Acidente Vascular Encefálico (AVE)
Conceitos Iniciais
O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é caracterizado pelo desenvolvimento de um déficit neurológico focal súbito, que pode, em algumas situações, ser global. Este evento ocorre devido a uma interrupção do fluxo sanguíneo para uma área do cérebro (AVE isquêmico) ou a um sangramento dentro ou ao redor do tecido cerebral (AVE hemorrágico).
🧠 Lembre-se: A principal manifestação clínica que nos direciona para a suspeita de AVE é um déficit neurológico focal súbito. Isso significa que, de forma abrupta, o paciente perde a capacidade de realizar uma função específica, como mover um membro, falar ou compreender.
Ataque Isquêmico Transitório (AIT)
O Ataque Isquêmico Transitório (AIT) é definido como um episódio de disfunção neurológica focal causada por isquemia cerebral, medular ou retiniana, sem evidência de infarto agudo em exames de neuroimagem. Antigamente, a reversão dos sintomas em menos de 24 horas era o critério diagnóstico. No entanto, essa definição é considerada ultrapassada, pois estudos demonstraram que muitos pacientes com sintomas transitórios apresentavam áreas de infarto cerebral em exames de imagem.
- Definição Atual: Para confirmar um AIT, além da sintomatologia passageira, é imprescindível um exame de neuroimagem que não identifique infarto neuronal.
- Duração Prática: Embora o conceito histórico envolva 24 horas, na prática clínica, um AIT geralmente dura cerca de 10 a 15 minutos.
- Conduta: Se os sintomas neurológicos focais súbitos persistirem por mais de 10-15 minutos, o paciente deve ser tratado imediatamente como um AVE, sem esperar a resolução espontânea ou o período de 24 horas.
🚨 Atenção: Qualquer deficiência neurológica focal súbita que se prolongue por mais de 10-15 minutos deve ser considerada um AVE e tratada como tal, visando a intervenção precoce e a minimização de danos.
Etiologia do AVE
O Acidente Vascular Encefálico pode ser classificado em dois tipos principais, com diferentes prevalências:
- AVE Isquêmico: Corresponde a aproximadamente 80% dos casos. É causado pela obstrução de um vaso sanguíneo cerebral, impedindo o fluxo de sangue e oxigênio para uma parte do cérebro.
- AVE Hemorrágico: Corresponde a cerca de 20% dos casos. Resulta do rompimento de um vaso sanguíneo, causando sangramento dentro ou ao redor do cérebro.
| Tipo de AVE |
Prevalência |
Característica Principal |
Achado Inicial na TC de Crânio |
| Isquêmico |
~80% |
Obstrução do fluxo sanguíneo cerebral |
Geralmente normal nas primeiras horas; hipodenso após 24-72h |
| Hemorrágico |
~20% |
Sangramento intracraniano |
Hiperdenso desde o início |
| Hemorrágico Subaracnoide (AVCH SAH) |
Subtipo de AVEh |
Sangramento no espaço subaracnoide |
Hiperdenso no espaço subaracnoide |
| Hemorrágico Intraparenquimatoso (AVCH IP) |
Subtipo de AVEh |
Sangramento dentro do parênquima cerebral |
Hiperdenso dentro do parênquima |
Exame Inicial para Diferenciar os Tipos de AVE
A diferenciação entre AVE isquêmico e hemorrágico é crucial para o manejo adequado e deve ser feita rapidamente. O exame de imagem de escolha para essa distinção inicial é a Tomografia Computadorizada (TC) de crânio sem contraste.
- Objetivo Principal da TC: O objetivo primário da TC de crânio na fase aguda do AVE é afastar a presença de hemorragia.
- Achados na TC:
- AVE Hemorrágico (AVEh): A hemorragia é visível desde o primeiro momento como uma lesão HIPERdensa (mais clara) na TC.
- AVE Isquêmico (AVEi): Na fase inicial (primeiras horas), a TC de crânio pode ser normal. Os sinais de isquemia (lesão HIPOdensa – mais escura em relação ao parênquima cerebral) geralmente surgem após 24 a 72 horas. Por isso, em casos de suspeita de AVE isquêmico com TC inicial normal, pode ser necessária a repetição da neuroimagem após esse período.
🔎 Diagnóstico: A TC de crânio sem contraste é a ferramenta diagnóstica inicial mais importante para o AVE, principalmente para excluir hemorragia, que contraindica a trombólise em casos de AVE isquêmico.
Vantagens da Ressonância Magnética (RNM) em Relação à TC no AVE Isquêmico
Embora a TC seja o exame inicial de escolha devido à sua disponibilidade e rapidez, a Ressonância Magnética (RNM) oferece maior sensibilidade e especificidade para a detecção de AVE isquêmico, especialmente em certas situações.
- Melhor Identificação de AVE:
- Precoce: A RNM consegue identificar sinais de isquemia cerebral muito mais cedo do que a TC, em questão de minutos a poucas horas após o início dos sintomas.
- Infartos Lacunares: É superior na detecção de pequenos infartos em regiões profundas do cérebro, conhecidos como infartos lacunares.
- Fossa Posterior: Apresenta melhor visualização de lesões na fossa posterior (tronco cerebral e cerebelo), onde artefatos ósseos podem dificultar a avaliação pela TC.
- Técnicas Avançadas:
- DIFUSÃO (DWI): É a técnica mais sensível para detectar isquemia aguda, mostrando restrição à difusão da água nas células isquêmicas.
- PERFUSÃO (PWI): Permite visualizar áreas de hipoperfusão cerebral e identificar a penumbra isquêmica (o chamado "mismatch" entre DWI e PWI), que é o tecido cerebral em risco, mas ainda viável, que pode ser salvo com a reperfusão.
💡 Dica High Yield: A identificação da penumbra isquêmica através das técnicas de difusão e perfusão na RNM é fundamental para guiar decisões terapêuticas, especialmente em janelas de tempo estendidas para trombólise ou trombectomia mecânica.
Acidente Vascular Encefálico (AVE) Isquêmico
Patogênese
O Acidente Vascular Encefálico (AVE) isquêmico é desencadeado pela obstrução do fluxo sanguíneo em uma artéria cerebral, geralmente por um trombo. Essa interrupção do suprimento de oxigênio e nutrientes leva a uma cascata de eventos celulares, resultando em isquemia tecidual.
🧠 Conceito Chave: Os neurônios são as células mais sensíveis à isquemia. Em poucos minutos de privação sanguínea, eles começam a sofrer danos irreversíveis, culminando em infarto neuronal.
No contexto de um AVE isquêmico, o cérebro desenvolve duas regiões distintas:
- Área de Infarto Neuronal: Esta é a região central onde os neurônios já sofreram morte celular irreversível devido à isquemia prolongada. Infelizmente, esta área não pode ser recuperada, pois os neurônios não possuem capacidade de regeneração.
- Área de Penumbra Isquêmica: Circundando a área de infarto, encontra-se a penumbra isquêmica. Esta região é composta por neurônios que, embora estejam em sofrimento isquêmico e com função comprometida, ainda são viáveis. Eles recebem um fluxo sanguíneo marginal, insuficiente para manter a função normal, mas suficiente para evitar a morte imediata.
