Imagem de Capa

Insuficiência Renal


Conceitos Fundamentais

Definição de Disfunção Renal

A disfunção renal é caracterizada fundamentalmente pela redução da taxa de filtração glomerular (TFG). Em condições normais, a TFG varia entre 90 e 120 ml/min/1,73m². Para avaliar adequadamente se um paciente apresenta insuficiência renal, é essencial mensurar a TFG através de métodos apropriados.

💡 Conceito-chave: Disfunção renal = redução da taxa de filtração glomerular. A TFG normal situa-se entre 90-120 ml/min/1,73m².

Métodos de Avaliação da Função Renal

Dosagem de Ureia e Creatinina Séricas

A elevação da ureia e creatinina plasmáticas representa um método tradicional de avaliação, porém apresenta limitações importantes que devem ser reconhecidas:

Situações que elevam a ureia sem redução da TFG: hemorragia digestiva alta (pela metabolização da hemoglobina por enterobactérias e absorção subsequente de ureia), sepse, uso de corticosteroides, estados hipercatabólicos, uso de tetraciclinas e dietas hiperproteicas.

Situações que elevam a creatinina sem redução da TFG: rabdomiólise (destruição muscular maciça com liberação de creatina), indivíduos musculosos, pacientes jovens e indivíduos de raça negra. A creatinina deriva da creatina muscular; logo, sua concentração plasmática é diretamente proporcional à massa muscular do indivíduo.

⚠️ Atenção: Em uma idosa emagrecida com pouca massa muscular, uma creatinina de 1,0 mg/dL pode representar disfunção renal significativa. Por outro lado, em um jovem atlético e musculoso, uma creatinina de 1,4 mg/dL pode estar dentro da normalidade. Por isso, o valor absoluto isolado não define função renal!

Um aspecto crítico frequentemente negligenciado é que o valor isolado de creatinina não indica função renal. A avaliação adequada da função renal deve sempre ser realizada através do cálculo do clearance ou da estimativa da TFG por equações validadas. Em questões de prova, quando são fornecidos dados como idade, peso, sexo e creatinina, o cálculo do clearance é mandatório para interpretação correta.

Taxa de Filtração Glomerular e Clearance de Creatinina

O clearance de uma substância representa o volume de plasma que é completamente depurado ("clareado") daquela substância por unidade de tempo, sendo expresso em ml/minuto. O clearance de creatinina começa a se alterar quando há perda de aproximadamente 30% da função renal (TFG inferior a 70 ml/min), apresentando maior sensibilidade em comparação aos valores absolutos de ureia e creatinina.

Existem diferentes métodos para estimativa da taxa de filtração glomerular, cada um com suas particularidades:

🧪 Importante: As equações de Cockcroft-Gault e MDRD tendem a superestimar a TFG em 10-20% e não devem ser utilizadas para diagnóstico de lesão renal aguda. Se o clearance calculado for 50 ml/min, conservadoramente, a TFG real pode estar em torno de 42-45 ml/min.

A medida isolada de ureia e creatinina fornece apenas uma estimativa grosseira da TFG. Por que o valor da creatinina não possui relação linear com a TFG? A resposta está no fato de que a creatinina é eliminada do organismo não apenas por filtração glomerular, mas também por secreção tubular proximal. Como ambos os processos contribuem para a depuração da creatinina, o clearance calculado não expressa com exatidão absoluta a TFG real.

A ureia, por sua vez, só se torna tóxica em níveis muito elevados (geralmente acima de 200-400 mg/dL). Além disso, aproximadamente 40-50% da ureia filtrada sofre reabsorção no túbulo proximal, especialmente em situações de hipovolemia, o que também compromete sua precisão como marcador de função renal.

Fórmulas para Estimativa da Taxa de Filtração Glomerular

Fórmula MDRD (Modification of Diet in Renal Disease):

TFG = 175 × (Creatinina-1,154) × (Idade-0,203) × A × B

Onde: A = 1,21 para negros e 1,0 para não negros; B = 0,742 para mulheres e 1,0 para homens.

Fórmula CKD-EPI (Chronic Kidney Disease Epidemiology Collaboration):

TFG = A × (Creatinina/B)C × (Idade-0,993)

Onde: A = 166 (mulher negra), 163 (homem negro), 144 (mulher não negra), 141 (homem não negro); B = 0,7 (mulher), 0,9 (homem); C = -1,209 se creatinina > 0,7, ou -0,329 (mulher) / -0,411 (homem) se creatinina ≤ 0,7.

💡 Atualização: Desde 2021, a variável raça foi excluída da fórmula CKD-EPI devido a questionamentos sobre viés racial. A equação CKD-EPI é considerada a de maior acurácia e é a mais recomendada atualmente. As variáveis avaliadas são: sexo, idade e creatinina.

Fórmula de Cockcroft-Gault:

Clearance = [(140 - idade em anos) × peso ideal em kg] / [creatinina em mg/dL × 72]

Para mulheres, multiplicar o resultado final por 0,85.

⚠️ Pegadinha de prova: Não se esqueça de multiplicar por 0,85 o resultado da fórmula de Cockcroft-Gault quando o paciente for do sexo feminino!

Detecção de Lesão Renal Estrutural

Albuminúria como Marcador de Lesão

É fundamental distinguir entre disfunção renal (redução da TFG) e lesão renal estrutural. A presença de lesão estrutural no parênquima renal é melhor detectada pela presença de albuminúria. Embora a coleta de urina de 24 horas seja o método tradicional, na prática clínica contemporânea utiliza-se mais frequentemente a relação albumina/creatinina em amostra isolada de urina, que apresenta sensibilidade comparável e maior praticidade.

🔎 Diagnóstico de albuminúria: Relação albumina/creatinina superior a 30 mg/g em amostra isolada de urina matinal indica presença de albuminúria e sugere lesão estrutural renal.

Consequências da Insuficiência Renal

Alterações Decorrentes da Redução da Filtração Glomerular

A diminuição da capacidade de filtração glomerular acarreta múltiplas consequências sistêmicas:

Desequilíbrios Hidroeletrolítico e Acidobásico

O rim é o principal órgão regulador do equilíbrio acidobásico e da homeostase eletrolítica. Na insuficiência renal, observam-se:

🧠 Conceito importante: A acidose metabólica "protege" parcialmente contra a hipocalcemia sintomática, pois o pH baixo reduz a ligação do cálcio à albumina, aumentando a fração de cálcio livre (ionizado). A alcalose tem efeito oposto. Por isso, em pacientes com hipocalcemia e acidose concomitantes, deve-se primeiro repor o cálcio e depois corrigir a acidose, evitando queda abrupta do cálcio ionizado com risco de convulsões e arritmias.

Disfunção Endócrino-Metabólica

O rim desempenha importante função endócrina, e a insuficiência renal compromete a produção e ativação de diversos hormônios:

Exceções ao Padrão Típico

Embora a hipercalemia seja a alteração eletrolítica mais comum na insuficiência renal, existem causas específicas de lesão renal aguda que cursam com hipocalemia:

Diferenciação entre Lesão Renal Aguda e Crônica

Achados Comuns a Ambas

Tanto a insuficiência renal aguda quanto a crônica podem apresentar distúrbios hidroeletrolíticos e acidobásicos, uma vez que ambas cursam com redução da TFG e comprometimento da função reguladora renal.

