceto em casos de maior gravidade ou complicações.

Meningoencefalite Herpética

🚨 Conceito Crítico: É uma forma grave de meningoencefalite, cujo quadro clínico se assemelha à Meningite Bacteriana Aguda, mas com a adição de sinais de envolvimento encefálico, o que a torna uma emergência médica.

Etiologia

Clínica

Apresenta sintomas iguais aos da MBA (febre, cefaleia, sinais meníngeos), mas com a adição de manifestações de disfunção cerebral:

Diagnóstico

Tratamento

🚨 Urgência: A meningoencefalite herpética possui uma alta letalidade (20-30% dos casos). O início tardio do tratamento aumenta significativamente o risco de sequelas neurológicas graves, como déficits cognitivos e alterações comportamentais. Na dúvida diagnóstica entre MBA e meningoencefalite herpética, a conduta é tratar empiricamente para ambas as condições até a definição etiológica.

Meningite Tuberculosa

🧠 Conceito Importante: A meningite tuberculosa é uma das formas mais graves da tuberculose, com alto potencial de morbimortalidade e risco de sequelas neurológicas permanentes. A vacinação com BCG reduz o risco, mas não impede completamente o desenvolvimento da doença. Em adultos, frequentemente se manifesta como uma forma pós-primária de TB.

Clínica

O quadro clínico geralmente é subagudo (sendo a principal causa de meningite subaguda), com evolução em três fases distintas, embora possa, ocasionalmente, manifestar-se de forma aguda, similar à MBA.

Complicações

A meningite tuberculosa pode levar a diversas complicações graves e permanentes, incluindo:

Diagnóstico

Tratamento

🚨 Conduta Urgente: Devido à alta probabilidade de sequelas graves, não é necessário aguardar a confirmação diagnóstica para iniciar o tratamento. Em caso de forte suspeita clínica, trate imediatamente!

Evolução e Prognóstico