Pneumonias Comunitária e Nosocomial
Conceitos Iniciais
As pneumonias são infecções agudas do parênquima pulmonar, classificadas de acordo com o ambiente de aquisição.
Definições
- Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC): Infecção pulmonar desenvolvida fora do ambiente hospitalar ou em até 48 horas após a admissão.
- Pneumonia Nosocomial (PN): Infecção pulmonar que se manifesta após 48 horas da admissão hospitalar, não estando presente ou em incubação no momento da internação.
- Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAVM): Um subtipo de pneumonia nosocomial que surge após 48 horas do início da ventilação mecânica invasiva.
🧠 Lembre-se: A diferenciação entre PAC, PN e PAVM é fundamental para guiar a investigação etiológica e a escolha da terapia antimicrobiana inicial.
Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC)
A PAC é uma das principais causas de morbidade e mortalidade infecciosa globalmente.
Patogenia
A maioria dos casos de PAC ocorre por meio da microaspiração de microrganismos da orofaringe para as vias aéreas inferiores. Outros mecanismos, menos frequentes, incluem:
- Inalação: Aspiração direta de aerossóis contendo patógenos.
- Disseminação Hematogênica: Propagação de microrganismos através da corrente sanguínea a partir de um foco infeccioso distante.
- Extensão Direta (Contiguidade): Disseminação da infecção a partir de estruturas adjacentes ao pulmão.
Diagnóstico
O diagnóstico da PAC baseia-se primariamente na avaliação clínica e na radiografia de tórax. A radiografia é recomendada para todos os pacientes, se possível, para confirmar o infiltrado pulmonar.
Investigação Etiológica
O tratamento da PAC é, na maioria das vezes, empírico, ou seja, iniciado antes da identificação do agente etiológico. A busca ativa pelo microrganismo causador não é rotineira para pacientes ambulatoriais.
⚠️ Atenção: A investigação etiológica é reservada para casos específicos, como pacientes internados, com quadros graves, refratários ao tratamento inicial ou admitidos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Nesses cenários, exames como hemocultura, cultura de escarro, pesquisa de antígenos urinários (para Streptococcus pneumoniae e Legionella) e testes moleculares podem ser úteis.
Quadro Clínico
Os sintomas da PAC são variados e podem incluir febre, tosse, dispneia, dor torácica pleurítica e crepitações à ausculta pulmonar. A apresentação pode ser classificada como típica ou atípica, embora haja sobreposição.
Apresentação Típica
Caracteriza-se por um início mais abrupto e sintomas marcantes:
- Sintomas: Febre alta com calafrios, tosse produtiva com expectoração purulenta, dor torácica.
- Exame Físico: Sopro tubário, aumento do frêmito tóraco-vocal (FTV), pectorilóquia e broncofonia.
- Agentes Etiológicos: Geralmente associada a agentes bacterianos "típicos" (ex: Streptococcus pneumoniae), embora Legionella, um atípico, também possa causar este padrão.
- Padrão Radiológico: Frequentemente manifesta-se como pneumonia lobar ou broncopneumonia.
Apresentação Atípica
Apresenta um curso mais insidioso e sintomas menos específicos, muitas vezes mimetizando um quadro gripal:
- Sintomas: Febre não tão alta, tosse seca ou com pouca expectoração, mialgia, cefaleia.
- Exame Físico: Ausculta pulmonar pode ser pobre em achados.
- Agentes Etiológicos: Geralmente causada por agentes "atípicos" (ex: Mycoplasma pneumoniae, Chlamydophila pneumoniae, vírus), com exceção da Legionella.
- Padrão Radiológico: Predominantemente intersticial, mas também pode apresentar broncopneumonia.
💡 Dica: Em pacientes idosos ou imunodeprimidos, a apresentação clínica pode ser ainda menos específica, com sintomas como desorientação, prostração e taquidispneia, sem os sinais clássicos de febre ou tosse produtiva. Fique atento a essas manifestações sutis!
Radiografia
A radiografia de tórax é essencial para confirmar o diagnóstico de pneumonia e identificar padrões que podem sugerir a etiologia.
Padrões Radiológicos Comuns
Os principais padrões observados são pneumonia lobar, broncopneumonia e padrão intersticial. Embora haja associações, é importante lembrar que um agente pode causar diferentes padrões.
| Padrão Radiológico |
Características |
Agentes Típicos Associados |
Prevalência na PAC |
| Pneumonia Lobar |
Consolidação homogênea de um lobo ou segmento pulmonar, com broncogramas aéreos. |
Streptococcus pneumoniae (principal causa) |
Menos comum que broncopneumonia para típicos. |
| Broncopneumonia |
Infiltrados multifocais, irregulares, peribrônquicos, com acometimento de múltiplos lobos. |
Streptococcus pneumoniae (principal tipo das pneumonias pneumocócicas e em geral), Haemophilus influenzae, Staphylococcus aureus. |
Mais prevalente para agentes típicos. |
| Padrão Intersticial |
Infiltrados reticulares ou reticulonodulares difusos, espessamento de septos interlobulares. |
Mycoplasma pneumoniae, Chlamydophila pneumoniae, Vírus, Legionella. |
Mais prevalente para agentes atípicos. |
🔎 Diagnóstico:
- A broncopneumonia é o padrão radiológico mais comum nas pneumonias em geral e nas pneumonias pneumocócicas.
- A pneumonia lobar é classicamente associada ao Streptococcus pneumoniae.
- O padrão intersticial é altamente sugestivo de agentes atípicos, especialmente quando a ausculta pulmonar é pobre.
É importante notar que 18% das PACs podem ser de etiologia viral e 10-15% podem ser polimicrobianas, frequentemente envolvendo a combinação de um agente típico e um atípico.
Agentes Etiológicos
A identificação dos agentes etiológicos é crucial para a escolha do tratamento. Eles são classificados em típicos e atípicos com base em suas características microbiológicas e resposta aos antimicrobianos.
Agentes Típicos
São bactérias que geralmente respondem bem a antibióticos beta-lactâmicos e coram facilmente pelo método de Gram.
- Resposta a Beta-Lactâmicos: Sensíveis a penicilinas, cefalosporinas, etc.
- Coloração pelo Gram: Visíveis e bem corados no Gram.
🧠 Conceito: O Streptococcus pneumoniae (pneumococo) é o agente bacteriano mais comum da PAC em todas as faixas etárias, exceto em neonatos (onde predominam estreptococos do grupo B). Ele é o protótipo dos agentes típicos.
Agentes Atípicos
São microrganismos que não coram bem pelo Gram e não respondem adequadamente aos beta-lactâmicos, exigindo outras classes de antibióticos.
- Resposta a Beta-Lactâmicos: Não respondem ou respondem mal.
- Coloração pelo Gram: Não coram bem pelo Gram.
- Tratamento: Respondem a macrolídeos (azitromicina, claritromicina) e quinolonas respiratórias (levofloxacina, moxifloxacina, gemifloxacina).
Principais Agentes Etiológicos da PAC
A prevalência dos agentes pode variar, mas os mais frequentemente encontrados são:
- 1º Lugar: Streptococcus pneumoniae (típico)
- 2º Lugar: Mycoplasma pneumoniae (atípico)
- Chlamydophila pneumoniae (atípico)
- Vírus (atípico)
Em casos de PAC grave, outros agentes devem ser considerados:
- Klebsiella pneumoniae (típico)
- Legionella pneumophila (atípico)
- Haemophilus influenzae (típico)
- Staphylococcus aureus (típico)
Detalhes sobre Agentes Típicos
Streptococcus pneumoniae (Pneumococo)
- Microbiologia: Diplococo Gram-positivo.
- Epidemiologia: Agente mais comum da PAC em todas as idades (exceto neonatos). Também é a principal causa de pneumonia pós-influenza.