Achados Característicos de Doença Renal Crônica

Manifestações Endocrinológicas

As alterações endócrinas são mais exuberantes e características da doença renal crônica:

⚠️ Importante: A ausência de alterações ósseas radiológicas ou elevação de PTH não exclui doença renal crônica, pois estas são manifestações tardias. Um paciente pode ter DRC em estágios iniciais ou intermediários sem estas alterações.
Ultrassonografia Renal

A ultrassonografia é um exame não invasivo e amplamente disponível que fornece informações valiosas para o diagnóstico de doença renal crônica:

Exceções: Doença Renal Crônica com Rins Normais ou Aumentados

Algumas condições específicas cursam com doença renal crônica mas preservam ou até aumentam o tamanho renal. Para facilitar a memorização, utilize o mnemônico "AUMENDAH":

💡 Mnemônico: "AUMENDAH" para lembrar as causas de DRC com rins de tamanho normal ou aumentado.

Lesão Renal Aguda (LRA)

A lesão renal aguda representa um quadro de deterioração súbita da função renal, caracterizado por evolução rápida ao longo de horas ou dias. Na maioria dos casos, trata-se de um diagnóstico laboratorial, identificado pela elevação de ureia e creatinina séricas (azotemia), frequentemente na ausência de manifestações clínicas evidentes. Por definição, insuficiência renal corresponde à redução da taxa de filtração glomerular (TFG). Entretanto, a azotemia (creatinina plasmática ≥ 1,5 mg/dL para homens e ≥ 1,3 mg/dL para mulheres) geralmente só se manifesta quando a TFG já se encontra pelo menos 50% abaixo dos valores normais.

⚠️ Importante: Um paciente sem azotemia pode já apresentar perda significativa da função renal. A elevação de ureia e creatinina é um marcador tardio de lesão renal.

Definição e Reversibilidade

A LRA é considerada potencialmente reversível e caracteriza-se por evolução rápida. Os critérios diagnósticos incluem:

Classificação KDIGO da Lesão Renal Aguda

O sistema KDIGO estratifica a gravidade da LRA em três estágios, baseando-se tanto no aumento da creatinina sérica quanto na redução do débito urinário:

Estágio Critério de Creatinina Sérica Critério de Diurese
Estágio 1 Aumento de 0,3 mg/dL ou elevação de 1,5 a 2 vezes o valor basal < 0,5 mL/kg/h por 6 horas
Estágio 2 Aumento de 2 a 3 vezes o valor basal < 0,5 mL/kg/h por mais de 12 horas
Estágio 3 Aumento superior a 3 vezes o valor basal ou creatinina ≥ 4,0 mg/dL com elevação aguda de pelo menos 0,5 mg/dL < 0,3 mL/kg/h por 24 horas ou anúria por 12 horas

Escores Complementares

Escore P-RIFLE Pediátrico

Para a população pediátrica, utiliza-se o escore P-RIFLE, fundamentado na TFG e na redução da diurese. Sua principal limitação reside no fato de que a TFG depende dos valores de creatinina sérica, um marcador tardio, impreciso e influenciado por diversos fatores como sexo, idade, massa muscular e estado nutricional.

Índice de Angina Renal

Este índice tem como objetivo identificar pacientes internados em unidades de terapia intensiva com maior risco de evolução desfavorável em relação à lesão renal aguda. Considera parâmetros como uso de drogas vasoativas, necessidade de ventilação mecânica, percentual de sobrecarga hídrica e clearance de creatinina estimado.

🧠 Conceito: Um escore superior a 8 no Índice de Angina Renal prediz lesão renal aguda com alta sensibilidade e especificidade, embora seu uso rotineiro ainda necessite validação em estudos multicêntricos.

Classificação Etiológica e Mecanismos Fisiopatológicos

LRA Pré-Renal (55% dos casos)

Decorre da redução da perfusão renal sem lesão estrutural do parênquima. As principais causas incluem:

Conduta: Suspensão de drogas nefrotóxicas e restauração da volemia.

LRA Renal Intrínseca (40% dos casos)

Representa a principal causa de LRA em pacientes críticos internados em UTI. Envolve lesão estrutural do parênquima renal. As causas principais são:

Conduta: Suspensão de agentes nefrotóxicos e tratamento direcionado à causa específica.

🔎 Diagnóstico Diferencial: Na suspeita de LRA intrínseca, a relação proteína/creatinina na urina pode auxiliar na diferenciação: valores inferiores a 1 g sugerem lesões tubulares, enquanto valores superiores a 1 g ou proteinúria nefrótica indicam lesões glomerulares.

LRA Pós-Renal (5% dos casos)

Resulta de obstrução do trato urinário. Causas comuns incluem:

Conduta: Desobstrução do trato urinário por via endoscópica ou cirúrgica.

Diferenciação entre LRA Pré-Renal e Necrose Tubular Aguda

A distinção entre LRA pré-renal (funcional) e necrose tubular aguda (estrutural) baseia-se em parâmetros laboratoriais urinários e séricos:

Parâmetro LRA Pré-Renal Necrose Tubular Aguda
Sódio urinário (mEq/L) < 20 > 40
Osmolaridade urinária (mOsm/kg) > 500 < 350
Densidade urinária > 1.020 < 1.015
Relação Creatinina urina/soro > 40 < 20
Relação Ureia urina/soro > 8 < 3
Sedimento urinário (cilindros) Hialinos Granulosos pigmentados
Relação Ureia/Creatinina sérica > 40 < 20-30
Fração de excreção de sódio < 1% > 1%
Fração de excreção de ureia < 35% > 50%

Prova de Volume

Embora a relação ureia/creatinina sérica superior a 40 sugira LRA pré-renal, outras condições podem elevar essa relação sem que haja hipoperfusão renal:

💡 Dica Prática: Na dúvida diagnóstica, realize a prova de volume: administre um bolus de solução salina intravenosa. Se houver LRA pré-renal, ocorrerá restauração da diurese, melhora da azotemia e aumento da excreção de sódio e água. Na NTA, não haverá resposta significativa. Este procedimento é simultaneamente diagnóstico e terapêutico.

Teste de Estresse com Furosemida

O teste de estresse com furosemida representa uma ferramenta prognóstica alternativa para avaliar a evolução da lesão renal aguda. O protocolo consiste em:

⚠️ Atenção: O teste de furosemida possui finalidade exclusivamente prognóstica. Não deve ser utilizado como terapia e não deve postergar a instituição de terapia de substituição renal quando esta estiver indicada.

