Imagem de Capa

Tumores do Sistema Nervoso Central (SNC)


Conceitos Iniciais

Os tumores do Sistema Nervoso Central (SNC) representam um grupo heterogêneo de neoplasias que podem afetar o cérebro, cerebelo, tronco encefálico e medula espinhal. Compreender suas características gerais, manifestações clínicas, métodos diagnósticos e princípios de tratamento é fundamental para a prática médica.

💡 Dica High Yield: Os tumores do SNC são o tumor sólido mais comum em crianças, um dado epidemiológico crucial para a pediatria e neurologia!

Manifestações Clínicas

A apresentação clínica dos tumores do SNC é variada e depende diretamente da localização, tamanho e taxa de crescimento da lesão. Os sintomas podem ser agrupados em três categorias principais:

Diagnóstico

O diagnóstico dos tumores do SNC é primariamente baseado em exames de neuroimagem, sendo a ressonância magnética o padrão-ouro.

🔎 Diagnóstico: A Ressonância Magnética com Gadolínio é o exame de imagem mais sensível e específico para a avaliação de tumores do SNC.

Abordagem Terapêutica

O tratamento dos tumores do SNC é multidisciplinar e individualizado, envolvendo neurocirurgia, oncologia e radioterapia. Os pilares do tratamento incluem:

💊 Tratamento: A cirurgia é a pedra angular do tratamento, visando a ressecção máxima e segura. Lembre-se que a profilaxia com anticonvulsivantes não é rotineira, deve ser individualizada!

Classificação dos Tumores do SNC

Os tumores do SNC podem ser classificados em benignos, malignos e metastáticos, cada um com características epidemiológicas, clínicas e de imagem distintas.

Tumores Benignos

Embora histologicamente benignos, a localização e o efeito de massa podem torná-los clinicamente desafiadores. Os mais comuns incluem:

Característica Meningioma Neurinoma do Acústico Craniofaringioma
Epidemiologia e Associações Mulheres de meia-idade, história de radiação prévia, síndromes familiares. Idade média de 50 anos, associado à Neurofibromatose tipo II (bilateral). Principalmente crianças e adolescentes, mas também pode acometer adultos.
Clínica Sintomas lentamente progressivos, dependendo da localização (ex: convulsões, déficits focais). Hipoacusia unilateral progressiva, zumbido, vertigem, disfunção do nervo facial (tardio). Hemianopsia bitemporal (compressão do quiasma óptico), distúrbios endócrinos (hiperprolactinemia, hipogonadismo, diabetes insipidus, déficit de crescimento).
Neuroimagem Lesão extra-axial, captante e homogênea de contraste, "empurra" o parênquima cerebral, sinal da "cauda dural". Lesão captante no ângulo pontocerebelar, com formato de "casca de sorvete" ou "cone". Lesão suprasselar com calcificações, frequentemente com componentes sólidos e císticos.
Tratamento Cirúrgico, com alto potencial de cura se ressecção completa. Radioterapia em casos de ressecção incompleta ou recorrência. Cirúrgico (microcirurgia ou radiocirurgia estereotáxica), dependendo do tamanho e sintomas. Cirúrgico, com radioterapia adjuvante em casos de ressecção incompleta.

Tumores Malignos

Representam um desafio terapêutico devido à sua agressividade e capacidade de infiltração. Os principais são:

Característica Astrocitoma Pilocítico Juvenil Meduloblastoma Glioblastoma Multiforme (GBM)
Epidemiologia e Associações Mais comum em crianças e adolescentes, geralmente de baixo grau. Maligno primário mais comum em crianças, geralmente na fossa posterior. Mais comum em adultos (50-70 anos), tumor primário mais agressivo.
Clínica Sintomas cerebelares (ataxia, disartria, dismetria), sinais de HIC. Sintomas cerebelares e de HIC, devido à localização na fossa posterior e obstrução do líquor. Sintomas subagudos (dias a semanas), déficits neurológicos focais progressivos, crises convulsivas, alterações cognitivas.
Neuroimagem Lesão cística com nódulo mural captante de contraste, geralmente no cerebelo. Pode não captar contraste. Lesão cerebelar captante de contraste, homogênea, com densidade aumentada na TC, pode ter disseminação liquórica. Lesão heterogênea, com realce anelar de contraste, centro necrótico, edema perilesional significativo e hemorragia.
Tratamento Cirúrgico, com potencial de cura se ressecção completa. Quimioterapia em casos de ressecção incompleta ou recorrência. Cirurgia (ressecção máxima), radioterapia crânio-espinhal e quimioterapia. Cirurgia (ressecção máxima segura), radioterapia e quimioterapia (temozolomida). Prognóstico ruim, tratamento focado no controle da doença e qualidade de vida.

Tumores Metastáticos

As metástases cerebrais são, na verdade, os tumores mais comuns do SNC, superando em incidência os tumores primários (benignos ou malignos). A identificação do primário é crucial para o manejo.

⚠️ Atenção: Metástases são mais comuns que tumores primários do SNC! Lembre-se: Pulmão para cérebro, Mama para meninges, e Melanoma é o que mais metastatiza para o SNC.

Outros Tumores do SNC: Pontos Chave

Além dos tipos mais prevalentes, existem outros tumores do SNC com características específicas que são importantes para o reconhecimento em provas:

Oligodendroglioma

Este tumor de crescimento lento é frequentemente associado à deleção combinada dos braços 1p e 19q, um marcador genético com implicações prognósticas e terapêuticas. Na neuroimagem, geralmente capta pouco contraste. Histologicamente, as células podem apresentar um citoplasma claro, conferindo uma aparência de "ovo frito". Possui um prognóstico relativamente favorável em comparação com outros gliomas de alto grau.

Linfoma Primário do SNC (LPSNC)

O LPSNC tem uma forte associação com estados de imunodepressão grave, como em pacientes com HIV/AIDS ou transplantados, e com o vírus Epstein-Barr (EBV). Na neuroimagem, é caracterizado por uma captação anelar de contraste, o que pode mimetizar a neurotoxoplasmose, exigindo uma investigação cuidadosa para o diagnóstico diferencial.

Ependioma

Este tumor pode ocorrer tanto em crianças quanto em adultos jovens, frequentemente como uma massa bem delimitada. Em crianças, é comum na fossa posterior, podendo causar hidrocefalia. Possui associações com síndromes genéticas como a esclerose tuberosa, a síndrome de Turcot e a neurofibromatose tipo I.

Hemangioblastomas

São tumores vasculares benignos que podem ser encontrados no cerebelo, tronco encefálico e medula espinhal. Têm uma associação significativa com a síndrome de von Hippel-Lindau, uma doença genética autossômica dominante. Uma característica interessante é que podem produzir eritropoetina, levando à policitemia secundária.

🧬 Genética e Associações: