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Miscelânia


Febre Reumática

A Febre Reumática (FR) é uma complicação inflamatória tardia, não supurativa, de uma infecção prévia por Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do Grupo A - GABHS), que afeta principalmente crianças e adolescentes. Caracteriza-se por uma resposta autoimune que atinge diversos órgãos, com potencial de causar sequelas graves, especialmente no coração.

Conceitos Iniciais

A Febre Reumática surge como uma sequela de uma infecção bacteriana específica, o Streptococcus beta-hemolítico do Grupo A (S. pyogenes). É crucial entender que nem toda infecção estreptocócica leva à FR, e a via de infecção é um fator determinante:

A doença é mais prevalente em crianças em idade escolar, geralmente entre 5 e 15 anos, e em regiões com condições socioeconômicas desfavoráveis e acesso limitado à saúde. O principal fator de risco para um novo surto de Febre Reumática é a história prévia da doença.

O mecanismo patogênico envolve uma reação cruzada autoimune. Após a infecção estreptocócica, o sistema imunológico produz anticorpos para combater a bactéria. No entanto, devido à semelhança antigênica entre componentes do S. pyogenes (como a proteína M) e tecidos do hospedeiro (mimetismo molecular), esses anticorpos e linfócitos T ativados acabam atacando estruturas do próprio organismo, resultando em inflamação sistêmica.

🧠 Conceito Chave: A Febre Reumática é uma doença autoimune desencadeada por uma faringoamigdalite por Streptococcus pyogenes, nunca por piodermite. Ocorre devido a uma reação cruzada que ataca tecidos do próprio corpo.

Quadro Clínico

A Febre Reumática se manifesta como uma condição inflamatória sistêmica aguda, que pode apresentar sintomas gerais e manifestações específicas em órgãos-alvo. Os sintomas inespecíficos incluem febre, artralgia, mialgia, astenia, inapetência e elevação de marcadores inflamatórios como VHS e PCR. As manifestações específicas, que são os critérios maiores de Jones, afetam principalmente articulações, coração, sistema nervoso central e pele.

Artrite Reumática

A artrite é a manifestação mais comum da Febre Reumática, ocorrendo em 60-80% dos casos. Suas características são:

💡 Dica para Prova: A artrite da Febre Reumática é classicamente descrita como "migratória e assimétrica", acometendo grandes articulações e resolvendo-se sem sequelas em até um mês. Se a artrite persistir por mais de um mês, deve-se considerar outros diagnósticos, como artrite reumatoide juvenil.

Cardite Reumática

A cardite é a manifestação mais grave da Febre Reumática, com potencial de deixar sequelas permanentes, e ocorre em 50-60% dos pacientes. Pode envolver todas as camadas do coração (pancardite):

A cardite aguda dura no máximo 8 semanas. As lesões valvares agudas geralmente se manifestam como insuficiência valvar (regurgitação), sendo a insuficiência mitral a mais comum, que se traduz clinicamente por um sopro sistólico. Com a progressão da doença e a formação de cicatrizes, as lesões crônicas evoluem para estenose valvar, sendo a estenose mitral a sequela mais frequente, manifestada por um sopro diastólico de ejeção.

⚠️ Atenção: A cardite é a única manifestação da Febre Reumática que pode deixar sequelas permanentes, principalmente estenose valvar. Em adultos jovens no Brasil com cardiopatia de etiologia desconhecida, a Febre Reumática deve ser sempre considerada.

Um achado histopatológico patognomônico da cardite reumática, embora raramente visto em vida, são os Nódulos de Aschoff, que são granulomas encontrados no miocárdio.

🧠 Conceito Mnemônico: A Febre Reumática "lambe" as articulações (sem deixar sequelas) e "morde" o coração (com potencial de sequelas graves).
Característica Lesão Valvar Aguda (Cardite Ativa) Lesão Valvar Crônica (Sequela)
Valva mais acometida Mitral > Aórtica Mitral > Aórtica > Dupla
Tipo de lesão Insuficiência (Regurgitação) Estenose (Calcificação)
Sopro característico Sopro sistólico (Insuficiência Mitral) Sopro diastólico de ejeção (Estenose Mitral)
Potencial de sequela Alto Presente (já é a sequela)

Manifestações Cutâneas

As manifestações dermatológicas são menos comuns (1-5%) e, quando presentes, frequentemente indicam um quadro de cardite mais grave. Elas incluem:

🔎 Diagnóstico Diferencial: Os nódulos subcutâneos da Febre Reumática são menores e de menor duração que os da Artrite Reumatoide.