Principais Agentes Nefrotóxicos

Diversos medicamentos e substâncias podem induzir lesão renal por diferentes mecanismos:

Local da Lesão Principais Agentes
Pré-renal Diuréticos, anti-hipertensivos
Doença de pequenos vasos Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), inibidores da ECA/BRA, contraste radiológico, inibidores de calcineurina, noradrenalina, cocaína, clopidogrel, anticoncepcionais orais
Doença glomerular Hidralazina, propiltiouracil, solventes orgânicos, levamisol (adulterante de cocaína)
Necrose tubular aguda Anfotericina B, aminoglicosídeos, tenofovir, paracetamol, metais pesados, quimioterápicos
Nefrite intersticial aguda Antibióticos (penicilinas, cefalosporinas, rifampicina, sulfonamidas, ciprofloxacino), inibidores da bomba de prótons, AINEs, diuréticos tiazídicos e de alça, alopurinol, fenitoína
Obstrução intratubular Aciclovir, atazanavir, etilenoglicol, metotrexato
Obstrução pós-renal Necrose de papila (AINEs), retenção urinária (anticolinérgicos, antidepressivos tricíclicos)

Doença Renal Crônica (DRC)

Conceito Fundamental

A doença renal crônica caracteriza-se por uma evolução progressiva, lenta e irreversível da função renal. Diferentemente da lesão renal aguda, onde há potencial de regeneração do parênquima, na DRC ocorre perda definitiva de néfrons funcionantes. Em situações específicas, como necrose cortical aguda ou glomerulonefrite rapidamente progressiva, a falência pode se instalar de forma aguda, mas sem capacidade regenerativa, tornando o paciente "agudamente um nefropata crônico".

🧠 Conceito-chave: DRC representa lesão funcional (queda da taxa de filtração glomerular) e estrutural (albuminúria) dos rins, persistindo por período superior a 3 meses, sem perspectiva de regeneração do parênquima renal.

Critérios Diagnósticos

Para estabelecer o diagnóstico de doença renal crônica, é necessária a presença de anormalidades estruturais ou funcionais por período superior a 3 meses, manifestadas por:

A mensuração da albuminúria pode ser realizada através de coleta de urina de 24 horas (método tradicional, porém complexo e sujeito a erros) ou, preferencialmente, pela relação albumina/creatinina em amostra isolada (spot), que oferece maior praticidade e confiabilidade.

Principais Etiologias

As causas de doença renal crônica variam conforme a população estudada. Em escala mundial, o diabetes mellitus representa a principal etiologia. No Brasil, a hipertensão arterial sistêmica predomina como causa mais frequente. Glomerulopatias primárias também figuram entre as etiologias relevantes.

🔎 Semiologia importante: Quando os rins mantêm tamanho normal ou aumentado na DRC, considerar etiologias específicas como amiloidose, esclerodermia, diabetes mellitus, anemia falciforme, nefropatia por HIV, obstrução urinária ou doença renal policística.

Classificação KDIGO da Doença Renal Crônica

Estratificação por Taxa de Filtração Glomerular

A classificação KDIGO (Kidney Disease: Improving Global Outcomes) estratifica a DRC em estágios baseados na TFG, permitindo uniformização da abordagem clínica e prognóstica:

G1 - Lesão Renal sem Insuficiência

TFG ≥ 90 ml/min/1,73m². Neste estágio, a função glomerular permanece preservada, porém existe evidência de lesão renal estrutural, caracterizada pela presença de albuminúria. Representa lesão renal crônica sem insuficiência funcional.

G2 - Doença Renal Crônica Leve

TFG entre 60-89 ml/min/1,73m². Embora o critério clássico de DRC estabeleça TFG inferior a 60 ml/min, valores entre 60-65 podem representar doença renal devido à superestimação do clearance de creatinina em 10-20%. A manifestação clínica mais precoce e característica desta fase é a noctúria, resultante da perda inicial da capacidade de concentração urinária.

G3a - Doença Renal Crônica Leve a Moderada

TFG entre 45-59 ml/min/1,73m². Inicia-se a elevação de compostos nitrogenados (ureia e creatinina), fenômeno denominado azotemia (do grego "azo" = nitrogênio). A azotemia representa achado laboratorial, enquanto suas manifestações clínicas constituem a síndrome urêmica, ainda de forma insidiosa nesta fase.

G3b - Doença Renal Crônica Moderada a Grave

TFG entre 30-44 ml/min/1,73m². Com aproximadamente 50% de redução da função renal, a azotemia torna-se mais pronunciada e as manifestações da síndrome urêmica intensificam-se progressivamente.

G4 - Doença Renal Crônica Grave

TFG entre 15-29 ml/min/1,73m². Neste estágio, a síndrome urêmica manifesta-se de forma exuberante e florida, com múltiplas complicações sistêmicas. É o momento de preparação para terapia de substituição renal (TSR), incluindo confecção de fístula arteriovenosa.

G5 - Doença Renal em Fase Terminal

TFG < 15 ml/min/1,73m². Representa falência renal, com perda praticamente completa da função renal. Nesta fase, a terapia de substituição renal (diálise ou transplante) torna-se imperativa para manutenção da vida.

Estratificação por Albuminúria

A classificação KDIGO também contempla a gravidade da albuminúria, complementando a avaliação da TFG:

💡 Notação clínica: A classificação completa integra TFG e albuminúria. Exemplo: paciente G4A2. Se em programa dialítico, acrescenta-se a letra D: G4A2D.
Estágio TFG (ml/min/1,73m²) Significado Manifestação Principal
G1 ≥ 90 Normal Assintomático (albuminúria presente)
G2 60-89 Diminuição leve Noctúria
G3a 45-59 Diminuição leve a moderada Azotemia inicial
G3b 30-44 Diminuição moderada a grave Síndrome urêmica insidiosa
G4 15-29 Diminuição grave Síndrome urêmica exuberante
G5 < 15 Falência renal Indicação absoluta de TSR

Manifestações Clínicas e Complicações da DRC

Anemia

A anemia constitui complicação frequente e multifatorial da DRC, com impacto significativo na qualidade de vida e prognóstico cardiovascular dos pacientes.

Fisiopatologia e Etiologia Multifatorial

1. Deficiência de Eritropoetina (Causa Principal)

A redução na produção de eritropoetina pelos rins representa o mecanismo fisiopatológico predominante. Como a medula óssea permanece íntegra, a anemia apresenta-se caracteristicamente como normocítica e normocrômica.

2. Carência de Ferro (Segunda Causa Mais Importante)

Pacientes com DRC desenvolvem microulcerações no trato gastrointestinal, resultando em perdas sanguíneas crônicas. Inicialmente, a anemia ferropriva também se manifesta como normocítica e normocrômica, tornando-se hipocrômica e microcítica apenas em estágios avançados. O diagnóstico de deficiência de ferro é sugerido pela ausência de resposta à eritropoetina exógena, indicando inadequação dos estoques de ferro como substrato para eritropoese.

3. Redução da Meia-Vida Eritrocitária (Hemólise)

O paratormônio elevado (hiperparatireoidismo secundário) exerce toxicidade direta sobre as hemácias, reduzindo sua sobrevida. Este mecanismo hemolítico caracteriza-se laboratorialmente por reticulocitose compensatória.

4. Lesão Medular

Toxinas urêmicas, incluindo o paratormônio, podem lesar a medula óssea. Nesta situação, o comprometimento não se limita à série eritrocitária, manifestando-se também com leucopenia.

5. Deficiência de Folato ou Vitamina B12

Cada vez menos frequente, porém possível. Suspeitada quando há macrocitose (VCM elevado).

⚠️ Ponto de atenção: Todo paciente nefropata crônico apresenta perdas sanguíneas crônicas por microulcerações gastrointestinais. Sempre avaliar estoques de ferro antes de instituir eritropoetina.