A importância clínica da área de penumbra é crucial na fase aguda do tratamento do AVE isquêmico. O objetivo terapêutico principal não é salvar a área já infartada, mas sim restaurar o fluxo sanguíneo para a penumbra isquêmica. A rápida reperfusão dessa área pode prevenir a progressão do dano neuronal, minimizando a extensão do infarto e, consequentemente, as sequelas neurológicas.
Principais Subtipos (Classificação TOAST)
A classificação TOAST (Trial of Org 10172 in Acute Stroke Treatment) é amplamente utilizada para categorizar os subtipos etiológicos do AVE isquêmico, o que auxilia na escolha da estratégia terapêutica e profilática.
1. Embólico
Neste subtipo, o trombo que oclui a artéria cerebral não se forma in situ, mas sim em um local distante, desloca-se pela corrente sanguínea e atinge a circulação cerebral, atuando como um êmbolo.
Cardioembólico
O êmbolo tem origem no coração. As condições cardíacas mais comuns que predispõem à formação de trombos e subsequente embolização incluem:
- Fibrilação Atrial (FA): É a causa mais frequente de AVE cardioembólico, devido à estase sanguínea nos átrios.
- Próteses Valvares Metálicas: Apresentam risco trombogênico significativo.
- Outras causas: Infarto agudo do miocárdio (IAM) recente com trombo mural, cardiomiopatias dilatadas, forame oval patente (FOP) com shunt da direita para a esquerda.
Arterio-Arterial (Aterosclerose de Grandes Artérias)
Neste caso, o êmbolo se origina de uma placa aterosclerótica instável em uma artéria de grande calibre, geralmente extracraniana, como a artéria carótida. A ulceração da placa forma um trombo que se desprende e migra para a circulação cerebral, obstruindo uma artéria de menor calibre (ex: artéria cerebral média).
2. Trombótico
O trombo se forma diretamente na artéria cerebral, causando a oclusão.
Médio Calibre
Refere-se à formação de um trombo in situ em artérias cerebrais de médio calibre, como as artérias cerebrais média, anterior ou posterior. A aterosclerose é a principal causa subjacente, levando à estenose e eventual oclusão.
Lacunar (Infarto de Pequenas Artérias)
Este subtipo ocorre devido à oclusão de pequenas artérias perfurantes, como as artérias lenticulo-estriadas, que irrigam estruturas profundas do cérebro (ex: cápsula interna, gânglios da base). Por definição, um infarto lacunar tem um tamanho inferior a 1 cm. A lipo-hialinose e a microateromatose são as patologias mais comuns dessas pequenas artérias, frequentemente associadas a hipertensão arterial e diabetes.
3. Criptogênico (Origem Indeterminada)
Este diagnóstico é atribuído quando, após uma investigação diagnóstica completa, não é possível identificar a causa do AVE. Embora o termo "criptogênico" sugira uma causa oculta, este subtipo não é incomum e representa uma parcela significativa dos casos de AVE isquêmico.
💡 High Yield Notes - Classificação TOAST Resumida:
- Aterosclerose de Grandes Artérias: Placas ateroscleróticas em artérias como a carótida ou vertebrais.
- Cardioembolismo: Origem cardíaca (principalmente Fibrilação Atrial).
- Lacunar (Infarto de Pequenas Artérias): Oclusão de artérias perfurantes (3-20 mm), associado a hipertensão e diabetes.
- Outras Causas: Menos frequentes, como vasculites (LES), sífilis, tuberculose, dissecções arteriais.
- Origem Indeterminada/Criptogênico: Quando a causa não é identificada após investigação.
Quadro Clínico
As manifestações clínicas do AVE isquêmico variam amplamente dependendo da artéria cerebral acometida e da área do cérebro que sofre isquemia. A identificação do território vascular afetado é fundamental para o diagnóstico topográfico.
| Território Acometido |
Manifestações Clínicas Típicas |
| Artéria Cerebral Média (ACM) |
- Hemiparesia e/ou hemiplegia contralateral (face e membro superior mais afetados que o inferior).
- Hipoestesia tátil e proprioceptiva contralateral (fasciobraquicrural).
- Afasia (de Broca ou Wernicke) se o hemisfério dominante for afetado.
- Negligência unilateral se o hemisfério não dominante for afetado.
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| Artéria Cerebral Anterior (ACA) |
- Paresia e/ou hemiplegia contralateral com predomínio crural (membro inferior mais afetado que o superior).
- Déficit sensitivo contralateral, também com predomínio crural.
- Alterações comportamentais: abulia (falta de iniciativa), mutismo, bradipsiquismo (lentidão do pensamento).
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| Artéria Cerebral Posterior (ACP) |
- Hemianopsia homônima contralateral (perda da visão no campo visual oposto ao lado da lesão).
- Pode haver ataxia (incoordenação motora).
- Alterações de memória, agnosia visual, alexia sem agrafia.
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| Território Vertebrobasilar |
- Síndromes cruzadas (déficits em um lado da face e no lado oposto do corpo).
- Ataxia, disartria (dificuldade na fala), disfagia (dificuldade para engolir).
- Vertigem, nistagmo, diplopia.
- Assimetria pupilar, rebaixamento do nível de consciência.
- Desvio do olhar conjugado.
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| Artéria Oftálmica |
- Amaurose fugaz (perda transitória e monocular da visão, "cortina descendo").
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Abordagem Terapêutica e Diagnóstica Inicial
A abordagem do AVE isquêmico é dividida em duas frentes principais:
- Tratamento Agudo (Pronto-Socorro): Focado em minimizar a extensão da área de infarto e, consequentemente, as sequelas neurológicas. O principal objetivo é a reperfusão da área de penumbra isquêmica.
- Tratamento Crônico (Ambulatorial): Visa a prevenção secundária, ou seja, evitar novos episódios de eventos isquêmicos através do controle dos fatores de risco e uso de medicações específicas.
Na fase aguda, a prioridade máxima é a salvaguarda da penumbra isquêmica. Como mencionado, a área de infarto já estabelecida é irrecuperável. Portanto, todas as intervenções urgentes são direcionadas a restaurar o fluxo sanguíneo para os neurônios viáveis na zona de penumbra, impedindo sua progressão para infarto.
A avaliação inicial deve ser rápida e sistemática, incluindo:
- Anamnese Detalhada: Foco no tempo de início dos sintomas (fundamental para elegibilidade a terapias de reperfusão).
- Exame Físico Completo: Avaliação dos sinais vitais e do estado neurológico.
- Escala NIHSS: Aplicação da National Institutes of Health Stroke Scale para quantificar o déficit neurológico.
🚨 Atenção: Não se esqueça de verificar a glicemia capilar imediatamente! A hipoglicemia pode mimetizar um déficit neurológico focal, e sua correção pode resolver o quadro sem necessidade de intervenções para AVE.
Escalas de Avaliação e Neuroimagem
Após a avaliação clínica inicial, a confirmação diagnóstica e a determinação da elegibilidade para terapias de reperfusão dependem de escalas padronizadas e exames de neuroimagem.
