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Doença Venosa Profunda - TVP e TEP


Conceitos Iniciais

A Doença Venosa Profunda (DVP) é um espectro clínico que engloba a Trombose Venosa Profunda (TVP) e o Tromboembolismo Pulmonar (TEP). Embora sejam manifestações distintas, representam a mesma patologia em diferentes estágios de gravidade e localização.

🧠 Conceito Chave: Todo TEP tem origem em uma TVP, geralmente nos membros inferiores. São, portanto, a mesma doença em momentos distintos, compartilhando os mesmos fatores de risco.

Fatores de Risco

Os fatores de risco para a DVP são classicamente descritos pela Tríade de Virchow, que estabelece três componentes essenciais para a formação de um trombo:

💡 Dica de Prova: Para ser considerado um fator de risco para eventos tromboembólicos, o fator deve preencher pelo menos um dos componentes da Tríade de Virchow.

A seguir, uma tabela detalha os principais fatores de risco, divididos em hereditários e adquiridos:

Fatores de Risco Hereditários Fatores de Risco Adquiridos
Trombofilias: Condições genéticas que aumentam a propensão à trombose. As mais importantes são:
  • Fator V de Leiden (resistência à Proteína C ativada)
  • Mutação do Gene da Protrombina (G20210A)
  • Deficiências de antitrombina III, proteína C ou S
  • Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide (SAF) - embora adquirida, frequentemente listada aqui por sua forte associação com trombofilias.
  • Pós-operatório: Especialmente cirurgias ortopédicas. Há lesão endotelial e estase sanguínea devido à imobilização.
  • Eventos Obstétricos: Gestação e puerpério. O organismo da gestante apresenta um estado de hipercoagulabilidade fisiológica.
  • Neoplasias Malignas: Muitos cânceres liberam fatores pró-trombóticos na circulação, aumentando significativamente o risco.
  • Imobilização Prolongada: Restrição ao leito por cirurgia, trauma, doenças clínicas graves (pneumonia, sepse em UTI), viagens longas.
  • Uso de Hormônios: Anticoncepcionais orais (ACO) e Terapia de Reposição Hormonal (TRH).
  • Tabagismo e Idade Avançada.

Trombose Venosa Profunda (TVP)

Manifestações Clínicas

É crucial notar que a maioria dos casos de TVP é assintomática. Frequentemente, um paciente pode apresentar TEP como primeira manifestação da DVP, sem histórico de sintomas de TVP. Quando presentes, os sinais e sintomas resultam da obstrução do retorno venoso e da inflamação local:

⚠️ Atenção: Quanto mais proximal (alta) for a TVP, maior o risco de embolização para o pulmão e, consequentemente, de TEP. Por exemplo, uma TVP íleo-femoral apresenta risco significativamente maior do que uma TVP poplítea.

Diagnóstico da TVP

O diagnóstico da TVP é fundamental para iniciar o tratamento adequado e prevenir complicações graves como o TEP.


Tromboembolismo Pulmonar (TEP)

Definição

O Tromboembolismo Pulmonar (TEP) é caracterizado pela obstrução da circulação arterial pulmonar por êmbolos, que, na vasta maioria dos casos, são trombos originários de veias profundas, principalmente dos membros inferiores.

Fatores de Risco Associados ao TEP

Os fatores de risco para TEP são os mesmos da TVP, pois são manifestações da mesma doença. Destacam-se:

Manifestações Clínicas do TEP

O TEP é um evento súbito, agudo e inesperado. As manifestações clínicas refletem a obstrução do fluxo sanguíneo pulmonar e a consequente alteração na troca gasosa e hemodinâmica. Qualquer manifestação respiratória de início súbito deve levantar a forte suspeita de TEP.

🧠 Lembre-se para a Prova:

Formas Graves e TEP Maciço

A gravidade do TEP está diretamente relacionada ao tamanho do êmbolo e à extensão da obstrução da vasculatura pulmonar. O TEP maciço é uma emergência médica caracterizada por instabilidade hemodinâmica e disfunção ventricular direita.

As principais características de um TEP grave/maciço incluem:

🚨 Alerta Prognóstico: A presença de hipotensão, sinais de falência de ventrículo direito (Cor Pulmonale Agudo) e/ou elevação de BNP e Troponina indica um pior prognóstico no TEP, caracterizando um TEP de alto risco ou maciço.