Abordagem Terapêutica

Indicação de Tratamento: Hemoglobina < 10 g/dL

Alvo Terapêutico: Hemoglobina entre 10-12 g/dL (não ultrapassar este limite)

Avaliação Obrigatória dos Estoques de Ferro:

Terapia com Agentes Estimuladores da Eritropoese:

🚨 Complicação importante: O uso crônico de eritropoetina (e em menor intensidade, darbepoetina) pode desencadear ou agravar hipertensão arterial. Por este motivo, não se deve ultrapassar hemoglobina de 12 g/dL.

Situações Especiais:

Parâmetro Alvo/Conduta
Hemoglobina para iniciar tratamento < 10 g/dL
Hemoglobina alvo 10-12 g/dL
Saturação de transferrina (IST) > 20%
Ferritina sérica > 200 ng/mL
Principal complicação do uso de EPO Hipertensão arterial

Osteodistrofia Renal

Fisiopatologia da Osteodistrofia Renal

A osteodistrofia renal representa um conjunto de alterações ósseo-minerais decorrentes da disfunção renal crônica. O denominador comum destas alterações é a deficiência de calcitriol (forma ativa da vitamina D), que desencadeia uma cascata de eventos levando ao hiperparatireoidismo secundário. A redução na síntese de calcitriol ocorre porque os rins são responsáveis pela conversão final da vitamina D em sua forma biologicamente ativa (1,25-dihidroxivitamina D).

O calcitriol exerce duas funções fundamentais no metabolismo ósseo-mineral: funciona como acelerador da absorção intestinal de cálcio e como freio fisiológico das glândulas paratireoides. Na ausência de calcitriol adequado, a absorção de cálcio intestinal diminui drasticamente, resultando em hipocalcemia. Simultaneamente, a paratireoide perde seu principal mecanismo de retroalimentação negativa, liberando quantidades excessivas de paratormônio (PTH).

💡 Conceito-chave: O calcitriol atua como "acelerador" da absorção de cálcio no intestino e "freio" da paratireoide. Sua deficiência na DRC remove ambos os mecanismos protetores, levando a hipocalcemia e hiperparatireoidismo secundário.
O Papel do Fosfato como Agravante

O fosfato emerge como o principal vilão nesta história fisiopatológica. Com a redução da taxa de filtração glomerular (TFG), há retenção progressiva de fosfato, que contribui para agravar o hiperparatireoidismo secundário através de múltiplos mecanismos:

Este cenário cria um círculo vicioso: a deficiência de calcitriol e o excesso de fosfato convergem para remover todos os "freios" fisiológicos da paratireoide, resultando em elevação acentuada e sustentada do PTH.

Consequências do Hiperparatireoidismo Secundário

O excesso crônico de PTH promove ativação simultânea de osteoblastos e osteoclastos, estabelecendo uma dinâmica patológica de remodelação óssea acelerada (alto turn-over). O PTH, sendo o hormônio regulador do cálcio e da regeneração óssea, estimula tanto a reabsorção óssea (via osteoclastos) quanto a tentativa de neoformação (via osteoblastos).

O problema fundamental é que este processo de "construção-reconstrução-construção-reconstrução" ocorre na ausência da matéria-prima essencial: o cálcio. O resultado é a formação de tecido ósseo estruturalmente defeituoso e fibroso, caracterizando a osteíte fibrosa cística, a forma mais comum de osteodistrofia renal na prática clínica.

🧠 Fisiopatologia: Deficiência de vitamina D ativada → ↓ absorção intestinal de cálcio → Hipocalcemia → Estímulo das paratireoides → Acúmulo de fósforo (↓ TFG) → Quelação adicional de cálcio + Inibição adicional do calcitriol → Hiperparatireoidismo secundário grave → Ativação de osteoblastos e osteoclastos → Remodelação óssea sem cálcio adequado → Osteíte fibrosa cística.

Formas Clínicas da Osteodistrofia Renal

1. Osteíte Fibrosa Cística (Mais Comum)

Representa a forma clássica e mais frequente de osteodistrofia renal, caracterizada por hiperparatireoidismo secundário com alto turn-over ósseo. É causada pela ativação excessiva do sistema osteoblasto-osteoclasto em contexto de disponibilidade inadequada de cálcio.

Achados radiológicos característicos:

Achados laboratoriais:

2. Doença Óssea Adinâmica (Baixo Turn-over)

Esta forma de osteodistrofia representa o espectro oposto, resultando paradoxalmente do tratamento excessivo do hiperparatireoidismo secundário. Quando o manejo terapêutico é muito intensivo, ocorre supressão exagerada do PTH, levando à virtual paralisia do processo de remodelação óssea.

Critérios diagnósticos:

⚠️ Atenção: Na doença óssea adinâmica, o osso está "parado", sem remodelação adequada. A conduta é reduzir a intensidade do tratamento (diminuir quelantes de cálcio, calcitriol e calcimiméticos) para permitir que o PTH volte ao alvo terapêutico.
3. Osteomalácia

Caracterizada por mineralização óssea deficiente, geralmente associada a intoxicação por alumínio (hoje rara devido ao abandono de quelantes contendo alumínio) ou deficiência grave de vitamina D nativa.

Tratamento da Osteodistrofia Renal

Estágio G3 (TFG: 30-59 mL/min)

Restrição dietética de fósforo (800-1000 mg/dia): A intervenção inicial e fundamental é a limitação da ingesta de fósforo. Como o fósforo está presente principalmente em alimentos proteicos, a restrição proteica controlada (0,8 g/kg/dia) é essencial. O objetivo é manter o fósforo sérico abaixo de 5,5 mg/dL.

Estágios G4/G5 (TFG < 30 mL/min)

1. Quelantes de fosfato: Quando a dieta isolada é insuficiente para controlar a hiperfosfatemia, introduzem-se quelantes de fosfato, que devem ser administrados junto às refeições para se ligarem ao fósforo alimentar e impedirem sua absorção.

💊 Tratamento: Sevelamer é preferível ao carbonato de cálcio em pacientes com hipercalcemia, calcifilaxia ou risco cardiovascular elevado. Apesar do custo mais elevado, oferece maior segurança cardiovascular no longo prazo.

2. Reposição de calcitriol: A administração de calcitriol (forma ativa da vitamina D) NÃO é indicada rotineiramente e requer critérios específicos:

🚨 Risco crítico: O uso indevido de calcitriol com fósforo elevado pode resultar em produto cálcio × fósforo > 55-70, levando a calcificações metastáticas graves: cardiopneumopatia restritiva, calcificação valvular e calcifilaxia (necrose cutânea isquêmica por calcificação dos capilares dérmicos - condição frequentemente fatal).

3. Calcimiméticos (Cinacalcete): Indicados quando há PTH persistentemente elevado apesar do controle adequado do fósforo e da vitamina D, ou quando o fósforo permanece elevado impedindo o uso de calcitriol.