Comprometimento do SNC: Coreia de Sydenham

A Coreia de Sydenham, também conhecida como "Dança de São Vito", é a manifestação neurológica da Febre Reumática, ocorrendo em 10-15% dos casos. É a coreia mais comum na infância e resulta do ataque autoimune aos núcleos da base do cérebro, que são importantes para a coordenação motora e fazem parte do sistema extrapiramidal.

Suas características incluem:

🧠 Conceito Essencial: Em crianças, a presença de coreia deve levantar forte suspeita de Coreia de Sydenham, mesmo na ausência de outras manifestações de Febre Reumática. Pode ser a única manifestação da doença.

Achados Laboratoriais

Os exames laboratoriais são importantes para confirmar a inflamação e a infecção estreptocócica prévia, mas nem todos são úteis para o acompanhamento da doença:

🧪 Exame Chave: A Alfa-glicoproteína Ácida é o marcador inflamatório mais indicado para o acompanhamento da atividade da Febre Reumática, devido à sua cinética de elevação e normalização mais lenta.

Diagnóstico: Critérios de Jones

O diagnóstico da Febre Reumática é clínico e baseia-se nos Critérios de Jones modificados, que combinam evidências de infecção estreptocócica recente com manifestações clínicas maiores e menores. É fundamental a presença de evidência de infecção estreptocócica recente para o diagnóstico, exceto em situações específicas.

Critérios Maiores
Critérios Menores
Evidência Obrigatória de Infecção Estreptocócica Recente

Um dos seguintes deve estar presente:

Combinações Diagnósticas
⚠️ Atenção: Exceções ao Critério Obrigatório!
Critérios Maiores Critérios Menores
Poliartrite Poliartralgia
Cardite (clínica ou subclínica) Febre ≥ 38,5°C
Nódulos Subcutâneos Aumento de VHS e PCR
Eritema Marginado Aumento do intervalo PR no ECG
Coreia de Sydenham

Tratamento do Surto Agudo

O tratamento da Febre Reumática visa erradicar o S. pyogenes, controlar a inflamação e aliviar os sintomas das manifestações agudas. É importante ressaltar que o antibiótico não trata a doença autoimune em si, mas previne a reinfecção e a transmissão.

1. Erradicação do Streptococcus pyogenes

Mesmo que a infecção inicial já tenha regredido, é fundamental erradicar qualquer S. pyogenes remanescente da orofaringe para prevenir novas infecções e reduzir a transmissão comunitária.

💊 Tratamento Essencial: A Penicilina G Benzatina erradica o S. pyogenes, prevenindo a transmissão e reinfecções, mas não trata as manifestações inflamatórias da Febre Reumática já estabelecidas.
2. Controle da Artrite

A artrite responde muito bem a anti-inflamatórios.

⚠️ Cuidado: Evitar o uso de AAS no início do quadro, antes da confirmação diagnóstica da Febre Reumática, pois pode mascarar as características migratórias da artrite, dificultando o diagnóstico. Nesses casos, pode-se usar paracetamol para alívio sintomático inicial.
3. Tratamento da Cardite

Devido ao risco de sequelas permanentes, a cardite requer uma abordagem mais agressiva.

💊 Tratamento Prioritário: A cardite é a manifestação mais grave e, por isso, o tratamento com corticosteroides é fundamental para reduzir a inflamação e minimizar o risco de danos valvares permanentes.
4. Manejo da Coreia de Sydenham

O tratamento da coreia visa controlar os movimentos involuntários e a labilidade emocional.

5. Manifestações Cutâneas

Os nódulos subcutâneos e o eritema marginado geralmente regridem espontaneamente e não requerem tratamento específico, mas sua presença indica a necessidade de investigação e tratamento da cardite associada.

Profilaxia da Febre Reumática

A profilaxia é essencial para prevenir o primeiro surto da doença (primária) e, principalmente, para evitar recorrências em pacientes que já tiveram Febre Reumática (secundária), o que minimiza o risco de progressão da doença cardíaca reumática.

Profilaxia Primária

Consiste no tratamento adequado e precoce da faringoamigdalite estreptocócica para evitar o desenvolvimento do primeiro surto de Febre Reumática.

💡 Dica: A profilaxia primária é a melhor estratégia para evitar a Febre Reumática. O diagnóstico e tratamento rápidos da faringoamigdalite estreptocócica são cruciais.

