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Câncer de Pulmão

O câncer de pulmão, predominantemente o carcinoma broncogênico, é uma das neoplasias mais prevalentes e com alta morbimortalidade.


Conceitos Iniciais e Epidemiologia

O carcinoma broncogênico é a forma mais comum de câncer de pulmão, derivando do epitélio respiratório (brônquios, bronquíolos e alvéolos) e representando mais de 90% das neoplasias pulmonares. É crucial entender que, em contextos de prova, "câncer de pulmão" geralmente se refere a esta entidade.

🧠 Lembre-se: Quando uma questão de prova menciona "câncer de pulmão", ela está se referindo ao carcinoma broncogênico, e não a outras neoplasias pulmonares como linfomas, a menos que especificado.

Fatores de Risco

O principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pulmão é o tabagismo, cuja exposição é quantificada pela carga tabágica.

Carga Tabágica

A carga tabágica é um indicador fundamental da exposição ao tabaco e é expressa em "maços/ano".

💡 Dica de Cálculo: Carga Tabágica (Maços/Ano) = (Número de Maços/Dia) x (Número de Anos Fumados).

Outros Fatores de Risco

Além do tabagismo, outros fatores contribuem para o risco de câncer de pulmão:


Classificação Histológica: Tipos de Câncer de Pulmão

O câncer de pulmão é classicamente dividido em dois grandes grupos, com base na histopatologia, que influenciam diretamente o prognóstico e a abordagem terapêutica:

Câncer de Pulmão de Não Pequenas Células (CPNPC) - 80-85% dos casos

Este grupo é o mais comum e inclui subtipos com características distintas.

Adenocarcinoma

🔎 Perfil Típico: Paciente não fumante, tumor de localização periférica, frequentemente associado a derrame pleural.

Carcinoma Epidermoide (Escamoso)

🔎 Perfil Típico: Paciente idoso tabagista, tumor de localização central, propenso à cavitação.

Carcinoma de Grandes Células

Câncer de Pulmão de Pequenas Células (CPPC) - 15-20% dos casos

Este grupo é caracterizado por sua agressividade e origem neuroendócrina.

Carcinoma de Pequenas Células (Oat Cell)

🚨 Características Chave: Altamente agressivo, localização central, forte associação com síndromes paraneoplásicas devido à sua origem neuroendócrina.
Tipo Histológico Prevalência Perfil Típico Localização Características Chave
Adenocarcinoma ~40% (CPNPC) Não fumantes, jovens, mulheres Periférica Derrame pleural, variante bronquíolo-alveolar
Epidermoide ~30% (CPNPC) Tabagistas, idosos Central Cavitação, Síndrome de Pancoast
Grandes Células ~10% (CPNPC) Variável Periférica Raro, menos estudado
Pequenas Células (Oat Cell) 15-20% (CPPC) Tabagistas Central Muito agressivo, neuroendócrino, síndromes paraneoplásicas, Síndrome da Veia Cava Superior

Quadro Clínico e Manifestações

As manifestações clínicas do câncer de pulmão podem ser variadas, abrangendo desde sintomas inespecíficos até síndromes complexas, dependendo do tamanho, localização e tipo histológico do tumor.

Manifestações Inespecíficas

Estes são sintomas gerais que podem ocorrer em qualquer neoplasia e não são exclusivos do câncer de pulmão:

⚠️ Atenção: A presença desses sintomas inespecíficos deve sempre levantar a suspeita de neoplasia, mas não são diagnósticos por si só.

Sintomas Locais e Regionais (Crescimento Tumoral)

Essas manifestações são diretamente causadas pelo crescimento físico do tumor, que irrita, lesa ou comprime estruturas adjacentes:

Síndromes Compressivas

As síndromes compressivas são causadas pela compressão direta de estruturas anatômicas pelo tumor. É importante notar que, apesar do nome "síndrome", elas não são síndromes paraneoplásicas.