Escala NIHSS (National Institutes of Health Stroke Scale)
A NIHSS é uma ferramenta padronizada para quantificar a gravidade do déficit neurológico em pacientes com AVE. É aplicada rapidamente e fornece um escore objetivo que auxilia na decisão terapêutica e no prognóstico.
| Item Avaliado |
Escore Máximo |
| Nível de Consciência | 3 pontos |
| Orientação | 2 pontos |
| Resposta Motora a Comandos | 2 pontos |
| Olhar (Movimentos Oculares) | 2 pontos |
| Campo Visual | 3 pontos |
| Paralisia Facial | 3 pontos |
| Função Motora (Membro Superior) | 4 pontos |
| Função Motora (Membro Inferior) | 4 pontos |
| Ataxia dos Membros | 2 pontos |
| Sensibilidade | 2 pontos |
| Linguagem (Afasia) | 3 pontos |
| Disartria | 2 pontos |
Escore Total: Varia de 0 a 42 pontos. Quanto maior o escore, mais grave é o déficit neurológico e, consequentemente, o AVE.
Escore ASPECTS (Alberta Stroke Program Early CT Scoring)
O ASPECTS é um sistema de pontuação utilizado para avaliar sinais precoces de isquemia em tomografias de crânio sem contraste, especialmente na região da artéria cerebral média. Ele divide o território da ACM em 10 regiões e atribui um ponto para cada região normal.
- Pontuação: O escore máximo é 10 (TC normal). Reduz-se 1 ponto para cada área acometida por sinais de isquemia precoce.
- Interpretação: Quanto maior o escore ASPECTS, menor a extensão do infarto e melhor o prognóstico.
- Utilidade: É crucial para detectar sinais precoces de AVE e, principalmente, para determinar a elegibilidade de pacientes para trombectomia mecânica.
- Limiar Crítico: Um ASPECTS < 6 geralmente indica um infarto extenso e pode ser uma contraindicação para trombectomia mecânica devido ao alto risco de transformação hemorrágica e pior desfecho.
Neuroimagem na Fase Aguda
A neuroimagem é o pilar da abordagem diagnóstica do AVE isquêmico, permitindo diferenciar o tipo de AVE e identificar a extensão do dano.
Tomografia Computadorizada (TC) de Crânio sem Contraste
- Exame de Escolha: É o exame inicial de eleição no pronto-socorro devido à sua rapidez e disponibilidade.
- Principal Objetivo: Excluir hemorragia intracraniana, que contraindica a trombólise.
- Avaliação de Infarto Extenso: Ajuda a identificar sinais precoces de isquemia e a estimar a extensão do infarto (usando o escore ASPECTS, por exemplo, um ASPECTS < 7 pode indicar infarto extenso).
Angiotomografia (Angio-TC) de Crânio e Pescoço
- Indicação: Realizada após a TC sem contraste, especialmente se houver suspeita de oclusão de grandes vasos.
- Objetivo: Avaliar a presença de obstruções proximais em grandes artérias intracranianas (ex: segmento M1 da ACM) ou extracranianas (carótidas).
- Elegibilidade para Trombectomia Mecânica: É fundamental para identificar pacientes que podem se beneficiar da trombectomia mecânica, uma vez que este procedimento é indicado para oclusões de grandes vasos.
Ressonância Magnética (RM) de Encéfalo
- Situações Específicas: Embora não seja o exame de primeira linha na emergência devido à menor disponibilidade e maior tempo de aquisição, a RM é superior na detecção precoce de isquemia.
- Wake-Up Stroke: É o exame de escolha para pacientes com AVE de tempo de início desconhecido (ex: "wake-up stroke", quando o paciente acorda com os sintomas), pois pode diferenciar tecido isquêmico agudo de tecido já infartado.
- Trombectomia Mecânica Tardia: Permite avaliar a viabilidade da penumbra em janelas estendidas (acima de 6 horas do início dos sintomas), utilizando sequências como DWI (difusão) e FLAIR.
- Sequência Mais Precoce: A sequência de DIFUSÃO (DWI) é a mais sensível para detectar isquemia aguda, mostrando restrição à difusão da água em minutos após o evento isquêmico.
Abordagem na Fase Aguda (Primeiros 3 dias)
Estabilização Clínica
Na fase aguda do AVEi, a estabilização clínica é fundamental para otimizar o prognóstico do paciente. As principais medidas incluem:
- Controle de Parâmetros Vitais: Monitorar e controlar a temperatura corporal, os níveis séricos de sódio e, especialmente, a glicemia, mantendo-a entre 140-180 mg/dL.
- Manejo da Pressão Arterial (PA): A estratégia de manejo da PA no AVEi agudo é conhecida como Hipertensão Permissiva. O objetivo é manter a pressão arterial elevada para otimizar a perfusão cerebral na área de penumbra isquêmica, uma região de tecido cerebral em risco, mas ainda viável.
⚠️ Atenção à PA no AVEi Agudo:
- Pacientes NÃO candidatos à trombólise: Reduzir a PA apenas se > 220 x 120 mmHg, ou na presença de outra emergência hipertensiva (ex: edema agudo de pulmão, dissecção de aorta).
- Pacientes candidatos à trombólise: É IMPRESCINDÍVEL reduzir a PA para < 185 x 110 mmHg antes de iniciar a trombólise, devido ao risco aumentado de transformação hemorrágica.
💊 Drogas de escolha para redução da PA: Labetalol (preferencial) ou Nitroprussiato.
Lembre-se desses valores, são frequentemente cobrados em provas!
Terapia Antitrombótica
A terapia antitrombótica é um pilar fundamental no tratamento do AVE isquêmico, visando a reperfusão da área afetada e a prevenção de novos eventos.
- Antiagregação Plaquetária: O Ácido Acetilsalicílico (AAS) na dose de 160-300 mg deve ser iniciado nas primeiras 24-48 horas após o evento.
- Heparina Profilática: A heparina em dose profilática para TVP é recomendada nas primeiras 48 horas.
🚨 Importante sobre AAS e Trombolítico: Se o paciente recebeu terapia trombolítica, o AAS deve ser adiado por 24 horas para reduzir o risco de complicações hemorrágicas. A heparinização plena não é indicada na fase aguda do AVEi.
Trombolítico (RTPA - Alteplase)
A trombólise intravenosa com ativador do plasminogênio tecidual recombinante (RTPA) é o tratamento de escolha para o AVE isquêmico agudo, quando indicado. É crucial seguir os critérios de elegibilidade e exclusão rigorosamente.
- Janela Terapêutica: Deve ser administrado em até 4,5 horas do início dos sintomas.
- Controle Pressórico: A Pressão Arterial (PA) deve estar < 185 x 110 mmHg antes da administração.
- Dose e Administração: 0,9 mg/kg (dose máxima de 90 mg), sendo 10% administrado em bolus e o restante em infusão contínua (BIC) ao longo de 1 hora.
- Ausência de Contraindicações: A avaliação cuidadosa das contraindicações é mandatório.
🚫 Principais Contraindicações da Trombólise:
- História Recente: Trauma cranioencefálico (TCE), AVE isquêmico prévio ou cirurgia intracraniana nos últimos 3 meses.
- Hemorragia: História prévia de hemorragia intracraniana ou sangramento gastrointestinal nos últimos 21 dias.
- Coagulopatias: Plaquetas < 100.000, PTT > 40s, INR > 1,7 ou TP > 15s.
- Outras Condições: Dissecção aórtica conhecida ou suspeita.
- Gravidade dos Sintomas: Quadros leves com sintomas não incapacitantes (NIHSS de 0-5).
Trombectomia Mecânica (Endovascular)
A trombectomia mecânica é uma intervenção endovascular que se tornou um tratamento padrão para casos selecionados de AVE isquêmico agudo, especialmente em oclusões de grandes vasos.