4. Paratireoidectomia: Reservada para situações específicas de falha do tratamento clínico:

⚠️ Pegadinha de prova: DRC + hipercalcemia pode indicar: (1) Excesso de tratamento (carbonato de cálcio ou calcitriol em demasia) - conduta: reduzir tratamento; ou (2) Hiperparatireoidismo terciário (PTH > 1000, desenvolvimento de autonomia glandular) - conduta: paratireoidectomia subtotal.
Hiperparatireoidismo Terciário: Entendendo a Fisiopatologia

O hiperparatireoidismo terciário representa uma evolução do hiperparatireoidismo secundário de longa data, geralmente em estágios avançados da DRC (G5 ou em diálise). Caracteriza-se pelo desenvolvimento de hiperplasia nodular ou adenomatosa das paratireoides, que passam a secretar PTH de forma autônoma, independentemente dos níveis de cálcio ou fósforo.

Fisiopatologicamente, é como se houvesse uma sobreposição de hiperparatireoidismo primário (autonomia glandular) sobre o secundário (resposta à deficiência de calcitriol). Por isso, alguns autores usam a nomenclatura "2 + 1 = 3" (secundário + autonomia = terciário).

Manifestação clássica: Paciente com DRC avançada apresenta hipercalcemia (cálcio > 10,5 mg/dL) com PTH extremamente elevado (tipicamente > 800-1000 pg/mL). A hipercalcemia ocorre porque o PTH está tão elevado que a reabsorção óssea maciça libera cálcio suficiente para superar a hiperfosfatemia e elevar o cálcio sérico.

Doença Cardiovascular

Epidemiologia e Fisiopatologia

A doença cardiovascular representa a principal causa de morte em pacientes com DRC, responsável por aproximadamente 40-50% dos óbitos. O paciente renal crônico apresenta um fenômeno conhecido como "aterosclerose acelerada", com risco cardiovascular desproporcional ao esperado pelos fatores de risco tradicionais.

Este risco cardiovascular exacerbado é multifatorial, envolvendo fatores tradicionais (hipertensão, diabetes, dislipidemia) e fatores específicos da uremia (inflamação crônica, estresse oxidativo, calcificação vascular, anemia, hipervolemia, disfunção endotelial urêmica).

Dislipidemia na DRC

O perfil lipídico característico da DRC difere do padrão clássico da síndrome metabólica. A dislipidemia urêmica caracteriza-se por:

💡 Conceito importante: Na DRC, a dislipidemia é caracterizada principalmente pela redução do HDL e aumento de triglicerídeos, e não tanto pela elevação do LDL (diferente da síndrome metabólica clássica).

Tratamento da Dislipidemia

Estatinas: Recomendadas para todos os pacientes com DRC e idade > 50 anos, independentemente dos níveis de LDL-colesterol. As estatinas reduzem significativamente eventos cardiovasculares e mortalidade, embora não alterem a progressão da função renal.

⚠️ Atenção: Estatinas melhoram sobrevida cardiovascular e global na DRC, mas não modificam a progressão da doença renal. O benefício é exclusivamente cardiovascular.

Outras causas de mortalidade: Embora a doença cardiovascular seja a principal causa de morte, infecções representam a segunda causa mais frequente de óbito em pacientes com DRC avançada, especialmente aqueles em diálise.

Manifestações Gastrointestinais

Os sintomas gastrointestinais frequentemente representam as primeiras manifestações clínicas da síndrome urêmica, surgindo quando a TFG cai abaixo de 15 mL/min (estágio G5).

Sintomas característicos:

🔎 Diagnóstico: Anorexia é frequentemente o sintoma mais precoce da uremia. A presença de náuseas, vômitos e hálito urêmico indicam uremia mais avançada e necessidade de iniciar terapia renal substitutiva.

Manifestações Neurológicas

As complicações neurológicas da uremia apresentam amplo espectro, desde sintomas sensitivos leves até alterações graves do nível de consciência.

Estágio G4 (TFG 15-29 mL/min):

Estágio G5 (TFG < 15 mL/min) e Uremia Avançada:

⚠️ Lembrete clínico: Asterixis (flapping) não é específico de encefalopatia hepática. Ocorre em diversas encefalopatias metabólicas, incluindo a urêmica. Sempre pesquisar função renal em paciente com asterixis.

Manifestações Cardíacas e Pericárdicas

Pericardite Urêmica

A pericardite urêmica é uma complicação grave que pode ocorrer em dois contextos clínicos distintos:

Manifestações clínicas:

Achados complementares:

💊 Tratamento: A pericardite urêmica é indicação de intensificação ou início da diálise. Aumentar frequência e duração das sessões de hemodiálise (diálise diária se necessário). Anti-inflamatórios são contraindicados na DRC avançada. Pericardiocentese se tamponamento.

Manifestações Pulmonares e Pleurais

Pulmão Urêmico

O pulmão urêmico representa edema pulmonar de etiologia multifatorial na uremia avançada (hipervolemia, disfunção ventricular, aumento da permeabilidade capilar). Atualmente é manifestação rara devido ao início mais precoce da diálise.

Achado radiológico clássico: Infiltrado pulmonar bilateral em padrão "asa de morcego" ou "asa de borboleta", com distribuição peri-hilar e preservação relativa da periferia pulmonar.

Derrame Pleural

Ocorre em aproximadamente 20% dos pacientes urêmicos, geralmente associado a hipervolemia, insuficiência cardíaca congestiva ou pericardite urêmica com extensão pleural. Caracteriza-se como transudato na maioria dos casos.

Distúrbios da Hemostasia

Fisiopatologia do Sangramento Urêmico

Pacientes com síndrome urêmica, seja na apresentação aguda ou crônica, desenvolvem uma tendência aumentada ao sangramento devido a anormalidades na hemostasia primária. O principal mecanismo fisiopatológico envolve a disfunção plaquetária, especificamente na capacidade de adesão e agregação das plaquetas ao endotélio vascular lesado.

Entre as diversas toxinas urêmicas dialisáveis implicadas nessa disfunção hemostática, destaca-se o ácido guanidinosuccínico como o principal agente responsável. Esse metabólito acumula-se na circulação quando a função renal está comprometida e interfere diretamente na função plaquetária. A remoção dessas toxinas através da diálise é capaz de corrigir o distúrbio hemostático.

🩸 Ponto-chave: O ácido guanidinosuccínico é a principal toxina urêmica responsável pela disfunção plaquetária e tendência ao sangramento na insuficiência renal!

Adicionalmente, a anemia presente em pacientes com DRC contribui significativamente para o distúrbio hemostático. Quando o hematócrito cai abaixo de 30%, há redução na interação adequada entre plaquetas e parede vascular, uma vez que as hemácias desempenham papel fundamental no direcionamento das plaquetas para a região periférica do fluxo sanguíneo, facilitando seu contato com o endotélio.

Abordagem Terapêutica dos Distúrbios Hemostáticos

O manejo do sangramento em pacientes urêmicos pode ser dividido em medidas temporárias e definitivas:

Medidas Temporárias (Enquanto aguarda diálise)
💊 Tratamento definitivo: A diálise é a única medida definitiva para corrigir o distúrbio hemostático urêmico. Na hemodiálise, deve-se realizar o procedimento SEM heparina. A diálise peritoneal é alternativa segura.
Detalhes sobre o uso de DDAVP (Desmopressina)

A desmopressina atua aumentando a liberação de fator de von Willebrand a partir de estoques endoteliais pré-formados. Este mecanismo explica o fenômeno de taquifilaxia observado já após a segunda dose do medicamento, resultante do esgotamento progressivo desses estoques endoteliais. Portanto, não é recomendado o uso prolongado desta medicação.