- Quadro Clínico:
- Frequentemente associado a expectoração ferruginosa.
- Principal causa de pneumonia lobar, mas pode cursar com qualquer padrão radiológico.
- Pode causar pneumonia redonda (pseudotumoral) e derrame pleural.
- O sorotipo 3 pode levar a pneumonia necrosante ou abscesso.
- Diagnóstico: Pode ser detectado por antígeno urinário.
- Mecanismo de Resistência: Principalmente por alteração da afinidade das Proteínas Ligadoras de Penicilina (PBP).
- Fases Evolutivas: (1) Congestão; (2) Hepatização vermelha; (3) Hepatização cinzenta; (4) Resolução ou organização.
- 💊 Tratamento:
- Primeira linha: Macrolídeos (azitromicina, claritromicina), Doxiciclina ou Amoxicilina (no Brasil).
- Em caso de resistência ou falha: Amoxicilina em dose dobrada, Cefalosporinas de 2ª (cefuroxima) ou 3ª geração (ceftriaxona), ou Quinolonas respiratórias (levofloxacina, moxifloxacina, gemifloxacina).
Haemophilus influenzae
- Microbiologia: Cocobacilo Gram-negativo.
- Epidemiologia: Comum em idosos e pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), superando o pneumococo como agente principal em pacientes com DPOC.
- 💊 Tratamento: Amoxicilina-clavulanato, Cefalosporinas de 2ª ou 3ª geração, ou Quinolonas respiratórias.
Klebsiella pneumoniae
- Microbiologia: Bacilo Gram-negativo.
- Quadro Clínico:
- Causa quadros graves de pneumonia.
- Associada a pneumonia necrosante ou abscesso.
- Conhecida como pneumonia do "lobo pesado" devido ao grande volume de exsudato inflamatório.
- Fatores de Risco: Principalmente etilistas e diabéticos.
- 💊 Tratamento: Cefalosporinas de 3ª geração ou Quinolonas respiratórias.
Staphylococcus aureus
- Microbiologia: Coco Gram-positivo em cachos.
- Quadro Clínico:
- Frequentemente associado a derrame pleural.
- Pode causar pneumonia necrosante, abscesso e pneumatoceles (cistos aéreos que geralmente regridem espontaneamente com o tratamento da pneumonia e não devem ser puncionados devido ao risco de piopneumotórax).
- É a segunda causa mais comum de pneumonia pós-influenza.
- Fatores de Risco: Também associado a fibrose cística, bronquiectasias e uso de drogas intravenosas.
- 💊 Tratamento:
- Sensível à meticilina (MSSA): Oxacilina.
- Resistente à meticilina (MRSA): Vancomicina ou Linezolida.
Detalhes sobre Agentes Atípicos
Os agentes atípicos são responsáveis por quadros clínicos que podem ser mais arrastados e com manifestações extrapulmonares.
Mycoplasma pneumoniae
O Mycoplasma pneumoniae é um agente comum, especialmente em faixas etárias mais jovens, e frequentemente associado a uma síndrome gripal prolongada.
🧠 Mnemônico: "Mike plasma mordeu a orelha (miringite bolhosa) do hollyFRIOd (AHAI IgM)".
- Faixa Etária Típica: Mais comum entre 5 e 20 anos.
- Quadro Clínico: Geralmente uma “gripão” arrastado, com tosse persistente e febre baixa.
- Manifestações Extrapulmonares:
- Miringite Bolhosa: Inflamação do tímpano com formação de bolhas, uma pista diagnóstica importante.
- Fenômeno de Raynaud: Espasmo dos vasos sanguíneos, geralmente nos dedos das mãos e pés, em resposta ao frio ou estresse.
- Anemia Hemolítica Autoimune (AHAI) por IgM: Caracterizada pela presença de crioaglutininas (anticorpos que reagem a baixas temperaturas).
- Derrame Pleural: Pode ocorrer em 5-20% dos casos.
- Complicações Graves: Síndrome de Stevens-Johnson, Síndrome de Guillain-Barré.
- Outras: Miocardite, pericardite, ataxia cerebelar, mielite transversa transversa, neuropatias periféricas, poliartrite.
- Diagnóstico: O teste de fixação do complemento é o exame de escolha. ELISA e Imunofluorescência Indireta (IFI) também são opções.
- 💊 Tratamento: Macrolídeos (azitromicina, claritromicina), Doxiciclina ou Quinolonas respiratórias (levofloxacino, moxifloxacino).
Legionella pneumophila
A Legionella pneumophila é um bacilo Gram-negativo associado a ambientes aquáticos e sistemas de ar-condicionado, causando quadros mais graves.
🧠 Mnemônico: "Legião de sintomas estranhos" – refere-se à variedade de manifestações atípicas.
- Características: Cocobacilo Gram-negativo.
- Fonte de Infecção: Sistemas de ar-condicionado, encanamentos, torres de resfriamento.
- Quadro Clínico: Típico de pneumonia grave, podendo cursar com:
- Hiponatremia por SIADH: Síndrome de Secreção Inapropriada de Hormônio Antidiurético.
- Sinal de Faget: Bradicardia relativa à febre (pulso lento apesar da febre alta).
- Manifestações Gastrointestinais: Diarreia, dor abdominal, elevação de TGO/TGP.
- 🔎 Diagnóstico:
- Teste do Antígeno Urinário (TAU): Método rápido e sensível para detecção do sorogrupo 1 da Legionella.
- Anticorpo Fluorescente Direto (AFD): Em amostras de escarro.
- Cultura de Escarro: Em meio próprio (meio BCYE).
- Sorologia: Pode ser utilizada, mas com menor utilidade na fase aguda.
- 💊 Tratamento: Macrolídeos ou Quinolonas respiratórias.
Chlamydia pneumoniae
A Chlamydia pneumoniae é uma bactéria intracelular Gram-negativa que causa uma pneumonia geralmente mais leve, frequentemente acompanhada de sintomas de vias aéreas superiores.
- Características: Bactéria intracelular Gram-negativa.
- Quadro Clínico: Pneumonia leve com febre, tosse, dispneia, e sintomas de vias aéreas superiores (faringite, laringite, sinusite).
- 💊 Tratamento: Macrolídeos.
💡 Dica: A Chlamydia psittaci deve ser considerada em casos de pneumonia com história de contato com pássaros (psitacose).
| Agente Atípico |
Características Chave |
Manifestações Extrapulmonares |
Tratamento de Escolha |
| Mycoplasma pneumoniae |
5-20 anos, "gripão" arrastado |
Miringite bolhosa, AHAI (IgM), Raynaud, SJS, GBS |
Macrolídeos, Doxiciclina, Quinolonas |
| Legionella pneumophila |
Cocobacilo G-, ar-condicionado, grave |
Hiponatremia (SIADH), Sinal de Faget, TGI |
Macrolídeos, Quinolonas |
| Chlamydia pneumoniae |
Intracelular G-, PNM leve, VAS |
Faringite, laringite, sinusite |
Macrolídeos |
Vírus Influenza
O vírus Influenza é um agente viral comum de pneumonia, especialmente durante as estações de surto, e pode levar a quadros graves.
- Quadro Clínico: Febre, tosse seca, fadiga e mialgias ("algias").
- Evolução: Pode progredir para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
- 🔎 Diagnóstico: Swab nasofaríngeo com PCR (Reação em Cadeia da Polimerase).
- 💊 Tratamento: Oseltamivir, preferencialmente nas primeiras 48 horas do início dos sintomas, indicado para casos de SRAG ou pacientes de alto risco.
🚨 SRAG: Definida como síndrome gripal (febre, tosse, fadiga, algias) acompanhada de dispneia, saturação de O₂ < 95%, aumento da frequência respiratória ou desconforto respiratório, hipotensão arterial ou piora de doença de base.