- Janela Terapêutica: Pode ser realizada em até 24 horas do início dos sintomas, embora o ideal seja nas primeiras 6 horas.
- Critérios de Indicação:
- Oclusão de grande artéria (ex: carótida interna, segmento inicial da cerebral média - M1).
- Escore NIHSS > 6 (indicando déficit neurológico significativo).
💡 Dica Importante: A trombectomia mecânica não deve atrasar a trombólise intravenosa se esta for indicada. Os tratamentos são complementares, e um paciente pode receber ambos se houver indicação.
Regra do AV6 (Critérios para Trombectomia Mecânica)
A "Regra do AV6" é um mnemônico útil para lembrar os principais critérios de elegibilidade para a trombectomia mecânica:
- Adade > 18 anos
- V até 6 horas do início dos sintomas (janela ideal, embora possa ser estendida)
- NIHSS ≥ 6 (déficit neurológico significativo)
- ASPECTS > 6 (escore de imagem que avalia a extensão da isquemia no parênquima cerebral)
- Rankin modificada: 0-1 (paciente independente/funcional antes do AVE)
- Circulação anterior acometida: carótida interna ou cerebral média (M1)
Escala de Rankin Modificada (mRS)
A Escala de Rankin Modificada é uma ferramenta para avaliar o grau de incapacidade ou dependência funcional de pacientes após um AVE. Embora não seja necessário decorar cada ponto, é importante entender sua aplicação na seleção de pacientes para trombectomia (mRS 0-1 pré-AVE).
| Pontuação |
Descrição |
| 0 |
Assintomático; regressão completa dos sintomas. |
| 1 |
Sintomas sem incapacidade significativa; capaz de realizar atividades habituais prévias. |
| 2 |
Incapacidade leve; incapaz de realizar todas as atividades habituais, mas independente para necessidades pessoais. |
| 3 |
Incapacidade moderada; requer alguma ajuda para atividades, mas é capaz de andar sem assistência de outra pessoa. |
| 4 |
Incapacidade moderada a grave; incapaz de andar sem ajuda. |
| 5 |
Incapacidade grave; acamado, incontinente, requer cuidados constantes. |
| 6 |
Óbito. |
Abordagem para "Wake-up Stroke" ou Tempo Incerto
Quando o tempo exato de início dos sintomas do AVE isquêmico é desconhecido (ex: paciente acorda com déficit neurológico), a Ressonância Magnética (RM) torna-se crucial para determinar a elegibilidade para trombólise.
🔎 Mismatch DWI-FLAIR:
- DWI (Difusão) Positiva (+): Indica isquemia aguda.
- FLAIR (Fluid-Attenuated Inversion Recovery) Negativa (-): Sugere que a lesão isquêmica tem menos de 4,5 horas.
A presença de
incompatibilidade DWI-FLAIR (DWI+ e FLAIR-) indica uma lesão inicial com área de penumbra viável, permitindo a consideração da trombólise, mesmo sem um tempo de início preciso.
Tratamento Crônico e Prevenção Secundária
Após a fase aguda, o foco se volta para a prevenção secundária, ou seja, evitar a recorrência de novos eventos isquêmicos. A estratégia terapêutica depende fundamentalmente da etiologia do AVE.
Abordagem Diagnóstica
Para identificar a causa subjacente do AVE isquêmico, são essenciais os seguintes exames:
- Eletrocardiograma (ECG): Para identificar arritmias, como Fibrilação Atrial (FA).
- Ecocardiograma (ECO): Para avaliar fontes cardíacas de êmbolos (ex: trombos, valvopatias).
- Duplex-Scan de Carótidas e Vertebrais: Para detectar estenoses significativas nas artérias cervicais.
Tipos de AVE Isquêmico e Conduta
AVE Aterotrombótico (aproximadamente 35% dos casos)
Caracteriza-se por um evento mais gradual, com piora progressiva dos sintomas ao longo das horas. Geralmente associado a:
- Oclusão de artérias perfurantes (AVE lacunar, < 2cm).
- Oclusão de artérias de grande e médio calibre.
- Principal fator de risco: Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS).
💊 Conduta:
- Controle de Fatores de Risco: Anti-hipertensivos, estatinas para dislipidemia, controle glicêmico.
- Antiagregação Plaquetária: AAS (50-325 mg/dia) ou Clopidogrel (75 mg/dia).
- Endarterectomia Carotídea: Indicada para pacientes com placa culpada na carótida e estenose > 70% (sintomática). Exemplo: Hemiplegia à esquerda com obstrução de 75% na carótida direita e 85% na esquerda; a endarterectomia seria realizada na carótida direita, correspondente ao lado sintomático.
AVE Cardioembólico (aproximadamente 45% dos casos)
Tipicamente um evento súbito, com déficit neurológico máximo desde o início. As principais fontes são cardíacas:
- Fibrilação Atrial (FA): A causa mais comum.
- Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) com trombo mural.
- Valvopatias.
💊 Conduta:
- Anticoagulação Plena: O momento de iniciar a anticoagulação plena é crucial e depende do risco de transformação hemorrágica, que está relacionado ao tamanho do infarto.
| Tamanho do AVE (NIHSS) |
Recomendação AHA/ASA (dias para iniciar) |
Recomendação ESC (dias para iniciar) |
| AIT |
Não especificado (geralmente imediato) |
1 dia |
| Pequeno (< 8) |
4-14 dias (depende do tamanho) |
3 dias |
| Moderado (8-15) |
4-14 dias (depende do tamanho) |
6 dias |
| Grande (> 15) |
4-14 dias (depende do tamanho) |
12 dias |
Resumo das Síndromes Topográficas no AVE
A identificação rápida da topografia da lesão e do vaso acometido é crucial para o diagnóstico e manejo do AVE. Podemos resumir a avaliação em dois passos:
1. Localização da Lesão (Lado)
- Plegia/Paresia: O déficit motor é cruzado, ou seja, contralateral ao lado da lesão cerebral.
- Desvio do Olhar Conjugado: O desvio ocorre para o lado da lesão (ipsilateral), indicando irritação cortical ou lesão do campo ocular frontal.
2. Vaso Culpado (Síndrome Específica)
A apresentação clínica orienta para o vaso cerebral acometido:
- Artéria Cerebral Média (ACM): Déficit motor e sensitivo predominante em face e braço contralaterais, afasia (se hemisfério dominante), e desvio do olhar para o lado da lesão.
- Artéria Cerebral Anterior (ACA): Déficit motor e sensitivo predominante em pé e perna contralaterais, abulia (falta de vontade/iniciativa).
- Cápsula Interna (Artérias Lenticuloestriadas): Déficit motor completo (face, braço e perna) contralateral, sem déficits corticais (afasia, negligência).
- Sistema Vértebro-Basilar (Tronco Encefálico/Cerebelo): Sintomas de tronco cerebral como diplopia, disfagia, disartria, vertigem, ataxia, e déficits motores e sensitivos cruzados ou bilaterais.
- Artéria Cerebral Posterior (ACP): Déficits visuais (hemianopsia homônima contralateral), alterações de memória e comportamento.
Ataque Isquêmico Transitório (AIT)
Definição e Importância
O Ataque Isquêmico Transitório (AIT) é definido como um episódio de disfunção neurológica causada por isquemia cerebral, medular ou retiniana sem evidência de infarto agudo em exames de imagem. É um sinal de alerta crucial para um AVE isquêmico iminente.
