A Trombose Venosa Central (TVC), também conhecida como trombose de seios venosos cerebrais, é uma condição neurológica rara, mas potencialmente grave, caracterizada pela formação de um trombo nas veias cerebrais ou nos seios durais. Apesar de sua gravidade potencial, um diagnóstico precoce e tratamento adequado estão associados a um prognóstico favorável.
A formação de um trombo nas veias cerebrais ou nos seios venosos impede o fluxo sanguíneo normal para fora do crânio, resultando em um aumento da pressão venosa cerebral. Essa obstrução leva a um aumento da pressão intracraniana (PIC), com risco significativo de eventos isquêmicos e hemorrágicos cerebrais. Em condições fisiológicas, o sangue arterial leva oxigênio e nutrientes ao cérebro, e o sangue venoso retorna ao coração através de um complexo sistema de veias cerebrais e seios durais, garantindo a homeostase cerebral.
A TVC é notavelmente mais prevalente em mulheres, com uma proporção de aproximadamente 3:1 em comparação com homens. Constitui uma causa relevante de acidente vascular cerebral (AVC) em indivíduos jovens e mulheres. Essa predominância feminina é atribuída à maior exposição a fatores pró-trombóticos específicos, como a gravidez, o período puerperal e o uso de contraceptivos orais combinados, que elevam o risco de formação de trombos. A idade média de apresentação da TVC é de cerca de 37 anos, sendo ainda mais baixa em mulheres (aproximadamente 34 anos). Isso a distingue da trombose arterial, que tipicamente afeta uma população mais idosa, ressaltando a importância de considerar a TVC em pacientes jovens com sintomas neurológicos.
Diversos fatores podem predispor à Trombose Venosa Central, sendo fundamental a sua identificação para o manejo adequado e prevenção de recorrências. Os principais incluem:
| Categoria de Fator de Risco | Exemplos Comuns |
|---|---|
| Condições Genéticas/Adquiridas | Síndrome Antifosfolípide (SAF), Fator V de Leiden |
| Hormonais | Contraceptivos orais, gravidez, puerpério |
| Clínicos Gerais | Obesidade, malignidades, infecções, TCE |
O quadro clínico da TVC é bastante variável e inespecífico, o que pode dificultar o diagnóstico. Os sintomas resultam principalmente do aumento da pressão intracraniana, isquemia ou hemorragia cerebral. Os mais comuns incluem:
A formação de um trombo nas veias cerebrais ou nos seios venosos obstrui o fluxo sanguíneo, elevando a pressão venosa cerebral. Essa elevação da pressão venosa compromete a reabsorção do líquido cefalorraquidiano (LCR) pelas granulações aracnoides (que drenam para os seios venosos, especialmente o seio sagital superior) e aumenta a pressão nos capilares venosos. A consequente diminuição da reabsorção do LCR e o aumento da pressão capilar venosa resultam no acúmulo de LCR e edema cerebral. Como o crânio é uma estrutura rígida e inexpansível, esse acúmulo leva a um aumento significativo da pressão intracraniana, manifestando-se como síndrome de hipertensão intracraniana.
O diagnóstico definitivo da TVC é estabelecido por meio de exames de neuroimagem que visualizam os seios venosos e as veias cerebrais. Os métodos mais utilizados são:
Sinais radiológicos característicos incluem:
O tratamento da Trombose Venosa Central visa prevenir a propagação do trombo, promover a recanalização dos vasos ocluídos e tratar as complicações. A anticoagulação é a pedra angular da terapia.
Após a fase aguda e a estabilização do paciente, a anticoagulação oral é mantida. A escolha entre Anticoagulantes Orais Diretos (DOACs) ou Varfarina e a duração do tratamento dependem da presença e natureza dos fatores de risco:
| Fator de Risco | Duração da Anticoagulação | Opções de Anticoagulante |
|---|---|---|
| Fator de risco transitório (ex: gravidez, uso de ACO) | 3 a 6 meses | DOACs ou Varfarina |
| Sem fator de risco identificado | 6 a 12 meses | DOACs ou Varfarina |
| Trombofilia comprovada ou recorrência de TVC | Uso permanente | DOACs ou Varfarina |