⚠️ Fatores de Risco para SRAG:
- Idade < 2-5 anos ou > 60-65 anos.
- Imunodeprimidos.
- Comorbidades (doenças cardíacas, pulmonares crônicas, diabetes, etc.).
- Populações indígenas.
- IMC > 40 (obesidade mórbida).
- Gestantes e puérperas.
Moraxella catarrhalis
A Moraxella catarrhalis é um diplococo Gram-negativo frequentemente associado a pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
- Características: Diplococo Gram-negativo.
- Paciente Clássico: Indivíduos com DPOC.
- Fator de Risco: Uso de corticoides por mais de 3 meses aumenta a chance de infecção.
- Quadro Clínico e Tratamento: Semelhante ao de Haemophilus influenzae.
Streptococcus pyogenes
O S. pyogenes é uma causa incomum de pneumonia, mas quando ocorre, possui características distintivas.
- Características: Coco Gram-positivo.
- Incidência: Causa incomum de pneumonia (aproximadamente 1%), mais frequente em crianças e adolescentes.
- Pista Diagnóstica: Início do quadro com faringoamigdalite purulenta.
- Complicação: Alta incidência de derrame parapneumônico (55-95%).
- 💊 Tratamento: Penicilina G cristalina.
Pseudomonas aeruginosa
A Pseudomonas aeruginosa é um bacilo Gram-negativo associado a pneumonias graves, especialmente em pacientes com condições predisponentes.
🚨 Associações: Pneumonia grave em pacientes com fibrose cística, bronquiectasias ou imunossupressão.
- Sensibilidade Antimicrobiana:
- Ceftazidime
- Cefepime
- Piperacilina-tazobactam (Pipe-Tazo)
- Ticarcilina
- Moxifloxacino
- Levofloxacino
- Amicacina
- Carbapenêmicos (Imipenem, Meropenem)
- ⚠️ Atenção: Cepas resistentes a múltiplos antibióticos, sensíveis apenas a polimixinas (como a polimixina B), são uma preocupação crescente.
Anaeróbios
As pneumonias por anaeróbios são tipicamente polimicrobianas e resultam da aspiração de conteúdo orofaríngeo.
- Natureza: Infecção polimicrobiana, envolvendo anaeróbios (Peptostreptococcus, Prevotella, Fusobacterium) e aeróbios.
- Evolução: Geralmente lenta.
🧠 Pneumonite Química vs. Pneumonia por Aspiração:
A aspiração de conteúdo gástrico ou orofaríngeo pode inicialmente causar uma pneumonite química, uma inflamação pulmonar não infecciosa. Nesses casos, o tratamento com antibióticos (ATB) não é indicado nas primeiras horas. Deve-se aguardar a evolução para pneumonia (com sinais de infecção) para iniciar o ATB. A pneumonia por anaeróbios é frequentemente necrosante.
🔎 Localização Típica do Abscesso Pulmonar por Aspiração:
Devido à anatomia do brônquio-fonte direito ser menos angulada, o conteúdo aspirado tende a ir para o pulmão direito.
- Aspiração com Cabeceira Elevada: O conteúdo se deposita na parte superior do lobo inferior direito (segmento 6).
- Aspiração em Posição 0º (supina): O conteúdo tende a ir para a parte superior e posterior do ápice (segmentos 1 e 2).
As localizações são semelhantes às da tuberculose pulmonar.
🚨 Importante: Pneumonia com abscesso no lado esquerdo e evolução aguda deve levantar a suspeita de Staphylococcus aureus, especialmente em usuários de drogas intravenosas. Embora anaeróbios possam causar abscessos à esquerda, o lado direito é o mais comum.
- Fatores de Risco para Macroaspiração:
- Dentes em mau estado de conservação (fonte de anaeróbios).
- Demência.
- Acalasia.
- Doenças com retardo do desenvolvimento neuropsicomotor.
- 💊 Tratamento: Amoxicilina-clavulanato ou Clindamicina, geralmente por mais de 3 semanas.
Quando Investigar o Agente Etiológico?
💡 Indicações para Investigação Detalhada:
- Pacientes com pneumonia refratária ao tratamento empírico inicial.
- Pacientes internados, especialmente aqueles com quadros graves.
Métodos Diagnósticos Específicos
Escarro
A análise do escarro é um exame valioso para pacientes com pneumonia comunitária que necessitam de internação hospitalar.
- Indicação: Deve ser solicitado para todos os pacientes com pneumonia comunitária e indicação de internação.
- Critério de Confiabilidade: Uma amostra de via aérea inferior é considerada confiável se apresentar > 25 neutrófilos polimorfonucleares e < 10 células epiteliais por campo de grande aumento.
- Exames Solicitados: Sempre pedir coloração de Gram e cultura.
Hemoculturas
Apesar de sua importância em infecções sistêmicas, as hemoculturas possuem baixa taxa de positividade na pneumonia.
- Taxa de Positividade: Baixa (5-14%).
- Recomendação (Harrison): Não são recomendadas de rotina para todos os pacientes internados, sendo reservadas para:
- Pacientes neutropênicos.
- Asplênicos.
- Com deficiência de complemento.
- Doença renal crônica (DRC).
- Casos de pneumonia comunitária grave.
USG de Tórax e TC de Tórax
Exames de imagem são cruciais para o diagnóstico e detecção de complicações.
🧪 Comparativo de Imagem:
- USG de Tórax: Possui sensibilidade e especificidade maiores que a radiografia de tórax (RX).
- TC de Tórax: É mais sensível que a ultrassonografia.
Na impossibilidade de exames de imagem, o tratamento empírico pode ser iniciado com base na clínica. Exames de imagem são fundamentais para identificar complicações.
Teste do Antígeno Urinário Pneumocócico
Um teste rápido e útil para a detecção de Streptococcus pneumoniae.
- Sensibilidade: 50-80%.
- Especificidade: 90%.
Teste do Antígeno Urinário da Legionella
Especialmente útil para o diagnóstico de infecções por Legionella.
- Sensibilidade: 70-90%.
- Especificidade: 99%.
- Características: Pode positivar de 1 a 3 dias após o início da doença clínica e permanece positivo mesmo na vigência de antibióticos e por semanas após a infecção.
- Recomendação: Indicado em casos de pneumonia comunitária grave e/ou refratária.
PCR de Material Coletado por Swab Nasofaríngeo
Método molecular com ampla aplicação.
- Uso Principal: Diagnóstico de infecções virais.
- Outras Aplicações: Pode ser empregado para detectar infecções por Legionella, Mycoplasma, Chlamydia e micobactérias.
Sorologia
A sorologia tem utilidade limitada na prática clínica aguda.
⚠️ Atenção: A sorologia é pouco útil na prática para o diagnóstico agudo de pneumonia.
Procalcitonina (PCT) e Proteína C Reativa (PCR)
Esses marcadores inflamatórios são importantes para o prognóstico e manejo da pneumonia.
🩸 Marcadores Inflamatórios e Prognóstico:
- Elevação: Aumentam principalmente em infecções bacterianas.
- PCR: Pode indicar falência de tratamento ou piora da pneumonia.
- PCT: Ajuda a diferenciar infecções bacterianas de virais, determinar a necessidade de antibióticos e auxiliar na decisão de suspendê-los.
Broncofibroscopia
Procedimento invasivo com indicações específicas.
- Indicações:
- Pneumonia não responsiva aos antibióticos.
- Pacientes imunodeprimidos.
- Indicação Relativa: Em casos de pneumonia comunitária grave com indicação de UTI.
- Análise do Material: O lavado broncoalveolar (LBA) deve ser enviado para cultura bacteriana, bacterioscopia pelo Gram, pesquisa de BAAR (bacilos álcool-ácido resistentes), cultura para BK (Mycobacterium tuberculosis) e fungos, entre outros.