Síndrome de Pancoast (Tumor do Sulco Superior)

Esta síndrome ocorre quando um tumor se localiza no ápice pulmonar (sulco superior) e invade estruturas adjacentes.

🧠 Associação: A Síndrome de Pancoast é mais comum no subtipo epidermoide (lembre-se do "P" de Pancoast e "P" de Epidermoide).

Síndrome da Veia Cava Superior (SVCS)

A SVCS é causada pela compressão ou invasão da veia cava superior pelo tumor, impedindo o retorno venoso da parte superior do corpo.

🧠 Associação: A Síndrome da Veia Cava Superior é mais comum no Carcinoma de Pequenas Células (Oat Cell) devido à sua localização central e rápida proliferação.

Síndromes Paraneoplásicas

As síndromes paraneoplásicas são manifestações sistêmicas associadas ao câncer que não são causadas pela invasão tumoral direta ou metástases. Elas resultam da liberação de substâncias ativas (como hormônios, peptídeos ou anticorpos) pelo próprio tumor.

🧠 Conceito Chave: As síndromes paraneoplásicas não indicam intratabilidade e não se correlacionam com o tamanho tumoral. Um tumor pequeno pode ser metabolicamente muito ativo e causar síndromes paraneoplásicas graves.

Síndromes Associadas ao Carcinoma Epidermoide

Síndromes Associadas ao Adenocarcinoma

Síndromes Associadas ao Carcinoma de Grandes Células

Síndromes Associadas ao Carcinoma de Pequenas Células (Oat Cell)

Devido à sua origem neuroendócrina, o Oat Cell tem uma maior capacidade de liberar substâncias ativas, sendo o tipo com o maior número de manifestações paraneoplásicas:

Tipo Histológico Síndrome Paraneoplásica Principal Mecanismo
Epidermoide Hipercalcemia Liberação de peptídeo PTH-like (PTHrP)
Adenocarcinoma Osteoartropatia Pulmonar Hipertrófica (Baqueteamento Digital) Liberação de substâncias que induzem inflamação do periósteo (ex: ocitocina)
Grandes Células Nenhuma específica/significativa -
Pequenas Células (Oat Cell) SIADH, Síndrome de Cushing, Síndrome de Eaton-Lambert Origem neuroendócrina, liberação de ADH, ACTH ou anticorpos contra canais de cálcio

Diagnóstico

O diagnóstico definitivo do câncer de pulmão é essencialmente histopatológico, obtido através de biópsia. A escolha da técnica de biópsia depende da localização e características do tumor.

Métodos de Biópsia

🔎 Lembre-se: A broncoscopia com EBUS é uma ferramenta valiosa para biópsia de tumores centrais e linfonodos mediastinais, otimizando o diagnóstico e estadiamento.

Rastreio

O rastreio para câncer de pulmão ainda não é um consenso global e o Ministério da Saúde do Brasil não o preconiza de forma universal. No entanto, diretrizes internacionais, como as da USPSTF (U.S. Preventive Services Task Force) e ACS (American Cancer Society), recomendam o rastreio em grupos de alto risco.

💡 Dica High Yield: O rastreio com TCBD é indicado para tabagistas pesados em faixa etária específica, mas não é uma recomendação universal no Brasil.

Estadiamento

O estadiamento preciso é crucial para definir o prognóstico e a estratégia terapêutica do câncer de pulmão. Envolve a avaliação da extensão local do tumor, o comprometimento linfonodal e a presença de metástases à distância.

Exames para Estadiamento

🧠 Conceito Chave: O estadiamento completo define se o tumor é ressecável e guia a escolha entre cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou tratamento paliativo.

Estadiamento TNM - Câncer de Pulmão Não Pequenas Células

O sistema TNM (Tumor, Nódulo, Metástase) é o mais utilizado para classificar o câncer de pulmão de não pequenas células, detalhando a extensão do tumor primário (T), o envolvimento dos linfonodos regionais (N) e a presença de metástases à distância (M).