Exames Complementares

Os exames complementares para TEP são divididos didaticamente em inespecíficos e específicos. Os primeiros reforçam a suspeita clínica, enquanto os segundos podem confirmar o diagnóstico.

Exames Inespecíficos

Estes exames são úteis para corroborar a hipótese de TEP, mas não fornecem um diagnóstico definitivo, pois não visualizam diretamente o êmbolo.

Exames Específicos

Estes exames de imagem permitem a visualização direta ou indireta do êmbolo, confirmando o diagnóstico de TEP.

Algoritmo Diagnóstico

A abordagem diagnóstica do TEP inicia-se com a avaliação da probabilidade clínica, utilizando escores validados, e direciona a escolha dos exames complementares.

🚨 Emergência: O início da terapia anticoagulante pode ser considerado já na forte suspeita clínica, antes da confirmação diagnóstica em pacientes de alto risco.

Escore de Wells para TEP

O Escore de Wells é amplamente utilizado para estratificar a probabilidade clínica de TEP. A pontuação total direciona a investigação subsequente. Abaixo está o Escore de Wells simplificado.

Variável Pontos
Sinais clínicos de TVP (edema unilateral, dor à palpação) +3,0
Diagnóstico alternativo menos provável que TEP +3,0
Frequência cardíaca > 100 bpm +1,5
Imobilização (≥ 3 dias) ou cirurgia recente (< 4 semanas) +1,5
História prévia de TVP ou TEP +1,5
Hemoptise +1,0
Câncer ativo (tratamento nos últimos 6 meses ou paliativo) +1,0
Interpretação (Probabilidade Original)
< 2 pontos Baixa probabilidade
2 a 6 pontos Intermediária probabilidade
> 6 pontos Alta probabilidade
Interpretação (Probabilidade Simplificada)
≤ 4 pontos TEP Improvável
> 4 pontos TEP Provável

Interpretação do Escore de Wells:

Outros Escores Diagnósticos

Critério PERC
Idade < 50 anos
Frequência cardíaca < 100 bpm
Saturação de oxi-hemoglobina ≥ 95%
Ausência de hemoptise
Não uso de estrogênio (incluindo anticoncepcionais orais e TRH)
Sem história prévia de TVP ou TEP
Ausência de edema unilateral de perna
Sem cirurgia/trauma que exigiu hospitalização nas últimas quatro semanas

Tratamento do TEP

O tratamento do TEP visa prevenir a progressão do trombo, evitar novos eventos e reduzir a mortalidade. A anticoagulação é a base da terapia, com outras opções para casos específicos.

Anticoagulação

A anticoagulação é o pilar do tratamento, geralmente mantida por um período mínimo de 3 meses. É importante ressaltar que os anticoagulantes não dissolvem o trombo existente, mas impedem seu crescimento e a formação de novos coágulos, permitindo que o corpo os degrade naturalmente ao longo do tempo. A duração pode ser estendida em casos de fatores de risco não modificáveis, como câncer ou trombofilias.

As principais estratégias de anticoagulação incluem:

TEP Maciço e Instabilidade Hemodinâmica

Em pacientes com TEP maciço, caracterizado por instabilidade hemodinâmica (choque, hipotensão persistente, falência de VD), a trombólise é a terapia de escolha para dissolver o trombo rapidamente.

💊 Tratamento: A janela terapêutica para trombólise no TEP (até 14 dias) é significativamente maior do que em outras condições como o IAM com supradesnivelamento do segmento ST (geralmente ± 12 horas).

Filtro de Veia Cava Inferior (FVCI)

O FVCI é um dispositivo implantado na veia cava inferior para interceptar trombos que se desprendem dos membros inferiores, impedindo que atinjam a circulação pulmonar.

Embolectomia Cirúrgica

A embolectomia cirúrgica é um procedimento mais invasivo que remove mecanicamente o êmbolo das artérias pulmonares.

Diagnóstico Diferencial: Embolia Gordurosa

É fundamental considerar a embolia gordurosa como diagnóstico diferencial, especialmente em contextos específicos.

⚠️ Atenção: A tríade de hipoxemia, alteração neurológica e rash petequial é altamente sugestiva de embolia gordurosa e deve ser prontamente reconhecida.