Painel Viral
Exame importante em contextos específicos.
- Indicações: Durante a temporada de circulação viral e em casos graves de pneumonia.
Abordagem da PAC
1° Passo: Onde Tratar o Paciente?
Critérios para Decisão de Internação
A decisão sobre o local de tratamento para pacientes com pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é crucial e deve ser guiada por ferramentas de estratificação de risco, sempre complementadas pelo julgamento clínico. As principais ferramentas incluem o escore CURB-65, o escore PSI/PORT e as diretrizes da ATS/IDSA.
Escore CURB-65
O CURB-65 é um escore britânico amplamente utilizado para avaliar a gravidade da PAC e auxiliar na decisão de internação. Cada critério positivo adiciona um ponto:
- Confusão mental (desorientação no tempo, espaço ou pessoa).
- Ureia sérica > 43 mg/dL (ou > 50 mg/dL, conforme alguns consensos brasileiros).
- Referência de frequência respiratória (FR) ≥ 30 incursões por minuto.
- Baixa pressão arterial (Pressão Arterial Sistólica < 90 mmHg ou Pressão Arterial Diastólica < 60 mmHg).
- 65 anos ou mais de idade.
A interpretação do escore CURB-65 orienta o manejo:
- 0-1 ponto: Tratamento ambulatorial.
- 2 pontos: Considerar internação hospitalar em enfermaria.
- ≥ 3 pontos: Internação hospitalar, com avaliação para unidade de terapia intensiva (UTI).
💡 Dica de Prova: Embora o CURB-65 seja o mais validado, para avaliação à beira-leito na atenção primária, pode-se utilizar o CRB-65 (sem a ureia). Neste, 1 ponto já sugere internação e ≥ 3 pontos a recomenda fortemente. Contudo, o CURB-65 completo é preferível sempre que possível.
⚠️ Atenção: O julgamento clínico é sempre soberano. Um paciente com CURB-65 de 1 ponto, mas com vômitos incoercíveis, vulnerabilidade social ou incapacidade de manter a hidratação oral, deve ser internado.
Escore PSI/PORT (Pneumonia Severity Index)
O Escore PSI, também conhecido como PORT (Pneumonia Outcomes Research Team), é uma ferramenta mais complexa e detalhada que o CURB-65, utilizada para estratificar o risco de mortalidade em 30 dias e auxiliar na decisão do local de tratamento. Ele considera fatores demográficos, comorbidades, achados do exame físico, laboratoriais e radiológicos.
| Fatores Demográficos |
Escore |
Achados Laboratoriais e Radiológicos |
Escore |
| Idade (anos) - Homens |
n |
pH < 7,35 |
+30 |
| Idade (anos) - Mulheres |
n-10 |
Ureia > 65 mg/dL |
+20 |
| Procedência de asilos |
+10 |
Sódio < 130 mEq/L |
+20 |
| Comorbidades |
Glicose > 250 mg/dL |
+10 |
| Neoplasia |
+30 |
Hematócrito < 30% |
+10 |
| Doença hepática |
+20 |
PaO₂ < 60 mmHg |
+10 |
| Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC) |
+10 |
Derrame pleural |
+10 |
| Doença cerebrovascular |
+10 |
Exame Físico |
| Doença renal |
+10 |
Alteração do estado mental |
+20 |
|
Frequência Respiratória (FR) ≥ 30 ciclos/min |
+20 |
|
Pressão Arterial Sistólica (PAS) < 90 mmHg |
+20 |
|
Temperatura < 35°C ou > 40°C |
+15 |
|
Frequência Cardíaca (FC) ≥ 125 bpm |
+10 |
Após o cálculo do escore total, o paciente é classificado em uma das cinco classes de risco, que orientam o local de tratamento:
| Classe de Risco |
Pontuação Total |
Mortalidade em 30 dias (%) |
Local Sugerido de Tratamento |
| I |
- |
0,1 |
Ambulatório |
| II |
≤ 70 |
0,6 |
Ambulatório |
| III |
71-90 |
2,8 |
Ambulatório ou internação breve |
| IV |
91-130 |
8,2 |
Internação em enfermaria |
| V |
> 130 |
29,2 |
Internação em UTI |
🧠 Conceito: O PSI/PORT é mais preciso que o CURB-65 para estratificação de risco, mas sua complexidade o torna menos prático para uso rápido à beira-leito. É mais útil para decisões em pacientes com menor risco inicial.
Decisão: Enfermaria ou Unidade de Terapia Intensiva (UTI)?
A necessidade de internação em UTI para pacientes com PAC é determinada pela presença de critérios de gravidade, que podem ser divididos em maiores e menores. A presença de um critério maior ou de três ou mais critérios menores indica a necessidade de tratamento em UTI.
Critérios Maiores para Internação em UTI
- 🚨 Choque séptico com necessidade de vasopressores.
- 🚨 Insuficiência respiratória necessitando de ventilação mecânica invasiva.
Critérios Menores para Internação em UTI
- Frequência respiratória ≥ 30 ipm.
- PaO₂/FiO₂ < 250.
- Infiltrados pulmonares multilobares.
- Confusão mental/desorientação.
- Ureia ≥ 50 mg/dL.
- Leucopenia (< 4.000 células/mm³).
- Trombocitopenia (< 100.000 células/mm³).
- Hipotermia (temperatura central < 36°C).
- Hipotensão necessitando de reposição volêmica agressiva.
💡 Dica: Note que alguns critérios menores são os mesmos do CURB-65. Se um paciente tiver 3 ou mais pontos no CURB-65, ele já preenche um critério para UTI (3 menores).
2º Passo: Como Tratar a Pneumonia?
Esquemas Terapêuticos Empíricos para PAC
A escolha do regime antimicrobiano empírico depende do local de tratamento (ambulatorial, enfermaria ou UTI) e da presença de fatores de risco para patógenos específicos ou resistência a antibióticos.
Tratamento Ambulatorial
Para pacientes tratados em regime ambulatorial, a abordagem difere se há comorbidades ou fatores de risco.
Paciente Previamente Hígido e Sem Fatores de Risco para Pneumococo Resistente
Nesses casos, os principais patógenos a serem considerados são Streptococcus pneumoniae (pneumococo), Mycoplasma pneumoniae e Haemophilus influenzae.
- 💊 Opção 1 (Beta-lactâmico): Amoxicilina (com ou sem Clavulanato).
- 💊 Opção 2 (Macrolídeo): Azitromicina ou Claritromicina.
- 💊 Opção 3 (Alternativa): Doxiciclina (embora menos citada em consensos brasileiros).
Paciente com Comorbidades, Uso Recente de Antibióticos (últimos 3 meses) ou Fatores de Risco para Pneumococo Resistente
Aqui, a cobertura deve ser mais ampla, visando os mesmos patógenos, mas com maior atenção à resistência.
- 💊 Opção 1 (Combinação): Beta-lactâmico (Amoxicilina com ou sem Clavulanato) + Macrolídeo (Azitromicina ou Claritromicina).
- 💊 Opção 2 (Monoterapia para alérgicos): Quinolona respiratória (Moxifloxacino, Gemifloxacino ou Levofloxacino).
⚠️ Atenção: As quinolonas respiratórias, embora eficazes, possuem riscos importantes como tendinite, neuropatia, alterações psíquicas e risco de aneurisma de aorta. Seu uso deve ser ponderado.
Tratamento Hospitalar em Enfermaria
Para pacientes internados em enfermaria, a cobertura empírica deve ser mais robusta, visando os patógenos comuns (pneumococo, Mycoplasma, Haemophilus) e outros potenciais.
