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Pneumopatias Intersticiais Difusas (PID)

As Pneumopatias Intersticiais Difusas (PID) representam um grupo heterogêneo de doenças pulmonares caracterizadas por inflamação e/ou fibrose do interstício pulmonar, a estrutura de suporte dos alvéolos. O processo geralmente se inicia com uma alveolite, que é o acometimento inflamatório difuso dos septos alveolares, progredindo para fibrose, com depósito excessivo de colágeno e fibroblastos, e culminando em um padrão restritivo na função pulmonar, ou seja, uma redução global dos volumes pulmonares.


1. Visão Geral das PID

Como Suspeitar de uma PID?

A suspeita de uma Pneumopatia Intersticial Difusa surge a partir de uma combinação de achados clínicos, pistas epidemiológicas e padrões radiológicos:

Padrões de Acometimento Radiológico por Localização

A distribuição das alterações na imagem pode fornecer pistas importantes para o diagnóstico etiológico:

Padrões Tomográficos Principais

A TCAR é fundamental para classificar as PID, sendo os padrões mais comuns a Pneumonia Intersticial Usual (PIU) e a Pneumonia Intersticial Não Específica (PINE).

Característica Pneumonia Intersticial Usual (PIU) Pneumonia Intersticial Não Específica (PINE)
Achados TCAR Faveolamento (honeycombing), pulmão heterogêneo, distorção da arquitetura, bronquiectasias de tração, gradiente ápico-basal (predomínio basal). Vidro fosco (com ou sem consolidação), predomínio em bases, preservação subpleural, faveolamento ausente ou em < 10% dos casos.
Causas Comuns Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI), asbestose, artrite reumatoide, pneumonite por hipersensibilidade crônica. Idiomática, esclerose sistêmica, pneumonite por hipersensibilidade, uso de medicamentos (amiodarona, nitrofurantoína, metotrexato).
🧠 High Yield Notes:

Outros Métodos Diagnósticos


2. Pneumoconioses

As pneumoconioses são um grupo de doenças pulmonares ocupacionais causadas pela inalação crônica de micropartículas inorgânicas. O processo fisiopatológico envolve a inalação das partículas, que desencadeiam uma inflamação (alveolite), seguida por fibrose pulmonar, resultando em um padrão restritivo. É crucial entender que este é um processo irreversível e não possui tratamento específico. A prevenção, através do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) como máscaras, é a medida mais importante.

Diagnóstico das Pneumoconioses

O diagnóstico baseia-se na história ocupacional detalhada, associada à clínica e aos achados radiológicos.

🔎 Pistas Diagnósticas:

Silicose

Causada pela inalação de sílica cristalina, encontrada em diversas ocupações:

Asbestose

Resulta da inalação de fibras de asbesto (amianto), um material que foi amplamente utilizado devido às suas propriedades isolantes.

Característica Silicose Asbestose
Agente Causal Sílica cristalina Fibras de asbesto (amianto)
Ocupações Típicas Pedreiras, jateamento de areia/vidro, cerâmica, mineração, escavadores. Construção civil, demolição, fabricação de telhas/revestimentos.
Acometimento Pulmonar Predomínio nos 2/3 superiores. Predomínio nos campos inferiores.
Achados Radiológicos Chave Micronódulos, fibrose, calcificações em casca de ovo nos linfonodos. Opacidades reticulares/nodulares, placas pleurais.
Riscos Associados Reativação de Tuberculose (↑30x), doenças autoimunes (esclerodermia). Mesotelioma pleural, câncer de pulmão.
Tratamento Prevenção, suporte, transplante pulmonar (única cura). Prevenção, suporte.

3. Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI)

A Fibrose Pulmonar Idiopática é a mais comum das PID, caracterizada por uma fibrose progressiva e irreversível do parênquima pulmonar de causa desconhecida. Possui um prognóstico reservado.

Epidemiologia

Quadro Clínico

Diagnóstico

🧪 High Yield Note (USP-RP): O exame mais sensível para detectar uma alteração funcional pulmonar na FPI é a Difusão de Monóxido de Carbono (DLCO).