Posologia do DDAVP:

Manifestações Cutâneas

Prurido Urêmico

O prurido urêmico representa uma das manifestações cutâneas mais incapacitantes da DRC, sendo particularmente prevalente em pacientes no estágio 5 da doença. Este sintoma possui características clínicas específicas que auxiliam no reconhecimento diagnóstico:

Causas e Fatores Associados ao Prurido Urêmico

Diversos fatores contribuem para o desenvolvimento e manutenção do prurido em pacientes com DRC:

🔎 Achado característico: O prurido urêmico é mais intenso à noite, localiza-se predominantemente no dorso e causa prejuízo importante do sono. É mais comum no estágio 5 da DRC!

Outras Alterações Dermatológicas

Além do prurido, outras manifestações cutâneas podem ser observadas na DRC, embora com menor frequência na prática clínica atual:

Alterações Nutricionais e Metabólicas

Desnutrição na Doença Renal Crônica

A desnutrição é uma complicação frequente e clinicamente significativa em pacientes com DRC. O estado catabólico e a perda de massa muscular resultam de múltiplos fatores fisiopatológicos que atuam sinergicamente:

💡 Conceito importante: Pacientes com DRC desenvolvem RESISTÊNCIA À INSULINA, contribuindo para desnutrição e alterações metabólicas. A avaliação nutricional deve iniciar no estágio 3 da doença!

Recomendações para Avaliação Nutricional

Dada a importância da desnutrição como fator prognóstico na DRC, recomenda-se que a avaliação nutricional sistemática seja iniciada no estágio 3 da doença renal crônica, permitindo intervenções precoces e melhor controle metabólico.

Outros Distúrbios Endócrinos

Hipogonadismo e Disfunção Sexual

O hipogonadismo representa uma complicação endócrina significativa na DRC, afetando tanto homens quanto mulheres através de mecanismos hormonais distintos:

Alterações Hormonais
Manifestações Clínicas do Hipogonadismo

O déficit hormonal resulta em duas categorias principais de manifestações:

1. Infertilidade e alterações reprodutivas:

2. Disfunção sexual:

Resposta Terapêutica

A resposta dos distúrbios gonadais às intervenções terapêuticas é variável:

⚠️ Atenção com medicações: A metformina está CONTRAINDICADA quando a TFG é inferior a 30 ml/min/1,73m², devido ao risco de acidose láctica!

Tratamento da Doença Renal Crônica

O manejo da DRC é estratificado conforme a taxa de filtração glomerular (TFG) e presença de albuminúria, com objetivos terapêuticos específicos para cada estágio. A abordagem é progressiva, adicionando-se intervenções à medida que a função renal declina.

Classificação da Albuminúria

Estágio TFG (ml/min/1,73m²) Complicações Principais Objetivos Terapêuticos
G1 ≥ 90 Albuminúria presente • Controlar HAS e DM
• Estatina se idade > 50 anos
• IECA ou BRA
• iSGLT-2 (se DM, IC ou albumina/creat > 200)
• Evitar progressão e controlar fatores de risco
G2 60-89 Albuminúria presente • Mesmas medidas do G1
• Reduzir pressão glomerular
• Controlar proteinúria
G3a 45-59 Anemia inicial
Osteodistrofia inicial
Acidose
• Medidas do G1/G2
• Restrição proteica (0,8 g/kg/dia)
• Tratar anemia (EPO)
• Bicarbonato de sódio VO se HCO₃ < 20
G3b 30-44 Anemia
Osteodistrofia
Acidose
• Todas as medidas anteriores
• Tratamento específico da anemia
• Tratamento da doença óssea
• Restrição de sal e proteína
G4 15-29 Uremia inicial
Hipercalemia
Osteodistrofia
• Todas as medidas anteriores
• Tratar osteodistrofia renal
• Restrição de potássio na dieta
Preparar para TSR (confecção de fístula)
G5 < 15 Falência renal
Uremia grave
Hipercalemia grave
Terapia de Substituição Renal (TSR)
• Diálise indicada quando TFG < 10
• Avaliação para transplante renal

Medidas Gerais para Todos os Estágios (G1 a G5)

Independentemente do estágio da DRC, algumas medidas devem ser implementadas universalmente, pois apresentam impacto comprovado na redução da progressão da doença:

💊 Destaque terapêutico: Os inibidores de SGLT-2 (iSGLT-2) têm ganhado importância crescente no tratamento da DRC, com benefícios demonstrados mesmo em pacientes não diabéticos!

Estágios G1 e G2: Prevenção da Progressão

Pacientes nos estágios iniciais geralmente são oligossintomáticos ou assintomáticos. O foco terapêutico está em prevenir a progressão da lesão renal através de:

Estágio G3: Início das Complicações

No estágio G3, surgem as primeiras complicações específicas da DRC que requerem tratamento direcionado:

Restrições dietéticas:

Tratamento da anemia:

Estágio G4: Preparação para Terapia de Substituição Renal

O estágio G4 representa um momento crítico no manejo da DRC, pois aproximadamente 30% dos pacientes evoluirão para estágio G5 em 1 a 3 anos. Nesta fase, além de todas as medidas anteriores, são necessárias intervenções adicionais:

Tratamento da osteodistrofia renal:

Manejo da hipercalemia:

Preparação para TSR:

🚨 Importante: No estágio G4, iniciar preparação para TSR! A confecção da fístula deve ser realizada com antecedência, pois necessita de tempo para maturação (geralmente 6-8 semanas) antes do uso.

Estágio G5: Terapia de Substituição Renal

No estágio G5, a função renal residual é insuficiente para manter a homeostase, sendo necessária a terapia de substituição renal (TSR). As opções incluem:

Manejo da Acidose Metabólica na DRC

A acidose metabólica na DRC apresenta características específicas conforme a progressão da doença:

Fases iniciais e intermediárias (TFG entre 5-10 e 20 ml/min):

Fases tardias (TFG < 5-10 ml/min):

Tratamento da Acidose Metabólica

Estudos demonstram que o tratamento da acidose metabólica pode retardar a progressão da DRC e melhorar a sobrevida renal. A recomendação atual é:

⚠️ Atenção antes de repor bicarbonato: SEMPRE verificar o cálcio sérico livre antes de iniciar reposição de bicarbonato! A acidose "protege" da hipocalcemia ao "desgrudar" o cálcio ligado à albumina. Ao corrigir a acidose (alcalose relativa), o cálcio se liga à albumina, e o cálcio livre pode cair bruscamente, causando convulsões ou arritmias cardíacas. Recomendação: repor cálcio ANTES de repor bicarbonato em pacientes hipocalcêmicos.