- 💊 Opção 1 (Combinação): Beta-lactâmico (Cefalosporina de 3ª geração como Cefotaxima ou Ceftriaxona, ou Ampicilina-sulbactam) + Macrolídeo (Azitromicina ou Claritromicina).
- 💊 Opção 2 (Monoterapia): Quinolona respiratória (Levofloxacino ou Moxifloxacino).
Tratamento Hospitalar em UTI
Em pacientes críticos na UTI, a cobertura deve ser a mais ampla possível, incluindo pneumococo, bacilos Gram-negativos entéricos, Legionella e Staphylococcus aureus.
- 💊 Esquema Padrão: Beta-lactâmico (Cefalosporina de 3ª geração como Cefotaxima ou Ceftriaxona, ou Ampicilina-sulbactam) + Macrolídeo (Azitromicina ou Claritromicina) OU Beta-lactâmico + Quinolona respiratória (Levofloxacino ou Moxifloxacino).
- 💊 Se suspeita de MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina): Adicionar Vancomicina ou Linezolida. Fatores de risco incluem uso prévio de antibióticos, usuários de cateteres, doença renal crônica (DRC), endocardite, entre outros.
- 💊 Se suspeita de Pseudomonas aeruginosa: Trocar o beta-lactâmico por um agente anti-pseudomonas (Piperacilina-Tazobactam, Cefepime ou Imipenem) + Levofloxacino ou Ciprofloxacino. Fatores de risco incluem fibrose cística, bronquiectasias, imunossupressão.
Uso de Corticosteroides
O uso de corticosteroides em PAC é considerado em quadros mais graves e com maior resposta inflamatória sistêmica, como aqueles que necessitam de ventilação mecânica ou apresentam dessaturação significativa. A decisão pode ser guiada por marcadores inflamatórios, como a Proteína C Reativa (PCR) > 150 mg/L.
💊 Indicação: Corticoides são reservados para pacientes com PAC grave, especialmente aqueles com choque séptico ou insuficiência respiratória grave.
Controle e Monitoramento
O controle da resposta ao tratamento é primariamente clínico.
- Controle Clínico: Reavaliação em 48-72 horas para observar melhora dos sintomas e sinais vitais.
- Controle Radiológico: Não há um protocolo rígido para a repetição de exames de imagem. A resolução radiológica é frequentemente mais lenta que a clínica e não deve ser o único critério para alta ou suspensão de antibióticos. No entanto, a radiografia de tórax deve ser repetida em 4 a 8 semanas após o início dos sintomas em casos específicos:
- Fumantes com idade superior a 50 anos.
- Persistência de sintomas.
- Achados anormais no exame físico.
- 🔎 Investigação Adicional: Se os achados radiológicos persistirem após esse período, uma tomografia computadorizada (TC) de tórax deve ser considerada para investigar outras causas ou complicações.
Tempo de Tratamento Antibiótico
A duração do tratamento antibiótico varia conforme o agente etiológico e a gravidade da pneumonia.
- Critério Geral de Suspensão: O paciente deve estar afebril por, no mínimo, 72 horas (3 dias) antes da suspensão do antibiótico.
- Pneumonia por Mycoplasma ou Chlamydia: Tratamento por 2 semanas.
- PAC Grave ou Causada por S. aureus, Klebsiella ou Anaeróbios: Tratamento por 3 semanas ou mais.
High Yield Notes - Pontos Chave para PAC
Agentes Etiológicos Comuns e Suas Particularidades
| Agente |
Características/Dicas |
Tratamento Sugerido (se específico) |
| 🦠 Pneumococo (Streptococcus pneumoniae) |
Mais comum. |
Beta-lactâmicos (Amoxicilina, Cefalosporinas). |
| 🦠 Mycoplasma pneumoniae |
Miringite bolhosa, anemia hemolítica (IgM). |
Macrolídeos (Azitromicina, Claritromicina). |
| 🦠 Chlamydia pneumoniae |
Pneumonia atípica. |
Macrolídeos, Doxiciclina. |
| 🦠 Legionella pneumophila |
Hiponatremia, diarreia, alteração hepática (↑ transaminases), bradicardia relativa. |
Macrolídeos (Azitromicina) ou Quinolonas respiratórias. |
| 🦠 Anaeróbios |
Associados à microaspiração (ex: alcoolismo, disfagia). |
Clindamicina ou Amoxicilina-Clavulanato. |
| 🦠 Vírus |
Influenza, RSV, Adenovírus, etc. |
Antivirais específicos (se disponíveis), suporte. |
Critérios de Internação para PAC
Escore CURB-65 (≥ 2 pontos = internação, ≥ 3 pontos = UTI)
- C: Confusão mental
- U: Ureia > 50 mg/dL (ou > 43 mg/dL)
- R: Frequência Respiratória ≥ 30 ipm
- B: Pressão Arterial Sistólica ≤ 90 mmHg ou Diastólica ≤ 60 mmHg
- 65: Idade ≥ 65 anos
💡 Lembre-se: O CRB-65 (sem ureia) pode ser usado na atenção primária, com ≥ 1 ponto indicando internação e ≥ 3 pontos recomendando-a.
Critérios para Internação em UTI (1 Maior OU 3 Menores)
Critérios Maiores:
- 🚨 Choque séptico com necessidade de vasopressores.
- 🚨 Ventilação mecânica invasiva.
Critérios Menores:
- Confusão mental.
- Ureia ≥ 50 mg/dL.
- Frequência respiratória ≥ 30 ipm.
- Hipotensão (PAS < 90 mmHg ou PAD < 60 mmHg).
- PaO₂/FiO₂ < 250.
- Infiltrados multilobares.
- Leucopenia (< 4.000 células/mm³).
- Trombocitopenia (< 100.000 células/mm³).
- Hipotermia (< 36°C).
Esquemas Terapêuticos Resumidos para PAC
| Cenário Clínico |
Patógenos Comuns |
Tratamento Empírico Sugerido |
| Ambulatorial: Paciente Hígido |
Pneumococo, Mycoplasma |
💊 Amoxicilina OU Macrolídeo |
| Ambulatorial: Comorbidades/FR |
Pneumococo, Mycoplasma, H. influenzae |
💊 Beta-lactâmico + Macrolídeo OU Quinolona Respiratória |
| Internação em Enfermaria |
Pneumococo, Mycoplasma, H. influenzae |
💊 Beta-lactâmico (Cefalosporina 3ª Geração) + Macrolídeo OU Quinolona Respiratória |
| Internação em UTI (Grave) |
Pneumococo, Gram-negativos, Legionella, S. aureus |
💊 Beta-lactâmico (Cefalosporina 3ª Geração) + Macrolídeo OU Quinolona Respiratória |
| UTI com suspeita de MRSA |
(Adicionar cobertura) |
💊 Esquema UTI + Vancomicina OU Linezolida |
| UTI com suspeita de Pseudomonas |
(Trocar beta-lactâmico) |
💊 Piperacilina-Tazobactam/Cefepime/Imipenem + Levofloxacino/Ciprofloxacino |
Pneumonia Nosocomial e Associada à Ventilação Mecânica
Visão Geral
| Aspecto |
Pneumonia Hospitalar (PH) / Nosocomial |
Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAVM) |
| Definição Temporal |
≥ 48h após admissão hospitalar |
≥ 48h após Intubação Orotraqueal (IOT) e Ventilação Mecânica (VM) |
| Diagnóstico (Clínica + Imagem) |
| Critérios |
Infiltrado pulmonar (novo ou progressivo/piorando)
+ ≥ 2 dos seguintes sinais de infecção:
- Febre (> 38°C) ou Hipotermia (< 36°C)
- Leucocitose (> 12.000/mm³) ou Leucopenia (< 4.000/mm³)
- Secreção traqueal purulenta (nova ou com piora)
- Piora da oxigenação (aumento da necessidade de O2)
|
| Agentes Etiológicos Comuns (Sempre Pesquisar!) |
| Gram-negativos |
- Pseudomonas aeruginosa
- Klebsiella pneumoniae
- Acinetobacter baumannii
- Outros bacilos Gram-negativos entéricos
|
| Gram-positivos |
- Staphylococcus aureus (MSSA ou MRSA)
|
| Tratamento Antibiótico Empírico (Baseado em Risco) |
| Padrão (sem fatores de risco MDR) |
Escolher um:
- Cefepime
- Piperacilina-tazobactam
- Imipenem ou meropenem
|
Risco de Gram-negativo MDR (Ex: fibrose cística, bronquiectasias, uso de ATB < 90 dias, etc.) |
Adicionar um ao padrão:
- Aminoglicosídeo (ex: amicacina, gentamicina)
- Ciprofloxacino ou levofloxacino
- Aztreonam (para alérgicos a beta-lactâmicos)
|
Risco de MRSA (> 20% na unidade ou desconhecida) |
Adicionar um ao padrão:
|
Cenários de alto risco (VM + ATB IV < 90 dias, diálise, choque séptico, SDRA, > 5 dias de internação) |
Escolher um de cada grupo acima (Gram-negativo, segundo Gram-negativo, MRSA).