- A Amaurose Fugaz é um tipo específico de AIT, caracterizado por perda visual monocular transitória devido a pequenos êmbolos na artéria oftálmica.
- A investigação e o manejo do AIT não devem ser atrasados pela espera de exames de imagem para comprovar a ausência de infarto. A prioridade é investigar a causa e iniciar a prevenção secundária.
Escala ABCD2 para Avaliação de Risco
O escore ABCD2 é uma ferramenta clínica utilizada para estratificar o risco de um paciente com AIT desenvolver um AVE isquêmico nas 48 horas subsequentes.
| Critério |
Pontos |
| Age > 60 anos |
1 |
| Blood Pressure (PA sistólica > 140 mmHg ou diastólica > 90 mmHg) |
1 |
| Clínica (distúrbio da fala ou paresia/plegia) |
2 |
| Duração (10-59 minutos) |
1 |
| Duração (> 60 minutos) |
2 |
| Diabetes Mellitus |
1 |
🧠 Interpretação do ABCD2:
- 6-7 pontos: Alto risco (8,1% de AVEi em 48h).
- 4-5 pontos: Risco moderado (4,1% de AVEi em 48h).
- 0-3 pontos: Baixo risco (1% de AVEi em 48h).
🚨 Conduta: Pacientes com escore > 3 pontos, que se apresentem em até 72 horas após o evento, devem ser
hospitalizados para monitorização, controle de fatores de risco e início do tratamento.
Investigação e Tratamento
Durante a internação, a investigação etiológica é fundamental e inclui:
- Exames Essenciais: USG Doppler de Carótidas e Vertebrais, ECG e Ecocardiograma.
- Exames Complementares (se necessário): Doppler Transcraniano, Ecocardiograma Transesofágico, Angio-TC/RNM, Angiografia.
O tratamento visa a prevenção de um AVE isquêmico subsequente e é guiado pela causa do AIT:
- AIT Cardioembólico: Anticoagulação crônica é a principal estratégia.
- AIT Aterotrombótico: Antiagregação plaquetária com AAS (50-325 mg/dia) ou Clopidogrel (75 mg/dia). A dupla antiagregação (AAS + Clopidogrel) pode ser benéfica nos primeiros 21 dias para pacientes com ABCD2 > 4.
- AIT Ateroembólico Carotídeo: Antiagregação (AAS ou Clopidogrel) associada à Endarterectomia Carotídea (preferencialmente nas primeiras 2 semanas do episódio) em casos de estenose entre 70-99% da carótida ipsilateral ao déficit neurológico.
Acidente Vascular Encefálico Hemorrágico
O Acidente Vascular Encefálico (AVE) hemorrágico representa uma condição neurológica grave, caracterizada pelo sangramento dentro do cérebro ou nos espaços que o circundam. Diferente do AVE isquêmico, onde há interrupção do fluxo sanguíneo, o tipo hemorrágico envolve a ruptura de um vaso sanguíneo, levando à extravasamento de sangue e consequente dano tecidual. Existem duas principais formas de AVE hemorrágico: a hemorragia intraparenquimatosa, que ocorre diretamente no tecido cerebral, e a hemorragia subaracnoide, onde o sangue se mistura com o líquor no espaço subaracnoide. Embora ambas sejam críticas, a hemorragia intraparenquimatosa é a mais comum na prática clínica.
Hemorragia Subaracnoide (HSA)
A Hemorragia Subaracnoide (HSA) é definida pelo extravasamento de sangue para o espaço subaracnoide, onde normalmente circula o líquor. Esta condição pode levar a um déficit neurológico focal caso ocorram complicações secundárias.
Definição e Etiologia
A HSA é predominantemente causada pela ruptura de um aneurisma, que, ao contrário das hemorragias intraparenquimatosas, não está localizado no parênquima cerebral, mas sim em artérias extraparenquimatosas, geralmente congênitas, que compõem o polígono de Willis. O sangramento ocorre diretamente no espaço subaracnoide.
Causas Principais
- Mais comum: Ruptura de aneurisma sacular, com a artéria comunicante anterior sendo o sítio mais frequente de ruptura.
- Em jovens (10-30 anos): Malformação arteriovenosa (MAV).
🧠 Conceito Chave: A maioria dos aneurismas que causam HSA são saculares e congênitos, localizados nas artérias do polígono de Willis. A artéria comunicante anterior é o local mais comum de ruptura.
Quadro Clínico
A apresentação clínica da HSA é frequentemente dramática, refletindo a natureza súbita e intensa do sangramento.
- 🚨 Cefaleia súbita e intensa: Descrita como "a pior dor de cabeça da vida" do paciente, de início abrupto. Pode ser precedida por uma cefaleia "sentinela" dias ou semanas antes.
- Síncope ou rebaixamento do nível de consciência: Comum devido à dor excruciante e ao sangramento volumoso.
- Rigidez de nuca: Desenvolve-se geralmente após 12-24 horas devido à irritação química das meninges pelo sangue no espaço subaracnoide.
A cefaleia excruciante e o início súbito são marcas registradas da HSA. O sangramento significativo pode levar à perda transitória da consciência (síncope). A irritação meníngea pelo sangue no líquor causa a rigidez de nuca, um sinal que se manifesta com algumas horas de latência.
Escalas de Avaliação
Para classificar a gravidade e auxiliar no prognóstico da HSA, são utilizadas escalas clínicas e radiológicas.
Escala de Hunt-Hess
Esta escala clínica avalia o estado neurológico do paciente no momento da admissão, correlacionando-o com o prognóstico.
| Grau |
Descrição Clínica |
| 1 |
Paciente lúcido, com cefaleia leve ou assintomático. |
| 2 |
Cefaleia moderada a grave, rigidez de nuca, sem déficit neurológico focal (exceto paralisia de nervo craniano). |
| 3 |
Sonolência, confusão ou déficit neurológico focal leve. |
| 4 |
Torpor, hemiparesia moderada a grave, possível rigidez de descerebração precoce. |
| 5 |
Coma, rigidez de descerebração. |
Regra de Ottawa para HSA
Esta regra é aplicada a pacientes com mais de 15 anos que apresentam cefaleia grave não traumática, atingindo sua intensidade máxima em até 1 hora. A presença de pelo menos um dos critérios abaixo indica a necessidade fundamental de neuroimagem para excluir HSA.
- Idade: Maior que 40 anos.
- Dor ou rigidez de nuca: Presente no exame físico.
- Perda de consciência: Presenciada no início do quadro.
- Início: Durante esforço físico.
- Cefaleia: Típica ("em trovoada"), de início súbito e intensidade máxima em segundos a minutos.
- Flexão limitada da nuca: Ao exame físico.
⚠️ Atenção: A Regra de Ottawa é uma ferramenta valiosa para triagem, ajudando a identificar pacientes com alto risco de HSA que necessitam de investigação por neuroimagem, mesmo com uma TC inicial normal.
Diagnóstico
O diagnóstico da HSA é primariamente baseado em neuroimagem, com a punção lombar sendo um método complementar em casos específicos.
Neuroimagem
- 🧪 Tomografia Computadorizada (TC) de crânio sem contraste: É o exame de escolha inicial devido à sua rapidez, disponibilidade e capacidade de detectar sangramento agudo.