Profilaxia Secundária

Indicada para todos os pacientes que já tiveram um surto agudo de Febre Reumática, com o objetivo de prevenir novas infecções estreptocócicas e, consequentemente, novos surtos da doença, que poderiam agravar as lesões cardíacas.

Duração da Profilaxia Secundária

A duração da profilaxia secundária depende da presença e gravidade do comprometimento cardíaco:

⚠️ Atenção: Para pacientes com cardite grave ou sequela, a profilaxia secundária é geralmente mantida por toda a vida. Algumas diretrizes podem sugerir interrupção aos 40 anos se não houver contato íntimo com crianças em idade escolar, mas a regra geral para sequelas é "ad eternum".
Apresentação Clínica Duração da Profilaxia Secundária
Febre Reumática sem cardite Até 21 anos ou 5 anos após o último surto (o que for mais longo)
Cardite sem sequela ou insuficiência mitral leve Até 25 anos ou 10 anos após o último surto (o que for maior)
Cardite grave (com repercussão sistêmica) ou com sequela Ad eternum (por toda a vida)
Pós-cirurgia valvar Ad eternum (por toda a vida)

Fibromialgia

Conceitos Iniciais

A fibromialgia é um distúrbio crônico caracterizado por uma alteração no processamento central dos estímulos álgicos, resultando em dor musculoesquelética generalizada e fadiga persistente. É uma condição complexa, não inflamatória, que afeta significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

🧠 Conceito Chave: A fibromialgia é um distúrbio de sensibilização central, não uma doença inflamatória ou degenerativa.

Epidemiologia

Esta síndrome é mais prevalente em mulheres, com uma proporção de aproximadamente 9:1 em relação aos homens, e geralmente se manifesta entre os 35 e 55 anos de idade. É frequentemente associada a outras condições, como:

Fisiopatologia

A fisiopatologia da fibromialgia é multifatorial e ainda não completamente elucidada, envolvendo uma complexa interação de fatores. Os mecanismos propostos incluem:

💡 Dica: Lembre-se que a fibromialgia não possui uma causa única, mas sim uma combinação de fatores que levam à disfunção na percepção da dor.

Quadro Clínico

O quadro clínico é dominado por uma tríade de sintomas:

⚠️ Atenção: É crucial diferenciar a fibromialgia de doenças inflamatórias. Na fibromialgia, não há sinovite, tendinite ou alterações neurológicas objetivas.

Diagnóstico

O diagnóstico da fibromialgia é clínico, baseado em critérios específicos, e não em exames laboratoriais ou de imagem.

Critérios ACR/2010 (American College of Rheumatology)

Os critérios de 2010 foram desenvolvidos para melhorar a especificidade diagnóstica em comparação com os de 1990. Eles avaliam a dor generalizada e a gravidade dos sintomas, podendo ser utilizados tanto para o diagnóstico inicial quanto para o acompanhamento da doença.

O diagnóstico é estabelecido se:

Índice de Dor Generalizada (IDG) Pontuação
Cervical+1 ponto
Tórax+1 ponto
Dorso+1 ponto
Lombar+1 ponto
Abdômen+1 ponto
Mandíbula Direita+1 ponto
Ombro Direito+1 ponto
Braço Direito+1 ponto
Antebraço Direito+1 ponto
Mandíbula Esquerda+1 ponto
Ombro Esquerdo+1 ponto
Braço Esquerdo+1 ponto
Antebraço Esquerdo+1 ponto
Quadril Direito+1 ponto
Quadril Esquerdo+1 ponto
Coxa Direita+1 ponto
Coxa Esquerda+1 ponto
Perna Direita+1 ponto
Perna Esquerda+1 ponto
Escala de Gravidade dos Sintomas (EGS) Nenhum Leve Moderado Intenso
Fadiga / Cansaço ao executar atividades 0 pontos +1 ponto +2 pontos +3 pontos
Sono não reparador 0 pontos +1 ponto +2 pontos +3 pontos
Sintomas cognitivos (ex: dificuldade de memória/concentração) 0 pontos +1 ponto +2 pontos +3 pontos
Sintomas somáticos gerais (ex: dor de cabeça, dor abdominal) 0 pontos +1 ponto +2 pontos +3 pontos

Critérios AAPT/2019 (American Association for the Study of Pain Task Force)

Os critérios mais recentes da AAPT simplificam o diagnóstico, focando em:

🔎 Diagnóstico: A presença de uma doença orgânica de base não exclui o diagnóstico de fibromialgia. Ou seja, a fibromialgia não é um diagnóstico de exclusão!