Mecanismo da Interação Cálcio-Bicarbonato

A relação entre acidose, alcalose e cálcio sérico é fundamental para a segurança terapêutica:

Sequência segura de correção:

  1. Avaliar cálcio sérico total e ionizado
  2. Se hipocalcemia presente: repor cálcio primeiro
  3. Após normalização do cálcio: iniciar reposição de bicarbonato
  4. Monitorizar ambos os eletrólitos durante o tratamento

Terapia de Substituição Renal

A terapia de substituição renal (TSR) é indicada quando a função renal está criticamente comprometida, seja de forma aguda ou crônica. As principais modalidades de TSR incluem o transplante renal e a diálise (hemodiálise e diálise peritoneal). A escolha do método depende de múltiplos fatores clínicos, sociais e estruturais.

Transplante Renal

O transplante renal é considerado o método preferencial de terapia de substituição renal por proporcionar melhor qualidade de vida e maior sobrevida ao paciente quando comparado à diálise. Entretanto, sua aplicação enfrenta limitações importantes.

Limitações do Transplante
💡 Lembre-se: O transplante renal aumenta a sobrevida do paciente com doença renal crônica terminal quando comparado à manutenção exclusiva em diálise, sendo, portanto, a opção terapêutica de primeira escolha sempre que possível.

Diálise

A diálise é uma técnica que substitui parcialmente as funções renais, removendo toxinas urêmicas, excesso de líquidos e corrigindo distúrbios eletrolíticos e ácido-básicos. Pode ser realizada de forma aguda, em situações de urgência, ou crônica, em pacientes com doença renal terminal.

Indicações para Diálise

Diálise de urgência: indicada em casos agudos e graves, nos quais há risco iminente à vida. As principais situações incluem:

Doença renal crônica: a diálise é indicada quando a taxa de filtração glomerular (TFG) atinge valores críticos, geralmente menor que 10 a 15 mL/min/1,73m² (estágio V). A indicação pode ser antecipada (TFG menor que 15) em pacientes diabéticos em tratamento conservador ou com insuficiência cardíaca congestiva.

⚠️ Atenção: A diálise deve ser iniciada de forma eletiva quando o paciente ainda está relativamente estável, antes que complicações graves da uremia se instalem. Aguardar sintomas intensos para iniciar a TSR piora o prognóstico.

Modalidades de Diálise

Existem duas principais modalidades de diálise: hemodiálise e diálise peritoneal. Ambas baseiam-se nos mesmos princípios físico-químicos (difusão, osmose e ultrafiltração), diferindo no local onde ocorre a troca de solutos.

Hemodiálise

A hemodiálise é a modalidade mais utilizada, correspondendo a aproximadamente 90% dos casos de diálise. Neste método, o sangue do paciente é bombeado através de um circuito extracorpóreo que contém uma membrana semipermeável (dialisador), onde ocorre a remoção de toxinas e excesso de líquidos.

Acesso Vascular

Para que a hemodiálise seja realizada, é necessário um acesso vascular que permita fluxo sanguíneo adequado. As opções incluem:

🧠 Conceito importante: A fístula arteriovenosa deve ser confeccionada preferencialmente com pelo menos 6 meses de antecedência ao início previsto da hemodiálise, permitindo tempo adequado para maturação. A principal complicação da FAV não é infecção, mas sim a não maturação ou a estenose do componente venoso proximal.
Tipos de Hemodiálise

Hemodiálise intermitente: é a forma mais utilizada em pacientes estáveis. As sessões ocorrem tipicamente 3 vezes por semana, com duração de 3 a 4 horas cada. É adequada para pacientes ambulatoriais ou internados hemodinamicamente estáveis.

Hemodiálise contínua: indicada para pacientes com instabilidade hemodinâmica, especialmente em ambiente de terapia intensiva. As sessões duram de 12 a 24 horas, com remoção mais gradual de líquidos e solutos, minimizando oscilações bruscas na volemia e na pressão arterial. Subtipos incluem:

Princípios da Hemodiálise

A hemodiálise baseia-se em três princípios fundamentais:

Composição da Solução de Diálise

A solução de diálise, também chamada de dialisato, é composta por água ultrapura acrescida de eletrólitos em concentrações específicas:

Componentes do Circuito de Hemodiálise
⚠️ Cuidado: Em pacientes com pericardite urêmica, a heparinização durante a hemodiálise pode precipitar tamponamento cardíaco. Nesses casos, prefere-se a lavagem com soro fisiológico ou uso de anticoagulação regional com citrato.
Preferências para Hemodiálise

A hemodiálise é o método preferencial nas seguintes situações:

Complicações da Hemodiálise

Complicações agudas:

Complicações crônicas:

Avaliação da Eficácia da Hemodiálise

A eficácia da diálise é avaliada por meio de:

Diálise Peritoneal

Na diálise peritoneal, a membrana semipermeável utilizada é o próprio peritônio do paciente, uma estrutura ricamente vascularizada. A solução de diálise é infundida na cavidade peritoneal através de um cateter, permanece por determinado período (tempo de permanência), e então é drenada, carregando consigo toxinas e excesso de líquidos.

Acesso: Cateter de Tenckhoff

O acesso permanente para diálise peritoneal é o cateter de Tenckhoff, instalado cirurgicamente. O cateter percorre um túnel subcutâneo antes de atingir a cavidade peritoneal pélvica. Possui cuffs de Dacron em cada extremidade do segmento subcutâneo para reduzir o risco de peritonite por translocação bacteriana da pele. Idealmente, deve-se aguardar pelo menos 2 semanas após a instalação do cateter antes de iniciar seu uso para permitir cicatrização adequada.

Tipos de Diálise Peritoneal

Diálise peritoneal intermitente: menos utilizada atualmente, realizada em sessões hospitalares programadas.

Diálise peritoneal contínua: métodos mais utilizados, que permitem ao paciente realizar a diálise em domicílio:

Princípios da Diálise Peritoneal

Os mesmos princípios da hemodiálise se aplicam: gradiente de concentração, área de superfície (peritônio) e coeficiente de transferência. A remoção de líquidos é determinada pela osmolaridade da solução de diálise (concentração de glicose).

Preferências para Diálise Peritoneal

A diálise peritoneal é preferível nas seguintes situações:

Complicações da Diálise Peritoneal
🔎 Diagnóstico de peritonite infecciosa na diálise peritoneal: líquido peritoneal com mais de 100 leucócitos/µL e predomínio de neutrófilos (> 50%). Diferente do critério para PBE (≥ 250 leucócitos/µL). Deve-se iniciar antibioticoterapia empírica imediatamente.

Manifestações que Revertem ou Não com a Diálise

É fundamental compreender quais manifestações da uremia são revertidas pela diálise (complicações agudas) e quais persistem apesar do tratamento dialítico (complicações crônicas).

Manifestações que Revertem com a Diálise (Agudas)
Manifestações que Não Revertem com a Diálise (Crônicas)
💡 Conceito High Yield: A diálise corrige principalmente as complicações agudas e potencialmente fatais da uremia (hipervolemia, hipercalemia, acidose, pericardite). As manifestações crônicas (anemia, osteodistrofia, aterosclerose) persistem e requerem tratamento específico adicional.
Revertem com Diálise Não Revertem com Diálise
Hipervolemia Anemia
Acidose metabólica Osteodistrofia renal
Hipercalemia Aterosclerose acelerada
Hiponatremia Imunodepressão
Azotemia Desnutrição
Disfunção plaquetária Prurido
Pericardite urêmica Dislipidemia

Transplante Renal

O transplante renal representa a modalidade de TSR mais eficaz, proporcionando maior sobrevida e melhor qualidade de vida quando comparado às terapias dialíticas. Está indicado para pacientes que já se encontram em programa dialítico ou que apresentam taxa de filtração glomerular (TFG) inferior a 10 mL/min/1,73m² (ou inferior a 15 mL/min/1,73m² em menores de 18 anos ou diabéticos em tratamento conservador).