- Achado típico na TC: O sangue, por ser hiperdenso, aparece como áreas brancas nos espaços subaracnoides. Um sinal característico é o formato de "orelha do Mickey" ou "coração" ao redor do mesencéfalo, que se torna visível devido ao contraste do sangue com o parênquima mesencefálico.
A TC sem contraste é fundamental para identificar o sangramento. O sangue no espaço liquórico realça estruturas que normalmente não são tão nítidas, como o mesencéfalo, conferindo-lhe um aspecto de "coração" ou "cabeça do Mickey".
Punção Lombar (PL)
Se a clínica for altamente sugestiva de HSA (cefaleia súbita excruciante, síncope), mas a TC de crânio for normal (especialmente em casos de sangramento de baixa intensidade), a punção lombar (PL) é o próximo passo diagnóstico.
- Critérios para HSA na PL:
- Presença de mais de 100.000 hemácias por mm³.
- Hemácias presentes de forma mantida após coletas sucessivas (até o 4º tubo), indicando sangramento real e não traumático.
- Xantocromia: Coloração amarelada do líquor, que surge após algumas horas do sangramento devido à degradação da hemoglobina. É um indicador sensível de HSA, mesmo com pequenas quantidades de sangue.
🔎 Dica Diagnóstica: A xantocromia no líquor é um achado crucial na punção lombar, confirmando a HSA mesmo quando a TC é inconclusiva, pois indica que o sangramento ocorreu há tempo suficiente para a degradação da hemoglobina.
Escala de Fisher (TC)
A escala de Fisher classifica a HSA com base nos achados da TC, correlacionando a quantidade de sangue com o risco de vasoespasmo.
| Grau |
Achado na TC |
Risco de Vasoespasmo |
| 1 |
Sem sangue visível na TC (diagnóstico feito por punção lombar). |
Baixo |
| 2 |
Lâmina de sangue fina no espaço subaracnoide (< 1mm). |
Moderado |
| 3 |
Lâmina de sangue espessa no espaço subaracnoide (> 1mm). |
Alto |
| 4 |
Hemorragia intracerebral ou intraventricular, com ou sem HSA difusa. |
Muito Alto |
Uma vez confirmado o diagnóstico de HSA, o próximo passo é identificar a fonte do sangramento. Isso é realizado por meio de exames de imagem mais detalhados, como AngioTC, AngioRNM ou Arteriografia, para localizar o aneurisma ou a malformação vascular responsável.
Complicações e Manejo
As complicações da HSA são frequentes e podem ser devastadoras, exigindo monitoramento e intervenção ativos.
Ressangramento
O ressangramento é uma complicação precoce e de alta mortalidade, ocorrendo principalmente nos primeiros 7 dias após o evento inicial, com o maior risco nas primeiras 24 horas.
- Principal fator de risco: Pressão arterial elevada.
- Prevenção: Intervenção precoce para oclusão do aneurisma (cirurgia ou embolização endovascular) e controle rigoroso da pressão arterial.
Ao contrário da hemorragia intraparenquimatosa, onde a causa é um aneurisma microscópico e profundo, na HSA o aneurisma é extraparenquimatoso e acessível. A intervenção neurocirúrgica ou endovascular precoce é crucial para evitar um novo sangramento, que pode ser fatal.
🚨 Emergência: O ressangramento é uma das complicações mais temidas da HSA, com mortalidade elevada. A estabilização da pressão arterial e a oclusão do aneurisma são medidas urgentes.
Vasoespasmo
O vasoespasmo é uma complicação tardia, geralmente ocorrendo entre o 3º e o 14º dia após a HSA, e pode levar à isquemia cerebral tardia (ICT).
- Mecanismo: O sangue no espaço subaracnoide irrita as paredes dos vasos cerebrais adjacentes (como os do polígono de Willis), induzindo vasoconstrição.
- Suspeita clínica: Desenvolvimento de novo déficit neurológico focal e/ou rebaixamento do nível de consciência.
- Complicação: Isquemia cerebral tardia (ICT), que pode resultar em um AVE isquêmico secundário.
- Diagnóstico: Baseado na suspeita clínica e confirmado por exames complementares como o Doppler Transcraniano (DTC) e a Angiotomografia.
O acompanhamento diário com Doppler Transcraniano é fundamental para monitorar o fluxo sanguíneo nas artérias cerebrais e identificar o vasoespasmo antes que ocorram manifestações isquêmicas.
Critérios de Vasoespasmo no Doppler Transcraniano
| Critério |
Valor |
| Velocidade na Artéria Cerebral Média (ACM) |
> 120 cm/segundo |
| Índice de Lindegaard |
> 3 |
| Aumento na velocidade |
> 50 cm/segundo/dia |
Tratamento e Profilaxia
O manejo do vasoespasmo visa otimizar a perfusão cerebral e prevenir a isquemia.
- Tratamento:
- Hipertensão arterial induzida: Manter a pressão arterial sistólica (PAS) em torno de 160-200 mmHg (máximo 225 mmHg), evitando hipotensão. Pode ser necessário o uso de noradrenalina.
- Normovolemia: Manutenção do volume intravascular adequado, com expansão volêmica se necessário. A antiga prática de hipervolemia induzida tem sido questionada.
- Alternativas terapêuticas: Injeção intra-arterial de papaverina, angioplastia percutânea ou nitroprussiato intratecal em casos refratários.
- 💊 Profilaxia: Nimodipina 60mg por via oral a cada 4 horas, por 21 dias.
💡 High Yield: A Nimodipina é um bloqueador de canal de cálcio que, embora não reduza a incidência de vasoespasmo, atua como neuroprotetor, melhorando o desfecho funcional em 3 meses e prevenindo a isquemia cerebral tardia.
Hidrocefalia
A hidrocefalia é a complicação neurológica aguda mais frequente da HSA, afetando até 50% dos pacientes.
- Mecanismo: O coágulo sanguíneo no espaço subaracnoide pode obstruir a drenagem do líquor, levando ao acúmulo e aumento da pressão intracraniana.
- Tratamento: Geralmente transitória, mas enquanto a drenagem natural não se restabelece, é indicada a derivação ventricular externa (DVE) para drenar o líquor e aliviar a pressão.
Hiponatremia
A hiponatremia ocorre em 30-50% dos casos de HSA e pode ser causada por dois mecanismos distintos:
- Hipovolemia por Síndrome Cerebral Perdedora de Sal (SCPS): Caracterizada por natriurese excessiva e depleção de volume. O tratamento envolve a reposição de volume e sódio.
- Normovolemia por Síndrome de Secreção Inapropriada de Hormônio Antidiurético (SIADH): Resulta da liberação excessiva de ADH, levando à diluição do sódio sérico. O tratamento foca na restrição hídrica e, se necessário, reposição de sódio.
🩸 Monitorização: Grandes insultos neurológicos podem alterar a natremia devido à liberação de hormônios como ADH (levando a SIADH) e BNP (causando natriurese). A monitorização regular da natremia é essencial.
Crises Epilépticas
A ocorrência de crises epilépticas é uma complicação potencial. A profilaxia anticonvulsivante é um tema controverso, mas pode ser considerada em pacientes de alto risco, como aqueles com aneurisma da artéria cerebral média (ACM), hidrocefalia ou hemorragia intraparenquimatosa associada.
⚠️ Cuidado: O uso de fenitoína para profilaxia de crises epilépticas em HSA é desaconselhado, pois pode aumentar o risco de vasoespasmo, infartos cerebrais e está associado a piores desfechos cognitivos.