Padrão Histopatológico

A biópsia pulmonar na FPI revela o padrão de Pneumonite Intersticial Usual (PIU), caracterizado pela presença concomitante de:

É importante notar que esses achados coexistem na mesma biópsia, poupando brônquios e vasos.

Tratamento

O tratamento da FPI visa retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida, dado o prognóstico reservado.


4. Pneumonite Intersticial Descamativa (PID)

A Pneumonite Intersticial Descamativa (PID) compartilha algumas semelhanças com a Fibrose Pulmonar Idiopática, especialmente em relação à faixa etária e à forte associação com o tabagismo. No entanto, apresenta peculiaridades importantes que a distinguem e conferem um prognóstico muito melhor.

Peculiaridades Diagnósticas e Prognósticas


5. Pneumonite por Hipersensibilidade (PH)

A Pneumonite por Hipersensibilidade é uma doença pulmonar inflamatória causada por uma reação imunológica a antígenos inalados, geralmente de origem orgânica.

Características Principais

Formas Clínicas

A PH pode se apresentar de diversas formas, dependendo da intensidade e duração da exposição ao antígeno:

Diagnóstico

O diagnóstico da PH é multifatorial e envolve:

Padrão Radiológico (TCAR)

Tratamento


6. Pneumonia Eosinofílica

A Pneumonia Eosinofílica é caracterizada pelo acúmulo de eosinófilos no parênquima pulmonar. Pode se apresentar de forma aguda ou crônica, com diferenças clínicas e epidemiológicas importantes.

Característica Pneumonia Eosinofílica Aguda (PEA) Pneumonia Eosinofílica Crônica (PEC)
Epidemiologia Homens de 20-40 anos. Mulheres de 30-40 anos.
Associação Reação de hipersensibilidade. Asma e atopia.
Início dos Sintomas Febre e sintomas agudos (< 4 semanas, frequentemente < 7 dias). Evolução subaguda a crônica (semanas a meses).
Achados Laboratoriais Neutrofilia inicial, evoluindo para eosinofilia. Eosinofilia periférica presente ao diagnóstico.
Espirometria Padrão restritivo. Padrão variável (pode ser restritivo, obstrutivo ou normal).
Radiografia/TCAR Opacidade reticular bilateral. Opacidades periféricas, costuma poupar o centro do pulmão.
LBA Eosinófilos elevados. Eosinófilos elevados, IgE pode estar aumentada.
Tratamento Responde bem ao tratamento com corticoides.

Diagnósticos Diferenciais

É importante considerar outros diagnósticos que cursam com eosinofilia pulmonar:


7. Doenças Císticas Pulmonares

Algumas PID se manifestam com a formação de cistos pulmonares, e é importante reconhecer as características distintivas de cada uma, especialmente aquelas que predispõem ao pneumotórax.

🧠 Vínculo Cerebral: Doenças císticas que frequentemente causam pneumotórax recorrente!
Característica Granulomatose de Células de Langerhans (GCL) Linfangioleiomiomatose (LAM)
Epidemiologia Homens jovens (20-30 anos). Mulheres em idade fértil (menacme).
Fator de Risco Principal Forte relação com tabagismo. Relação com síndromes genéticas (ex: Esclerose Tuberosa).
Quadro Clínico PID lenta e progressiva, pneumotórax recorrente, hemoptise. Pneumotórax recorrente, hemoptise, quilotórax.
Achados Radiológicos (TCAR) Cistos de formas "bizonhas" ou irregulares, predominantes nas zonas superiores e médias, poupando as bases. Nódulos podem estar presentes. Cistos de paredes finas, distribuição homogênea por todo o pulmão. Pode haver derrame pleural quiloso (com triglicerídeos elevados).
Tratamento Parar de fumar é a medida mais importante e pode levar à melhora radiológica. Sirolimus/Everolimus (inibidores de mTOR) para estabilizar a função pulmonar.