Exemplo: Cefepime + levofloxacino + vancomicina
|
💊 Lembre-se: O princípio fundamental do tratamento é desescalonar a antibioticoterapia assim que os resultados das culturas e testes de sensibilidade estiverem disponíveis!
⚠️ Atenção: A prevalência de MRSA e Gram-negativos MDR varia MUITO de acordo com o serviço. Conheça a epidemiologia local!
💊 Importante: A daptomicina NÃO é uma boa opção para pneumonia, pois é inativada pelo surfactante pulmonar.
Diferenciação e Definição
A abordagem da pneumonia nosocomial exige uma distinção crucial: a infecção é causada por patógenos adquiridos na comunidade ou por germes hospitalares? Essa diferenciação é fundamental, pois os microrganismos hospitalares tendem a ser mais agressivos e, frequentemente, mais resistentes a antibióticos do que os de origem comunitária.
O tempo de internação é o principal fator para essa distinção, uma vez que a flora do paciente leva aproximadamente 5 dias para ser substituída pela flora hospitalar, tornando-o suscetível a patógenos do ambiente hospitalar.
| Característica |
Início Precoce |
Início Tardio |
| Tempo de Ocorrência |
48 horas a 4 dias de internação ou VM |
> 5 dias de internação ou VM |
| Agentes Etiológicos Prováveis |
Germes da comunidade |
Germes hospitalares (mais agressivos e resistentes) |
Especificamente, as definições são:
- Pneumonia Nosocomial (PN): Caracterizada pelo desenvolvimento de pneumonia após 48 horas de internação hospitalar, sem que a infecção estivesse presente ou em período de incubação na admissão.
- Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAVM): Diagnosticada após 48 horas de intubação orotraqueal e início da ventilação mecânica.
🚨 High Yield: A PAVM é a causa mais comum de óbito por infecção hospitalar, destacando sua gravidade e a necessidade de medidas preventivas rigorosas e manejo adequado.
Fatores de Risco
Diversos fatores contribuem para o desenvolvimento de pneumonia nosocomial e PAVM, sendo a ventilação mecânica invasiva o mais significativo.
- Principal Fator: Ventilação Mecânica Invasiva (VMI), que aumenta o risco em 6 a 20 vezes devido à quebra das barreiras de defesa naturais das vias aéreas.
- Fatores Associados ao Paciente:
- Idade avançada (> 70 anos)
- Rebaixamento do nível de consciência (RNC), predispondo à aspiração
- Desnutrição e imunossupressão
- Macroaspiração de conteúdo orofaríngeo ou gástrico
- Sinusite nosocomial
- Doenças neuromusculares que comprometem a deglutição e a tosse
- Comorbidades graves e doença pulmonar estrutural
- Fatores Associados aos Cuidados Gerais:
- Posição supina a zero grau, que favorece a aspiração de secreções
- Uso de cateter nasogástrico
- Dieta enteral
- Uso de antagonistas H2 ou antiácidos, que aumentam o pH gástrico e favorecem a colonização por gram-negativos
- Sedativos em altas doses, que podem deprimir o reflexo da tosse e o nível de consciência
- Monitorização da pressão intracraniana (PIC)
- Fatores Associados ao Ventilador:
- Tempo de permanência em ventilação mecânica (o mais importante e diretamente proporcional ao risco)
- Uso de macronebulizadores
- Acúmulo de água no circuito do ventilador
- Troca do circuito em menos de 48 horas (prática não recomendada, pois pode introduzir contaminação)
A ventilação mecânica compromete as barreiras naturais das vias aéreas superiores (VAS), como o sistema mucociliar. Além disso, ocorre colonização das vias aéreas inferiores (VAI) por bactérias gram-negativas entéricas. O balonete do tubo endotraqueal, mesmo inflado, não garante vedação completa, permitindo microaspirações de material contaminado da orofaringe, especialmente da secreção acumulada acima do balonete.
💡 Dica: Embora a PAVM seja definida após 48h de intubação, a incidência é maior nos primeiros 5 dias de ventilação mecânica, ressaltando a importância das medidas preventivas precoces.
Manejo de Fatores de Risco e Prevenção
Uso Criterioso de Antagonistas H2 e Antiácidos
É crucial evitar o uso indiscriminado de antagonistas H2 e outros antiácidos. A elevação do pH gástrico para valores acima de 4 elimina uma das barreiras protetoras contra a colonização por bactérias gram-negativas hospitalares, aumentando o risco de pneumonia. Portanto, a profilaxia de úlcera de estresse deve ser restrita a pacientes com alto risco de sangramento gastrointestinal:
- Instabilidade hemodinâmica prolongada
- Coagulopatias (ex: plaquetas < 50.000/mm³ ou INR > 1,5)
- Grandes queimados
- Ventilação mecânica por mais de 48 horas
💊 Alternativa: O sucralfato pode ser uma opção para profilaxia de úlcera de estresse, pois protege a parede gástrica sem alterar o pH gástrico, não aumentando o risco de pneumonia nosocomial.
Posicionamento e Dieta Enteral
A elevação da cabeceira do leito (30-45 graus) é uma medida preventiva fundamental, pois reduz significativamente as chances de macro e microaspiração de secreções orofaríngeas e gástricas.
A dieta enteral, além de poder alcalinizar o pH gástrico, pode servir como meio para a ascensão bacteriana até o trato respiratório. Recomendações atuais para minimizar esse risco incluem:
- Preferência por cateter oral: Em vez do nasal, para reduzir o risco de sinusite nosocomial e otite média.
- Posicionamento da ponta do cateter: Além do piloro, para diminuir o refluxo gástrico e o risco de aspiração.
Medidas Preventivas Gerais para PAVM
A prevenção da PAVM envolve um conjunto de práticas baseadas em evidências, visando reduzir a colonização e a aspiração de patógenos:
- Higiene das mãos: Rigorosa e frequente por toda a equipe de saúde, antes e após o contato com o paciente e o circuito ventilatório.
- Manter decúbito elevado: Cabeceira a 30-45 graus, exceto quando contraindicado.
- Preferência por VNI: Sempre que possível, optar por ventilação não invasiva (VNI) em vez de intubação orotraqueal. Se a intubação for necessária, preferir a via orotraqueal em vez da nasotraqueal.
- Adequação diária da sedação: Avaliar e ajustar o nível de sedação diariamente, realizando testes de respiração espontânea para tentar a extubação o mais precocemente possível, reduzindo o tempo de VMI.