Complicações Sistêmicas
Além das complicações neurológicas diretas, a HSA pode desencadear uma série de problemas sistêmicos.
- Cardiopulmonares: A hiperatividade simpática ("tempestade de catecolaminas") pode levar a disfunção miocárdica, infarto agudo do miocárdio (IAM), arritmias cardíacas, miocárdio atordoado e choque cardiogênico. Complicações pulmonares incluem Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA), edema pulmonar cardiogênico e tromboembolismo pulmonar (TEP).
- Febre de origem central: Uma complicação relativamente comum, que está associada a um pior desfecho clínico.
Tratamento da Hemorragia Subaracnóide
O tratamento da HSA visa prevenir o ressangramento, controlar a pressão arterial e oferecer neuroproteção.
Intervenção Precoce do Aneurisma
- A intervenção neurocirúrgica precoce é fundamental para prevenir o ressangramento, que é um risco elevado, especialmente nos primeiros 7 dias.
- Momento Ideal: O ideal é intervir em menos de 24 horas. Contudo, a intervenção pode ser realizada até o 3º dia ou, se não for possível nesse período, somente após 14 dias.
- ⚠️ Atenção: Evitar intervenção entre o 3º e o 14º dia, pois este é o período de maior risco de vasoespasmo, e a manipulação cirúrgica pode induzi-lo ou agravá-lo.
- Métodos:
- Clipagem Cirúrgica Aberta: Abordagem direta do aneurisma para ocluí-lo com um clipe.
- Tratamento Endovascular (Coil): Inserção de pequenas espirais (coils) dentro do aneurisma para promover sua oclusão.
Controle da Pressão Arterial (PA)
- O objetivo é evitar extremos de hipertensão, hipotensão e grande variabilidade da pressão arterial.
- 🧠 Conceito: Não há um alvo específico e universalmente definido para a PA. As diretrizes mais recentes (pós-2022) preconizam uma abordagem individualizada.
- Diretrizes anteriores sugeriam manter a pressão arterial sistólica (PAS) abaixo de 160 mmHg até a intervenção. Embora o guideline de 2023 não tenha estabelecido um valor fixo, uma PAS de até 160 mmHg é considerada razoável até o momento da clipagem do aneurisma.
- 🚨 Exceção: Em casos de complicação com vasoespasmo, pode ser necessário induzir hipertensão controlada para manter a perfusão cerebral.
Neuroproteção
- 💊 Nimodipina: É um medicamento obrigatório na Hemorragia Subaracnóide (e somente nela).
- Dose: 60 mg a cada 4 horas, por 21 dias (se o paciente tolerar).
- Mecanismo: Bloqueador do canal de cálcio. Embora o mecanismo exato seja debatido (seja por evitar influxo de cálcio neuronal ou prevenir vasoespasmo), estudos comprovam que melhora o prognóstico.
- Fibrinolíticos (Ácido Tranexâmico):
- Não são recomendados de rotina.
- Podem ser considerados em situações de atraso significativo para a abordagem do aneurisma em pacientes com alto risco de ressangramento.
Hemorragia Intraparenquimatosa (HIP)
A Hemorragia Intraparenquimatosa (HIP) é um tipo de Acidente Vascular Encefálico (AVE) hemorrágico que se inicia com um déficit neurológico focal. É o segundo tipo de AVC mais comum, superado apenas pelo AVC isquêmico.
Conceitos Iniciais
- É mais prevalente em homens.
- A mortalidade estimada pode atingir 60% em um ano após o evento.
- Cerca de 80% dos sobreviventes apresentam sequelas neurológicas.
Causas da Hemorragia Intraparenquimatosa
As principais etiologias da HIP incluem hipertensão crônica e angiopatia amiloide, além de outras causas secundárias.
- Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) Crônica: É a causa mais comum.
- Provoca lesões nas artérias perfurantes, resultando em enfraquecimento da parede arterial (lipohialinose).
- Pode levar à ruptura de microaneurismas de Charcot-Bouchard, que são adquiridos devido à hipertensão mal controlada e são microscópicos.
- Localizações Clássicas:
- Núcleos da Base: > 50% dos casos (principalmente putâmen).
- Tálamo: 30%.
- Cerebelo: 10%.
- Tronco Cerebral: 10%.
- Angiopatia Amiloide: Mais grave, comum em idosos e associada à doença de Alzheimer.
- Fisiopatologia: Caracteriza-se pela deposição de peptídeo beta-amiloide na parede de vasos corticais e leptomeníngeos de pequeno e médio calibre.
- É uma causa importante de hemorragia lobar em pacientes idosos.
- Manifestações Clínicas: Frequentemente associada a comprometimento cognitivo e déficits neurológicos transitórios.
- Diagnóstico Definitivo: Exige biópsia e exame anatomopatológico.
- Achados na Ressonância Magnética: Pode revelar hemorragia intraparenquimatosa, pequenos focos de sangramento (microbleeds), focos de siderose superficial ou hemorragia subaracnóidea em convexidades.
- Diferença entre HAS Crônica e Angiopatia Amiloide: Hemorragias extensas, especialmente as lobares, são mais frequentemente associadas à angiopatia amiloide, enquanto os microaneurismas de Charcot-Bouchard (HAS) geralmente causam sangramentos menos intensos.
- Outras Causas Secundárias Importantes:
- Uso de anticoagulantes (responsável por cerca de 15% dos casos).
- Trombose Venosa Cerebral.
- Malformação Arteriovenosa (MAV).
- Neoplasias Cerebrais.
Quadro Clínico
- Déficit Neurológico Focal Súbito: É a apresentação mais característica, refletindo a compressão neuronal na área do sangramento.
- Sinais de Hipertensão Intracraniana (HIC):
- Cefaleia intensa.
- Rebaixamento do nível de consciência.
- Outros sinais podem incluir edema de papila e reflexo de Cushing.
- A presença de cefaleia associada à diminuição do nível de consciência deve sempre levantar a suspeita de HIC.
Diagnóstico
- 🔎 Tomografia Computadorizada (TC) de Crânio Sem Contraste: É o exame de imagem de escolha para o diagnóstico de AVE hemorrágico, visualizando o sangramento como uma imagem hiperdensa (branca) no parênquima.
- "Spot Sign": É o extravasamento de contraste dentro do hematoma em exames de angio-TC. Sua presença indica que a hemorragia tende a aumentar, conferindo um valor prognóstico negativo.
Localização do Sangramento e Déficits Neurológicos
A localização do hematoma intraparenquimatoso determina os déficits neurológicos específicos:
- Putâmen (30-50%): Principal local.
- Compressão da cápsula interna, resultando em hemiplegia contralateral face-braquio-crural (similar ao AVE isquêmico de cápsula interna).
- Síndrome piramidal.
- Tálamo (15-20%):
- Síndrome piramidal (hemiparesia ou plegia).
- Hemianestesia.
- Paralisia do olhar conjugado vertical para cima.
- Cerebelo (10-30%):
- Vertigem, náuseas.
- Ataxia cerebelar.
- Paralisia do olhar conjugado horizontal.
- Ponte (10-15%):
- Quadriplegia súbita.
- Coma.
- Pupilas puntiformes e fotorreagentes.
⚠️ Sinais de Pior Prognóstico na HIP:
- "Spot Sign": Extravasamento de contraste na angio-TC.