Contraindicações ao Transplante

Contraindicações Absolutas
Contraindicações Relativas
💡 Importante: As contraindicações relativas permitem transplante após otimização clínica e avaliação criteriosa de risco-benefício.

Pré-requisitos para o Transplante

Compatibilidade Imunológica

A compatibilidade tecidual entre doador e receptor é fundamental para reduzir o risco de rejeição do enxerto. A análise inclui tipagem ABO e compatibilidade HLA (antígenos leucocitários humanos).

Critérios do Doador Vivo
Critérios do Doador Cadavérico (Critério Padrão)
Doador com Critério Expandido (DCE)

Devido à desproporção significativa entre oferta e demanda de órgãos para transplante, a utilização de doadores com critério expandido aumentou substancialmente nas últimas décadas. Estudos evidenciam que o transplante utilizando DCE oferece melhor sobrevida ao paciente em comparação à permanência em lista de espera em diálise.

São considerados doadores com critério expandido aqueles que preenchem um dos seguintes perfis:

🧠 Conceito-chave: O uso de DCE amplia o acesso ao transplante e demonstra benefício de sobrevida mesmo com maior risco de disfunção do enxerto quando comparado a doadores padrão.

Aspectos Técnicos do Procedimento

O implante do enxerto renal é realizado preferencialmente na fossa ilíaca direita. A escolha por esta localização se deve à maior facilidade técnica para anastomose vascular com os vasos ilíacos (artéria e veia ilíacas externas) e ao fato de que a fossa ilíaca esquerda apresenta a presença do cólon sigmoide, que pode dificultar o acesso cirúrgico e aumentar o risco de complicações.

💡 Detalhe técnico: O rim nativo geralmente não é removido, exceto em situações específicas (rim policístico volumoso, neoplasia, infecção crônica). O enxerto é posicionado em fossa ilíaca, extraperitoneal.

Imunossupressão

O sucesso do transplante renal depende fundamentalmente do controle adequado da resposta imunológica do receptor contra o enxerto. A terapia imunossupressora é dividida em duas fases principais:

Terapia de Indução

Realizada no período perioperatório imediato, visa prevenir rejeição aguda precoce. Utiliza-se imunobiológicos potentes, como:

Terapia de Manutenção ("Terapia Tripla")

Instituída após a fase de indução, mantida cronicamente para prevenir rejeição. O esquema clássico triplo inclui:

⚠️ Atenção: A terapia imunossupressora exige monitorização rigorosa dos níveis séricos dos fármacos e ajustes individualizados para equilibrar prevenção de rejeição e risco infeccioso.

Complicações Pós-Transplante

Rejeição do Enxerto

A rejeição resulta de resposta imune inadequadamente controlada contra o tecido transplantado. O manejo inclui redução da imunossupressão quando houver necessidade de ajuste fino, mas geralmente requer intensificação com pulsoterapia de corticoides ou uso de anticorpos para rejeições agudas graves.

🔎 Diagnóstico: A biópsia renal é o padrão-ouro para confirmar e classificar rejeição (mediada por células T, mediada por anticorpos ou mista).
Infecções Oportunistas

A imunossupressão predispõe a infecções por patógenos oportunistas. O agente etiológico varia conforme o período pós-transplante, seguindo padrão temporal característico:

🦠 Período Peritransplante (Primeiro Mês)
🦠 Período Precoce (1º ao 6º Mês)
💊 Profilaxia: Sulfametoxazol-trimetoprima previne pneumocistose e nocardiose. Valganciclovir previne citomegalovirose em pacientes de alto risco.
🦠 Período Tardio (Após o 6º Mês)
Nefropatia pelo Vírus BK

O poliomavírus BK (BKV) representa importante causa de disfunção tardia do enxerto renal. Aproximadamente 90% da população apresentou infecção assintomática por este vírus durante a infância, permanecendo em estado de latência no parênquima renal. Sob imunossupressão intensa, ocorre reativação viral, resultando em nefrite intersticial progressiva com fibrose e atrofia tubular.

Rastreamento e diagnóstico:

Tratamento: redução da intensidade da imunossupressão constitui a principal medida terapêutica.

🚨 Alerta: Toda disfunção de enxerto após o 6º mês de transplante deve incluir investigação para reativação do vírus BK.
Outras Complicações
⚠️ Oncologia: 5-6% dos pacientes desenvolvem neoplasias. Proteção solar rigorosa e rastreamento oncológico regular são essenciais.
Período Principais Complicações Causas Frequentes
Imediato (minutos-horas) Rejeição hiperaguda, trombose vascular, necrose tubular aguda (NTA) Incompatibilidade ABO/HLA, trombose veia renal, ateroembolismo, isquemia prolongada
Precoce (1-12 semanas) Rejeição aguda celular ou humoral, infecções, obstrução ureteral Falha imunossupressão, nefrotoxicidade (tacrolimus/ciclosporina), complicações cirúrgicas
Tardio (>3 meses) Rejeição crônica, infecções oportunistas, obstrução vascular Adesão inadequada à imunossupressão, HAS não controlada (principal causa), nefropatia por BKV

Pontos High Yield Notes

1️⃣ Fístula Arteriovenosa (FAV)

💡 Indicação: Pacientes com creatinina > 4 mg/dL ou clearance de creatinina < 25 mL/min.

Características Técnicas

⚠️ Complicação mais comum: Não maturação da fístula (não é infecção!). Quando ocorre, deve-se confeccionar fístula no membro contralateral.
🔎 Principal complicação pós-maturação: Estenose do componente venoso proximal (não é infecção!).

2️⃣ Transplante Renal

💡 Eficácia: Mais eficaz que a diálise, aumentando a sobrevida do paciente.

Indicações

Técnica Cirúrgica

🔎 Local do enxerto: Fossa ilíaca direita (na esquerda há o sigmoide, que pode dificultar). Facilita anastomose com vasos ilíacos.

Complicações Pós-Transplante

🚨 Imediatas (minutos a horas):

⚠️ Precoces (1-12 semanas):

💊 Tardias (> 3 meses):

⚠️ Neoplasias: 5-6% dos pacientes desenvolvem câncer (pele, lábios, colo uterino, linfoma não-Hodgkin).

3️⃣ Diálise

💡 Indicação na DRC: TFG < 10 mL/min (ou < 15 mL/min se diabetes em tratamento conservador ou IC congestiva).

Hemodiálise

Hemodiálise contínua:

Hemodiálise intermitente:

🩸 Distúrbio hidroeletrolítico mais comum: Hipocalemia.

Diálise Peritoneal

💡 Principais indicações:

Observação: Tão eficaz quanto a hemodiálise, mas com indicações específicas.