- Uso criterioso de bloqueadores neuromusculares: Evitar o uso prolongado e desnecessário, pois podem prolongar o tempo de ventilação.
- Aspiração de secreção subglótica: Rotineiramente, especialmente com tubos endotraqueais que permitem essa aspiração (CASS - Continuous Aspiration of Subglottic Secretions), embora pouco disponível em nosso meio.
- Evitar extubação acidental: Fixação adequada do tubo e monitoramento constante para prevenir reintubações, que aumentam o risco.
- Monitorizar a pressão do cuff do tubo: Manter a pressão ideal (geralmente entre 20-30 cmH2O) para minimizar microaspirações e lesões traqueais.
- Atenção ao tempo de troca do circuito: Evitar trocas desnecessárias ou muito frequentes do circuito do ventilador, pois podem aumentar o risco de contaminação.
Diagnóstico
O diagnóstico de pneumonia nosocomial ou PAVM é estabelecido pela presença de um novo infiltrado pulmonar ou progressão de um infiltrado existente na radiografia de tórax, associado a pelo menos dois dos seguintes sinais clínicos de infecção:
- Temperatura corporal < 36°C ou > 38°C
- Contagem de leucócitos < 4.000/mm³ ou > 12.000/mm³
- Presença de secreção traqueal purulenta
- Piora da oxigenação (avaliada por PaO2/FiO2 ou aumento da necessidade de suporte ventilatório)
Exames Complementares
Além da avaliação clínica e radiológica, a investigação laboratorial e microbiológica é fundamental para guiar a terapia antimicrobiana:
- Hemoculturas: Coletar duas amostras de sítios diferentes, embora a positividade seja geralmente baixa (cerca de 10-20%).
- Coleta de secreção traqueal: Preferencialmente por métodos não invasivos, como o aspirado endotraqueal. Em pacientes não intubados, a coleta de escarro é a opção. Esses métodos possuem sensibilidade semelhante aos broncoscópicos, com menor especificidade, mas são menos invasivos e com menor risco de complicações.
Agentes Etiológicos
Os agentes etiológicos da pneumonia nosocomial e PAVM são predominantemente bactérias, muitas vezes com perfis de resistência importantes, variando conforme o ambiente hospitalar:
- Pseudomonas aeruginosa
- Staphylococcus aureus (incluindo cepas resistentes à meticilina - MRSA)
- Acinetobacter baumannii
- Outros Gram-negativos entéricos (ex: Klebsiella pneumoniae, Escherichia coli, Enterobacter spp.)
- Germes Multirresistentes (MDR): A prevalência de MDR depende da flora microbiana específica de cada hospital ou unidade de terapia intensiva.
Fatores de Risco para Germes Multirresistentes (MDR)
A identificação de pacientes com risco para infecção por germes MDR é crucial para a escolha da terapia antimicrobiana empírica inicial. Considere a possibilidade de MDR nas seguintes situações:
- Pneumonia de início tardio (> 5 dias de internação ou ventilação mecânica)
- Unidade com mais de 10% dos isolados de gram-negativos sendo MDR
- Uso prévio de antibióticos nos últimos 90 dias
- Internação prévia nos últimos 90 dias
- História de neurocirurgia ou ventilação mecânica prolongada
- Pacientes asilados ou em hemodiálise crônica
- Imunossupressão (ex: uso de corticoides em altas doses, neutropenia)
- Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA)
- Doença Renal Crônica (DRC) em hemodiálise
Risco de Infecção por Pseudomonas e Outros Gram-Negativos
O risco de infecção por Pseudomonas aeruginosa ou outros bacilos gram-negativos é elevado em pacientes com pneumopatia estrutural preexistente, como bronquiectasias ou fibrose cística. Além disso, a presença de bacilos gram-negativos predominantes no gram de escarro, somada aos fatores de risco para MDR já mencionados, aumenta ainda mais essa probabilidade, exigindo cobertura antimicrobiana específica.
Tratamento
O tratamento das pneumonias nosocomiais e associadas à ventilação mecânica é complexo e deve ser guiado pela avaliação do risco do paciente para patógenos multirresistentes (MDR) e Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), bem como pela disponibilidade de culturas e sensibilidade antimicrobiana.
Tratamento Empírico da Pneumonia Nosocomial (Não Associada à VM)
A escolha do regime antibiótico empírico para a pneumonia nosocomial que não está associada à ventilação mecânica depende da estratificação de risco do paciente para patógenos específicos, como MRSA e bactérias multirresistentes (MDR).
| Categoria de Risco |
Opções de Tratamento Empírico |
| Baixo risco de morte e sem fatores de risco para MRSA ou MDR |
Escolher um dos seguintes:
- Piperacilina-Tazobactam (TAZOCIN)
- Cefepime
- Imipenem
- Meropenem
- Levofloxacino 750 mg
|
| Baixo risco de morte e com fatores de risco para MRSA |
Escolher um dos seguintes:
- Piperacilina-Tazobactam (TAZOCIN)
- Cefepime
- Ceftazidime
- Imipenem
- Meropenem
- Levofloxacino 750 mg
- Ciprofloxacino
- Aztreonam
Associar a:
- Vancomicina OU
- Linezolida
|
| Alto risco de morte ou uso de ATB IV nos últimos 90 dias (considerar também em pacientes com risco de infecção por Pseudomonas e MDR) |
Escolher dois dos seguintes (idealmente associar um beta-lactâmico a uma quinolona ou aminoglicosídeo):
- Piperacilina-Tazobactam (TAZOCIN)
- Cefepime
- Ceftazidime
- Imipenem
- Meropenem
- Levofloxacino 750 mg
- Ciprofloxacino
- Amicacina
- Gentamicina
- Tobramicina
- Aztreonam
E, em caso de fatores de risco para MRSA, associar:
- Vancomicina OU
- Linezolida
|
💡 Dica de Prova: A escolha do antibiótico empírico inicial é crucial e deve cobrir os patógenos mais prováveis com base nos fatores de risco do paciente e no perfil de resistência local.
Tratamento Empírico da Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAV)
A PAV exige uma abordagem terapêutica que considere a alta probabilidade de patógenos multirresistentes, especialmente em pacientes com fatores de risco.
| Categoria de Risco |
Opções de Tratamento Empírico |
| Pacientes sem necessidade de cobertura para MDR e MRSA |
Escolher um dos seguintes:
- Piperacilina-Tazobactam (TAZOCIN)
- Cefepime
- Ceftazidime
- Imipenem
- Meropenem
- Levofloxacino
|
| Pacientes com necessidade de cobertura para MRSA e dupla cobertura para Pseudomonas/Gram-negativos |
Escolher uma droga de cada Frente a seguir (esquema tríplice):
Frente 1 (Anti-Pseudomonas/Beta-lactâmico):
- Piperacilina-Tazobactam (TAZOCIN)
- Cefepime
- Imipenem
- Meropenem
- Aztreonam
Frente 2 (Anti-MRSA):
- Vancomicina OU
- Linezolida
Frente 3 (Anti-Pseudomonas/Não Beta-lactâmico - Quinolona ou Aminoglicosídeo ou Polimixina):
- Levofloxacino IV
- Ciprofloxacino IV
- Amicacina
- Gentamicina
- Tobramicina
- Polimixina B
- Colistina
|
Tratamento Direcionado Após Cultura: Perfil de Sensibilidade
Após a obtenção dos resultados das culturas e do perfil de sensibilidade, o tratamento empírico deve ser ajustado para um regime mais específico, otimizando a eficácia e reduzindo a pressão seletiva para resistência.
| Agente Etiológico |
Antibióticos de Escolha (Sensibilidade) |
| Pseudomonas aeruginosa |
Ceftazidime, Cefepime, Piperacilina-Tazobactam, Ticarcilina, Levofloxacino, Ciprofloxacino, Aztreonam, Imipenem, Meropenem.