Diagnósticos Diferenciais Essenciais

É importante considerar outras condições que podem mimetizar ou coexistir com a fibromialgia:

Síndrome da Fadiga Crônica (Neurastenia)

Caracteriza-se por fadiga persistente por mais de 6 meses que não melhora com repouso, acompanhada de pelo menos quatro dos seguintes sintomas menores:

O tratamento foca em terapia cognitivo-comportamental e mudanças no estilo de vida. Antidepressivos são indicados apenas se houver depressão associada.

Dor Miofascial

Diferencia-se da fibromialgia por ser uma dor muscular mais localizada, associada à dor referida em áreas adjacentes. Ambas são desencadeadas por digitopressão em um ponto específico, sendo por vezes descrita como uma "fibromialgia localizada".

Abordagem Terapêutica

O tratamento da fibromialgia é multidisciplinar e individualizado, visando o alívio dos sintomas e a melhoria da qualidade de vida.

💊 Tratamento Personalizado: A escolha do tratamento farmacológico deve ser individualizada, considerando o perfil do paciente, comorbidades e resposta aos medicamentos.

Policondrite Recidivante

Conceitos Iniciais

A policondrite recidivante é uma doença autoimune rara, caracterizada por episódios inflamatórios recorrentes que afetam estruturas cartilaginosas em diversas partes do corpo. O termo "policondrite" refere-se à inflamação de múltiplas cartilagens, enquanto "recidivante" indica a natureza de surtos e remissões da doença.

🧠 Conceito Chave: É uma condição autoimune que causa inflamação de cartilagens, frequentemente confundida com outras doenças reumatológicas. Embora rara, é importante conhecer seus diagnósticos diferenciais.

Epidemiologia

A doença geralmente se manifesta entre os 40 e 50 anos de idade, sem predileção significativa por sexo, afetando homens e mulheres em proporções semelhantes. É comum que a policondrite recidivante esteja associada a outras doenças autoimunes, como lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide e vasculites.

Quadro Clínico

O acometimento cartilaginoso pode ser generalizado, mas algumas regiões são mais frequentemente afetadas:

⚠️ Atenção: A preservação do lóbulo da orelha na condrite auricular é um achado clínico clássico e muito útil para o diagnóstico diferencial da policondrite recidivante.

Laboratório

Os exames laboratoriais não são específicos para o diagnóstico, mas podem indicar inflamação sistêmica e auxiliar na exclusão de outras condições:

Diagnóstico

O diagnóstico da policondrite recidivante é baseado em critérios clínicos e na exclusão de outras patologias.

Etapa 1: Exclusão de Diagnósticos Diferenciais

É fundamental afastar outras condições que podem causar inflamação cartilaginosa ou sintomas semelhantes, como:

Etapa 2: Critérios Formais (Critérios de McAdam ou Damiani e Levine)

O diagnóstico é estabelecido pela presença de pelo menos três dos seguintes critérios clínicos, ou por biópsia de cartilagem compatível associada a pelo menos um critério clínico:

💡 Dica: A inflamação ocular é um critério importante e já foi cobrado em provas de residência. Fique atento a essa manifestação!

Abordagem Terapêutica

O tratamento visa controlar a inflamação, aliviar os sintomas e prevenir a progressão da destruição cartilaginosa.

🚨 Emergência: A condrite laringotraqueobrônquica é uma manifestação grave que exige atenção imediata devido ao risco de obstrução das vias aéreas.

Amiloidose

A amiloidose é um grupo de doenças complexas e muitas vezes subdiagnosticadas, caracterizadas pelo depósito extracelular de proteínas insolúveis, as fibrilas amiloides, em diversos tecidos e órgãos.

Definições Essenciais

A amiloidose é um conjunto de patologias que se manifestam pela deposição anormal de uma substância proteica específica, a substância amiloide, no espaço extracelular dos tecidos.

🧠 Conceito Chave: Para configurar amiloidose, o depósito da substância amiloide deve ser EXTRACELULAR, levando à disfunção orgânica.

Fisiopatologia da Amiloidose

O processo fisiopatológico da amiloidose inicia-se com uma proteína normal que, por diversos fatores, sofre um processo de misfolding (dobramento incorreto). Essa alteração pode ser desencadeada por mutações genéticas, inflamação crônica, discrasias plasmocitárias ou diálise prolongada.