- "Swirl Sign" (Sinal do Redemoinho): Áreas de diferentes densidades dentro do hematoma, indicando sangramento ativo.
- "Island Sign" (Sinal da Ilha): Múltiplos focos de sangramento separados do hematoma principal.
- "Black Hole Sign" (Sinal do Buraco Negro): Área hipodensa dentro do hematoma hiperdenso, sugerindo sangramento recente.
Tratamento da Hemorragia Intraparenquimatosa
O tratamento da HIP é predominantemente de suporte, uma vez que os aneurismas de Charcot-Bouchard são microscópicos e profundos, tornando a intervenção neurocirúrgica direta no aneurisma inviável. O objetivo é controlar as complicações e permitir a reabsorção natural do hematoma.
- Suspensão de Agentes Anti-hemostáticos: Interromper o uso de antiagregantes plaquetários (como AAS) e anticoagulantes.
- Controle da Pressão Arterial (PA):
- Manter a Pressão Arterial Sistólica (PAS) em torno de 140 mmHg (com uma faixa tolerável de 130-150 mmHg).
- Este controle cuidadoso visa evitar o crescimento do hematoma, mas também garantir uma Pressão de Perfusão Cerebral (PPC) adequada.
- Manejo da Pressão Intracraniana (PIC):
- Manter a PIC abaixo de 20 mmHg e a PPC entre 50-70 mmHg.
- Medidas:
- Elevação da cabeceira do leito a 30º: Favorece a drenagem do líquor e reduz a PIC.
- Hiperventilação (em pacientes intubados): Reduz a PCO2, causando vasoconstrição cerebral e diminuição transitória da PIC.
- Manitol: Agente osmótico que reduz a PIC.
- Manter a PAS em torno de 140 mmHg também contribui para uma PPC adequada.
- Cirurgia: A intervenção cirúrgica para drenagem do hematoma é restrita a casos específicos, não sendo uma abordagem para o aneurisma em si.
- É indicada apenas para hematomas cerebelares maiores que 3 cm (ou volume > 14 mL) e em presença de hidrocefalia aguda.
Reversão de Anticoagulação em HIP
Em pacientes anticoagulados, a reversão da anticoagulação é crucial e deve ser feita com agentes específicos:
| Anticoagulante |
Agente Reversor |
Observações |
| Varfarina |
Complexo Protrombínico (PCC) e Vitamina K IV |
Se PCC indisponível, pode-se usar Plasma Fresco Congelado (PFC). |
| Heparina (HNF e HBPM) |
Protamina |
Mais eficaz para Heparina Não Fracionada (HNF) do que para Heparina de Baixo Peso Molecular (HBPM). |
| Dabigatrana |
Idarucizumabe |
Antídoto específico. |
| Rivaroxabana |
Andexanet Alfa |
Não disponível no Brasil. |
| Ingestão Recente (qualquer oral) |
Carvão Ativado |
Considerar se a ingestão foi muito recente. |
Síndromes Cruzadas do Tronco Encefálico
As síndromes cruzadas são caracterizadas por déficits neurológicos que afetam a face de um lado do corpo e o tronco/membros do lado oposto, indicando uma lesão no tronco encefálico. Elas são cruciais para a localização topográfica da lesão.
Lesões na Ponte
Síndrome de Foville
Resulta de lesões na ponte e apresenta:
- Fraqueza Motora:
- Braço e perna contralaterais à lesão.
- Face ipsilateral à lesão.
- Acometimento de Nervos Cranianos Ipsilaterais:
- Nervo Facial (VII): Paralisia facial periférica.
- Nervo Abducente (VI): Diplopia e estrabismo convergente.
- Desvio do Olhar Conjugado: Para o lado da hemiplegia, o que difere dos AVEs de artéria cerebral média.
- Oftalmoplegia Internuclear Contralateral.
Lesões no Mesencéfalo
Síndrome de Weber
Causada por lesões no mesencéfalo, manifesta-se com:
- Fraqueza Motora: Face, braço e perna contralaterais à lesão.
- Acometimento do Nervo Oculomotor (III) Ipsilateral:
- Estrabismo divergente.
- Ptose palpebral.
- Midríase não fotorreagente.
- Diplopia.
Síndrome de Claude ou Benedikt
Associada a lesões que afetam o núcleo rubro e a substância negra no mesencéfalo:
- Ataxia Cerebelar.
- Tremores Grosseiros: Presentes tanto em repouso quanto em movimento.
- Síndrome do III Par Craniano (Oculomotor) Ipsilateral:
- Estrabismo divergente.
- Ptose.
- Midríase não fotorreagente.
- Diplopia.
Lesões no Tálamo Dorsolateral
Síndrome de Dejerine-Roussy
Caracteriza-se por um acometimento exclusivamente sensitivo:
- Hemianestesia Termoálgica Contralateral: Afeta face, braço e perna do lado oposto à lesão.
- Dor Talâmica: Apesar da anestesia, o paciente pode sentir dor intensa no dimídio afetado, que geralmente responde apenas a anticonvulsivantes e antidepressivos tricíclicos.
Lesões no Bulbo Lateral
Síndrome de Wallenberg (Síndrome Medular Lateral)
É a principal síndrome neurovascular da circulação posterior, resultante de isquemia no território da Artéria Cerebral Posteroinferior (PICA) ou da Artéria Vertebral, causando danos na região dorsolateral do bulbo. Apresenta:
- Hemianestesia Termoálgica Contralateral (corpo).
- Paralisia do V Par Craniano (Trigêmeo) Sensitivo Ipsilateral: Anestesia da hemiface ipsilateral.
- Paralisia dos IX (Glossofaríngeo) e X (Vago) Pares Cranianos Ipsilaterais: Disfagia e disfonia.
- Síndrome Vestibular: Vertigem, nistagmo, náuseas e vômitos.
- Ataxia Cerebelar Ipsilateral.
- Síndrome de Horner Ipsilateral: Miose, ptose e anidrose.
- Soluços Incoercíveis.
- ⚠️ Importante: Não há déficit motor nesta síndrome.
🧠 Conceito: Síndrome Alterna
A Síndrome de Wallenberg é um exemplo clássico de síndrome alterna, onde a hipoestesia afeta a hemiface de um lado e o hemicorpo (braquiocrural) do lado oposto à lesão.
Lesões no Bulbo Medial
Síndrome de Dejerine (Síndrome Medular Medial)
Caracterizada por:
- Hemiplegia Flácida Contralateral: Poupa a face.
- Paralisia do XII Par Craniano (Hipoglosso) Ipsilateral: Disartria grave e desvio da língua para o lado contrário à hemiplegia.
💡 Macetes para Síndromes Cruzadas
- Síndrome Cruzada = Lesão de Tronco Encefálico!
- Lesões pontinas ou bulbares frequentemente cursam com síndrome vestibular ou cerebelar.
- Lesões pontinas causam desvio do olhar para o lado da hemiplegia, o que é um diferencial em relação aos AVEs de artéria cerebral média.
Nervos Cranianos e Níveis do Tronco Encefálico
| Nível do Tronco Encefálico |
Pares Cranianos Associados |
| Mesencéfalo |
III (Oculomotor), IV (Troclear) |
| Ponte |
V (Trigêmeo), VI (Abducente), VII (Facial), VIII (Vestibulococlear) |
| Bulbo |
IX (Glossofaríngeo), X (Vago), XI (Acessório), XII (Hipoglosso) |