Classificação T (Tumor Primário)

Classificação N (Linfonodos Regionais)

Classificação M (Metástase à Distância)

Estadiamento - Câncer de Pulmão Pequenas Células

O câncer de pulmão de pequenas células (CPPC) é classificado de forma mais simplificada devido à sua agressividade e rápida disseminação.


Tratamento

O plano terapêutico para o câncer de pulmão é individualizado, considerando o tipo histológico, o estágio da doença, o estado geral do paciente e a presença de mutações genéticas específicas.

Abordagem Inicial: Investigação Linfonodal

Antes de definir o tratamento, o primeiro passo é a investigação linfonodal detalhada. Isso é feito por mediastinoscopia, ultrassonografia endobrônquica (EBUS) ou ecoendoscopia (EUS) para obter biópsias e definir com precisão o componente "N" do estadiamento, que é crucial para a decisão terapêutica.

Modalidades Terapêuticas Principais

Cirurgia

A cirurgia é a modalidade curativa principal para estágios iniciais do câncer de pulmão de não pequenas células.

Quimioterapia

A quimioterapia pode ser utilizada em diferentes contextos: neoadjuvante (antes da cirurgia), adjuvante (após a cirurgia) ou paliativa.

Tratamento Paliativo

O tratamento paliativo visa controlar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e prolongar a sobrevida em pacientes com doença avançada.

💊 Tratamento Essencial: A decisão terapêutica é complexa e baseada no estadiamento preciso. Cirurgia para estágios iniciais, quimioterapia para doença mais avançada ou adjuvante, e terapia-alvo para mutações específicas.

Tratamento Detalhado: Câncer de Pulmão Não Pequenas Células

OBS: Se o tumor for EGFR positivo, o tratamento com Osimertinibe deve ser considerado, independentemente do estágio, conforme as diretrizes atuais.

Contraindicações à Ressecção Cirúrgica

Algumas condições indicam que a cirurgia não é a melhor opção ou é inviável:

⚠️ Atenção: T4 (exceto nódulo satélite ipsilateral), N3 e M1 são contraindicações absolutas para a ressecção cirúrgica curativa.

Tratamento: Câncer de Pulmão Pequenas Células (Oat Cell)

Devido à sua natureza agressiva e alta taxa de micrometástases precoces, a cirurgia raramente é indicada para o carcinoma de pequenas células.

É importante ressaltar que, mesmo em casos de doença limitada, a cirurgia não é a abordagem preferencial para o Oat Cell, pois este tipo de câncer geralmente já apresenta micrometástases à distância que não são detectáveis pelos exames de imagem convencionais. A quimioterapia é a base do tratamento, com a radioterapia adicionada para a doença limitada.

🚨 Emergência: Tumores centrais, como o Oat Cell, têm maior probabilidade de causar Síndrome da Veia Cava Superior. Tumores periféricos estão mais associados a derrame pleural.

Comparativo - Tipos Histológicos e Características

Tipo Histológico Localização Predominante Detalhes e Características Síndromes Paraneoplásicas Comuns
Carcinoma Epidermoide Central Mais comum em homens tabagistas. Frequentemente cavita. Pode causar Síndrome de Pancoast. Hipercalcemia (produção de PTH-símile)
Adenocarcinoma Periférico Mais comum em não tabagistas. É o tipo que mais induz derrame pleural maligno. Possui variante bronquíolo-alveolar. Osteoartropatia hipertrófica (baqueteamento digital)
Carcinoma de Pequenas Células (Oat Cell) Central Pior prognóstico. Origem neuroendócrina. Crescimento rápido e metástase precoce. Síndrome da Veia Cava Superior, Síndrome de Cushing (ACTH ectópico), SIADH (ADH ectópico), Síndrome de Eaton-Lambert