Originalmente solúvel e transportada no plasma, a proteína, após o misfolding, torna-se insolúvel. Essa insolubilidade leva à formação de diversas fibrilas amiloides que se acumulam e se depositam em tecidos e órgãos vitais como rins, fígado, coração e sistema nervoso central, resultando em disfunção orgânica progressiva. Existem múltiplos tipos de fibrilas amiloides, e cada uma pode ter uma predileção específica por determinados tecidos, o que explica a variedade de subtipos clínicos da doença.

💡 Lembre-se: O misfolding proteico transforma proteínas solúveis em fibrilas insolúveis, que se depositam nos tecidos, causando disfunção.

Subtipos Principais de Amiloidose

Embora existam mais de 25 subtipos de amiloidose, quatro são os mais relevantes para o estudo e a prática clínica. O prefixo "A" em todos eles indica "amiloidose", e o sufixo designa o tipo de fibrila amiloide envolvida.

Epidemiologia

Quando Suspeitar de Amiloidose?

A suspeita de amiloidose deve surgir diante de um ou mais dos seguintes achados clínicos, especialmente quando inexplicáveis por outras condições mais comuns:

🔎 Dica de Prova: Fique atento a sinais cutâneos como espessamento da pele e equimoses, especialmente peri-orbitárias (sinal do guaxinim sem trauma).
⚠️ Atenção: A pseudo-hipertrofia muscular, notadamente a macroglossia (aumento da língua), é um achado altamente sugestivo de amiloidose.

Manifestações Clínicas Detalhadas

Proteinúria Nefrótica

A deposição de substância amiloide na matriz mesangial dos glomérulos renais leva à proteinúria. Os achados típicos incluem:

🧪 Achado Clássico: Síndrome nefrótica com sedimento urinário normal e rins aumentados na imagem pode indicar amiloidose renal.
Cardiomiopatia Restritiva

O depósito de fibrilas amiloides no miocárdio compromete a função cardíaca, levando a uma cardiomiopatia restritiva. Os achados incluem:

🚨 Dissociação Massa-Voltagem: A presença de um miocárdio espessado no ecocardiograma, mas com baixa voltagem no ECG, é um sinal altamente sugestivo de amiloidose cardíaca. Isso ocorre porque o amiloide ocupa espaço, mas não conduz eletricidade.
Hepatomegalia sem Causa Aparente

O depósito de substância amiloide no fígado pode levar ao seu aumento. Os achados laboratoriais podem incluir:

Neuropatia Periférica Idiopática

A deposição de amiloide nos neurônios periféricos causa disfunção nervosa. Os achados incluem:

Espessamento Cutâneo e Equimoses

O acúmulo de amiloide na pele e nos vasos sanguíneos (angiopatia amiloide) pode levar a alterações cutâneas:

Pseudo-hipertrofia Muscular

A deposição de amiloide nos músculos pode simular hipertrofia. O achado principal é a macroglossia (aumento da língua), que pode ser acompanhada por:

Diagnóstico da Amiloidose

O diagnóstico definitivo da amiloidose é histopatológico, realizado por meio de biópsia.

Como Identificar a Substância Amiloide?

A identificação da substância amiloide é feita por meio de coloração específica e análise microscópica:

🔬 Diagnóstico Padrão-Ouro: Biópsia com coloração de Vermelho do Congo e visualização de birrefringência verde sob luz polarizada.
Onde Biopsiar?
Como Determinar o Subtipo?

Após a confirmação da presença de amiloide, a imunohistoquímica é essencial para identificar o tipo específico de fibrila amiloide, permitindo a classificação do subtipo de amiloidose e orientando o tratamento.

Subtipos de Amiloidose: Características e Tratamento

Amiloidose AA
⚠️ Atenção: Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) NÃO causa amiloidose AA. Este é um conceito frequentemente cobrado em provas.
Amiloidose AL
Amiloidose ATTR
Amiloidose Aβ2M

Prognóstico

O prognóstico da amiloidose varia significativamente entre os subtipos:

Resumo - Subtipos de Amiloidose

Subtipo Fibrila Amiloide Fisiopatologia Órgãos-Alvo Principais Tratamento
AA Amiloide A Secundária (principalmente Artrite Reumatoide) Rim e Fígado Tratar a doença de base
AL Cadeias Leves de Imunoglobulina Discrasia Plasmocitária "Protótipo" = TODOS os órgãos Transplante Autólogo de Medula Óssea
ATTR Transtirretina Hereditária Rim, Coração, Sistema Nervoso, OLHOS Transplante de Fígado (Tafamidis para cardiomiopatia)
Aβ2M Beta-2-Microglobulina Diálise Prolongada OSSOS/ARTICULAÇÕES Transplante Renal