⚠️ Atenção: Atualmente, já existem cepas sensíveis apenas a Polimixina B.
|
| Enterobactérias ESBL (Produtoras de Beta-lactamase de Espectro Estendido) |
Cefepime OU Ceftazidime, Imipenem, Meropenem OU Ertapenem. |
| KPC (Klebsiella pneumoniae Carbapenemase) |
Ceftazidima-Avibactam, associações com Polimixina B. |
| Acinetobacter baumannii |
Sensível apenas aos Carbapenêmicos e Polimixina B. |
| Staphylococcus aureus MSS (Meticilina Sensível) |
Oxacilina OU Cefazolina. |
| Staphylococcus aureus MRSA (Meticilina Resistente) |
Resistente à Oxacilina. Sensível a Vancomicina, Teicoplanina, Linezolida e Quinupristina-Dalfopristina.
🧠 Conceito Importante: Daptomicina não é uma boa alternativa para infecções pulmonares devido à inativação pelo surfactante pulmonar (questão recorrente de prova).
|
| Staphylococcus aureus VRSA (Vancomicina Resistente) |
Resistente à Vancomicina. Sensível a Linezolida. |
| Stenotrophomonas maltophilia |
Sulfametoxazol-Trimetoprim (SMZ-TMP). |
Manejo dos Resultados das Culturas e Duração do Tratamento
O Que Fazer Com o Resultado das Culturas?
Uma vez que os resultados das culturas e o perfil de sensibilidade estejam disponíveis, geralmente após 48-72 horas, o tratamento deve ser ajustado.
💊 Ajuste Terapêutico: É fundamental escalonar (se a cobertura inicial for insuficiente) ou, mais frequentemente, desescalonar (estreitar o espectro do antibiótico para o agente isolado e sensível) o tratamento de acordo com o resultado. Isso otimiza a terapia e reduz a resistência antimicrobiana.
Tempo de Tratamento?
A duração do tratamento para pneumonias nosocomiais e PAV tem sido objeto de estudos recentes, que sugerem a possibilidade de cursos mais curtos em casos de boa resposta clínica.
⏱️ Duração do Tratamento: Estudos recentes evidenciam que o tratamento pode ser por 7 dias, caso haja melhora clínica considerável. Atualmente, um nível baixo de pró-calcitonina é considerado um promissor marcador para a suspensão do tratamento, quando aliado aos critérios de melhora clínica.
High Yield Topics
Vínculos Mentais Importantes
Pneumonia Lobar
Caracteriza-se por uma consolidação que afeta um lobo pulmonar inteiro ou uma grande porção dele. É classicamente associada a um agente etiológico específico.
- Agente Principal: Quase sempre causada pelo Pneumococo (Streptococcus pneumoniae).
- Outros Agentes: Eventualmente pode surgir em pneumonia estafilocócica ou por Gram-negativos.
Pneumonia do Lobo Pesado (Abaulamento da Cissura)
Um tipo especial de pneumonia lobar, onde o comprometimento do lobo superior provoca um abaulamento da cissura no exame de imagem.
- Agente Etiológico: Causada pela Klebsiella pneumoniae (também conhecida como pneumonia de Friedlander).
- População de Risco: Geralmente observada em pacientes alcoolistas e diabéticos.
Pneumatoceles
São cistos de paredes finas, resultantes da passagem de ar para o interstício subpleural através de pequenas roturas bronquiolares. Não exigem drenagem, pois regridem com a antibioticoterapia.
- Agente Mais Comum: Comum na pneumonia por Staphylococcus aureus.
- Outros Agentes: Pode aparecer também em infecções por Klebsiella pneumoniae, Haemophilus influenzae, Pneumococo e Pneumocystis jiroveci (raro).
Pneumonia Redonda (Pseudotumor)
Manifesta-se no raio-X como uma condensação de formato arredondado, que pode ser confundida com um tumor.
- População Típica: É mais típica em crianças.
- Agente Etiológico: Causada quase sempre pelo Pneumococo.
Necrose Parenquimatosa e Cavitações (Pneumonia Necrosante e Abscesso Pulmonar)
A necrose do tecido pulmonar pode levar à formação de cavitações, que podem ser classificadas de acordo com seu tamanho e conteúdo.
- Agentes Mais Comuns: Ocorre mais nas pneumonias por anaeróbios (especialmente em casos de aspiração), Klebsiella pneumoniae, Staphylococcus aureus e Pneumococo tipo 3 (raro). Infecções por Pseudomonas também podem cavitar.
- Definições:
- Pneumonia Necrosante: Lesões cavitárias pequenas (< 2 cm).
- Abscesso Pulmonar: Lesão grande (> 2 cm), contendo nível hidroaéreo.
- Conceito: Na verdade, as duas entidades são evoluções do mesmo processo patológico.
Derrame Pleural Associado à Pneumonia
A presença de derrame pleural é uma complicação comum da pneumonia bacteriana, e sua incidência varia conforme o agente etiológico.
- Incidência: Varia de 25-50% para o Pneumococo, e até 55-95% para o Streptococcus pyogenes.
- Significado Clínico: Quando uma bactéria é isolada do líquido pleural, ela deve ser considerada o agente etiológico da pneumonia, pois a pleura é um compartimento estéril.
- Derrame Parapneumônico Complicado: O isolamento bacteriano no líquido pleural define um derrame parapneumônico complicado.
- É complicado ou empiematoso em 1-5% da pneumonia pneumocócica.
- Atinge até 90% na pneumonia aspirativa por anaeróbios.
Fatores de Risco para Agentes Etiológicos Específicos
| Fatores de Risco |
Agente Etiológico Associado |
| Alcoolismo |
Pneumococo, anaeróbios, Klebsiella, Acinetobacter, Mycobacterium tuberculosis |
| DPOC ou Tabagismo |
Haemophilus influenzae, Pseudomonas, Legionella, Pneumococo, Moraxella catarrhalis, Chlamydophila pneumoniae |
| Pneumopatia Estrutural (Ex: Bronquiectasias) |
Pseudomonas, Burkholderia cepacia, Staphylococcus aureus |
| Aspiração (AVE prévio, distúrbios de deglutição, rebaixamento do nível de consciência, etc.) |
Gram-negativos entéricos, anaeróbios |
| Abscesso Pulmonar |
Staphylococcus aureus (MRSA), anaeróbios, pneumonia fúngica, Mycobacterium tuberculosis, micobactérias atípicas |
| Exposição a fezes de pássaros ou morcegos |
Histoplasma capsulatum |
| Exposição a pássaros |
Chlamydophila psittaci |
| Exposição a animais de fazenda (ovelhas, cabras, etc.) |
Coxiella burnetii |
| Exposição a coelhos |
Francisella tularensis |
| HIV (Fase Inicial) |
Pneumococo, Haemophilus influenzae, Mycobacterium tuberculosis |
| HIV (Fase Tardia) |
Mesmos da fase inicial + Pneumocystis jiroveci, Cryptococcus, Histoplasma, Aspergillus, micobactérias atípicas, Haemophilus influenzae, Pseudomonas |
| Viagens a hotéis e cruzeiros, exposição a água contaminada em sistemas de calefação e ar condicionado |
Legionella |
| Surtos de Influenza na comunidade |
Influenza, Pneumococo, Staphylococcus aureus |
| Uso de drogas injetáveis |
Staphylococcus aureus, anaeróbios, Mycobacterium tuberculosis, Pneumococo |
| Obstrução endobrônquica |
Anaeróbios, Pneumococo, Haemophilus influenzae, Staphylococcus aureus |
| Tosse intensa por mais de 2 semanas, com vômitos |
Bordetella pertussis |